Romanos 1

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No primeiro capitulo de Romanos o apóstolo Paulo destaca especialmente a condição de todas as pessoas diante de Deus. Ele enfatiza que a justiça do próprio homem é imperfeita e incompleta para poder satisfazer a exigência da santidade e justiça de Deus, que demanda absoluta perfeição moral e espiritual, sem qualquer pecado cometido ao longo do curso de toda a nossa existência, condição esta que, patentemente, ninguém possuiu ou possui neste mundo (daí a razão de Jesus ter se apresentado como oferta de sacrifício em nosso lugar, para que morrendo a nossa morte, pudéssemos ter vida eterna juntamente com Ele diante de Deus, que é Deus de vivos e não de mortos).

A epístola aos Romanos tem sido chamada por muitos de o evangelho segundo Paulo.
Ele fez uso da palavra evangelho por 4 vezes somente neste primeiro capítulo, como se vê nos versículos 1, 9, 15 e 16, enfatizando que havia sido chamado para apóstolo, tendo sido separado de um modo especial por Deus, para pregar o evangelho de Cristo.
Esta repetição da Palavra “evangelho” logo no primeiro capítulo é muito importante para descortinarmos o propósito com o qual Paulo foi inspirado pelo Espírito Santo, a saber, o de ensinar aos cristãos de todos os tempos o que é o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, e a importância dele para o cumprimento do propósito eterno de Deus de gerar pelo evangelho, muitos filhos semelhantes a Jesus, dentre os pecadores.

O próprio apóstolo havia sido gerado pela palavra do evangelho e por isso declarou que servia a Deus em seu espírito, no evangelho de Seu Filho.
Que estava pronto para anunciar também o evangelho em Roma, porque não se envergonhava do evangelho, uma vez que é ele o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. É sobre este evangelho, sobre o seu significado e aplicação que o apóstolo vai discorrer em toda a epístola aos Romanos.

A grande necessidade da humanidade de um evangelho de Deus que a salve, repousa na realidade de que Deus manifestou por várias vezes, especialmente no Velho Testamento, a Sua ira contra o pecado, para que soubéssemos que há de fato uma grande condenação final pairando sobre as cabeças de todas as pessoas, e é somente pelo evangelho que é possível escapar desta condenação decorrente do pecado.
Então, é somente pela justiça do evangelho, que é segundo a fé, que a ira de Deus contra o pecado daqueles que se convertem a Ele pode ser afastada, pela satisfação da sua justiça em relação à punição eterna que se exige em relação ao pecado, conforme o apóstolo vai expor amplamente nesta epístola.

Paulo diz que a justiça de Deus é revelada no evangelho de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé; porque esta justiça evangélica é a justiça de Deus; no sentido de que é a que Ele está aprovando e aceitando.
E a justiça que está sendo oferecida para a remissão dos pecados é a do próprio Cristo.
É portanto, somente por causa da fé em Jesus, que os pecadores são justificados, porque é o próprio Cristo que é a nossa Justiça, por estarmos unidos a Ele (I Cor 1.30).

Deus nos vê em Cristo e fica satisfeito, porque estamos nAquele que é justo e santo, e que foi justificado pelo Pai por ter carregado os nossos pecados em sua morte, porque Ele não tinha qualquer pecado, de modo que isto foi comprovado, de que era Justo aos olhos de Deus em sua ressurreição e recepção na glória do céu em triunfo, depois de Sua ascensão.
Assim, é pelo conhecimento pessoal e real que temos dAquele que é perfeitamente Justo – Jesus – que somos justificados, conforme prometido desde os dias dos profetas do Velho Testamento (Isaías 53.11).

Paulo declarou qual era o seu principal propósito de estar entre os santos de Roma nos versos 11 e 12, que era o de comunicar algum dom espiritual a eles, e para que ele também fosse consolado por eles, através da fé mútua.
O evangelho deve ser pregado a toda criatura debaixo do céu, conforme ordenança de Jesus, e assim o apóstolo disse que estava pronto para pregar o evangelho também em Roma.

