O que não ensinam sobre o dízimo

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O que não ensinam sobre os dízimos.

A escassez de ensinamentos corretos sobre dízimos entre os cristãos me leva a dar a este estudo o título supracitado. Ao discorrer pelas páginas do novo testamento é muito fácil perceber o quanto é ausente o atual e tão comentado dízimo direcionado de forma compulsória as comunidades cristãs fundadas pelos apóstolos.

Inúmeras vezes ouvimos ensinamentos e testemunhos a esse respeito e podemos também notar que a maior parte dos cristãos adota a famosa postura de “dizimista fiel”. Entretanto, ensinamentos e testemunhos e também o fato de a maioria adotar uma determinada postura, não justifica a legitimidade de uma doutrina. O que justifica uma doutrina é o fato de ela estar acordo com as escrituras, que dependendo do ponto de vista é a suprema regra de fé e prática de todo aquele que professa Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

O dízimo é uma questão muito subjetiva, visto haver opiniões que se divergem a respeito.
De um ponto de vista mais amplo há duas correntes de interpretação da doutrina do dízimo: a interpretação adotada pela extrema maioria, que afirma que o dízimo é uma doutrina neotestamentária, devendo assim, segundo essa interpretação, ser aplicada aos cristãos.

Baseiam-se principalmente nas passagens de Malaquias 3: 8- 11; Genesis 14: 18- 24; e Mateus 23: 23. Usam basicamente essas três passagens para refutar os oponentes. Resumidamente da seguinte forma: a passagem de Genesis 14 para alegar que o dízimo não é parte da lei e a passagem do evangelho de Mateus para argumentar que Jesus aprova e dá continuidade a prática do dízimo.

A outra corrente de interpretação é totalmente contra esse argumento, afirmando que o dízimo é parte da lei de Moisés, sendo assim, não deve ser aplicada á cristãos porque estão sob a dispensação da graça e não sob a dispensação da lei mosaica. Esta corrente de interpretação alega que as contribuições dos cristãos no novo testamento eram por motivos totalmente diferentes de os de hoje em dia e eram feitas de acordo com o impulso do Espírito Santo, ou seja, de forma voluntária e independente de quando e onde ofertar. Usam principalmente as passagens: Atos 4: 32- 37; 2 Co capítulos 8- 9. O presente estudo adota esta corrente de interpretação.

O fato da doutrina do dízimo ser uma questão subjetiva não deve ser levado em consideração, visto que com relação às várias doutrinas bíblicas pode ser feito diferentes aplicações de um mesmo texto, mas, se tratando de interpretação, só existe uma para cada uma das doutrinas registradas na bíblia. É de se considerar que os autores de cada livro e epístola escreveram visando um objetivo, certamente levando em consideração até mesmo os níveis de conhecimento de seus destinatários, sendo assim, os autores escreveram com a intenção de que seriam facilmente entendidos.

Conforme o passar dos anos, incidentemente foi ficando mais difícil uma boa compreensão de seus textos. Inevitavelmente torna-se mais trabalhoso uma exata exegese bíblica, devido à distância do contexto cultural e social da época em que a bíblia foi escrita e concluída. Mas não é impossível obtermos êxito ao estudar as escrituras, pois na atual era da informática, são disponíveis vários documentos e registros históricos que nos ajudam a compreender melhor as escrituras sem erros grotescos que infelizmente é o que mais tem acontecido atualmente.

Para tomarmos um caminho correto devemos examinar “os dois lados da moeda” e tomar uma posição, a qual esteja fundamentada nas escrituras, desde que interpretadas e aplicadas de forma correta. Devemos consultar minuciosamente as escrituras considerando alguns princípios básicos de exegese bíblica a fim de sermos salvaguardados de heresias com aparência de piedade.

Um dos princípios básicos de interpretação bíblica a serem altamente considerados é aprender diferenciar; antigo testamento e novo testamento.
O dízimo é um assunto muito discutido atualmente, porém, pouco se sabe por parte do povo de DEUS á respeito dessa doutrina. Há pouco tempo um famoso pastor televisivo com um argumento bem persuasivo e “espiritual” chegou ao absurdo de pedir o “trízimo” aos fiéis de sua instituição.

As interpretações sobre dízimos da maioria dos cristãos geralmente são forçadas e cheias de “espiritualismo”. Argumentam que a obra do Senhor não pode parar. Essa “obra” tão amplamente proclamada é: pagar as despesas ou o aluguel do salão com uma placa com nome de “igreja”, enviar uma porcentagem do valor arrecadado á “igreja sede” para que sejam construídos mais templos, pagar o salário de pastores, pagar as despesas de programas de entretenimento, pagar o cachê de cantores gospels e etc. Você está tão bombardeado por argumentos e afirmações como essas que neste momento deve estar sendo gerado um conflito em seu raciocínio.

Talvez você até esteja sendo tentado a desistir da leitura do presente estudo pelo fato dele não estar de acordo com suas convicções. É difícil aceitarmos ensinamentos que se chocam com aquilo que há vários anos estamos cegamente seguindo. Creio que você deve estar achando que sou um rebelde e insubmisso que não quer compromisso com as coisas de DEUS, quero que o irmão saiba que eu desejo sim um forte compromisso com DEUS, mas não um compromisso com meras atividades religiosas. A seguir, falarei rapidamente com mais detalhes sobre o que é segundo a bíblia; a obra de DEUS.

“As idéias novas são para muita gente como as frutas verdes que travam na boca”.
Marquês de Maricá
Poucos sabem que a prática do dízimo só foi adotada pela maioria dos cristãos a cerca de treze séculos. Ela só foi plenamente aceita por volta do ano 700 d.C. É mais do que provado bíblica e historicamente, por consenso unânime dos mais abalizados eruditos da bíblia, que não é uma doutrina e nem uma prática neotestamentária.

O dízimo praticado hoje em dia é uma doutrina proveniente da mente humana e não do novo testamento. No começo foi rejeitada, aos poucos foi sendo absorvida. Alguns anos se passaram e foi plenamente aceita pela maioria e tornou-se uma tradição. Hoje em dia se alguém contrariá-las é considerado um herege, avarento, rebelde ou desviado.

A experiência provê a dolorosa prova de que as tradições, uma vez engendradas, são primeiramente tidas como úteis, depois consideradas necessárias, até finalmente serem transformadas em ídolos. Todos têm que se curvar diante delas ou haverá punição.
– J.C. Ryle

Procurarei expor aqui este estudo de maneira suscita, quero deixar bem claro que os versículos citados estão de pleno acordo com o contexto. Esqueça a “lupa” do cristianismo moderno e da tradição religiosa e deixe ser persuadido pelo Espírito Santo. Jamais deixe de conferir os versículos citados, pois esse é infelizmente um péssimo costume da maioria dos cristãos que abraçam tudo o que lhes é ensinado pelo clero da igreja, simplesmente porque foram ensinados a se submeterem a autoridade e confiarem na “unção e sabedoria” dos tais. Infelizmente nem todos se dão o trabalho de conferir nas escrituras se tudo está de acordo com a palavra do Criador. Devemos seguir o exemplo dos irmãos de Beréia (Atos 17: 10, 11).

Quero que o irmão leitor entenda que não pretendo ofender ninguém, confesso que em alguns trechos desse estudo estarei sendo rude na palavra, usarei exemplos diretos, expressões comumente usadas no meio evangélico em forma de perguntas retóricas, mas isso é só uma forma de chamar sua atenção ao objetivo proposto.

Existem homens influentes que sabem das verdades faladas aqui, mas o status quo lhes endurece o coração. Assim como os escribas dos dias de Jesus, esses homens são interpretes da bíblia, influenciam o povo a entender as escrituras de acordo com os seus moldes, de acordo com a maneira que á eles convém. Esses homens almejam sucesso ministerial, serem visto pelos homens, são “Diótrefes e nicolaítas” que se deleitam em estar no domínio do rebanho (3 Jo 9, 10; Ap 2: 15).

A tradição em aparência de devoção e piedade aliena os leigos fazendo com que eles aceitem tudo passivamente porque confiam na “sabedoria e unção” desses homens. Que o Senhor repreenda esses dominadores, com esses, o Filho de DEUS há de tratar quando na sua volta (2 Pd 2: 1-3).

Infelizmente a maior parte dos irmãos, subinconscientemente, está ludibriada pela tradição. Meu desejo é que depois da leitura desse estudo, você, prezado leitor se dê conta disso e sinta também o desejo de voltar á simplicidade vivida no novo testamento. Pare, pense e reflita, esquadrinhe seus caminhos, suas práticas e tudo aquilo que por mera tradição você acredita sem se dar conta, o quanto as gerações de homens se afastaram da simplicidade do evangelho do Senhor (2Cor. 11: 3). Talvez na melhor das intenções de simplesmente se organizarem, o cristianismo perdeu sua pureza e simplicidade.

No afã de substituir antigas religiões, o cristianismo tornou-se uma religião.
Alexander Schmemann
Se você chegou até este ponto da leitura, creio que a sua curiosidade já foi aguçada, isso é muito bom, com isso você deixa de lado o preconceito, continue a leitura e seja iluminado pelo Espírito Santo que em ti habita.

Sei que não é má intenção da grande maioria desses irmãos que seguem o que os outros seguem, ou que até mesmo optam por ficar do lado da maioria, crendo que onde está à maioria é mais seguro, enfim, se apóiam no pobre e famoso ditado: “A voz do povo é a voz de DEUS!”. Isso é simplesmente uma questão de herança religiosa. Tenho plena certeza que mesmo inocentemente, estão apenas procurando fazer o melhor para o Senhor e que estão buscando dia após dia aperfeiçoarem-se espiritualmente. Eis aqui através desse estudo uma oportunidade para você. Que DEUS te abençoe!

A sinceridade e dedicação no serviço a DEUS.

A sinceridade e a dedicação no serviço a DEUS é uma atitude muito louvável da parte da maioria dos irmãos, contudo, lamento dizer, não é a base para se fazer a vontade do Criador. Talvez você esteja pensando agora: “Mas irmão! Não há necessidade de nos preocuparmos com estas coisas, DEUS conhece nossos corações, o que importa é a nossa sinceridade diante Dele, temos que pregar o evangelho!”.

Saiba que nós cristãos devemos fundamentar nossa sinceridade e dedicação a DEUS na palavra Dele, e não em nossos corações. Veja o que o Senhor disse pela boca de Jeremias: “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso quem o conhecerá?” (Jeremias 17: 9). Será que somente a nossa sinceridade basta?

Muitas vezes, aos nossos olhos achamos que estamos agindo da maneira correta e não comparamos o que fazemos para DEUS com os preceitos da bíblia. “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14: 12). Por isso Ele nos deixou Sua poderosa e inerrânte palavra para que possamos nos guiar por ela (Sl 119: 105).

As exigências do Senhor para a confecção do tabernáculo foram grandes e detalhadas. Moisés teve que segui-las nos mínimos detalhes (Hb 8: 5- Ex. 25: 40). Moisés não era livre para fazer o que quisesse, porém, de nós o Senhor exige muita mais obediência. Porque vivemos sob uma revelação muito maior.

O tabernáculo construído por Moisés era sem vida, terreno, temporário, simples FIGURA de algo vivo, celestial, eterno e real (Hb 8: 5). Veja que contraste! Esse algo vivo, celestial, eterno e real é referente á igreja, a ekklesia, o povo escolhido do Senhor. As exigências para a edificação da igreja que é viva, celestial, eterna e real é muito maior. Sendo assim, apoiados nesse conceito fica então subentendido que nossa responsabilidade é superior a de Moisés.

Imagine se Moisés, com toda sinceridade, resolvesse não fazer caso de alguns detalhes ordenados pelo Senhor? Será que a sinceridade dele o justificaria? Isso me faz lembrar a passagem em que Davi com muita sinceridade, resolve colocar a arca do tesouro num carro de bois. Quer saber o resultado da sinceridade de Davi? Leia 2 Samuel 6: 3- 10. Isso aconteceu porque o Senhor ordenou na lei que tudo que era pertencente ao tabernáculo deveria ser manuseado somente pelos levitas (Números 1: 47- 51 e cap. 18).

Como eu já disse, a sinceridade é um elemento muito importante para a obra do Senhor, todavia, não é base para fazermos a Sua vontade. A base é exclusiva e unicamente a bíblia, interpretada de maneira correta. Se a sinceridade for uma justificativa, todas as religiões do mundo seriam corretas e verdadeiras, pois seus adeptos são sinceros no que crêem e praticam, porém, nós cristãos sabemos que muitos dos ensinos e práticas das religiões espalhadas pelo mundo não refletem a essência do Criador, que é o único e verdadeiro DEUS (1 Co 8: 4c, At 4: 12). Portanto, sejamos sinceros e dedicados, mas, também sejamos bíblicos.

Fazendo somente o que nos é permitido.
“… para que, em nós aprendais a não ir além do que está escrito…” (1Co 4: 8)
Sendo então sinceros e fervorosos em nossa dedicação a DEUS e tendo como base a santa e inerrante palavra do Senhor, estamos então, prontos para fazermos a obra. Assim o Senhor será plenamente expresso em nossas vidas. Tendo como base a palavra do Senhor, não podemos acrescentar algo a ela (Pv30: 5; Gl 3; 15), pois a palavra do Senhor é mais do que o suficiente (1 Tm 3: 16, 17). Semelhantemente, não podemos ir além do que está escrito, como diz o apóstolo Paulo aos coríntios. Devemos fazer somente o que nos é permitido.

Vejamos um exemplo bem claro de permissão de DEUS:
Quando o Senhor DEUS deu aos israelitas a lei, um dos mandamentos contidos nela era que somente a tribo de Levi se responsabilizasse pelo serviço sacerdotal no templo. Dentre as doze tribos de Israel, DEUS somente permitiu que os descendentes de Levi O servissem no templo. Ele não deu esta permissão aos descendentes de Ruben, nem de Naftali, nem de Judá, enfim, nenhuma das tribos além da tribo de Levi.

Mas também, o Senhor não deixou expresso que a tribo de Ruben, Naftali ou de Judá não O servissem no Templo. Ele simplesmente permitiu que a tribo de Levi O servisse, mas não disse que a tribo de Judá não O servisse. Ele não proibiu clara e expressamente a tribo de Ruben de servi-lo. A tribo de Ruben poderia argumentar com os irmãos da tribo de Levi dizendo: “Nós também vamos servir ao Senhor nosso DEUS no templo”.

Os irmãos da tribo de Levi certamente logo diriam: “Mas o Senhor deu esta permissão somente a nós da tribo de Levi”. Com certeza, logo a tribo de Ruben retrucaria: “Mas não está escrito e também o Senhor não disse expressamente que nós da tribo de Ruben não poderíamos servi-lo no templo. Ele permitiu vocês, mas não proibiu a nós”.

Tomando esta pequena ilustração como exemplo, podemos concluir que: não podemos deixar de fazer ou não fazer algo, somente porque está escrito ou não está escrito que façamos ou não, mas sim porque o Senhor não nos permitiu. Nem tudo está escrito se podemos ou não fazer, mas apenas o fato de não nos estar permitido, fica então subentendido que não podemos fazer.

Todas as tribos de Israel além da tribo de Levi seguiram este princípio. Se DEUS permitiu somente a tribo de Levi de o servirem no templo, então somente a tribo de Levi deveria o servir. Se nós desejamos fazer algo com relação a servir a DEUS, mas isso não está escrito, logo se torna duvidoso fazê-lo. Então devemos optar pelo princípio deixado pelo apóstolo Paulo: “não ir além do que está escrito”. Se não está escrito, logo se torna duvidoso fazê-lo, então devemos considerar seriamente no que isso pode afetar a vida da igreja posteriormente.

É nos permitido sacrificar animais para perdão de nossos pecados no novo testamento? Claro que não. Pois o Senhor Jesus é o sacrifício perfeito, Ele cumpriu esse requisito da lei na cruz. Por conseguinte, não existe se quer um versículo claro e objetivo no novo testamento que nos proíba de praticar sacrifício de animais.

Será então que podemos livremente fazê-lo? Claro que não, não está escrito que não, mas também não está escrito que sim, então, naturalmente devemos entender que não nos é permitido. Sendo assim não o podemos fazer, pois não nos está permitido. É nos permitido no novo testamento construir templos? Também não. Pois o Senhor Jesus nos diz que adoração não dependeria mais de um espaço físico e de um tempo determinado, mas sim, que a adoração seria um estilo de vida.

Ele diz também que NÓS cristãos é quem somos o templo de DEUS. A propósito, os cristãos primitivos construíam templos para adoração? Não. Unindo todas estas evidências, podemos inferir que não nos é permitido construir templos. Sendo assim, porque os cristãos insistem nessa prática? Será simplesmente pelo fato de não estar clara e expressamente proibida no novo testamento.

Será que isso é uma correta justificativa? O fato de não estar clara e expressamente proibido não nos dá permissão para fazê-lo.
Portanto se o Senhor não nos permitiu tais práticas, então não as praticamos, pois isso implica em desobediência a Sua palavra, isso implica em ir além do que está escrito. Isso implica claramente em transgressão de um princípio neotestámentario.
O objetivo desse estudo.

“… Portanto, quer comais,quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de DEUS” (1Co 10: 31).
Pois bem, o versículo que você acabou de ler é um importante ensinamento do sábio e humilde apóstolo Paulo. Ao findar esta ministração em forma escrita é o mesmo o meu objetivo; que o nome do Senhor seja glorificado.

A maioria dos irmãos, quando lêem ou ouvem ensinamentos que se chocam com aquilo que eles cegamente aprenderam de seus líderes ou da maioria dos cristãos, muitas vezes fica sem respostas e logo atiram pedras dizendo: “a letra mata, mas o Espírito edifica”, sem ao menos entender o que Paulo está querendo dizer com isso. Isso acontece por que seus entendimentos estão cauterizados pela tradição.

