Obreiros ruins

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Às vezes não é tão difícil como se pensa reconhecer um mal obreiro. A Palavra de Deus está cheia de subsídios para isso. Observemos, por exemplo, o texto em III João 9-10.

“Escrevi algumas palavras à igreja, mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia, não nos recebe. Pelo que, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas. Não contente com isto, não acolhe os irmãos, impede os que querem recebê-los, e os expulsa da igreja.” (AEC)

Pronto. Eis um quadro acabado de um péssimo líder.

Observe que João diz que Diótrefes “gosta de exercer a primazia”. Maus obreiros adoram a ribalta. Não gostam de servir. Você não os vê varrendo a igreja. Ajeitando as cadeiras. Eles estão sempre prontos para o púlpito. Para as luzes. Normalmente chegam na igreja quando tudo já está pronto, como um astro de cinema que só surge no momento de aparecer em cena. Servir à igreja é sinal óbvio de quem um dia pretende liderar.

Diótrefes não era assim. Só sentia-se à vontade se fosse o alvo das atenções. Não gostava de dividir sua glória com ninguém.

Por isso não gostava de João. O apóstolo tinha um nome forte em toda a igreja da época (e de hoje, é claro). Era o discípulo a quem Jesus amava. O que foi confiado a proteção de Maria, mãe do Salvador. O único que teria morte natural. Não era pouca coisa. Era tão – ou mais – respeitado que Pedro, Tiago ou Paulo. Ao contrário de Diótrefes, era discreto. Sempre foi discreto. A tal ponto que, ao escrever seu Evangelho, faz referência a si mesmo como um simples jovem que estava lá.

Com João presente, Diótrefes perdia seu brilho. Líderes como ele vivem em pé de guerra com qualquer coisa que chame mais a atenção do que sua pessoa. Vivem em um mundo de insegurança, onde, a qualquer momento, alguém virá e lhes roubará o lugar. Suas armas eram a calúnia, a difamação e a intriga. Obreiros que falam demais não podem liderar. Obreiros que costumeiramente lançam sementes de contenda entre os irmãos não podem ser separados para o ministério. É um grave risco a todos. À igreja e a eles mesmos.

Quando não conseguia lançar os irmãos contra João, perseguia os que gostavam dele, impedindo-os de recebê-los em suas casas, e punindo com a expulsão da comunidade aqueles que lhe desobedeciam. Temia um motim contra sua liderança.

A questão é que obreiros assim tem, como se diz por aí, o ‘rabo preso’. Ervas daninhas que são, não é difícil encontrar rastros de más obras por onde passam. Por isso João acaba evitando o confronto, para preservar a igreja. E para não pagar o mal com o mal.

Vendo a descrição de Diótrefes, parece que foi escrita ontem.

Porque os erros insistem em ser cometidos.

Neto Curvina
Tentando acertar


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