Não é por mérito de raça, de capacidade humana ou de qualquer outra qualificação ou capacitação que há salvação de pecadores, mas pela exclusiva graça que opera de fé em fé no evangelho, como Paulo afirma no verso 17.
A ação do pecado no mundo é evidente de várias maneiras, e o apóstolo enumera algumas a título de ilustração, até o versículo 32.

Todas as pessoas são portanto indesculpáveis perante o justo juízo de Deus que exige perfeita santidade a todos, sem exceção.
Ora, ainda que a nossa salvação seja efetuada exclusivamente segundo a misericórdia e graça de Deus, mediante o nosso arrependimento e fé, está claro, que é por estes pecados relacionados até o verso 32 que a ira de Deus permanece sobre aqueles que não se arrependem e não creem em Cristo. Disto se infere que na vida cristã, há uma absoluta necessidade para a nossa santificação para o uso por Deus; de um real abandono de todas as práticas pecaminosas ali relacionadas e todas as demais que se refiram à nossa velha natureza decaída – o que faremos recorrendo ao auxílio da graça e do poder de Deus, por meio da vigilância e da oração.

O pecado relativo a impureza sexual ou a qualquer outra, por exemplo, deve ser devidamente mortificado e abandonado. Enquanto os vícios nos dominarem não podemos ser instrumentos úteis e idôneos para o Senhor, porque se requer de nós uma posição firme contra todo e qualquer tipo de pecado, para cuja prática ou pensamento de atração estivermos naturalmente inclinados, porque é evidente que o pecado quebra a nossa comunhão com Ele, e sem permanecer nEle, nada podemos fazer conforme a Sua santa vontade.

Sem esta atitude de vigilância e combate contra os pensamentos e práticas pecaminosas não poderemos ser ajudados na hora da tentação, porque Deus dará graça ao que se esforça para agradá-Lo, porque os Seus olhos repousam sobre os justos para abençoá-los mas Ele é contra aqueles que praticam males deliberadamente, afrontando voluntariamente a Sua santidade e justiça.

Jesus morreu em nosso lugar para que não vivêssemos mais em pecado. Há nesses dias de apostasia da Igreja uma visão muito errada e concessiva quanto a isto, por se julgar que por se estar na graça não há mais necessidade de se preocupar com nossos pecados presentes ou futuros, porque Deus não estaria levando em conta estes pecados por termos sido perdoados por Cristo.
Todavia, não é este o ensino das Escrituras. É certo que toda a dívida de pecados de quem crê em Cristo foi paga por Ele na cruz, tanto de pecados passados, presentes ou futuros, todavia, isto se refere à salvação, e não a um viver santo e vitorioso no presente, que demanda uma verdadeira santificação.

Além disso não podemos ter certeza da segurança da nossa salvação, a não ser pelo meio de confirmar a nossa real eleição, pelo frutificação espiritual progressiva, que é vista em nossas vidas.
E isto, tanto no que se refere ao aspecto moral, quanto ao espiritual, uma vez que não basta ser virtuoso, é necessário também ser paciente e grato a Deus em todas as tribulações e sofrimentos que experimentamos neste mundo, por causa do nosso amor ao evangelho, uma vez que é assim que comprovamos que somos de fato eleitos de Deus.

Mas, nada desta vida vitoriosa pode ser alcançado sem que haja comunhão com Jesus e recepção diária da Sua própria vida e poder pelo Espírito Santo, uma vez que tudo o que somos e seremos, tudo o que fazemos para Deus e viermos a fazer, é sempre pela graça mediante a fé em Jesus, uma vez que não habita em nossa natureza terrena qualquer bem que nos torne aprovados por Deus.

Então é somente pela graça e justiça do evangelho que está sendo oferecida gratuitamente na dispensação da graça divina, que se pode escapar do Juízo condenatório em razão do pecado, e se obter um viver vitorioso espiritual em nossa jornada terrena.
Todos necessitam de um Salvador eficaz, e este é somente Jesus Cristo, conforme o apóstolo Paulo argumenta em toda a epístola aos Romanos.

Pr Silvio Dutra


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