Não Devemos Errar o Alvo Proposto pelo Evangelho

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Há um trabalho da graça de Jesus nos cristãos no sentido de lhes educar a renunciarem à impiedade e às paixões mundanas, e a viverem de modo sóbrio, justo e piedoso (Tito 2.12).

E este modo de vida está muito além do mero campo da moralidade ensinada pelos filósofos e educadores seculares. E também, extrapola e pouco se identifica com o misticismo baseado numa suposta posse de poder para operar sinais e maravilhas, que esteja dissociado da referida vida piedosa produzida pela graça.
Quão ineficaz é incentivar as pessoas a estarem debaixo deste suposto poder de Deus para serem abençoadas, e na verdade pode mimá-las e incentivá-las a se tornarem dependentes da procura de atendimento de desejos quase sempre carnais, interesseiros, egoístas, quer em suas orações, quer nas expectativas que criam em torno do que lhes poderá fornecer o culto público.

É comum que se faça imposição de mãos para este propósito e outras práticas, todavia a expectativa dos que buscam a “bênção” nunca se refere a uma maior busca de santidade, de amor, de longanimidade, domínio próprio, de misericórdia, bondade, benignidade e todas as demais virtudes que estão ocultas em Cristo e que não podem ser recebidas por nós em forma de graça amadurecida, numa ministração momentânea, senão na árdua diligência do caminho progressivo da santificação, pela operação da cruz na aprendizagem da perseverança nas tribulações, que produz experiência e esperança (Rom 5.3,4).
A imposição de mãos pode ser eficaz para a recepção dos dons sobrenaturais do Espírito que são citados em I Coríntios 12 e 14, para a ordenação ministerial, para a cura de enfermidades, para a conversão, entre outras operações, mas jamais para produzir a vida do varão perfeito, pelo amadurecimento do fruto do Espírito, no processo progressivo da santificação. Se é progressivo, como pode ser obtido numa ou em algumas ministrações por imposição de mãos ou por quaisquer outros meios?
Dificilmente se verá a realização de apelos nos cultos públicos para as pessoas se consagrarem à prática santa referida, mormente porque suas expectativas estão normalmente relacionadas à busca de melhoria financeira, cura de enfermidades físicas, e também busca de trabalho, de cônjuge, e todo tipo de busca do que é temporal e não espiritual.

Ainda que seja lícito este tipo de busca, e por ter amparo bíblico, todavia, a ordem apresentada é buscar o reino espiritual de Deus e a sua justiça, em primeiro lugar, e então, se tem a promessa de receber o que for temporal e de fato necessário a nós, por acréscimo.
Se focamos o objetivo de nosso Senhor ter vindo a este mundo para que pudéssemos alcançar prioritariamente o que é secular e temporal, nos desviamos inteiramente do alvo proposto por Ele e conforme podemos aprendê-lo em toda a Bíblia e especialmente no Evangelho, porque se afirma qual é a missão do cristão neste mundo, a saber, proclamar as virtudes de Jesus (I Pe 2.9), e isto não é feito apenas pela pregação e ensino do evangelho, mas pelo testemunho de uma vida deveras santa e piedosa, que manifesta ao mundo o poder da graça de Deus para a transformação das vidas daqueles que antes andavam nas trevas, e que agora vivem na sua maravilhosa luz.

Quando, no culto e na adoração que prestamos a Deus, nos contentamos com mera moralidade, que é algo externo, e nem sempre procedente do coração, ou com práticas místicas, ascéticas ou de qualquer outro caráter, que pouco ou nada têm a ver com aquela vida espiritual, fruto da operação das virtudes de Cristo pela graça, podemos estar certos de estarmos trabalhando para o vento, uma vez que o que Deus sempre requererá de nós é adoração e santificação baseadas na verdade, ou seja, naquilo que nos é ensinado e ordenado na Sua Palavra, como aquilo que deve ser obtido por nós (João 4.23,24; 7.17).
São inumeráveis os textos bíblicos que nos apontam o dever da santificação e que nos explicam qual é o caráter desta santificação.

Então, jamais poderemos ser desculpados por Deus em razão de usarmos o nosso zelo, fervor ou sinceridade como justificativa para as práticas de culto e adoração que adotamos e que não encontram respaldo naquilo que Ele nos ordena na Sua Palavra.
Ele pode, neste caso, até mesmo tolerar e usar de longanimidade com a nossa ignorância, mas não pode nos aprovar e nos considerar agradáveis a Ele, se agimos diretamente contra a Sua vontade; e certamente, a graça se empenhará em nos ensinar, no tempo oportuno o modo pelo qual importa glorificá-lo, deixando nós as coisas de menino.
A face amada do Senhor será vista pela nossa santificação, que está baseada na Sua Palavra (Hb 12.14).
Ele tem declarado a quem aceitará e aprovará, em textos como os seguintes:

Rom 8:13 Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.

2 Co 7:1 Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

1Ts 5:23 O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

2 Pe 3:11 Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade,

2 Pe 3:14 Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis,

1 Jo 3:3 E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.

Não é da vontade de Deus que nenhum de seus filhos venha a errar o alvo da sua vocação, afinal foram chamados para a santificação do Espírito (I Pe 1.2), e há portanto uma convocação a todos eles para crescerem na graça e no conhecimento de Jesus Cristo (II Pe 3.17,18).

Que o Senhor portanto, nos ajude a não errarmos o alvo do modo pelo qual importa ser servido e adorado. Que ele nos livre da falta de zelo, da falta de fervor de espírito, e também de uma ortodoxia morta, que não tenha a unção do Espírito Santo, e ainda de todo tipo de prática com aparência de ser piedosa e poderosa e que não passa muitas vezes senão de coisa de meninos, ainda sem entendimento do tipo de maturidade espiritual que nos é ensinado na Bíblia, para ser buscado por nós com toda a diligência, para o agrado e para a glória de Deus.
Para tanto, temos recebido o Espírito Santo, para nos conduzir ao conhecimento e prática de toda a verdade, e portanto, Ele sempre agirá com base nos princípios revelados na Bíblia, e nunca por nossa imaginação, emoção e sentimento do que seja uma vida poderosa em Deus.

Pr Silvio Dutra


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