Os cristãos estão contaminados pela mania de “recortar e colar versículos” para refutar qualquer ensinamento ou idéia que não estiver de acordo com o que aprenderam há anos e até séculos pela tradição dos homens. A maneira tradicional de se ler a bíblia é ignorar o contexto, fazendo com que ela dê embasamento á todas as suas diferentes doutrinas.

Às vezes até dizem que sou conhecedor da letra, que meus estudos estão “subindo pra cabeça”. Paulo também foi acusado assim: “Estás louco Paulo! as muitas letras te fazem delirar!” (At 26: 24). De maneira nenhuma estou me comparando ao sábio apóstolo Paulo, mas, que ele foi acusado dessa maneira por pregar algo totalmente contrário às crenças e tradições daqueles ouvintes isso é fato.

Mas á você querido irmão em Cristo eu exorto no Senhor, leia, reflita e medite no que for comentado aqui, compare com as escrituras, depois julgue esses ensinamentos, pois tenho certeza que ele irá produzir fruto em sua vida espiritual (1 ts 5: 21). Falarei aqui de coisas [ensinamentos] espirituais comparando com coisas [escrituras] espirituais (1 Co 2: 13).

Não pretendo de forma alguma esgotar este tão complexo assunto em tão poucas páginas, mas creio que este artigo esclarecerá muitas coisas concernentes aos dízimos de uma forma bíblica e também honesta sem interesse religioso ou posicional. Meu maior objetivo nesse estudo é que o Nome do Senhor seja glorificado em sua vida, através da minha vida. Desejo ser nas mãos Dele, um instrumento, para te libertar das garras da tradição religiosa, encorajando você a esquecer as coisas vãs deste mundo e investir mais na construção e manutenção de verdadeiros templos de DEUS que infelizmente estão esquecidos (Ag 1: 2- 8; 1 Co 3: 17).

Com relação ao estudo propriamente dito, meu objetivo não é refutar tanto a prática do dízimo. Meu objetivo maior é refutar onde ele está sendo gasto, quais as suas prioridades nos dias atuais. É nisso que estarei dando uma ênfase maior. Ainda que minha exposição esteja refutando a prática do dízimo, meu objetivo maior é refutar as objeções que defendem o uso do dízimo da maneira que hoje em dia é usado. É repreender àqueles que pervertem o direito do órfão e da viúva (Mal 3: 5).

Sabemos que templo e dízimos estão intrinsecamente ligados. A questão do templo de Jerusalém e o atual templo serão explanados nesse estudo de forma bem explicativa e com sólidos fundamentos bíblicos. Tenha em mente já de antemão que, no novo testamento a prioridade do dinheiro e doações arrecadadas pelos irmãos era: os cristãos mais pobres e a obra apostólica. Não é preciso ser um cristão para ver e entender que no novo testamento isso é “claro como água”.

Qualquer ensinamento que vá além disso é mera invenção humana. Cabe a você decidir a quem seguir; a bíblia ou a tradição dos homens. Como já citei acima, o apóstolo Paulo advertiu os irmãos da igreja em Corinto a não irem além do que está escrito, isso claramente se aplica á nós também (1Co 4: 6). Eu volto a comentar sobre o tabernáculo. Moisés não fez nada além do que o Senhor ordenou.

O Senhor requer o mesmo de nós; obediência aos Seus desígnios. “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem à ira de DEUS sobre os filhos da desobediência” (Ef 5: 6).

Quando Moisés guiava o povo pelo deserto, por causa da murmuração do povo ele decidiu fazer algo além do que o Senhor ordenou. Isso lhe custou muito caro; ele não pode entrar na terra prometida. Precisamos ser mais cautelosos para com o empreendimento que o Senhor nos confiou- A Ekklesia.

Fazendo a obra.
“a religião pura e imaculada diante de DEUS, o Pai, é esta: visitar o órfão e a viúva nas suas tribulações e abster-se da corrupção do mundo” (Tg 1: 27)
“Irmãos, a obra de DEUS não pode parar, precisamos ser dizimistas fiéis e como os crentes da igreja de Jerusalém ser generosos nas nossas ofertas. A data do próximo congresso está chegando, precisamos deixar a “igreja” bonita para receber os irmãos convidados”.

Talvez você já tenha ouvido muito essa frase ou algo parecido nas ministrações de dízimo e ofertas em sua denominação. Mas do ponto de vista bíblico, será mesmo que dar dez por cento de sua renda para pagar as despesas do lugar onde você se reúne com os irmãos é fazer a obra de DEUS ou dar a DEUS? Será mesmo que servir a DEUS é ser assíduo nas freqüências em cultos, em efêmeros avivamentos, participando de todas as atividades delegadas pelo pastor? Os apóstolos e os primeiros cristãos serviam ao Senhor dessa forma? Certamente que não.

A maneira que eles serviam a DEUS era bem diferente e muito mais difícil. Servir á DEUS ou dar a DEUS de uma maneira bíblica é bem diferente do que se faz hoje. Servir a DEUS ou dar a DEUS não trás lucro, conforto ou benefício para o servo (ou ofertante).
Para servir a DEUS precisamos nos desprender de algo, nosso tempo, nosso conforto, nosso dinheiro, enfim, precisamos diminuir para que Ele cresça. Isso é colocar DEUS em primeiro lugar, isso é servir a DEUS.

Quando um grupo de cristãos aluga um salão ou qualquer lugar em que eles possam se reunir, eles precisam arcar com as despesas deste lugar, eu não discordo disto, isto é uma obrigação de cada cristão, pois ele também desfruta do conforto deste lugar, ele desfruta dos bancos, do bom som, dos banheiros limpos, da água e etc. Assim como um sócio de um clube desfruta de tudo aquilo que o clube oferece de entretenimento, certamente ele precisa também contribuir com sua mensalidade para manutenção do clube.

Mas aqueles irmãos que contribuem para pagar as despesas de um local de reunião que equivocadamente o chamam de “igreja”, não podem argumentar que estão fazendo a obra de DEUS, ou dando a DEUS. Como eu disse acima, fazer a obra de DEUS não nos trás lucro, não somos os beneficiados. Em contraste, quando você contribui para pagar as despesas de um local de reuniões, você é beneficiado, você desfruta do conforto daquele lugar.

Quando fazemos a obra de DEUS os beneficiados são aqueles á quem ofertamos do nosso tempo para apascentá-lo, quando ofertamos uma parte do nosso dinheiro para ajudá-lo nas suas necessidades. Sendo assim não somos beneficiados, não lucramos, muito pelo contrário, somos subtraídos.

Estou dizendo isso do ponto de vista humano, pois é claro, biblicamente falando, que do ponto de vista de DEUS seremos galardoados na nossa morada celestial de acordo com nossas obras (Mt 25: 23). Mas não é este o ponto de vista o qual estou me referindo.
Pagar as despesas de um local de reuniões é muito fácil para os leigos (espectadores), apenas entregam dez por cento da sua renda num envelope á administração da igreja, participam ativamente dos ensaios do coral de jovens, sentam-se no banco para ouvir um sermão de 40 minutos e já estão “fazendo a obra de DEUS”. É isso que infelizmente está incutido na cabeça dos irmãos, equivocadamente acham que fazendo isso já estão servindo ou fazendo a obra de DEUS e esperam ser galardoados por isso.

Essa é uma maneira muito vaga e superficial de crer em DEUS, está longe de fazer a obra de DEUS. Muitos cristãos buscam viver em santidade, dão bom testemunho perante as pessoas no trabalho, na faculdade, são assíduos nas freqüências em reuniões, isso é ótimo, contudo, fazer a obra de DEUS é muito mais que isso. Fazer a obra de DEUS é ganhar almas, apascentá-las tirando daquilo que é nosso para servi-las. Isso exige sacrifício voluntário e individual de cada cristão genuíno. Servir a DEUS é tirar do bolso para ajudar o irmão necessitado, é deixar o conforto do seu sofá para visitar aquele que está caindo e fortalecê-lo. Servir a DEUS é edificar a Sua gloriosa igreja, é amar e ministrar Jesus Cristo á cada uma das pedras vivas que compõem a sua casa.

Servir a DEUS ou dar a DEUS é construir Sua igreja com pedras vivas (1 Pd 2: 5), edificando-as no amor de Cristo, servir ou dar a DEUS não é investir tempo e dinheiro de dízimo e ofertas em construções de bloco e telhas que a qualquer hora podem ser levadas pelo vento.

O maior agravante é que quando os irmãos colocam “nas costas” o compromisso de contribuir para pagar as despesas do local de reunião e freqüentarem assiduidosamente os cultos da igreja, eles ficam presos em uma obrigação pré-programada e não têm condições financeiras e nem tempo de ajudar e visitar a ovelha fraca e perdida, visto que a maior parte de sua renda e de seu tempo já está destinada a algo de menos importância. Digo obrigação porque se ele não contribuir ou freqüentar os cultos regularmente a consciência dele o acusará, logo ele será mal visto pelos outros irmãos por não ser um dizimista ou um bom cristão que freqüenta todos os cultos. Essa é a religião vazia que predomina hoje em dia. Sendo assim pode- se concluir que suas freqüências em cultos e contribuições não são voluntárias, mas sim obrigatórias, com base numa lei, no R.I. (regimento interno) da “igreja” ou até mesmo por medo de rejeição por parte dos outros irmãos.

Se você ajuda com as despesas do local onde você se reúne com os irmãos, continue a fazê-lo, mas não deixe de servir o próximo, visitando-o, ofertando á ele quando necessário. Não dê prioridade á estas coisas (atividades religiosas), pois a prioridade no reino de DEUS é pessoas. Aprenda a partir de hoje que isso é fazer a obra de DEUS de maneira bíblica como diz Tiago 1: 27: “a verdadeira religião diante de DEUS, o pai, é esta: visitar o órfão e a viúva nas suas tribulações e abster-se da corrupção do mundo”.
Mas o que é predominante na mente da maioria dos cristãos é que servir a DEUS é se afastar da corrupção do mundo, infelizmente se esquece do órfão e da viúva. Simplesmente por estarem tão atarefados com os ensaios para a próxima festividade, ensaios para o teatro, ensaios de coreografia, a reunião de obreiros, enfim, estam atarefados e compromissados em “servir a DEUS no conforto do local de reuniões”, local esse que e ainda o chamam de “igreja”.
Não sou de maneira alguma contra, congregar com os irmãos, louvar ao Senhor juntos, compartilhar a palavra, tudo isso é muito bom e edifica a igreja. Entretanto, não podemos ficar extremamente focados somente nisso dando prioridade á essas coisas e negligenciando a vida comunitária. Não é bíblico investir nosso tempo em fadigosos ensaios com grupos de coreografia, louvor e dinheiro em novas cortinas para o templo, um novo púlpito para o altar enquanto alguns irmãos ficam esquecidos e passam necessidades. Isso é uma pobre religião com uma roupagem extremamente falsa. Isso é priorizar algo de menos ou de nenhuma importância para a vida da igreja.
“Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar. Por que amamos as coisas e usamos as pessoas!”
Bob Marley
A conseqüência disso é a religiosidade vazia e atrofiada pela repetição de atividades que tomam o lugar e a primazia da cabeça da igreja- Cristo Jesus. São meros entretenimentos que tomam o lugar do agir espontâneo do Espírito Santo e fazem com que os irmãos sirvam á DEUS de forma mecânica e programada. O resultado é pouca transformação e crescimento, isto é, poucos frutos são colhidos. E não podemos deixar de dar graças ao Senhor, porque pela Sua extrema misericórdia alguns frutos ainda são colhidos.
Perdoe- me por fazer esta comparação, mas os fariseus é quem davam mais importância as observâncias “secundárias” da lei e desprezavam o mais importante. Perdoe-me se estou sendo ofensivo, leia esses versículos e medite no que estou dizendo.
“Ai de vós, fariseus hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas” (Mateus 23: 23).
Qual seria o mandamento mais importante da lei mosaica? Guardar os sábados, dar dízimos, freqüentar o templo ou praticar o amor e a misericórdia? E qual desses mandamentos estava sendo mais importante para os fariseus religiosos?
E aos cristãos de hoje; o que seria mais importante? Freqüentar todos os cultos da semana, participar dos ensaios de louvor, SER UM DIZIMISTA FIEL, ir ao monte orar, ou visitar o necessitado? Qual dessas opções é praticar o amor e a misericórdia. Se verdadeiramente o Espírito Santo mora em você, você sabe a resposta correta.
Todas essas opções, exceto visitar o necessitado, prendem os cristãos de servir á DEUS de maneira livre e sem obrigações. Os cristãos ficam extremamente compromissados com programas e ideais humanos, compromissados com coisas de menos importância. Eu tenho certeza que Jesus diria: “deveis, porém, fazer essas coisas (freqüentar e participar das atividades da igreja) e não omitir aquelas” (a misericórdia e amor).
Precisamos servir á DEUS de acordo com o chamamento do Espírito Santo, servir aonde e quando Ele quiser (João 3: 8). Essa é forma que os apóstolos e os primeiros cristãos serviam ao Senhor, isto é, a forma que o Senhor deixou registrada no novo testamento como exemplo para nós seguirmos. Veja o que diz David W. Dyer no livro Deixe meu povo ir, na página 169:

O principal enfoque desse aspecto é que devemos aprender como seguir o Espírito Santo em nosso “dar”. Assim como Ele deve ser o Senhor em cada parte de nossas vidas, também as nossas ofertas em dinheiro devem ser conduzidas por Ele. Deus irá nos mostrar como e onde dar. Pode ser para os pobres; para ajudar as necessidades dos irmãos ao nosso redor; para sustentar alguém que se deu à obra do Senhor. Por exemplo, alguém trabalhando como um missionário ou dedicando-se a alguma obra espiritual pode estar necessitando de ajuda financeira. Verdadeiramente o dízimo pertence à casa de Deus. Mas a casa de Deus é o povo Dele, não algum tipo de organização. Os homens e mulheres que pertencem a Ele é que são a Sua casa. Portanto, dar a eles significa dar à casa de Deus.

Não precisamos de lugar fixo, regras, normas ou regimento interno para servir ao nosso DEUS, por nossos serviços e contribuições, porque isso toma o lugar do agir do Espírito Santo em nossos corações e passamos a fazer as coisas de forma mecânica, estamos fazendo as coisas mais para cumprir obrigações do que impelidos pelo Espírito Santo como faziam/ eram os cristãos da igreja primitiva.
Nós somos o corpo de Cristo, ele é a cabeça do corpo, portanto, tudo o que fazemos tem que ser através Dele- a cabeça, e não através de ordem de pastores que reivindicam e alegam serem portadores de uma autoridade bíblica. Na verdade, isso não passa de uma autoridade posicional sem precedentes bíblicos. Todos os comandos devem proceder Dele, o Cristo vivo e não de líderes ou organizações humanas. Jesus ressuscitou, está vivo, devemos crer que Ele está em nosso meio e é poderoso para dirigir tudo o que fazemos sem intermédio humano. Jesus não precisa de homens para ditar regras de como as ovelhas devem se comportar, como e onde servi-lo, como e onde ofertar.
Os líderes de igrejas precisam urgentemente entender o verdadeiro agir de DEUS na vida da igreja, precisam deixar serem guiados pelo Espírito Santo em tudo que fazem, sem regras e normas a serem rigorosamente seguidas. Assim serviram de exemplo para o rebanho que por sua vez agirá da mesma forma sem serem comandados pelo homem e aprenderam a serem guiados pelo Espírito (1 Pd 5: 2-4).
Há séculos milhares de cristãos têm sido transformados em espectadores leigos que foram ensinados a lançar atividades que deviam ser feitas por eles, nos líderes “capacitados” para fazê-las. Os cristãos mal sabem o significado de serem Reis e Sacerdotes para DEUS como diz o novo testamento, por isso estão atrofiados e não mais conseguem enxergar e exercer suas funções no reino de DEUS de forma condizente com o novo testamento. Eles já estão acostumados a ficarem sentados nos bancos esperando serem chamados e autorizados pelos líderes para que possam ser usados pelo Senhor. Precisam sair desse “transe religioso” e urgentemente resgatar suas posições, enxergar que o sacerdócio universal dos crentes está sendo extirpado. Em 1Pd 2: 9, Pedro diz que nós somos o sacerdócio REAL. Ele diz isso porque sabia que o sacerdócio da antiga aliança NÃO ERA REAL, mas sim, uma simples figura do verdadeiro sacerdócio (Hb 10: 1), o sacerdócio cristão. O sacerdócio cristão é extendido a todos e não somente a alguns como na antiga aliança que o sacerdócio se limitava somente a tribo de leví. Nós cristãos somos atores, e não meros espectadores desse nobre empreendimento – a ekklesia.

