Batismo no Espírito Santo: somos obrigados a falar em línguas?

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Os Pentecostais são um movimento que, particularmente, considero como os redescobridores do Espírito Santo. Em meio a tanto tradicionalismo congelado, eles reviveram o simbolismo do Pentecostes e trouxeram o Espírito Santo para o mais próximo que se pode conhecer. Mas isso não é exclusividade dos Assembleianos, Batistas Nacionais, Sara Nossa Terra e etc., qualquer indivíduo que “ (…) tendo nele também crido, fostes selados com o Espirito Santo da promessa.” (Efésios 1:13), ou seja, qualquer um que for predestinado, chamado por Deus para o seu propósito, e creu nisso (não pela sua vontade, mas pela graça irresistível de Deus) possui o Espírito Santo, e nele se fez morada (1 Corintios 6: 19 e 20).

Então, a partir do momento em que cremos, o Espírito Santo habita em nós, e como foi selado, não pode ser retirado, pode sim ser entristecido (Efésios 4:30), mas não mais retirado, como aconteceu com Sansão e Saul. Sendo assim, como símbolo desse selo, Jesus instituiu o batismo, como descrito em Mateus 3: 13 a 17, e durante todo o livro de Atos, se fala que os apóstolos batizavam os gentios que criam nas águas, como forma de demonstrar que eram escolhidos. Mas o Espírito Santo ainda não estava com eles, ainda haveria de ser oferecido, e os foi no Pentecostes, onde os apóstolos e até Maria, se encheram do Espírito Santo e falaram em línguas.

Aí é que está o ponto da nossa discussão, se eu recebo o Espírito Santo, eu tenho que falar em línguas? Se não falar em línguas, eu não recebi o Espírito Santo? Isso é o que os Pentecostais chamam de Batismo do Espírito Santo, uma alusão ao Pentecostes. Eles acreditam que todos os acontecimentos do Pentecostes se repetem exatamente nos dias de hoje, logo, se Maria e os Apóstolos ao receberem o Espírito Santo falaram em línguas, todos os que recebem hoje também, tem que falar em línguas!

Mas e aí, tenho ou não tenho? Sim, você tem. Como está descrito em Efésios 1:13, quando você creu, o Espírito Santo entrou em você, e você não precisa neste momento, falar em línguas, dar carambelas, mortais, dancinhas ou coisas assim. O Espírito Santo é irresistível, e eu sei disso muito bem, mas as pessoas reagem a ele de formas diferentes, do jeito que Ele mesmo quer.

Outro ponto, é que esse “batismo” se torna um objetivo loucamente perseguido pelos pentecostais, dividindo-os até em “batizados” e os “não-batizados”. É necessário se buscar loucamente o falar em línguas? Sim, e Glória a Deus por isso! Se não buscassem seria bem pior, mas como Deus não é bobo nem nada, ele usou Paulo para advertir a igreja de Corinto sobre os dons que o Espírito Santo concede, e fala logo no versículo 5 do capítulo 14 de 1 Coríntios: “Quisera eu que todos vós falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis, pois quem profetiza é superior a quem fala em línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação.”.

Ou seja, falar em línguas não é o mais importante dos dons, sendo citado por último na lista dos dons de 1 Corintios 12. E ainda mais queridos, o próprio Paulo diz que o Espírito Santo decide, quem fala em línguas, quem prega, quem canta e quem profetiza! Ele diz em 1 Corintios 12:17: “Se todo corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?”, ou seja, se todo mundo na igreja falar em línguas, quem vai interpretar? quem vai pregar? Quem vai cantar?

Paulo deixa claro que o dom de falar em línguas é apenas mais uma entre tantas manifestações do Espírito de Deus, e em nenhum momento liga o recebimento do Espírito Santo com a obrigatoriedade de falar em línguas, logo, mesmo que você não fale em línguas, fique tranqüilo e sereno, VOCÊ NÃO TEM MENOS ESPÍRITO SANTO DO QUE QUEM FALA!

E se em algum momento, na sua oração em casa, ou na igreja, você falar em línguas, você vai saber o que significa, ou alguém vai interpretar pra você, pois o Espírito Santo achou necessário que você falasse, por algum motivo que não sabemos, pois está escrito: “Assim, se vós com a língua, não falardes palavras compreensíveis, como se entenderá o que dizeis? Pois estareis como se falásseis palavras no ar.” (1 Coríntios 14:9), e mais: “Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que possa interpretar.” (14:13). Logo, falar em línguas sem uma tradução ou um motivo qualquer é simplesmente em vão.

Senhores, não estamos aqui dizendo que não é importante falar em línguas, o próprio apóstolo fala que se deve buscar os dons superiores do Espírito Santo, na verdade, você deve aproveitar todas, eu repito, TODAS as experiências que o Espírito Santo lhe conceder e permitir, não se negue a nada por vergonha ou medo do que os “irmãos” vão pensar de você, se é do Espírito Santo, é para a edificação e é bom. E o seu dom foi lhe dado pela vontade de Deus para que as pessoas ao seu redor sejam abençoadas (1 Corintios 12:7), não o renegue ou pense que é pior, se é de Deus, é perfeito! Aproveite!
Viva o Espírito Santo de Deus!


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