Sob a Figueira

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No início do seu ministério, Cristo chamou a Filipe para segui-lo. Ao ser chamado Filipe foi em busca de Natanael para dizer-lhe que ele (Filipe) tinha encontrado a Cristo. Natanael foi um pouco duvidoso, mas a convite de Filipe foi vê-lo.

Quando Jesus viu Natanael chegando, ele disse: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!” (nota do tradutor: sem dolo não porque não pecasse, mas porque era piedoso e um homem de oração cuja esperança estava na promessa da vinda do Messias para salvar os pecadores).

Natanael, maravilhado como aquele homem lhe havia conhecido, perguntou: “De onde me conheces tu?” Jesus respondeu: “Quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi.”, João 1.48.

É evidente que algo tinha acontecido com Natanael debaixo da figueira fora dos detalhes comuns da vida diária. Se não havia algo bastante incomum ou algo maior do que os eventos comuns da vida ocorrido lá, o Salvador não teria mencionado este lugar particular. Havia nessa resposta algo que foi altamente significativo para Natanael. Nessa época, havia muitas pessoas devotas que procuravam a “consolação de Israel”. Eles estavam esperando a vinda do Rei dos Judeus.

Não é difícil para mim acreditar que Natanael estava debaixo da figueira orando a Deus para a rápida vinda do Messias. (nota do tradutor: o que provavelmente tenha sido o motivo de ter sido levado ao Senhor por Filipe, como para lhe mostrar que suas orações haviam sido ouvidas). Quando Jesus lhe disse: “Quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi”, Natanael imediatamente respondeu: “Tu és o Rei de Israel.”

Ele estava, sem dúvida, sob a árvore em oração para este fim, não somente uma vez, mas muitas vezes, provavelmente por meses e talvez anos. Ele havia orado por isso mesmo. Ele havia escolhido uma figueira especial como um lugar para a oração. Não era uma figueira, mas a figueira. Lá, ele havia orado muito e muitas vezes para o rei de Israel vir.

Assim, quando Jesus disse: “Quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi”, ele soube imediatamente que suas reiteradas preces foram atendidas e, portanto, disse: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel.”
Muitos devotos desde aquele dia têm tido o seu local secreto de comunhão com Deus.

Talvez fosse na floresta em um outeiro coberto de musgo, debaixo de um carvalho, num local gramado na margem de um córrego, ou debaixo de uma sombra de árvore que cresceu junto ao ribeiro no prado. Para estes lugares de silêncio solene que iriam recorrer quando as sombras da noite estavam caindo ou quando a luz da manhã estivesse riscando o céu, e lá a partir da plenitude de suas almas eles derramariam o seu louvor e gratidão a Deus. Estes eram os mais queridos lugares do mundo para eles.

Pode ser que haja idosos hoje, que tiveram esses lugares nos primeiros dias de suas vidas. Embora eles já estejam longe desses cenários, estes ainda estão guardados de forma sagrada na memória.

Há aqueles que hoje têm os seus altares de oração em algum lugar isolado. Lá, eles conhecem a Deus e lhe dizem todos os seus sofrimentos e cuidados, lá eles recorrem a ele e à sua benignidade, lá eles imploram a sua graça para sustentá-los em todas as suas situações difíceis da vida, e lá adoram a seus pés. Bendizei o seu nome!

Amado, você tem a “figueira”? e você o tem encontrado sob ela frequentemente? Você tem um canto em algum lugar tranquilo, que seja santificado pela presença de Deus?
O discípulo amado João, quando no Espírito, viu taças de ouro nas mãos dos adoradores do Cordeiro ao redor do trono. Estas taças de ouro, diz ele, estavam “cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Apo 5.8).

Você, caro leitor, todos os dias, enche taças de ouro ao redor do trono de Deus com o doce aroma da oração? Mais uma vez, este discípulo, quando o sétimo selo foi aberto, viu sete anjos que estavam diante de Deus, com sete trombetas. Depois veio outro anjo, com um incensário de ouro. A ele foi dado o incenso, que ele ofereceu com as orações dos santos no altar de ouro, e a fumaça do incenso com as orações dos santos subiu a Deus. (Veja Apo 8.3,4).

Temos o privilégio de misturar nossas orações com o incenso que está sendo oferecido diante do trono. O salmista parecia compreender algo da natureza da oração, quando ele disse: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina.”, Salmos 141.2.

As orações que foram oferecidos pelo devoto Cornélio eram tão perfumadas diante de Deus que elas foram mantidas como um memorial diante dele. Um memorial é algo mantido em memória de qualquer um. Se você quer ser mantido em memória diante de Deus, veja que suas orações estejam altamente impregnadas com um doce aroma.

Você deve orar ou morrer. Ninguém pode manter a vida espiritual por qualquer grande período de tempo, sem oração. Por isso, exorto-vos a uma vida de oração.

Tradução feita pelo Pr Silvio Dutra de um texto de James Orr.


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