Questionando nossas práticas.
Vida sem questionamentos é vida sem valor.
Sócrates
Tudo que aprendemos dos homens “detentores da verdade” deve ser questionado. Não podemos cegamente aceitar e praticar ensinamentos só por que os detentores da verdade afirmam constar na bíblia. O sacrifício de animais para perdão de pecados, o culto no templo, a hierarquia entre aqueles que eram separados para servir á DEUS no templo, OS DÍZIMOS, enfim, todas essas práticas são bíblicas, contudo, não são cristãs. Nenhuma dessas práticas serve como base para o viver cristão. Nenhuma delas consta no novo testamento, o qual é a base prática do viver cristão. Você já questionou e buscou respostas nas escrituras sobre o que você por centenas de vezes tem ouvido e praticado na sua denominação? Eis algumas questões concernentes aos dízimos que eu até arrisco a dizer que você nunca questionou e muito menos fez um estudo sério e aprofundado nas escrituras.
O que significa a palavra dízimo? O que é dízimo? A quem se aplica essa ordenança? Qual a sua finalidade? Por que o Senhor DEUS estipulou um valor para que o povo israelita doasse uma parte de sua produção? O que realmente diz Malaquias 3: 8- 11? O que são os tipos ou figuras do Antigo Testamento? O dízimo é uma figura de quê?
Essas são algumas das dúvidas que todo servo de DEUS deveria ter e questionar aos seus líderes. Ninguém precisa ser um mestre das escrituras para perceber que os ensinamentos hodiernos sobre dízimos não têm base neotestamentária. Basta ler o novo testamento, fazer comparações e questionar. Se o dízimo fosse uma prática neotestamentária, com certeza o apóstolo Paulo teria ensinado isso em suas cartas destinadas á várias comunidades Cristãs. Podemos dizer o mesmo do apóstolo João em suas três epístolas e em apocalipse. Pedro em suas duas epístolas, também a epístola de Judas. O único escritor do novo testamento que brevemente toca nesse assunto (na era da graça) é o escritor de Hebreus no capítulo 7. Observe que ele não enfatiza nenhum ensinamento doutrinário sobre dízimos aos seus destinatários.
Para entendermos essa questão precisamos ter uma visão contextual da carta destinada aos crentes hebreus. Precisamos estudar todo o livro de uma forma panorâmica para entender essa questão. O objetivo do escritor nesse livro é encorajar seus leitores a não deixar a fé por motivo de perseguições. O escritor os encoraja a não voltar aos pobres rituais da lei mosaica que só lhes serviram de figura do que havia de vir (inclusive o dízimo). Para mostrar a fraqueza da lei, ele mostra nesse livro a superioridade de Cristo que é o cumprimento da lei. Ele fala no capítulo 7 que Mélquisedeque era uma figura de Cristo. Cristo é sem dúvida superior a Mélquisedeque. Tratando- se da palavra dízimo ele diz no versículo 5 que os levitas tinham ordem para receber os dízimos do povo. Amado leitor, o seu pastor ou líder religioso é levita descendente de Israel? Se a resposta for negativa, então por que ele recebe seus dízimos?
O propósito do escritor de hebreus não é dar meros ensinamentos sobre dízimos. Se assim fosse o ensinamento teria que estar em concordância e harmônia com as outras cartas do novo testamento.
Lucas, o escritor de atos dos apóstolos relata a vida da igreja em seu aspecto prático. Note que ele não relata os Cristãos dando dízimos. Os registros de contribuições segundo Lucas eram de forma voluntária e espontânea. Paulo, escritor da maior parte do novo testamento relata a vida da igreja em seu aspecto doutrinário. Quando fala sobre contribuições, ele deixa a decisão de valores por conta deles mesmos (2 Co 9: 7) e para fins totalmente diferentes dos de hoje. Não existe nem “cheiro” no novo testamento de cristãos contribuindo de forma préestipulada, isto é, com dízimos, e ainda com maior parte das contribuições investirem em prédios de igreja, não há precedentes bíblicos para isso. Você já notou como os cristãos em atos dos apóstolos eram generosos quando ajudavam os mais necessitados? E hoje o que você vê? Você nota hoje em dia de alguma forma essa generosidade?
Não é pecado questionar, temos que questionar e comparar com as escrituras o que nos é ensinado e o que praticamos. Se todo o povo de DEUS questionasse e suas dúvidas fossem sanadas de forma honesta através de seus líderes, certamente o povo de DEUS tomaria uma direção bíblica e correta com relação as suas contribuições. O povo de DEUS seria mais frutífero, uma parte das bênçãos que o Senhor lhes concedeu, seria direcionada ao objetivo que DEUS deseja- pessoas. Os cristãos seriam menos materialistas (Col. 3: 1-2), aprenderiam a levar as cargas uns dos outros (Gal. 6: 2), colocariam o mandamento áureo do Senhor Jesus em prática não em meras palavras (1 João 3: 17,18), e assim o nome do Senhor seria glorificado diante dos pagãos, simplesmente por estarem expressando a vida, a conduta e o amor de Cristo.
O significado da palavra dízimo.
A palavra dízimo é uma tradução da palavra hebraica: ma’aser, e foi traduzida para a língua grega pela septuaginta para: dekate. Seu significado no dicionário Aurélio é: a décima parte, imposto que consistia no pagamento, á igreja ou á nobreza, da décima parte dos frutos colhidos. (esse é o entendimento secular do significado da palavra dízimo).
Em suma, nas escrituras o dízimo consistia em, segundo a lei de Moisés, a décima parte da produção agropecuária do povo de Israel (Lev. 27: 30- 34). Essa é a gênese da prática judaica do dízimo. O dízimo, por serem “boas novas” aos pobres é uma figura nas escrituras do antigo testamento que representa um elemento muito importante na nova aliança. Abordarei esse assunto de uma forma bem explicativa mais adiante.
De quê, quando e onde entregar os dízimos?
Os dízimos eram entregues em forma de alimento e animais, ou seja, uma décima parte dos produtos da colheita ou a décima parte da criação de animais. Ele era dado em uma base anual, e não mensal ou semanal como atualmente. Também nunca se davam os dízimos de dinheiro, tão certo que quando alguém do povo não tinha condições de levar seus dízimos ao templo, talvez por dificuldades de locomoção, a décima parte de sua produção deveria ser vendida. O valor da venda deveria ser levado ao templo e depois deveria ser comprado no próprio templo aquilo que foi vendido e por fim deveria ser entregue aos levitas os dízimos em produtos da colheita ou animais, mas nunca entregavam aos levitas a décima parte de um valor em dinheiro. Isso é mais do que uma prova bíblica que a prática do dízimo era anual, em produtos agropecuários e era entregue no templo, templo esse, que existiu somente até o ano 70 d.C.. Leia esses versículos sem hesitar (Dt 14: 22- 26) e pesquise a história de Israel.
Pergunte ao seu líder religioso: Porque temos que dar mensalmente dízimos de dinheiro, se o povo de Israel dava dízimos anualmente de produtos da colheita e animais?
Pergunte á ele também: Os israelitas levavam seus dízimos á casa do tesouro, mas essa casa foi destruída no ano 70 d.C. visto que ela já não existe mais e o novo testamento afirma que NÓS SOMOS A CASA DO TESOURO (2Co 4: 7), o TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO (1Co 6: 19), então onde levaremos os dízimos?
Daí podemos indubitavelmente concluir que: a prática do dízimo com base mensal ou semanal, de forma monetária entregue num edifício com nome de “igreja” não tem nenhum fundamento bíblico, mas sim, humano e filosófico. Tudo isso não passa de uma montagem, uma organização com uma máscara de religião ortodoxa.
E ainda com muita sutileza e categoria repetem o famoso jargão: “a bíblia é nossa regra de fé e prática”. Está claro que o homem mudou alguma coisa que foi dito nas escrituras? Não tenha vergonha de assumir que está sendo enganado, pois eu também já fui, e vários cristãos durante anos também foram.
Esses homens sabem que não convém á eles explicar essas coisas. Porque se ensinarem ao povo de DEUS que dízimo não é dinheiro, que não é mensal e que as extravagantes construções e manutenções de templos não têm base bíblica, sendo muito mais simples e eficaz a reunião nos lares como faziam os apóstolos e os primeiros cristãos, toda posição, status e glória deles cairá por terra. Pois sendo assim como receberam seus salários, como promoveram seus ministérios, perderiam o privilégio de serem líderes de uma grande e forte organização religiosa. Receber dízimos em alimento e com base anual como no velho testamento tornaria tudo mais complicado, tudo isso seria um prejuízo muito grande para eles, você não acha?
Ainda que se use desses versículos (Malaquias 3: 8- 10) para fazer simples aplicações sobre a doutrina do dízimo, seria ainda uma prática que não está de acordo com o novo testamento, mas seria até tolerável se o objeto, o destino do dízimo fosse aplicado de maneira bíblica, isto é, priorizando o sustento de necessitados e a obra apostólica de acordo com o novo testamento.

A quem se aplica essa ordenança?
As escrituras só mencionam como já citei acima, que a ordenança dos dízimos era aplicada aos trabalhadores da atividade agropecuária, não é mencionado, por exemplo: carpinteiro, tecelão, ferreiro e outras atividades dando dízimos, pois o Senhor pediu os dízimos do produto da terra (Lev. 27: 30- 32). Certamente refere- se á produção agropecuária. Essa ordenança, de maneira alguma era aplicada á pessoas carentes e desamparadas (órfãos, viúvas e estrangeiros). Essas pessoas não eram obrigadas a darem dízimos, muito pelo contrário, elas eram beneficiadas pelos dízimos. O dízimo era um suporte, uma alegria, a salvação para os desamparados e não um monstro que chegava para subtraí-los. Financeiramente falando, os desamparados não eram subtraídos do pouco que tinham para sobreviver como os mais pobres de hoje. Até porque os desamparados em Israel não possuíam gados nem plantio, sendo assim, não teriam como dar dízimos de uma produção não existente. Lembra da viúva de Serepta? Elías não perguntou á ela se ela estava passando fome porque deixou de dizimar como as pessoas fazem hoje em dia (1 Rs 17: 8- 14). Caro leitor, onde você congrega os irmãos mais carentes são incentivados a ofertar e dizimar para que o Senhor possa reverter a situação financeira e colocá-los num lugar de honra como é largamente pregado nas “igrejas”?
Qual a finalidade dos dízimos?
O dízimo tinha como finalidade o sustento dos levitas e sacerdotes que ministravam no templo em período integral e que segundo as escrituras não podiam trabalhar e não tinham nenhuma herança em Israel (Nm capítulo 18). Também era destinado ao sustento dos órfãos, viúvas e estrangeiros entre o povo de Israel (Dt 14: 22- 29). Não é de se espantar que hoje em dia até os mais carentes devem dizimar. Não poucos líderes religiosos, principalmente do seguimento neopentecostal até dizem: “Irmão, continue sendo perseverante nos dízimos, a palavra diz: seja fiel no pouco e DEUS te colocará no muito, eu vejo DEUS derramando uma unção financeira poderosa sobre sua vida, eu profetizo na tua vida a vitória financeira!”. No capítulo 3: 5 de Malaquias o Senhor fala que julgará aqueles que oprimem ou pervertem os mais necessitados. Por que os líderes religiosos não enfatizam essa parte de Malaquias 3? Que o Senhor tenha misericórdia de mim, mas confesso que isso me deixa revoltado.
Os dízimos eram também destinados á festivais religiosos do povo de Israel. Nesta ocasião todos comiam dos dízimos para aprenderem a temer ao Senhor e se regozijar perante Ele (Dt 14: 22- 29).
Resumidamente falando os israelitas entregavam três tipos de dízimos:
• Um dízimo no final do ano para o sustento de levitas e sacerdotes.
• Um dízimo no final do ano para festivais religiosos.
• Um dízimo ao final de cada três anos para o sustento de levitas locais, órfãos, viúvas e estrangeiros.
Isso totalizava ao final de cada ano um total de 23,3% da produção agropecuária. Note que o principal enfoque dos dízimos eram pessoas. Uma das características mais marcantes dos cristãos do primeiro século é que eles eram extremamente generosos para com os irmãos mais pobres. Infelizmente hoje esse testemunho cristão é quase que escasso. Os cristãos de hoje estão focados em suas próprias vidas através de infinitas campanhas, quando não, estão focados em festividades e congressos religiosos. Infelizmente a egolatria é cada vez mais emergente.
Prezado leitor, de alguma forma você “come” ou desfruta dos dízimos que você entrega na sua denominação? Ou quem “come” dos dízimos é só o ministério? O principal propósito dos dízimos na sua denominação é expandir o ministério ou expandir o reino de DEUS e o cuidado aos necessitados?
Porque aos Israelitas foi préestipulado uma quantia a ser doada?
Para entendermos esse ponto, precisamos nos reportar ao período em que o povo de Israel foi resgatado da escravidão no Egito, período esse em que o povo muito que provavelmente ficou indiferente e se esqueceu do DEUS que servia. Talvez por estarem abastados materialmente, por conseqüência disso foram escravizados pelos egípcios tornando-se então desprovidos de como servir ao Senhor de acordo com a sua soberana vontade. Mas o Senhor com sua infinita misericórdia os resgatou do Egito para introduzi-los numa terra que mana leite e mel. Mas o povo como já mencionei, estava quase que totalmente desprovido de como servi-lo de acordo com sua soberana vontade. Eles eram “meninos” em sua devoção ao DEUS que outrora os acolhera. Foi então necessário que o Senhor lhes desse uma lei para observarem e obedecerem, uma lei de forma visível, tangível, eu me refiro as tábuas da lei escrita em pedras, que tinha como propósito conduzi-los á Cristo que viria na plenitude dos tempos (Gl. 3: 24), no qual seria derramado o Espírito Santo no coração de cada um deles e de todos aqueles que recebessem pela fé ao Senhor e Salvador Jesus Cristo (At 2: 38), como foi anunciado pelos profetas.
Doravante, com a morada do Espírito Santo em seus corações, essa lei não seria mais necessária. O povo de DEUS não seria mais conduzido por ela, porque foi só para isso que ela lhes serviu, para conduzi-los, pois com o advento da graça o próprio Espírito Santo os conduziria e os ensinariam os verdadeiros propósitos do Senhor (1 João 2: 27). Essa lei foi então abolida pela morte do Senhor Jesus na cruz do calvário (2 Cor. 3: 14c)
As tábuas da lei de Moisés consistiam em dez mandamentos. Nas “entrelinhas” desses mandamentos existiam muitos outros mandamentos para o viver harmonioso do povo. Entre esses outros mandamentos estava á ordenança dos dízimos, mencionado pela primeira vez no livro de levíticos (27: 30- 34), que correspondia a uma décima parte da produção agropecuária, ou seja, uma quantidade pré-estipulada de doação, ao passo que na nova dispensação (do Espírito Santo) não seria mais necessário determinar ou préestipular uma quantia, pois o próprio Espírito Santo os impelia a doar de forma voluntária, especialmente aos irmãos mais pobres e a obra missionária, sem a necessidade de estipular uma quantia a ser doada (1Jo 2:27, Hb 8: 10,11).
Uma ilustração.
Imagine que você tem um filho de quatro anos de idade, uma criança que não tem maturidade para se proteger sozinha, imagine que você mora numa casa perto de um penhasco. Creio que rapidamente você construiria um muro [A lei de Moisés] para limitá-lo e protegê-lo, pois ele não teria maturidade [Espírito de DEUS] suficiente para discernir o tamanho do perigo daquele penhasco, não resolveria totalmente o problema se você apenas dissesse a ele para que não fosse até lá porque se não algo terrível aconteceria [morte espiritual], enquanto ele não atingisse maturidade o muro seria mais eficaz . Mas com o passar do tempo [na plenitude dos tempos] depois dele já haver ganhado maturidade [o espírito de DEUS], já não haveria necessidade de um muro [A lei] para restringí-lo. Aquela cerca ou muro [A lei] só foi útil até que ele atingisse maturidade [Espírito Santo] suficiente para viver de acordo com a maturidade que alcançou [Espírito Santo].
O mesmo se aplica à lei do dízimo.
O povo de DEUS precisou de uma lei escrita, visível, uma quantia pré-estipulada para doar, para não falharem garantindo assim a doação, mas com a morada do Espírito Santo em seu coração, o povo de DEUS agora é impelido a doar de forma voluntária. Eles focam agora os princípios, e não a lei em si, eles focam agora o objetivo da lei, “amar a deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. (versículo parafraseado).
Malaquias 3: 8- 11.
“Roubará o homem a DEUS? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento em minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma benção tal, que dela vos advenha a maior abastança. E por causa de vós repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos exércitos”.
Esses são os versículos clássicos usados nas denominações quando se fala sobre dízimos, e até mesmo numa simples conversa com qualquer cristão sobre o assunto. Assemelham-se até com robôs programados para falar somente aquilo que está gravado na memória. Depois de citarem esses versículos logo começam a contar testemunhos de sua vida financeira, jactando-se por serem “dizimistas fiéis”. Alguns até chegam ao ponto de colocar na parede de sua casa seu “diploma de dizimista”; uma das modernas invenções do cristianismo moderno.
Raciocine comigo: Alguns cristãos mais tradicionais são contra as campanhas que usam objetos ungidos, como por exemplo: rosa ungida, lenço ungido e etc. Centenas dessas pessoas que participam dessas campanhas contam testemunhos de que obtiveram uma vitória, uma resposta da parte de DEUS através dessas estranhas campanhas, mesmo sem base bíblica, querendo afirmar que se DEUS está respondendo então está tudo certo. Mas esses cristãos tradicionais que são contra tais práticas argumentam que pelo fato de serem dizimistas fiéis DEUS os está abençoando, mesmo não tendo base bíblica para isso, querendo dizer com isso que se DEUS está respondendo então está tudo certo. Notou a incongruência desses cristãos?
Esses cristãos e líderes religiosos quando ficam sem argumento, logo nos acusam de rebeldes, insubmissos, desviados, avarentos e outras coisas mais.
Os líderes religiosos atualmente dizem-se conhecedores da palavra, mas são portadores de uma hermenêutica e exegese muito pobre. São preguiçosos que nunca pegam a bíblia para fazer um estudo sério, para saber se o que ensinam está ou não de acordo com o novo testamento. Estão preocupados em tirar um versículo aqui e outro ali para preparar um sermão para o próximo domingo. Além de preguiçosos são materialistas que agarram promessas da bíblia que fazem saltar os olhos da raça humana decaída, como por exemplo: “O ladrão não vem se não a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10: 10). Vida com abundância para eles é uma vida abastada de saúde e bens materiais. A parte final desse versículo quando muito mal interpretado chama a atenção de pessoas que estão buscando as riquezas dessa terra.
Os líderes religiosos e professores de escola dominical nunca usam o livro de Malaquias em seu contexto, fazendo aplicações corretas em harmonia com os ensinamentos de nosso Mestre, mas usam somente alguns versículos isolados, que já se tornaram um estigma. Distorcem totalmente esses versículos e ignoram o contexto para dar “embasamento bíblico” para a prática do dízimo na nova dispensação; o período da graça, no qual tudo o que fazemos ao, para e por nosso Senhor é por intermédio do Espírito Santo que em nós habita (Vide o tópico acima).
Nunca lêem e explicam o contexto do livro, tanto histórico, quanto cultural, não explicam aos crentes a quem o profeta esta dirigindo aquelas palavras, não explicam o que é o dízimo de maneira transparente e honesta, qual o sentido espiritual daquelas palavras de acordo com a essência do evangelho do Senhor que é “amar a DEUS acima de todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo”. Apenas lêem esses poucos versículos e os interpretam de uma maneira totalmente materialista, levando os crentes a crerem que dando dez por cento de sua renda repreenderão o devorador e que serão prósperos.
O versículo 11 é o clímax da leitura litúrgica de todos os domingos nas denominações. Os ministrantes interpretam a primeira parte do versículo dizendo que DEUS não deixará que seus bens sejam subtraídos pelo diado, quando um irmão não está bem financeiramente, logo o questionam: “você é dizimista fiel?”. Eles entendem que se sua vida financeira não vai bem, há um espírito devorador na sua casa ou na sua vida e que isso é uma maldição do Senhor porque o irmão não está sendo disfemista fiel. Na segunda parte do versículo dizem que sua vida financeira será próspera e todos os seus negócios prosperaram. Para que essas promessas se cumpram você precisa ser um dizimista fiel. Isto é, para que você seja abençoado, você tem que cumprir a lei do dízimo.
E ainda dizem que temos que entender o lado “espiritual da palavra”. Fica então evidente que não é bem isso o que fazem. Como podem dizer que temos que entender o “lado espiritual” da palavra se eles mesmos a interpretam no seu sentido literal (quando á eles convém). No tocante á quantia a ser doada (dez por cento) eles interpretam de forma literal, mas no tocante a o que ser doado (que na verdade seria produtos agropecuários) eles interpretam no seu sentido “espiritual”. Convertendo produtos agropecuários em dinheiro. Você vê algo de estranho (interesse comercial) nisso? Posso até estar sendo um pouco exagerado, que o Senhor me perdoe por isso. Todavia quero até com certa dificuldade crer que muitos deles não fazem isso de má fé, mas apenas por mera herança religiosa.

Bênçãos e promessas de DEUS.

Realmente a bíblia é repleta de promessas, todavia, não podemos interpretar todas elas literalmente. Exemplo: salmo 91, verso 7: “mil cairão ao teu lado, e dez mil, à tua direita, mas tu não serás atingido”. Será que se sobrevier um tremendo furacão onde eu moro todos os meus vizinhos serão atingidos, exceto eu? Simplesmente por que sou filho de DEUS e Ele tem promessas para mim? Não sou incrédulo, apenas entendo que devemos entender o lado espiritual dessas palavras, de forma saudável e não interesseira como vimos acima, assim seremos salvaguardados de sermos materialistas, pois isso é o que predomina hoje em dia no meio cristão. Que a bíblia é cheia de promessas isso é bem verdade, mas não devemos viver inquietos fazendo longas “campanhas” para alcançá-las de acordo com nosso tempo, como se DEUS fosse um garçom ao nosso serviço. Isso não é bíblico, mas sim, leviano e carnal (Tg 4: 1- 3; Cl 3: 1, 2).
O problema é que todas essas promessas (quando mal interpretadas) tornam o povo de DEUS materialista e interesseiro, isso é extremamente nocivo ao corpo de Cristo. Sabemos que não podemos, nem somos capazes de conquistar qualquer benção, dádiva ou dom de DEUS com nossos próprios esforços. Jamais seríamos capazes de comprar bênçãos materiais. Essa prática é chamada de ‘simônia’, é uma palavra derivada do nome Simão. Simão tentou comprar o dom de DEUS por esforço próprio; com dinheiro (At 8: 14- 24). Qualquer tentativa de alcançar algum bem de DEUS através de esforço próprio é chamada de simônia. Justificar-se ou desejar ser próspero através de dízimos é a mesma coisa.
O capítulo 6 de Mateus do versículo 19 ao 34 nos ensina que o Criador já nos dá essas coisas sem que imploremos por elas, isso é um dos significados de viver pela fé (Gl 3: 11).
Está gravado na mente da maioria dos cristãos que o dízimo repreende o devorador. E se um irmão está desempregado e sua família esta passando fome como vai repreender o devorador sem dinheiro? Jesus disse que o que repreende o devorador é o jejum e a oração que são expressões de uma fé genuína (Mt 17: 21).
Jesus disse que quando nos dirigimos ao Senhor esperando algo material estamos agindo como os pagãos que não tem fé (Mt 6: 32) que DEUS pode nos acrescentar essas coisas (o necessário para o viver cotidiano) por conseqüência de buscarmos primeiramente o Seu reino. A fé nos ensina que devemos lançar sobre Ele todas as nossas ansiedades porque Ele tem cuidado de nós (1Pd 5: 7). Os irmãos precisam abrir os olhos espirituais, precisam ler cuidadosamente e com o Espírito o capítulo 6 do evangelho de Mateus, precisam urgentemente deixar de serem influenciados pela nociva e decaída teologia da prosperidade.
Certa vez Jesus se deparou com pessoas vendendo e comprando no interior do templo. Jesus irado expulsou a todos, derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras e disse: “está escrito: a minha casa será chamada casa de oração. Mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” (Mateus 21: 12- 13). Esse versículo nos fala algo interessante, sabemos que o templo de Jerusalém, o qual Jesus está se referindo, é uma figura do verdadeiro templo de DEUS, que somos nós (1 Co 3: 16, 17). Aquele foi um ato profético. Hoje em dia os verdadeiros templos de DEUS estão sendo transformados em covis de ladrões. Você ainda não entendeu?
O que eu quero dizer com isso é que os corações dos filhos de DEUS estão sendo pervertidos pela teologia da prosperidade. Essa doutrina maligna que permeia com êxito o cristianismo moderno faz com que os irmãos sejam materialistas, como porcos que têm dificuldade de olhar para o céu, só conseguem olhar para frente e para baixo, enfim, para as coisas dessa terra. Jesus quer purificar esses templos, Ele bate a porta, Ele deseja que busquemos primeiramente o seu reino. As “igrejas” de hoje em dia massageiam o ego das pessoas, prometendo a solução para os seus problemas, pouco se fala de arrependimento genuíno para salvação. Eles acham que acham que salvação é ter seus problemas solucionados, entendem que estar de bem com a vida é mai importante do que renascer (Jo 3: 3), ou seja, buscam primeiramente o reino delas, o de DEUS fica em segundo plano, uma verdadeira egolatria. Não há exatamente nenhuma necessidade de buscarmos, pedirmos ou implorarmos por essas coisas. Apenas, devemos confiar e crer que o Senhor cuidará de nós, aliás, não há se quer um versículo no novo testamento fundamentando a petição a DEUS por coisas materiais. Alguns versículos quando muito mal interpretados até dão margem para esse tipo de atitude com relação a DEUS, contudo, quando comparados com a mensagem de Jesus no capítulo 6 do evangelho de Mateus, especialmente do versículo 25 ao 34 vemos que é uma atitude carente de base neotestamentaria. No versículo 32, o Senhor diz que os gentios é quem buscam essas coisas. Este versículo basta para entendermos que pedir a DEUS coisas materiais é demonstrar a Ele incredulidade e não fé como diz a teologia da prosperidade. E sabemos segundo o que disse o escritor da carta aos hebreus que: “Sem fé é impossível agradar-lhe…” (Hb 11: 6).
No livro Reflexão da editora árvore da vida na crônica 4, página 21. Um dos autores fala sobre um renomado autor, escritor e cineasta que perdeu sua fé expressando a opinião de que DEUS é injusto pelo fato de muitas de suas expectativas com relação à satisfação de seus desejos serem frustradas. Descrevendo a situação desse homem um dos autores do livro diz: “Ao lermos a sua crônica, vemos o que o autor tem como preocupação central de sua vida: seu próprio prazer. A partir dele seus conceitos são estabelecidos. Que é a justiça, por exemplo? Para ele, justiça é fazer com que ele fique satisfeito. Que é fé? Para ele, fé é encontrar em DEUS apoio para satisfazer seus desejos. Imaginemos que a opinião do autor esteja correta. Neste caso, todos nós teríamos nossa própria justiça e nossa própria fé, que seria baseada em um DEUS que estaria trabalhando para satisfazer-nos”.
Ao entrar e participar de qualquer culto numa denominação protestante qualquer um pode notar com clareza que as palavras que mais soam dos púlpitos são direcionadas ao homem. Quase que na maioria das vezes se ouvirá as expressões como: “pra você, sua vitória, creia na sua benção, DEUS vai te exaltar, DEUS vai te colocar no domínio dessa situação, creia no milagre para sua vida” e por aí vai. Note que são sempre palavras direcionadas para satisfazer o decaído ego humano. Tudo isso faz com que as pessoas busquem um DEUS resolvedor de problemas. Não estou dizendo que DEUS não age dessa forma ou que Ele não nos abençoa, estou dizendo que não devemos nos preocupar com tais questões. Isso Ele faz de acordo com sua soberana vontade e propósitos. Ele não tem nenhuma obrigação de fazê-las simplesmente porque somos filhos Dele. O apóstolo Paulo dedicou a sua vida ao máximo em prol da obra de DEUS e nem por isso era próspero nem reivindicava ser, simplesmente pelo seu serviço ao Salvador.
Devemos nos preocupar com a vida comunitária que é o resultado da salvação, o resto é conseqüência. Não podemos esquecer a vida comunitária que os cristãos do novo testamento tanto prezavam trocando-a por uma vida cristã individualista e egocêntrica. Individualismo e egocentrismo demonstram o amor a si mesmo acima de todas as coisas. Isso é uma atitude carnal e leviana que DEUS abomina.
Hoje em dia “é o rabo que balança o cachorro”. Estranho não é? Me parece que entendem o seguinte: “ buscai primeiro estas coisas (prosperidade) e o reino de DEUS vos será acrescentado”. Nós, filhos de DEUS somos casa de oração e não covis de ladrões, pessoas que só pensam em si próprias, que só pensam em ser abençoadas. Os cristãos foram transformados em “campanhólatras”. Que o Senhor perdoe minha ousadia. Muitas vezes essas pessoas acham que são abençoadas porque são “dizimistas fiéis” ou porque são persistentes em pedir o que necessitam, e ainda fundamentam essa doutrina em Lucas capítulo 18: 1 ao 8.
Preste atenção no que Paulo diz aos Gálatas no capítulo 5 e versículos 3 e 4: “ e, de novo, protesto a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei, separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei, da graça tendes decaído”. Note que ele diz que aquele que se justifica na lei, é obrigado a guardar toda lei, e está separado de Cristo e decaído da graça. O dízimo é um mandamento da lei (Hb 7: 5). Se você justifica sua prosperidade na lei do dízimo, você esta se justificando no seu próprio esforço. Se você argumenta que não, dizendo que o dízimo não é da lei porque ele foi praticado antes da lei, então se circuncide e guarde o sábado, pois esses mandamentos foram também praticados antes da lei. Paulo diz isso porque aquele que se justifica na lei, que é em esforço próprio, está fazendo pouco caso do sacrifício de Jesus na cruz do calvário, pois tudo que somos e temos é por intermédio Dele e não por nosso esforço. Nossos atos de justiça, comparado com nossos pecados não são absolutamente nada aos olhos de DEUS, Isaías 64: 6 diz: “mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo de imundícia”
O que me deixa triste é que se alguém explica dessa forma, é taxado de avarento, que não quer contribuir para o reino de DEUS, que ama o dinheiro, que só lê a bíblia entendendo apenas a letra, sendo que eles próprios interpretam de maneira materialista, interesseira. Simplesmente procuro explicar de forma espiritual, em concordância com a mensagem áurea de nosso mestre e os princípios do novo testamento: “amarás, pois, ao Senhor teu DEUS de todo teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças… amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12: 30 e 31, Rm 13: 9, Tg 2: 8, 1Jo 3: 11, 16, 17, 18).
Porque será que nada disso é ensinado nas escolas dominicais, ou nas eloqüentes pregações que soam dos lindos e exuberantes púlpitos de forma honesta, bem interpretada, de acordo com o contexto, de acordo com a mensagem de Jesus?

Primeiro relato sobre dízimos nas escrituras.

Nas escrituras a primeira menção do dízimo está em gênesis cap. 12, onde Abraão dá os dízimos dos despojos da guerra ao rei e sacerdote Mélquisedeque. As escrituras não dizem que Abraão era um dizimista fiel, apenas dizem que ele deu os dízimos dos despojos de guerra. Abrão é mencionado entregando dízimos essa única vez.
Quando dizemos que o dízimo é uma ordenança da lei (a qual foi por Cristo abolida), os defensores da prática do dízimo usam essa passagem argumentando que o dízimo não é uma ordenança da lei e que o dízimo já é mencionado na bíblia setecentos anos antes da lei. No entanto, esquecem que a guarda do sábado também é mencionada muito tempo antes da lei, posteriormente, como os dízimos, tornou-se um dos mandamentos da lei. Mas nem por isso guardam ou ensinam aos crentes a guardá-lo, por que será? Será pelo fato de não se tratar de dinheiro? Fácil notar como são contraditórios não é mesmo? Se nós cristãos fossemos tomar o exemplo de Abraão como dizimista então teríamos que dar dízimo uma única vez na nossa vida como fez Abraão. E não para por aí, devemos salientar que Abraão de o dízimo voluntariamente e não baseado em uma lei como os cristãos dizimistas fazem hoje.

Segundo relato dos dízimos nas escrituras.
O segundo relato do dízimo antes da lei nas escrituras se encontra em Gênesis 28: 20- 22. Esta passagem também é muito usada para justificar a prática do dízimo por estar registrado nas escrituras antes da lei. Neste trecho de gênesis, Jacó faz um voto com DEUS prometendo-lhe que se Ele o abençoasse naquela caminhada ele daria ao Senhor o dízimo de tudo quanto o Senhor lhe desse. Lendo posteriormente toda a história de Jacó, sabemos muito bem que o Senhor o abençoou grandemente, mas as escrituras não mencionam o cumprimento do voto de forma clara e direta, então o que será que aconteceu? Se ainda nem existia o templo, nem sacerdotes e levitas. Jacó fez um voto de tolo? Creio que não. Eu arrisco duas possíveis hipóteses: ou Jacó deu os dízimos aos pobres, ou então ele disse isso de maneira profética e o voto foi cumprido indiretamente através de seus descendentes (as doze tribos de Israel). As escrituras não mencionam que Jacó era um dizimista fiel. Ele apenas disse que SE o Senhor o abençoasse em sua caminhada ele DARIA ao Senhor o dízimo de tudo quanto o Senhor lhe desse.
Primeiro relato dos dízimos como ordenança da lei.
Como ordenança da lei, o dízimo é encontrado em levíticos cap. 27: 30- 34. Desses versículos em diante o Senhor dá mais detalhes dessa ordenança; a quem seria aplicado essa ordenança, quem seriam os beneficiados, onde e a quem seria entregue e outros detalhes os quais foram explicados anteriormente. Se eu citar todos os versículos levariamos muito tempo descrevendo o assunto, isso tornaria a leitura deste estudo muito cansativa e redundante. Quem já leu pelo menos todo o Pentateuco pode compreender com destreza o que estou afirmando. Se você ainda não leu, leia, você entenderá de forma mais clara e será tremendamente abençoado.
Os relatos sobre dízimos nos evangelhos.
Outro versículo muito usado pelos apologistas da prática do dízimo é Mateus 23: 23 correlatada em Lucas 11: 42. Esta é a passagem em que Jesus dá uma “dura” nos fariseus que observavam os mínimos detalhes da lei. Esses fariseus por religiosidade davam o dízimo até do endro e do cominho plantado no quintal de casa (conjectura minha) e desprezavam o amor e a misericórdia. Lembre-se que escribas e fariseus eram pessoas que serviam no templo em período integral por isso eram isentos de dizimar, muito pelo contrario, eles eram um dos beneficiados pelos dízimos. Jesus disse que eles deviam sim ser bons observadores da lei (guardar os sábados, servir no templo e etc.), mas sem desprezar os princípios mais importantes da lei, a saber: a fé, o amor e a misericórdia.
Usar esta passagem para argumentar que a prática do dízimo é neotestamentária, isso é forçar um texto bíblico á dizer o que não diz. Dizer que nós cristãos devemos dizimar só por que Jesus aprovou isso quando pregava aos fariseus, é desprezar o contexto histórico dos evangelhos. A menos que essa prática fosse claramente registrada no livro de atos que relata os primórdios da igreja no aspecto prático, mas não é isso que acontece. As contribuições no livro de atos dos apóstolos estão registradas em forma voluntária e não baseadas numa lei. Jesus também aprovou a guarda do sábado, o sacrifício de animais para perdão de pecados e uma infinidade de regras religiosas pertencentes á lei de Moisés. Se você pratica o dízimo só por que Jesus o aprovou, então pratique a guarda do sábado, apresente- se ao um sacerdote depois de curado (se você encontrar um legítimo), pois Jesus também aprovou essas práticas pertencentes à lei.
Não podemos desprezar o contexto histórico dos evangelhos. Mateus e Lucas registraram um período em que a lei estava em vigor. Os fariseus, inclusive Jesus (Gl 4: 4), viveram sob pactos e leis diferentes daquele de um salvo do novo testamento. Cristo, por sua morte inaugurou um novo pacto, assim, efetivando uma mudança na lei (Lucas 22: 20, Hebreus 7: 12). Essa lei consistia em 613 mandamentos, dentre eles a lei dos dízimos.
Outro versículo usado pelos apologistas é a parábola do fariseu e do publicano, relatada em (Lc 18: 9- 14). É um texto bem conhecido, por isso, para não perder tempo não entrarei em detalhes. Nessa parábola, Jesus fala de um pecador arrependido e de um fariseu que jactáva-se porque dava dízimos. Ora, fariseus davam dízimos, eram extremistas ao praticar a lei. Mesmo que algumas ordenanças não se encaixassem aos seus perfis eles a praticavam, pois viviam sob o período da lei. Os fariseus também guardavam o sábado, praticavam abstenção de animais impuros, sacrificavam animais para perdão de pecados, davam dízimos, enfim praticavam uma infinidade de leis que pertenciam á lei de Moisés. Não podemos tomar posse de versículos nos evangelhos que relatam israelitas dando dízimos e aplicarmos em nosso viver cristão. Eles eram israelitas, guardadores da lei, nós somos cristãos isentos da lei (leia a epístola aos Gálatas).
Estes são os relatos nos evangelhos, de ISRAELITAS que VIVIAM SOB A LEI DE MOISÉS, por isso cumpriam todos esses requisitos pertencentes á lei. Jesus como um bom Judeu que era também cumpriu legitimamente a lei de Moisés conforme se enquadrasse em seu perfil. Semelhantemente, aos apologistas do dízimo, eu desafio a qualquer um deles a me mostrar nas escrituras do novo testamento, depois da morte do Senhor Jesus na cruz do calvário, qualquer um desses mandamentos citados acima direcionados á um cristão, qualquer relato de algum cristão se apresentando ao sacerdote depois de curado de uma lepra, sacrificando animais para perdão de pecados, DANDO DÍZIMOS, cumprindo aqueles extensos rituais contidos na toráh, enfim, cumprindo mandamentos da lei.
Os apologistas se esmeram procurando versículos no novo testamento para argumentar a observância do dízimo, mas não encontram, por isso forçam o significado de alguns versículos omitindo o contexto, colocando-os em desarmonia com o restante do novo testamento, mas nunca fazem o mesmo com relação à observância do sábado (exceto os adventistas do sétimo dia e outras vertentes). O porquê disso é claro como água: Porque o sábado e as outras ordenanças judaicas que eu citei não se tratam de dinheiro, mas no caso do dízimo sim, porque, ignorantemente; no cristianismo moderno dízimo é dinheiro, e dinheiro faz crescer os olhos da raça humana decaída. (vide o tópico: Quando, de quê e onde entregar os dízimos?)
Quero lhe repetir e ressaltar segundo as escrituras que Jesus não estava falando com a igreja, mas sim com os judeus, os fariseus eram Judeus, observadores da lei, não eram cristãos que vivem a lei da liberdade (Gl 15: 3, 1Pd 2: 16). Judeus não viviam a lei da liberdade, eles viviam sob a lei de Moisés, o que é bem oposto a liberdade cristã.
Jesus disse isso num período em que a lei (o Antigo Testamento) ainda estava em pleno vigor, e que só foi abolida depois que ele morreu na cruz (2Co 3:14c), que segundo as escrituras é onde se inicia o novo testamento. Isso é de extrema importância para uma correta interpretação dos evangelhos. A divisão que temos hoje na bíblia: AT e NT foi feita pelo homem. Os quatro evangelhos relatam os atos de Jesus no regime da lei. Os relatos dos evangelhos são concernentes ao antigo testamento. Para ser mais preciso eu costumo dizer que os evangelhos relatam (enquanto Jesus está vivo em carne) um período de transição entre o antigo e o novo testamento.
Estamos condicionados pelo cristianismo moderno a entender que os evangelhos são parte do novo testamento, mas isso não é bíblico. Mais uma vez eu afirmo segundo as escrituras que o novo testamento se inicia depois da morte de Jesus na cruz do calvário e não em seu nascimento. Como alguém poderá deixar á outro, um testamento ou uma herança, se ainda estiver vivo? É obvio que este testamento ou herança só terá validade quando a pessoa que assinou o testamento morrer. Esse exemplo está de acordo com a bíblia (Hebreus 9: 16, 17). Sendo assim, o novo testamento só começa quando Jesus morre na cruz. Jesus cumpriu a lei, viveu sob a lei, mas depois que ele morreu na cruz a lei foi por ele abolída (2 Cor. 3: 14c). Assim muito provavelmente segundo o consenso de eruditos da bíblia, a igreja só nasce aproximadamente 50 dias depois da crucificação, no dia pentecostes, quando o Espírito Santo é derramado sobre os discípulos (Atos 2: 1- 4). Então, a partir da morte e ressurreição de Jesus começa uma nova dispensação, o inicio do período da graça, em contrapartida, o fim da lei.

Romanos 14.
“Com respeito à fé, devemos ser bem específicos e particulares (Jd 3; 1Tm 6: 12). Entretanto, com respeito às outras coisas, devemos seguir o exemplo de Paulo e ser genéricos, nunca insistindo em que os outros creiam do mesmo modo que nós (Rm 14: 1- 8). Se formos específicos e insistirmos em qualquer coisa além da fé comum, a unidade certamente será danificada e ocorrerá divisões”.
Witnees Lee.

Romanos 14 é um texto entendido de forma muito superficial pelos cristãos. Bom seria se fosse entendido de acordo com a situação doutrinária da igreja e o objetivo do apóstolo Paulo. Qual era a situação doutrinaria da igreja de Roma? Existia alguma ruptura entre eles?Era uma igreja composta de que etnias? Precisamos saber o pano de fundo desse texto. Se essas questões fossem entendidas, não existiria hoje o vasto número de cismas e divisões no corpo de Cristo. Não existiriam tantas “igrejas” como vemos a cada esquina simplesmente por falta de compreensão com respeito a algumas crenças além da fé comum.
Em primeiro lugar o assunto tratado pelo apóstolo não se limita somente ao capítulo 14. O assunto começa no capítulo 13, especificamente do versículo 8 ao 14, passa pelo capítulo 14, até o capítulo 15: 1- 7. Em todo esse texto é tratado um mesmo assunto. Infelizmente o homem dividiu o mesmo assunto em capítulos, fragmentando assim, uma única e mesma mensagem. Leia os capítulos e versículos citados.
A igreja de Roma era formada por judeus e gentios. Judeus familiarizados com costumes judaicos, como: guardar dias santos (sábados e festas peculiares), e se abster de alimentos impuros. Paulo exorta aqueles que tinham uma boa consciência a não ferir a consciência dos judeus convertidos, que ele chama de “fracos na fé” (algumas bíblias foram traduzidas como: “consciência fraca”) contrariando as suas crenças, que eram: a importância do sábado santo e abstenção de alimentos impuros. Esses judeus, mesmo depois de convertidos, ainda faziam caso da guarda do sábado e da abstenção de alimentos impuros, tanto que até preferiam comer apenas legumes (14:2). Porque esses costumes ainda estavam arraigados nas suas consciências. Paulo exorta aos judeus convertidos, que ele os chama de “fracos na fé” a não julgarem os gentios convertidos, por julgarem iguais todos os dias e alimentos. Os gentios convertidos nunca praticaram a guarda do sábado e nem a abstenção de alimentos impuros, não tinham esses costumes, para eles todos os dias eram santos e todos os alimentos eram puros, sendo assim, não havia nada de errado se alimentar de alimentos que os judeus consideravam impuros e julgar iguais todos os dias. Por conseguinte, Paulo diz aos gentios convertidos a não ferirem a consciência dos judeus convertidos, evitando comer na frente deles carnes de animais considerado por eles impuro, muito mesmo tentar induzi-los a comerem tais alimentos e a praticarem costumes que fossem contrários a fé deles. Esses atos seriam escandalosos para os ex-praticantes do judaísmo, ferindo assim suas fracas consciências.
Explicando de forma resumida o aconselhamento de PAULO.
“Se você ex-praticante do judaísmo e quer guardar o sábado e se abster de alimentos que vocês consideram impuros e crê que isso é importante pra sua fé então faça isso, continue exercendo a sua fé dessa maneira, mas não julgue seu irmão que não faz caso do sábado e que para ele todos os dias são santos e todos os alimentos são puros, pois quem há de julgar a cada um de nós é DEUS. E você gentio convertido que não faz caso de dias e alimentos não zombe de seu irmão porque ele o faz e faça de tudo para não ferir a consciência dele o induzindo a fazer o que a fé dele não aprova. Porque agindo assim você pode ferir a consciência de seu irmão e fazê-lo naufragar na fé simplesmente por causa de coisas banais. Vocês devem viver em comunhão irrestrita, independente de crenças e costumes, porque DEUS recebeu e acolheu a todos vocês sem acepção, sendo assim receba e acolha uns aos outros sem contendas, sem discussão em assuntos duvidosos, amem uns aos outros, porque amando uns aos outros vocês estarão cumprindo toda a lei, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
Deixo para sua reflexão as seguintes palavras de Agostinho:
• Em questões duvidosas deve haver liberdade;
• Nas questões essenciais deve haver unidade;
• Em todas as questões deve haver AMOR;

Baseado neste ensinamento, que há de errado em praticar o dízimo?
“Porque a administração desse serviço não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças que se dão a DEUS”. (1 Co 9: 12)
O versículo supracitado nos mostra a real finalidade das contribuições dos cristãos primitivos. Existe uma relação muito grande entre a explicação no tópico anterior e os dízimos. Talvez da explicação do tópico anterior alguém possa justificar a pratica atual dos dízimos argumentando da seguinte forma: “Irmão! Então, segundo os ensinamentos de Paulo na epístola aos romanos, se eu quiser dar dízimos você não tem o direito de julgar a minha crença e minha prática, pois creio que isso é importante para o exercício da minha fé, pois não é isso que o apóstolo Paulo ensina nessa epístola?”.
Querido irmão em Cristo, se você crê que para você é importante praticar o dízimo, para o exercício da sua fé, pela fé e não por obrigação ou lei continue fazendo. Desde que você não julgue aquele que não aprova essa prática, não obstante, o meu objetivo é direcionar você segundo as escrituras aos seguintes questionamentos: Onde está sendo investido o seu dízimo? Qual é a prioridade no investimento do seu dízimo? É ajudar os necessitados conforme o novo testamento? Sei quais são as suas respostas. Eu já vivi isso, graças à misericórdia do Senhor, Ele tem me revelado estas “pérolas”. Ele me deu respostas totalmente contrárias às respostas de líderes cristãos que estão a séculos praticando uma doutrina que em sua maior parte só tem fins religiosos e até lucrativos.
Segundo os princípios de romanos 14, você tem permissão e liberdade para praticar o dízimo, desde que seja de forma voluntária e não compulsória, e desde que você não julgue aquele que não contribui em forma de dízimo. Nenhum irmão ou líder religioso tem o direito ou base bíblica para impor a prática do dízimo ou julgar aquele que pratica ou não o dízimo. Se você sente que para você é importante dar dízimos, pela fé, desde que eles sejam investidos de forma legítima, então não há nada de errado você continuar dizimando, porém, não é isso que acontece no meio religioso.
Eu, particularmente vejo dois enormes problemas com os dízimos de hoje em dia. Um deles está na maneira estúpida e ameaçante que os líderes religiosos usam para persuadir os cristãos a darem os dízimos. E o outro está na finalidade dos dízimos arrecadados hoje em dia. Esses dois grandes problemas são os que mais se chocam com as escrituras do novo testamento. Esses são os ensinamentos e práticas que eu mais discordo e combato. Meu objetivo principal nesse estudo é combater esses ensinamentos. Quero direcionar você á investir seu tempo e dinheiro para o reino de DEUS de forma voluntária como os primeiros cristãos faziam no novo testamento. E investir no reino de DEUS é investir em pessoas (os mais necessitados e a obra apostólica).
Hoje em dia os dízimos são investidos em templos, festividades, salário de pastores, em alguns casos deve ser enviado uma porcentagem á “igreja sede”, investimentos em mega congressos, esse é infelizmente o destino dos dízimos arrecadados hoje em dia. A prioridade dos dízimos nas igrejas de hoje em dia é o “templo”, caso contrário, onde se reuniram?
Por conseqüência disso, a igreja é forçada a deixar o sustento dos necessitados e a obra apostólica para segundo ou terceiro plano, o templo é a prioridade. Conclusão: se sobrar os necessitados seram ajudados com o dinheiro dos dízimos, se não sobrar, os irmãos são instruídos pelos líderes a “enfiar a mão no bolso” de uma maneira extra para ajudar. Mas e os dízimos? Não seriam para essa finalidade? A saber, ajuda aos necessitados e a obra apostólica? Se devemos dar continuidade á prática do dízimo como no antigo testamento não seria essa a sua finalidade? Ou será que a bíblia está ultrapassada demais e DEUS mudou seus princípios? Eu compreendo que hoje em dia investir no reino de DEUS é um assunto mais complexo do que nos primórdios da igreja, mas os princípios de DEUS são imutáveis, sendo assim temos que priorizá-los.
Essa aberração doutrinaria faz com que o “clero da igreja” coloque um peso nas costas dos leigos impedido-os de ajudar o necessitado diretamente, inibindo o crescimento espiritual de cada irmão. Não existe mais o corpo a corpo, o falar de Jesus estendendo as mãos ajudando o necessitado. A vontade do Senhor é que cada um de nós façamos isso, é uma responsabilidade individual, é um meio de expressar a Cristo individualmente. E sem contar que na maioria das vezes se apóiam nas escrituras veterotestamentárias para ameaçar o rebanho com maldições caso não sejam fiéis nos dízimos.
Nas igrejas os irmãos colocam seus dízimos num envelope, o tesoureiro recolhe e alguém administra o destino dele. Os irmãos são ensinados a colocar a responsabilidade nas mãos de alguém, tornando- se assim infrutíferos, a igreja se torna dividida em clero e leigos. Esso é uma prática israelita, do antigo testamento, prática essa também das religiões pagãs (No caso dos israelitas foi por ordem divina visando um objetivo). No corpo de Cristo não existe clero e leigos, todos os cristão estão no mesmo patamar, todos devem funcionar, todos são Reis e Sacerdotes diante do Senhor. Todos são membros de um corpo comandados pela cabeça- Cristo Jesus.
Alguns ainda se utilizam da passagem de atos capítulo 4 para argumentar que os cristãos levavam o dinheiro de ofertas aos pés dos apóstolos. Covardemente persuadem o rebanho a fazer o mesmo. Mas se esquecem que a igreja em Jerusalém naquela época estava em sua fase embrionária, sendo assim, ainda necessitavam de orientação por parte dos mais experientes. Além do mais, os apóstolos destinavam as ofertas, ofertas e não dízimos, aos mais pobres e nada mais que isto. Posteriormente orientaram à igreja a escolher dentre eles sete homens para administrar este serviço em prol dos mais necessitados. As ofertas nunca eram destinadas á coisas supérfluas como construção de templos e mega festividades que não passam de religiosidade e vaidade humana. Ao ler as epístolas do novo testamento depois de a igreja haver ganhado certa maturidade, salta aos nossos olhos a quantidade de trechos que exortam os cristãos a cuidarem uns dos outros e não mais a colocarem suas doações aos pés de alguém. É óbvio que isso se enquadra também na questão das ofertas. Confira alguns versículos: Gl 6: 2- 10; 2 ts 2: 13; Gl 4: 28; Cl 3: 14; 1 Pd 1: 22; 1 Pd 4: 8; Hb 13: 1. Vale ressaltar que todos eles deixam subentendido uma ação voluntária e individual. Nada tem haver com servir ao próximo através de um mediador humano como se faz hoje em dia.

Interpretar e fazer aplicações de versículos do antigo testamento.
-Tipos e figuras.
Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas…(Hb 10: 1)
Para fazermos aplicações corretas usando versículos e passagens do antigo testamento, precisamos aprender e entender claramente os tipos e figuras que ocultamente lá estão registrados. Assim poderemos entender melhor o significado espiritual desses versículos e passagens. O que eu me refiro a significado espiritual; é o que está “por traz” desses versículos, o que DEUS nos fala e nos ensina através desses versículos. No livro Estudo Vida De Gênesis, página 837- Mensagem 61, o autor Witnees Lee se referindo à leitura de certas passagens da bíblia ele diz: “Embora seja fácil visualizar a superfície, é difícil penetrar as profundezas”. E mais adiante na página 838 ele diz:
“Alguns mestres da bíblia dizem que nada deveríamos alegorizar nas escrituras, ao menos que o novo testamento o indique como alegoria, como sendo um tipo de certas coisas espirituais. Mas não deveríamos insistir nisso, porque, embora o novo testamento não o diga, todo mestre da bíblia reconhece José como um excelente tipo de Cristo. Quando lemos a sua história, vemos que ela descreve a vida de Cristo”.
Sabemos que as escrituras são incomensuravelmente profundas em sabedoria e ensino divino. O DEUS que nós servimos é um DEUS infinito. O antigo testamento quase que em sua totalidade é repleto de figuras e tipos que são de extrema importância para sua compreensão. Ainda que não entendamos todos esses significados, tudo o que a bíblia nos diz espiritualmente, ela mesmo nos ensina como decifrá-los através da maravilhosa luz do Espírito Santo que em nós habita e nos dá essa sabedoria, pois temos a mente de Cristo (1 Cor. 2: 16). Glórias ao nosso DEUS por isso!
O apóstolo Paulo diz em 1 Co 3: 15, 16 que os Judeus, ao lerem o antigo testamento, não entendiam o significado espiritual daquelas palavras, porque um véu estava posto em seus rostos. Por conseguinte, ele diz que quando se converterem esse véu será tirado. Isso significa que uma pessoa quando se converte á Cristo, ela passa a compreender as coisas de DEUS, principalmente na leitura da palavra, por que de ali em diante ela passa a ser uma pessoa espiritual (1 Co 2: 14, 15). Mas infelizmente até mesmo cristãos autênticos atualmente estão com um véu posto em seus rostos. Muitos cristãos entendem várias passagens do antigo testamento literalmente, como os judeus entendiam. Os judeus eram voltados para as coisas terrenas. Por exemplo: eles achavam que Jesus Cristo seria um rei terreno que os libertaria do julgo dos romanos. Esse era o significado da salvação para eles, totalmente o oposto do Jesus Cristo anunciado pela lei e os profetas, eles criam num Jesus que visava o âmbito terreno e não o espiritual. Era isso que eles entendiam quando liam a lei, os profetas e os salmos.
Com os cristãos modernos não é diferente. Quando lêem a lei, os profetas e os salmos e até mesmo o novo testamento pensam em coisas terrenas; bênçãos materiais, eles olham para um DEUS “resolvedor” de problemas. Um DEUS que dá á eles o melhor dessa terra, que os faz prosperar por que são filhos do dono da prata e do ouro. Que deplorável a situação de muitos cristãos hoje em dia! Não estou afirmando que esses cristãos não são legitimamente convertidos como no caso dos judeus aos quais Paulo se refere, muito pelo contrário; são cristãos autênticos. Mas por má herança religiosa, por tradição e a diabólica teologia da prosperidade, foram contaminados por esses ensinamentos. Por conseqüência entendem e ensinam dessa forma as gerações subseqüentes doutrinas materialistas que carecem de uma legítima e honesta base bíblica. Que o Senhor possa remover de nossas faces esse véu para entendermos as verdades espirituais contidas no antigo testamento.
Para entender o significado espiritual de versículos do antigo testamento precisamos ter em mente que as escrituras interpretam as escrituras, todos nós estamos familiarizados com esse lema. Como eu já disse no tópico Bênçãos e promessas de DEUS; não podemos interpretar o antigo testamento de forma literal, pois isso resultaria em interpretações materialistas, estranhas e sem sentido. Do antigo testamento, devemos tomar como prática os princípios lá estabelecidos e não as práticas em si. As práticas do antigo testamento foram abolidas, mas os princípios são imutáveis.
DEUS ordenou ao povo israelita que entregasse os dízimos de sua produção agropecuária para o sustento dos sacerdotes e levitas que ministravam em período integral no templo e também para o sustento dos órfãos, viúvas e estrangeiros. Quais são os princípios envolvidos nessa ordenança contida na lei? DEUS deseja que nós, cristãos nos preocupemos com a expansão do reino de DEUS (Sacerdotes e levitas que ministravam em tempo integral = obra apostólica, missionários em tempo integral) investindo nele uma parte de nossas finanças. Ele deseja também que nos preocupemos com nosso próximo (Os órfãos, as viúvas e os estrangeiros = Os irmãos mais pobres e os pagãos).
Temos que focar os princípios dos rituais e ordenanças do antigo testamento e não os rituais e práticas em si. O antigo testamento precisa ser entendido por nós cristão de um âmbito espiritual. Não precisamos sacrificar animais para perdão de nossos pecados, guardar o sábado, cuidar da manutenção do templo. Existe um significado espiritual envolvido em cada uma dessas ordenanças veterotestamentárias. A lei em si deve ser somente aplicada ao povo de Israel. Os preceitos e ordenanças em si da antiga aliança devem ser somente aplicadas ao povo de Israel e não a nós cristãos da nova aliança. Nós cristãos devemos fazer aplicações dos princípios envolvidos na lei. Todos os preceitos e ordenanças da lei visam um objetivo específico. Concernente aos dízimos segue-se o mesmo raciocínio; devemos tomar como prática os princípios envolvidos no tocante aos dízimos e não os dízimos em si. Se tomarmos como prática a ordenança dos dízimos de forma literal estaríamos regressando á lei (Gl 3: 1-5, 4: 9) e sabemos segundo o novo testamento que nós cristãos estamos isentos da lei (Cl 2: 20- 23, Rm 7: 1- 6).
Ao estipular uma quantia a ser doada nós impedimos que os irmãos ofertem generosamente de forma espontânea e voluntária de acordo com o mover do Espírito Santo. O apóstolo Paulo diz que a lei opera a morte, leia Rm 7: 7- 14. Alguns líderes argumentam que é necessário fazer isso para que se garanta um valor fixo mensalmente para o pagamento das despesas do ministério. Isso é mostrar claramente a falta de fé em DEUS. Isso é trocar a fé em DEUS por métodos e mecanismos humanos para promoverem seus ministérios. Agindo assim esses líderes estão mostrando que não crêem que DEUS pode tocar o coração de cada irmão para ofertar voluntariamente como Ele fazia no novo testamento.
É preciso ressaltar que as aplicações que fazemos de versículos do antigo testamento têm que estar em harmonia com o novo testamento, pois ele é a conclusão do antigo testamento. Precisamos respeitar os tipos e figuras lá incutidos. Veja um exemplo de negligência no uso de alguns versículos do antigo testamento:
Um irmão lendo o antigo testamento observa que o povo de DEUS (Israel) tinha um templo para adorar ao Senhor. Então esse irmão tem “uma grande revelação da parte de DEUS” e decide fazer uma aplicação dessa prática na vida dele e também dos que com ele compartilham a fé. Ele diz aos irmãos: “Irmãos, no antigo testamento o povo de DEUS tinha um templo para adorar o Senhor, a palavra diz que O Senhor não muda, ele é o mesmo, ontem, hoje e sempre. Então vamos nós também construir um templo para adorar ao nosso DEUS!”
Aparentemente esse irmão está correto em sua interpretação, ele até usou um versículo dizendo que o DEUS que os Israelitas serviam é o mesmo DEUS que nós servimos, sendo assim o mesmo serviço que Ele recebeu no antigo testamento Ele recebe hoje, todavia, esse irmão se esqueceu de que nós cristãos vivemos numa outra dispensação, outra maneira de DEUS trabalhar com seu povo. Ele se esqueceu de colocar sua interpretação á prova com o novo testamento, para saber se havia alguma harmonia com o que os apóstolos e os primeiros cristãos ensinavam e praticavam. Interpretações como essa são comuns há muitos séculos, tudo isso leva o povo de DEUS á erros quase que irremediáveis com o passar dos anos. São interpretações totalmente errôneas cobertas por versículos mal interpretados que dão á elas uma aparência ortodoxa de um legítimo servir á DEUS.
Vejamos outro exemplo: Várias denominações e grupos cristãos hoje em dia são dirigidos por líderes como, por exemplo: o papa da igreja católica apostólica romana, pastores líderes de grandes ministérios. Esses líderes se utilizam da figura de Moisés aplicando-as á eles mesmos, argumentando que têm um pesado encargo, uma responsabilidade muito grande de conduzir o povo de DEUS como Moisés tinha. Sorrateiramente tomam um posto de mediador entre DEUS e os irmãos. Não poucos chegam até a afirmar que são despenseiros das verdades reveladas por DEUS. Isso é uma tremenda heresia, um ensinamento muito nocivo ao corpo de Cristo que toma a primazia e proeminência de nosso Senhor Jesus Cristo como cabeça da igreja destrói o sacerdócio universal de todos os crentes. Isso faz com que os irmãos até idolatrem esses homens tornando-se dependentes deles. O novo testamento nos mostra claramente que não necessitamos de líderes e mediadores humanos, pois nosso líder ressuscitou ao terceiro dia e está nesse momento assentado á destra do Pai invisivelmente liderando o Seu glorioso corpo- a igreja, e única e exclusivamente Ele, está intercedendo por ela (1tm 2:5). Ele é portador de todo poder e autoridade em todos os lugares (Mt 28: 18, Cl 1: 16- 18).
Esses “homens de DEUS” ignoram ou muitas vezes nem sabem que Moisés era uma figura de Cristo que viria para conduzir seu povo- a igreja. Moisés era uma figura do Filho de DEUS, O Eterno, e não de um mero homem dependente da misericórdia de DEUS como eu e você.
Estou citando esses exemplos para facilitar o que eu quero transmitir a você. O mesmo princípio se aplica aos versículos concernentes aos dízimos em Malaquias 3: 8- 11. Precisamos entender o tipo ou figura envolvida nisso. Devemos ser cautelosos antes de fazer uma aplicação de passagens e versículos do antigo testamento para nossas práticas e viver diário na vida igreja. Caso contrário seremos praticantes e promotores de heresias que trocam o conduzir do Espírito Santo por regras e ensinamentos de homens. Poderemos por negligência ensinarmos doutrinas que subtraem a pureza e a simplicidade da vida da igreja, tornando o evangelho de Jesus Cristo em mais uma religião.
As aplicações feitas hoje em dia concernentes aos dízimos não estão em harmonia com as práticas e ensinamentos do novo testamento, muito pelo contrário elas se chocam com as doutrinas e práticas neotestamentária sobre contribuições que eram voluntárias e dirigidas aos necessitados e a obra apostólica (At 2: 44, 45, 4: 32, 5:2, 11: 27- 30, Gl 2: 10, 6: 6,8, 2 Co cap. 8 e 9, Rm 12: 8, 15: 26, Hb 13: 16, 1 Jo 3: 17, 18).
Devemos também ressaltar o que o apostolo Paulo nos ensina na segunda carta aos coríntios no capítulo 10 onde ele diz que os relatos registrados no antigo testamento nos servem como figuras, nos ensinam algo de maneira simbólica. O escritor da carta aos hebreus também deixa isso bem claro no capítulo 9 e 10 e em outros trechos da carta. Fica então bem claro que não podemos interpretar versículos e passagens do antigo testamento literalmente. Deixe-me frisar esse princípio, preste bem atenção, é de extrema importância que compreendamos os tipos e figuras do antigo testamento para não o interpretarmos literalmente. Porque isso faz com que cometamos erros de interpretação seriíssimos. No livro: A história não contada da igreja do novo testamento, o autor Frank A. Viola diz na página 30:
“O propósito eterno de DEUS o faz criar um universo e uma terra. Ele teceu em sua criação figuras e imagens de seu Filho e da futura comunidade (a igreja) que irá expressar a Sua natureza. DEUS então escolhe um povo para si mesmo: a nação de Israel. Toda vida e a história de Israel prefiguram a comunidade espiritual (a igreja) que um dia manifestará a natureza eterna de DEUS na terra”. (At 7: 38, Rm 2: 28, 29, 1 Co 10ss, Gl 6: 16, Col. 2: 16ss, Hb 10: 1ss). As ênfases e os acréscimos entre parênteses são meus.

Vejamos alguns exemplos de figuras do antigo testamento:
• A nação de Israel é uma figura da igreja.
• Faraó é uma figura do diabo que escraviza.
• Os quarenta anos que o povo de Israel caminhou pelo deserto para entrar na terra prometida é uma figura da nossa peregrinação nessa terra antes de entrar no céu.
• O encontro de Isáque com rebeca é uma figura do arrebatamento da igreja.
• Moisés é uma figura de Cristo.
• A arca de Noé é uma figura de Cristo.
• Eva é uma figura da igreja.
Enfim, esses são só alguns exemplos dentre centenas que nos ensina de maneira figurativa chamadas de tipo e antítipo, o antítipo é o cumprimento do tipo. O primeiro elemento é o tipo, o segundo elemento é o antítipo. É claro que existem até mais significados para os mesmos que eu citei. Esses foram citados para que o leitor tenha uma ínfima noção. Como já sabemos, nós servimos á um DEUS infinito em sabedoria e jamais poderemos compreender todos os seus mistérios, pois, o finito não pode decifrar o infinito. Para entendermos melhor devemos estudar a doutrina da tipologia bíblica. Note que essas figuras, ou tipos são fatos reais, tangíveis, são figuras que já se cumprirão no novo testamento e algumas ainda se cumpriram no futuro. Todos eles se cumprem de forma espiritual na dispensação da graça ou no fim dos tempos, numa intensidade muito maior e eterna.
No capítulo 12: 18- 24 da carta aos hebreus o escritor diz que o povo de Israel se aproximou de uma realidade palpável, tangível, visível e perecível, pelo fato de ser uma realidade terrena. No entanto, nós, na dispensação do Espírito Santo, por intermédio de Cristo Jesus, nos aproximamos de uma realidade espiritual, celestial e eterna, ou seja, totalmente o oposto do que se vivia no antigo testamento. Ao passarmos por esse crivo podemos então compreender melhor o que o Senhor nos diz através de Malaquias 3: 8- 11 sem correr o risco de ensinar e praticar heresias como no cristianismo moderno quando se trata de dízimos.

O templo de Jerusalém, o que significa para nós cristãos?
“Não sabeis vós que sois o templo de DEUS e que o Espírito de DEUS habita em vós?” (1Co 3: 16)

Para entendermos o sentido espiritual dos dízimos precisamos entender também a questão do templo, os dois estão intrinsecamente ligados, pois, nele eram estocados e em algumas ocasiões eram consumidos os dízimos doados pelo povo. Partindo do princípio da tipologia bíblica, o templo é uma figura de algo. Através da figura do templo, o Criador está querendo mostrar algo para o povo que Ele escolheu. Sabemos que figura não é imagem exata (Hb 10: 1). Lembremo-nos que uma figura ou tipo é algo terreno, material, tangível e perecível.
No templo de Jerusalém eram oferecidos sacrifícios de animais para (figuradamente) remissão dos pecados. Era onde os sacerdotes e levitas guardavam os dízimos na casa do tesouro, uma espécie de celeiro; que era um compartimento onde se estocavam os alimentos. Esse templo era a (figura) casa de DEUS, obviamente ele era material, perecível. O apóstolo Paulo fala em 1Co 3: 16, 6: 16 e em Ef 2: 21, 22 que nós somos o templo de DEUS, o escritor de hebreus, no capítulo 3 e versículo 6 diz que nós somos a casa de DEUS. Visto que o templo foi destruído no ano 70 d.C., que o novo testamento nos diz em alguns versículos que nós é quem somos o templo de DEUS e a casa de DEUS só nos resta concluir que o templo de Jerusalém era uma simples figura da real casa de DEUS, a qual somos nós. Além disso, não há registro arqueológico de Construção de templos para adoração a DEUS até o terceiro século. Os antigos e modernos templos que vemos por aí jamais podem ser chamados de templo de DEUS ou casa de DEUS, porém, afirmar que nós, cristãos, somos templo do Espírito Santo é uma afirmação irrefutável baseada nas escrituras do novo testamento.
Faça a seguinte pergunta ao seu líder religioso: “Onde é que está escrito que Jesus mandou construir templos? Onde está se quer um relato no novo testamento dos primeiros cristãos construindo templos”. Onde está escrito no novo testamento, os cristãos chamando um lugar feito de blocos e telhas de “casa de DEUS”?
O templo de Jerusalém era uma figura do corpo daqueles que pela fé recebem em seus corações ao Senhor e Salvador Jesus Cristo, passando assim a ser morada do Espírito Santo e verdadeira casa de DEUS. Veja quão grande privilégio, somos templo do Espírito Santo! Na antiga aliança o templo de DEUS era apenas uma figura, era temporário e foi destruído no ano 70 d. C.. Em contraste, nós, cristãos da nova aliança somos a verdadeira e eterna casa de DEUS, a igreja, o corpo de Cristo. Que benção não é mesmo?
O templo citado em tantas passagens do antigo testamento, no livro de malaquias e nos evangelhos, não é de forma alguma sinônimo de “igreja” (prédios de ovenaria). É um grande equívoco assemelhar o templo de Jerusalém (figura da futura e verdadeira casa de DEUS) com um prédio com nome de “igreja”, onde muitos os consideram um lugar sagrado, o reverencia dobrando os joelhos para orar quando entram nele, fazem o sinal da cruz e ainda para justificar sua reverência usam o verso 1 de Eclesiastes capítulo 5: “guarda o teu pé quando entrares na casa de DEUS”.
NÓS é quem somos o templo de DEUS (1 Co 3: 16, 6: 19). NÓS somos a igreja de Cristo, todos os cristãos genuínos formam a igreja de Cristo. Essa igreja é viva, porque é feita de pedras vivas. Cada um de Nós é uma pedra, uma parte desse glorioso edifício. A igreja é um corpo, o corpo de Cristo, cada um de nós é membro desse glorioso corpo, um corpo vivo, que expressa á vida de Cristo. Igreja não é um lugar sem vida feito de blocos e telhas (At 7: 48,49).
As figuras ou tipos do antigo testamento se cumprem de forma espiritual, num âmbito muito mais elevado. O templo de Jerusalém jamais pode ser figura de um simples lugar onde os cristãos se reúnem e equivocadamente o chamam de “igreja”.
O significado e o conceito de igreja segundo a bíblia foi extremamente mudado com o passar dos séculos. Os seres humanos em geral quando lêem ou ouvem a palavra igreja, logo à associam a um templo de ovenaria. A palavra Igreja é uma transliteração da palavra grega ekklesia que significa: assembléia, congregação ou ajuntamento de pessoas. Note que a palavra refere-se á pessoas e não prédios de ovenaria. Alguém disse que associar igreja (pessoas) que é cheia de vida divina com prédio de ovenaria é o mesmo que comparar uma horta com a General Motors. Não há como discordar disso.
Quando Davi fala de ir á casa do Senhor no salmo 122 verso 1 ele está apenas expressando sua alegria quando ia ao templo de Jerusalém para adorar o Senhor, esse templo foi destruído no ano 70 d.C. pelos romanos. Quando você veste seu melhor terno para ir aonde você congrega com os irmãos, saiba que você não está fazendo o mesmo que Davi que todo feliz se dirigia ao templo. Esse templo não existe mais. Agora VOCÊ é o templo de DEUS. Você não vai ao templo, VOCÊ É O TEMPLO.
Os cristãos de hoje têm muita dificuldade para entender esse ensinamento. Eles não conseguem imaginar se reunindo sem um “templo sagrado”. Para eles é impossível imaginar o cristianismo sem templos. Quando se fala nesse assunto com muitos cristãos é fácil notar como eles inconscientemente, têm o mesmo pensamento doutrinário que os fariseus que diziam que Estevão, um dos diáconos, estava pregando contra o “lugar santo”. Os fariseus estavam se doendo pelo templo como muitos cristãos fazem hoje quando ouvem que o lugar que eles se reúnem e os chama de “igreja” não é a casa de DEUS.
Estevão citando as escrituras lhes respondeu que o Altíssimo não habita em templo feito por mãos de homens. Foi esse um dos motivos de ele ser cruelmente apedrejado (At 7: 47- 50).
O templo de Jerusalém nada mais é do que uma figura da casa de DEUS, não era a real casa de DEUS. A real casa de DEUS somos nós (1 Co 3: 16, 6: 19). Somos o cumprimento de uma figura ou tipo, essa figura ou tipo era o templo de Jerusalém. Quero repetir isso para prender sua atenção: Somos o cumprimento de uma figura, essa figura está registrada no antigo testamento e nos evangelhos, me refiro ao templo de Jerusalém. Quando você está vestindo seu belo terno prestes ao anoitecer de domingo você todo entusiasmado diz: “vamos á casa do Senhor” como Davi dizia no salmo 122: 1. Saiba que você esta enganado. Davi estava se referindo ao templo de Jerusalém. Aquele lugar que você chama ou refere- se a ele como “templo, casa de DEUS, casa do SENHOR, casa de oração, santuário de DEUS” nunca foi e nunca será a verdadeira casa de DEUS. VOCÊ é a casa de DEUS. Por favor, leia esse versículo Hb 3: 6. Você querido irmão é uma casa de oração (1 Ts 5: 17, Ef 6: 18). Você é a casa de oração, um santuário de DEUS que Jesus almeja purificar e aperfeiçoar dia após dia como a mim tem feito, e dou graças á Ele por isso (Fil 1: 6).
Lembra quando Jesus purificou o templo? (Mt 21: 12, 13) Leia e faça aplicações desses versículos na sua vida cristã. Aquilo foi um ato profético. Necessitamos ser purificados dessa tradição que tanto nos permeia e nos contamina. Todos esses humildes, pequenos e grandes templos que vemos por aí são vaidade humana, nunca foram e nunca seram a casa de DEUS. Os primeiros cristãos sabiam claramente desses ensinamentos. Paulo sabia disso, Estevão sabia disso, obviamente os primeiros cristãos eram ensinados sobre isso, eles seguiam a tradição dos apóstolos de Jesus (2 Ts 3: 6), por isso não construíam templos, não gastavam o dinheiro das ofertas com coisas materiais e vãs, pois sabiam que jamais seriam capazes de edificar uma casa para um DEUS tão infinitamente grande (At 2: 42). Suas práticas estavam de pleno acordo com as escrituras e o ensino dos apóstolos.
Os apóstolos e os primeiros cristãos eram judeus extremamente familiarizados com templo, tinham essa cultura, essa tradição, e nem por isso depois de convertidos construíram templos para prestar culto e gastarem seu dinheiro com a manutenção dos tais.
Jesus disse no capítulo 4 do versículo 20 ao 24 do evangelho de João á mulher Samaritana que havia chegado a hora em que a adoração ao Senhor não dependeria mais de um lugar fixo (templo), nem de cultos ritualísticos (missas ou cultos pré-programados com uma determinada ordem ou regra a ser seguida), pois tudo isso era pertencente á primeira e antiga aliança. Leia sem hesitar hebreus capítulos 8: 13 até o capítulo 9: 1- 9 onde o escritor fala no cap. 9: 9 que o templo terrestre, todos os seus ítens, o culto ritualístico onde havia uma determinada ordem ou regra a ser seguida era uma figura, uma alegoria ao tempo presente. Jesus disse que a adoração seria em Espírito e em verdade, ou seja, seria um estilo de vida, seus cultos seriam no Espírito e em qualquer lugar onde estivessem dois ou três reunidos em nome Dele, sem programações e dirigentes escolhidos.
Nas reuniões da igreja primitiva, não havia dirigentes de culto, suas reuniões eram livres e espontâneas, dirigidas pela cabeça da igreja, JESUS CRISTO, vivo em meio aos que nele crêem , oferecendo a DEUS sacrifícios espirituais, ao passo que no templo eram oferecidos sacrifícios de animais, que na realidade não eram suficientes para perdoar pecados de ninguém. Tudo isso, nada mais era do que simples figura do verdadeiro. O templo de ovenaria, nunca foi ou pode ser a real casa de DEUS, pois o próprio Senhor disse: “…mas o altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens…que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? (Atos 7: 47- 50).
Pergunte ao seu líder religioso: Os israelitas levavam seus dízimos á casa do tesouro, mas essa casa foi destruída no ano 70 d.C. visto que ela já não existe mais e o novo testamento afirma que NÓS SOMOS A CASA DO TESOURO (2Co 4: 7), o TEMPLO DO ESÍRITO SANTO (1Co 6: 19), então onde levaremos os dízimos?
O templo que hoje é chamado de igreja nada mais é do que uma herança da tradição religiosa. Esse conceito originou-se por volta do ano 320 d. C. quando o imperador de Roma Alexandre Constantino se “converteu” ao cristianismo. Como chefe da igreja familiarizado com templos de deuses pagãos achou mais do que justo que seu novo DEUS também deveria “morar” num templo. Termino esse tópico com um trecho do livro: As tradições dos homens nas igrejas dos homens, o autor de uma maneira muito sábia diz o seguinte:
Prédios de Igrejas……… As raízes do conceito de um prédio para a igreja parecem originar-se em torno do ano 320 quando o Imperador Constantino decidiu que, uma vez que todas as religiões pagãs tinham templos, o seu novo deus, Jesus Cristo, deveria ter templos também. Os arqueólogos não têm achado nenhum vestígio que poderia ser explicado como uma estrutura religiosa durante os dias de Jesus, ou dos doze, ou durante os 200 anos depois deles. Isso é impressionante a luz do fato que quase todos os novos convertidos ao Cristianismo cresceram “indo para igreja”—para as Sinagogas e Templos judaicos ou para os Templos Pagãos. Teria sido a coisa mais lógica e natural do mundo para os Crentes construírem grandes edifícios (como os homens fazem hoje) para terem “cultos de louvor” neles. Mas não fizeram isso. Por dois séculos. Por que não? Porque o conceito de “freqüentar igreja” num dia especial, num lugar especial, é totalmente oposto à essência e substância de Jesus e a Igreja da Bíblia, a qual Ele morreu para estabelecer.

O sustento dos sacerdotes e levitas, o que isso significa para nós?
“Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E os que de contínuo estão junto ao altar participam do altar, assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho”.

Já vimos claramente e com fundamento bíblico que o templo era uma figura do corpo daqueles que pela fé recebem ao Senhor Jesus como Senhor e Salvador.
Já vimos também que os dízimos tinham como propósito o sustento dos sacerdotes e levitas, por que de acordo com a lei de Moisés eles teriam como ofício ministrar no templo em período integral. Quando os israelitas davam seus dízimos para o sustento dos sacerdotes e levitas e os mais carentes eles davam á DEUS. Quando eles não davam os dízimos eles roubavam á DEUS (Malaquias 3: 8). Quando você vê um irmão passando necessidades financeiras ou um genuíno obreiro apostólico precisando de ajuda financeira e você não o ajuda está roubando a DEUS. O sustento dos sacerdotes e levitas era uma figura da obra apóstolica. Na nova aliança, a qual fazemos parte, o Senhor Jesus deu dons a sua igreja, que são eles: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. (Ef 4: 11).
O obreiro apostólico é um obreiro extralocal, obreiro itinerante, separado pelo Espírito Santo para plantar igrejas e fortalecê-las (At 13: 2). É o obreiro que em tempo integral se dedica a pregar o evangelho aonde a palavra do Senhor ainda não chegou. (2 Co 10: 14- 16). Caso esse obreiro chegue numa localidade onde já há uma igreja estabelecida ele simplesmente ministra a essa igreja durante um tempo fortalecendo-a nos caminhos do Senhor (At 11: 19- 30).
Pelo fato desses homens serem obreiros itinerantes, sem morada fixa, ficaria difícil trabalharem para seu próprio sustento, por esse motivo eles têm o direito de receberem ofertas da igreja para cumprir seus ministérios.
O apóstolo Paulo diz na segunda carta aos coríntios no capítulo 9 que ele e seus cooperadores tinham o direito de serem sustentados pela igreja, através de ofertas voluntárias dos irmãos. Não se trata de salários fixos. Quando um obreiro passa a receber um salário fixo, ele automaticamente se torna um profissional da fé, ele não depende mais de DEUS, mas sim, de seu salário, ele não precisa mais crer que DEUS pode tocar o coração dos irmãos e impeli-los a ofertar para que possa levar adiante seu ministério.
Usando do princípio da tipologia bíblica Paulo disse também que assim como os que ministravam no templo viviam do templo aqueles que pregam o evangelho deveriam viver do evangelho (1 Co 9: 14). Note que a ênfase nesse versículo está no fato de os levitas serem sustentados e não no meio (dízimos) de serem sustentados. Ele está dizendo o seguinte: “Assim como os levitas tinham o direito de serem sustentados, os obreiros apostólicos também o direito de serem sustentados”. Essa interpretação é coerente, pois, os primeiros cristãos não davam dízimos e sim ofertas voluntárias, isso está de acordo com todo restante do novo testamento. Paulo não está dizendo: ”Assim como os levitas eram sustentados pelos dízimos, os obreiros apostólicos também devem ser sustentados pelos dízimos”. Essa interpretação seria muito incoerente, porque o novo testamento não relata obreiros apostólicos sendo sustentados por dízimos e muito menos cristãos dando dízimos.
Quando você oferta á obreiros legítimos itinerantes você está dando á DEUS. Você está proclamando: “venha á nós o teu reino”.
Paulo não usou do direito de ser sustentado e preferiu se sacrificar trabalhando duro para sustentar á ele e seus cooperadores (At 20: 34), para não causar nenhum impedimento ao evangelho (1 Co 9: 12). Ele preferiu continuar com a prática judaica. Os judeus não cobravam por seus serviços religiosos, Paulo preferiu continuar fazendo assim também. É fácil notar que em contraste com a atitude de Paulo, hoje em dia os “ministros em tempo integral”, que são pastores locais, fazem questão de receberem salário fixo da igreja, alguns até reivindicam aposentadoria.
O novo testamento não apóia o sustento de irmãos que estão servindo na função de: profetas, evangelistas, pastores e mestres, pois esses são obreiros locais e por isso não teriam alguma restrição em ter um emprego fixo. No capítulo 9 da primeira carta aos coríntios, Paulo se refere a obreiros itinerantes e não locais. O proponente da doutrina do sustento do clero da igreja foi um escritor cristão chamado Cipriano (200 a 258 d.C.). Até então, era desconhecido o tão famoso ministro local em tempo integral. No livro cristianismo pagão de Frank A. Viola e Jorge Barnna, na página 106 é dito:
”Assalariar pastores gera profissional remunerado. Isso os eleva sobre o restante do povo de Deus. Isso cria uma casta clerical que converte o corpo do Cristo vivente em um negócio. Na medida em que o pastor e seus assistentes são “pagos” para ministrar — eles tornam-se profissionais remunerados. O resto da congregação passa ou cai em um estado de dependência passiva.
Se todo cristão atendesse ao toque do chamado para ser um sacerdote funcional na casa do Senhor (e eles foram chamados para desempenhar esse chamado) a questão que surgiria imediatamente é: “Por quê estamos pagando nosso pastor!?”
Veja o exemplo que Paulo deu aos presbíteros da igreja em Éfeso (At 20: 17- 38). Leia com atenção especialmente do versículo 33 ao 35. Muitos dos líderes locais de hoje em dia deveriam seguir o exemplo de Paulo quando ele diz:
“De ninguém cobicei a prata, nem o ouro nem a veste, vós bem sabeis que, para o que era necessário, a mim e aos que estão comigo, estas mãos me serviram, tenho vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem aventurada coisa é dar do que receber.”

O sustento dos órfãos, viúvas e estrangeiros.
“É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas e esta casa há de ficar deserta?” (Ag 1: 4)
Quem são os órfãos? O dízimo é também a figura do pão, pois se trata de alimento. O dízimo era as boas novas para os pobres. Como todos nós sabemos Jesus é o pão da vida. Ele é o “dízimo que desceu dos céus”: “bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus… bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5:3, 6). O dízimo para os financeiramente pobres do antigo testamento é um tipo de Jesus para os pobres de espírito de hoje em dia. O dízimo é a figura do evangelho. Os dízimos são boas novas aos quebrantados de coração. Os órfãos são aqueles que estão sem ou perderam seus pais. Eles necessitam de um pai espiritual. Por isso devemos com eles repartir o pão, o qual é Jesus; o pão da vida, através da palavra anunciada àqueles que não têm um pai espiritual para que possam pela fé tornarem-se filhos de DEUS.
Quem são as viúvas? Nós sabemos que as viúvas são mulheres que estão sem ou perderam seus maridos. Sabemos também que atualmente o Senhor DEUS trabalha para preparar para seu filho uma noiva, mas para que essa noiva esteja plenamente preparada é necessário que nós que já somos parte dessa noiva (a igreja) repartamos o pão da vida, também figurado pelo dízimo que é o Senhor Jesus, a palavra da salvação, o alimento espiritual, assim essas viúvas serão amadas e agraciadas pelo noivo, passando a esperar também pelo futuro marido- Cristo Jesus- na ocasião do arrebatamento da igreja.
E quem são os estrangeiros? A nação de Israel era e é um povo escolhido, separado dentre outras nações pelo Senhor DEUS para cumprirem seus desígnios sendo assim um exemplo de submissão a Ele. As pessoas que vinham de outras nações como peregrinos, segundo a lei de Moisés deveriam ser acolhidos com amor, deveriam ser alimentadas pelos dízimos do povo. Os estrangeiros acolhidos pela nação eram um dos beneficiados pelos dízimos do povo. Figuradamente isso também nos ensina que devemos acolher a todos que ingressam na igreja e alimentá-los com o pão da vida. Os estrangeiros entre o povo de Israel são equivalentes aos pagãos em nosso meio, com os quais devemos compartilhar da palavra da salvação, para que possam ser recebidos no corpo de Cristo- A igreja. Pois foi anunciado pelos profetas que o evangelho chegaria até os gentios que são os povos pagãos.
“… para que haja mantimento na minha casa…”
Quando o Senhor fala do mantimento, ele está fazendo referência a alimentos, aos dízimos estocados na casa do tesouro, que era um compartimento onde eram estocados os dízimos trazidos pelo povo. Em algumas traduções da bíblia, ao invés de mantimento consta-se a palavra alimento, note que nada tem haver com dinheiro e nem utensílios para uso diário de uma “igreja”. Quando a bíblia diz: “Casa do tesouro”, ela não se refere à “igreja” muito menos ao caixa da” igreja”. Esse versículo não se aplica as construções chamadas de “igreja”. Infelizmente, para o cristianismo moderno é impensável entender dessa forma.
Como vimos acima, esses itens pertencentes à lei; dízimos, templo, órfãos, viúvas, estrangeiros, sacerdotes e levitas, todos eles apontam para coisas espirituais no futuro, e esse futuro nós vivemos hoje; o período da graça. Esses itens não eram a imagem exata das coisas, eram apenas figuras do que se havia de vir (Hb 10: 1). Quero enfatizar que os dízimos eram as boas novas para os pobres, o alimento cotidiano, o sustento do serviço sacerdotal. Tudo isso aponta para coisas espirituais. Os dízimos como boas novas para os pobres é a salvação, é Jesus Cristo como salvador para os pobres de espírito de hoje. Como alimento cotidiano é um meio de nos lembrarmos do irmão necessitado. Como contribuição para o sustento do serviço sacerdotal ele aponta como contribuição para o sustento dos obreiros apostólicos da nossa era. Volto a repetir que dízimo não é de maneira alguma dinheiro, dízimos eram produtos agropecuários. Também não eram todos dentre o povo que davam dízimos. Fazer aplicações dessa lei de forma literária como fazem hoje ao povo cristão é uma ignorância grotesca.
Esse pão figurado pelo dízimo nos fala também do pão como alimento diário, que nós cristãos devemos também repartir com o próximo. Órfãos, viúvas e estrangeiros eram pessoas desamparadas, DEUS se preocupava com eles, Jesus se preocupa com eles, os apóstolos se preocupavam com eles. É bem verdade que a miséria espiritual é bem maior que a miséria financeira, mas nem por isso deixemos de lado a caridade (Hb 10: 24). Temos sim, que nos preocupar com expansão do evangelho, mas não podemos esquecer a caridade. O amor ao próximo deve ser praticado literalmente e não em meras palavras. A propósito, e você? Como tem agido ao portar o pão da vida diante de tanta miséria espiritual? Como tem agido ao portar o pão cotidiano diante da miséria financeira dos irmãos?
O dízimo tem duplo significado para nós hoje. Ele é o pão da vida que sacia a miséria espiritual e é também o pão cotidiano visando dar suporte aos nossos irmãos mais carentes. Quando damos aos necessitados, simbolicamente estamos devolvendo nosso dízimo ao Senhor, pois eles são a verdadeira casa de DEUS. Assim estamos cumprindo o mandamento áureo do Senhor Jesus e que foi ratificado pelos apóstolos “… amar ao próximo como a ti mesmo” (Rm 13: 8- 10).
Leia atentamente Mateus capítulo 25: 31- 46. Nosso Mestre sempre nos incentivou a darmos aos pobres, no dia do juízo, como você leu no texto recomendado, ele nos questionará acerca desse assunto. Ofertar não é colocar o seu dinheiro num saquitel para pagar as despesas do “templo”, investir na próxima festividade ou congresso, comprar um púlpito novo e outras atividades religiosas, essas práticas são alheias ao novo testamento. Os apóstolos e os primeiros cristãos levavam a sério este ensinamento, veja os exemplos no livro de Atos dos apóstolos no capítulo 4: 34 ao 37. Agora que você terminou de ler os versículos, eu te pergunto: Há alguma semelhança nesses exemplos com as práticas do cristianismo de nossos dias? Eu particularmente não vejo.
Hoje em dia nos incentivam a dar ofertas e dízimos para construção e manutenção de templos, para festividades, programas de entretenimento e não são em poucos casos, para pagar o salário de “pastores”, enquanto isso o direito dos necessitados está sendo pervertido (Malaquias 3: 5, esse versículo eles não lêem e nem explicam aos dizimistas). De nada adianta pregarmos o evangelho, falarmos de DEUS ao necessitado sem o ajudarmos, seria uma fé vazia e sem obras como diz Tiago no capítulo 3: 3. Ainda que exista nas denominações a assistência social, o que gastam em assistência social é relativamente pouco, em termos de porcentagem, isso não chega nem na “unha” da assistência social da igreja primitiva, e não é de se espantar que 80% do dinheiro de dízimos e ofertas são investidos em construção, aluguel e manutenção de templos, ao passo que somente 20% são gastos com os necessitados e a obra apostólica.
Assim fala o Senhor dos exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada (Ag 1: 2).
Não é difícil perceber o mesmo erro hoje em dia. Na época do profeta Ageu o povo de DEUS estava preocupado com suas casas estucadas enquanto a casa de DEUS estava esquecida. Hoje em dia não é diferente. Hoje em dia a verdadeira casa de DEUS, os verdadeiros templos de DEUS estão esquecidos. O povo de DEUS não entende o quanto a casa de DEUS precisa de amparo, o quanto a casa de DEUS precisa ser alimentada pelo “dízimo vivo que desceu do céu”, o pão vivo que desceu do céu- Jesus- as boas novas para os pobres de espírito. Chegou o tempo, e já faz tempo, chegou à hora de despertarmos desse profundo sono religioso que estamos vivendo há séculos. O Senhor está nos dizendo: “É para vós tempo de habitardes nas vossas estucadas e esta casa há de ficar deserta?” (Ag 1: 4).
Quando o Senhor Diz: “… Trazei todos os dízimos a casa do tesouro para que haja mantimento na minha casa…” , é como se o senhor estivesse nos falando hoje as seguintes palavras: “reparta o pão com seu próximo ( minha casa, templo do Espírito Santo ) tanto o espiritual ( Jesus, a palavra )como o material ( alimentos ), para que ele não passe necessidade, nem espiritual nem material, a minha casa tem que estar bem alimentada com o pão da vida e com o pão cotidiano, porque não é justo que alguns de meus filhos passem necessidade enquanto outros comem bem”.
O apóstolo Paulo nos fala algo interessante comparando com alguns ensinamentos do cristianismo moderno, Paulo diz: “Aquele que furtava não furte mais; antes trabalhe com as mãos fazendo o que é bom, para que tenha com que repartir com quem tiver necessidade”. Hoje em dia diriam ao irmão ex-bandido: “Aquele que furtava não furte mais; antes trabalhe com as mãos fazendo o que é bom, para que seja um dizimista na casa do Senhor”.

“Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar. Por que amamos as coisas e usamos as pessoas?”
Bob Marley

O Senhor fala através do profeta Ageu que enquanto as casas do povo estavam bonitas e bem estruturadas, o templo estava esquecido, destruído. Responda com sinceridade o que isso te ensina, comparando com o que acabei de expor logo acima. Será que não estamos fazendo o mesmo? Preocupando-nos com nós mesmos, e nossas coisas materiais.
Saiba a partir de agora que é bíblico investir na manutenção e construção de templos. Não podemos de forma alguma deixar a casa de DEUS esquecida como fez o povo de Israel na época do profeta Ageu. Mas a casa de DEUS que temos que construir e zelar não é uma casa feita por mãos humanas. Mas infelizmente não é isso que está acontecendo, a casa de DEUS está sendo esquecida. Espera lá! Você está achando que estou me referindo á manutenção e construção de lindos prédios chamados de “igreja”? Nada disso, eu me refiro á pessoas, e não templos suntuosos chamados de “igreja”. Eu me refiro aos verdadeiros templos de DEUS- pessoas. De agora em diante cabe a você decidir o que fazer de seus dízimos. O Pão Vivo que desceu dos céus está em suas mãos e no seu coração. Fale Dele para os pobres de espírito, ajude seu irmão necessitado com seus Dízimos. De agora em diante cabe a você decidir o que fazer: investir num prédio que pode ser a qualquer hora levado pelo vento ou investir em verdadeiras casas de DEUS.
Considere o que pelo Espírito estou dizendo. Peço ao Senhor que o irmão que estiver lendo esse estudo possa ser tocado pelo Espírito Santo, e entender segundo os olhos de DEUS o quanto o cristianismo se afastou de seus propósitos originais, registrados em sua palavra. Pois tudo que está registrado no novo testamento, serve de exemplo para nós cristãos hodiernos. Leia o exemplo dos irmãos da igreja em Jerusalém em atos dos apóstolos. Leia atentamente e observem com o entendimento espiritual que DEUS lhe deu, quais eram as prioridades deles com relação a ofertas voluntárias? No que eles investiam suas ofertas? Investiam em templos? Lindas cortinas para as janelas da “igreja”? É claro que não.
Creio que o amado leitor deve estar se perguntando: “Mas se não investirmos nossas ofertas e dízimos em construção e aluguel de templos, onde os novos cristãos se reunirão?” Ora, para aqueles que não lêem a bíblia somente para achar um novo assunto para o próximo sermão no culto de domingo, a resposta é clara e óbvia. Os cristãos da igreja primitiva se reuniam em casas. Eles compartilhavam suas próprias casas para as reuniões da igreja. As reuniões nas casas proporcionam uma atmosfera mais familiar, num ambiente mais descontraído incentivando um maior número de participação, gera mais intimidade entre os irmãos e a participação de cada um com uma palavra, um testemunho, um cântico, uma profecia ou revelação e muito mais (1 Cor. 14: 26).
Eu e você cremos que DEUS age nas coisas mais simples e humildes. Veja como a igreja nasceu, caminhou e cresceu, sem lindos templos, sem homens especiais dotados de carisma e eloqüência, sem roupas especiais. Mas infelizmente uma maneira de viver tão pura, simples, cheia do agir de DEUS foi transformada numa religião cheia de regras, tradições, métodos humanos baseados no paganismo romano. Medite seriamente nesses versículos: (Marcos 7: 1- 13) “…Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens, por que deixando o mandamento de DEUS, retendes a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos, e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia- lhes: bem invalidais o mandamentos de DEUS para guardardes a vossa tradição…”.
E ainda cegamente pronunciam que a bíblia é sua regra de fé e prática, que suas doutrinas estão baseadas na palavra, será que estão mesmo? Será que isso não é a mesma hipocrisia dos fariseus? Se for assim, então tudo, todas as suas práticas com relação á vida da igreja, devem ser urgentemente comparadas com os exemplos e práticas do novo testamento, mas, sem a “lupa” da tradição do cristianismo moderno. Uma nova reforma precisa urgentemente ser feita no cristianismo. Precisamos mudar ainda muitos Itens que pelo menos em parte não foram tocados pelos reformadores do século XVI.
Logo após nossa conversão, somos induzidos a entender que temos urgentemente que nos tornar membros de uma determinada organização religiosa. Chegando lá, recebemos uma “lupa” e assim entendemos certas passagens da bíblia conforme eles foram condicionados a entender, de acordo com a tradição, não a dos primeiros apóstolos, mas a tradição dos homens.
Que o efeito desse estudo seja para libertar-nos dos grilhões das tradições dos homens. Tradições estas que não estão fundamentadas na palavra de DEUS. Na época dos apóstolos, tenho a absoluta certeza, segundo as escrituras, que se você perguntasse a Paulo, Silas, Pedro ou Timóteo, qualquer um deles: “você é membro de que igreja? Eles lhes responderiam da seguinte forma: “Como assim irmão? Não estou entendendo, eu sou membro da igreja de Cristo, membro do corpo de Cristo, eu me reúno nas casas dos irmãos, onde o Espírito Santo me levar eu vou, onde, quando e como o Espírito Santo achar que é necessário eu ministrarir, eu irei. Não tenho um lugar determinado para congregar e ser fiel á ele congregando sempre lá, tenho o compromisso de congregar, onde não sei, DEUS o sabe”.
Se você amado irmão; for honesto com as escrituras, tenho a plena certeza que DEUS está tocando seu coração agora para que você reflita, medite, reveja seus conceitos com relação a práticas que ao longo dos séculos se tornaram numa fortíssima tradição. Não caia no mesmo erro que os fariseus que invalidavam a palavra do Senhor pelas suas tradições que á séculos dominava o povo de Israel. Será que existe alguma diferença hoje em dia?
Querido e amado leitor, ore ao Senhor e peça dele uma direção, separe uma parte das suas finanças ou quando você fizer uma compra de alimentos, o que DEUS propor em seu coração doe á uma família carente e necessitada, especialmente os irmãos em Cristo (Gálatas 6: 10). Ou no final do mês separe uma parte de seu pagamento e compre um lanche ao mendigo e fale do Senhor Jesus para ele. Seu dinheiro será muito bem investido, DEUS se alegrará disso, como se alegrou com as orações e doações do centurião Cornélio (Atos 10: 1- 4). Será uma verdadeira oferta ao Senhor, muito mais do que você investir em algo material e passageiro como os pequenos, médios ou suntuosos templos que vemos á cada cem metros. A tradição de construção de templos seria totalmente estranha aos apóstolos e aos primeiros cristãos e carece muitíssimo de fundamento bíblico. Essa pratica foi copiada do judaísmo e do paganismo, Deus ordenou aos judeus que construíssem á ele um templo de adoração, repito: aos judeus da antiga aliança, você não é judeu, você não vive na era da antiga aliança. Na nova aliança, ele não ordenou absolutamente nada semelhante aos cristãos, muito pelo contrário, ele até diz que o templo terrestre era coisa da antiga aliança (Hebreus 9:1). Preste bem atenção, no que Paulo diz na primeira carta aos coríntios 4: 6: “ … para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito” Eu te pergunto: Onde está escrito NO NOVO TESTAMENTO, um mandamento ou se quer um exemplo para construirmos templos e pedirmos ofertas e dízimos para a manutenção dos tais? Será que isso não é ir além do que está escrito?
Nem no período que ouve paz para os cristãos, os apóstolos construíram templos (Atos 9: 31). Porque será? Por que isso não reflete a idéia que Jesus tinha em mente quando disse: “… Edificarei a minha igreja”. Os irmãos que Paulo e os outros apóstolos geraram em Cristo não construíram templos. Por que será? Porque isso significava ir além do que estava escrito nas cartas que os apóstolos escreveram. O que estou aqui dizendo está em concordância com todo o novo testamento e com o sermão de Estevão, quando ele prega contra o templo em Atos capítulos 6 e 7.
A segunda carta aos coríntios cap. 8: 1-24 e cap. 9: 1: 14 são dois inteiros capítulos que tratam de um só e mesmo assunto: oferta aos pobres da Judéia. O assunto não muda nos dois capítulos. A divisão de capítulos e versículos está totalmente errada nesse trecho, os homens que criaram essas divisões “cortaram o assunto pelo meio”, dando incentivo aos leitores da bíblia, a lerem-na somente por trechos, sem examinar o contexto, recortando e colando um versículo aqui e outro ali, para provar doutrinas totalmente estranhas às doutrinas e práticas do novo testamento.
O apóstolo Paulo fala de doar aos pobres da Judéia que estavam passando muita necessidade, nada tem haver com colocar dinheiro num “saquinho” para manutenção do “templo”. Para fundamentar essa tradicional prática, só lêem o cap. 9 vers. 6 e 7, nunca lêem os versículos 9 e 10, omitem esses versículos levando os irmãos indoutos entenderem que os versículos se tratam de ofertas para manutenção da “casa de DEUS”. Eles distorcem alguns versículos “espiritualizando-os”, assim tudo fica mais bonito com uma aparência de santidade e devoção.
Doando aos pobres, aos irmãos em Cristo e a obra apostólica seu dinheiro será investido de forma bíblica, e não por mera tradição e doutrina de homens, DEUS se alegrará disso, muito mais do que você investir em algo material e passageiro como os grandes, médios ou pequenos templos que vemos á cada cem metros. Você estará, sem sombra de dúvidas, cumprindo o mandamento áureo do Senhor: “… amar ao próximo como a ti mesmo”.
Se todos os cristãos fizessem isso a igreja cresceria muito mais. A igreja de Jerusalém crescia porque os irmãos se amavam mutuamente, se serviam, isso chamava a atenção do povo ao redor, e o Senhor acrescentava mais pessoas á igreja (At 2: 47). Eles não organizavam grupinhos de irmãos para entregar panfletinhos nas ruas, o testemunho de comunhão deles era o meio de evangelização. Deveríamos ser conhecidos assim também, por amarmos e ajudarmos uns aos outros, creio que as pessoas diriam: “Eles se ajudam e se amam assim, porque são cristãos”. Mas infelizmente, o que vemos hoje é bem diferente, milhares de cristãos estão divididos, focados em campanhas e mais campanhas para serem bem sucedidos em alguma área material da vida, extremamente preocupadas consigo mesmas, buscando seus próprios interesses, não existe mais a vida comunitária que existia na igreja primitiva. Digo isto com toda convicção, convicção esta, baseada nas escrituras, e não em meu coração e muito menos em tradição religiosa. E você, amado leitor, suas praticas com relação a ofertas e dízimos estão baseados nas escrituras, em seu coração, ou na tradição religiosa?
Ainda que você argumente: “Eu dou minhas ofertas e dízimos na “igreja”, estou fazendo minha parte, a administração é com o “pastor”, se ele estiver administrando da maneira correta ou não, isso fica entre ele e DEUS”. Eu exorto o amado leitor a reler o capítulo 25, do versículo 31 ao 46 do evangelho de Mateus. Note que Jesus não está pedindo contas de “pastores ou administradores dos bens da “igreja”. Jesus está falando com os “… Benditos de meu Pai…”. Só os pastores são benditos do pai? É claro que não. Jesus está falando com os cristãos em geral. Note que a responsabilidade é individual, cada cristão tem a responsabilidade de ajudar o próximo, especialmente os irmãos em Cristo (Gálatas 6: 10). Não devemos jogar nossa responsabilidade nas mãos de outros. Esse princípio segue-se em todo o novo testamento. O Senhor pede que alimentemos uns aos outros com o pão da vida, pois, não podemos deixar faltar alimento na casa do tesouro.

Um breve apelo.
“Assim diz o Senhor: ponde-vos, nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho (Novo testamento?) e andai por ele; e achareis descanso para vossa alma; mas eles dizem: NÃO ANDAREMOS. Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos a voz da buzina, mas dizem: NÃO ESCUTAREMOS”. (o acréscimo entre parêntesis é meu)
(Jr 6: 16, 17)
Considere segundo o Espírito Santo o que estou dizendo, ore acerca desse assunto, leia o novo testamento, marque todos os versículos sobre dízimos e ofertas e veja como era investido o dinheiro das ofertas dos irmãos, quais eram as prioridades deles. Observe se há alguma semelhança com as práticas de nossos dias. Você ficará espantado e talvez até decepcionado como eu e milhares de irmãos ficamos.
Meu ardente desejo é que a grande maioria dos irmãos da minha e da sua localidade possam ser tocados pelo Espírito Santo através dessa ministração escrita e de outras como essa. Que eles possam enxergar sem a “lupa” religiosa o quanto Jesus anseia por purificar os verdadeiros templos de DEUS, templos esses, que necessitam ser fortalecidos pela sua palavra, que precisam ser amados e acolhidos pelos irmãos (Ageu 1: 2; 1 Co 3: 16, 17; Hb 3: 6).
Espero que depois dessa pequena viagem de quarenta e duas páginas seu espírito esteja sensível ao conduzir do Espírito Santo. Que você, de agora em diante possa ser um instrumento nas mãos Dele, como o vento que não sabemos de onde vem e nem para onde vai (João 3: 8). Que você possa ministrar e ofertar aonde o Espírito Santo te conduzir. Que você possa ser usado para ensinar aqueles que estão enredados pelas tradições dos homens, tradições essas, que vêem cegando, cauterizando a mente e os corações das pessoas tornando-as insensíveis, duras e fechadas para receber e entender a simplicidade que há em Cristo Jesus. Simplicidade essa que não conseguimos mais enxergar ao ler o novo testamento por causa da influencia de um cristianismo abafado por infinitas tradições.
Anseio que voltemos ás práticas e doutrinas da era apostólica, em que os cristãos ofertavam voluntariamente para ajudar os necessitados e para expandir o reino de DEUS através da obra apostólica, despreocupados com vaidosas despesas de Templos, salários clericais e outras coisas vãs. Creio convictamente que a palavra de DEUS não volta vazia como disse o profeta Isaías (Is 55: 11). Tenho absoluta certeza de você foi tocado pelas palavras aqui escritas e que o Espírito Santo está se movendo dentro de você para que você tome novas, simples e bíblicas atitudes com relação a DEUS e ao próximo. Talvez você nunca tenha lido ou ouvido um ensinamento parecido. Creio que você entendeu mais o desejo do Senhor quando se trata de contribuições segundo o novo testamento. Espero que você não fique simplesmente informado depois dessa leitura, mas que você possa tomar atitudes baseadas nela. Infelizmente sei que há uma grande possibilidade de você continuar caminhando segundo a tradição, mas como disse Paulo aos presbíteros de Éfeso: “estou limpo do sangue de todos, porque nunca deixei de vos anunciar todo conselho de DEUS”. Sigo com minha consciência em paz, porque tenho usado o dom que o Senhor me deu a medida de minha fé para ensinar e informar para formar. Peço perdão se ofendi a sua religiosidade, pois entenda que sou também pecador e passivo de erros. Procurei me basear o máximo possível nas escrituras e também ser o menos complicado possível em minhas explicações. De hoje em diante não há mais como você seguir enganado, porque depois desse humilde artigo você está mais do que informado sobre O QUE NÃO ENSINAM SOBRE OS DÍZIMOS.
“Disseram eles: Senhor QUE OS NOSSOS OLHOS SEJAM ABERTOS, então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo viram; e eles o seguiram”.
Mateus 20: 34

Por amor ao Senhor: Irmão Vitor.


1 COMENTÁRIO

  1. Meu amado, eu creio assim.Mas não posso deixar de ter o olhar de Abraão… é pela fé…
    Quem mandou Abraão dizimar???mas ele ensinou a Isaque.
    Eu sei que tem muitos espertalhões por aí, mas o próprio Jesus disse que somos filhos de Abraão… então, é pela fé.

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