Jesus, o Rei da Verdade

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“Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.” (João 18.37)

Já vem chegando a época na qual, por costume, somos levados a lembrar o nascimento do santo menino Jesus, nascido rei dos judeus, contudo eu não me guiarei a Belém, senão ao pé do Monte Calvário; ali aprenderemos dos próprios lábios do Senhor acerca do reino do qual ele é monarca; e desta maneira seremos motivados a valorizar muito mais o alegre evento do seu nascimento.

O apóstolo nos informa que nosso Senhor deu testemunho da boa profissão diante de Pôncio Pilatos. É uma boa profissão quanto à sua forma pois nosso Senhor foi veraz, benigno, prudente, paciente, manso, e ao mesmo tempo firme e valente. Seu espírito não se acovardou diante do poder de Pilatos, nem se exasperou diante de seus olhar de desprezo. Em sua paciência assenhoreava a sua alma estabelecendo o testemunho modelo em favor da verdade, tanto em seu silêncio quanto em sua palavra.

Ele também testemunhou a boa profissão em seu conteúdo porque embora tivesse falado pouco, falou o necessário. Reclamou seus direitos à coroa e ao mesmo tempo declarou que o seu reino não era deste mundo e nem seria sustentado pela força. Ele vindicou tanto a espiritualidade quanto a veracidade da sua soberania. Se alguma vez nos encontrarmos em circunstâncias semelhantes, que também sejamos capazes de dar testemunho da boa profissão.

Talvez nunca tenhamos que dar testemunho diante de um Nero, como Paulo, porém, se tivermos que fazê-lo, que o Senhor nos ajude e nos dê a força necessária para que nos comportemos como valentes diante do leão. Em nossas famílias ou entre nossos conhecidos no trabalho, talvez tenhamos que enfrentar algum pequeno Nero ou responder a algum insignificante Pilatos, então que demos também testemunho da boa profissão.

Oh que tenhamos a graça de permanecer prudentemente calados ou de ser mansamente francos, segundo requeira o caso e em qualquer de ambas circunstâncias que sejamos fiéis à nossa consciência e ao nosso Deus.

Que a face de Jesus, o fiel e verdadeiro testemunho, o príncipe dos reis da terra esteja frequentemente diante de nossos olhos para suportar o primeiro sopro de indecisão e para nos inspirar uma intrépida coragem.
Temos para nossa consideração nas palavras do texto uma parte da boa profissão de nosso Salvador em relação ao seu reino.

I – Observe primeiro que nosso Senhor afirmou ser um rei. Pilatos disse: “Logo tu és rei?” Fazendo a pergunta com uma surpresa burlesca, já que o pobre homem diante dele teria pretensões de realeza. Vocês se surpreendem que Pilatos houvesse se maravilhado grandemente ao descobrir pretensões de realeza associadas a condições tão deploráveis. Nosso Senhor disse “tu dizes que eu sou rei”. A pergunta foi bem insincera, mas a resposta foi completamente solene: “eu sou rei”.

Nada foi expressado jamais por nosso Senhor com maior certeza e sinceridade. Agora observe que esta afirmação foi feita sem qualquer ostentação ou com qualquer intenção de tirar proveito para si. Houve outras ocasiões em que caso dissesse “eu sou rei”, teria sido levado nos ombros pelo povo e coroado em meio a aclamações. Seus seguidores fanáticos numa ocasião lhe teriam feito rei de bom grado. E lemos que uma vez vieram a ele tentando fazer-lhe rei. Nessas oportunidades ele falava muito pouco acerca do seu reino, e o que chegava a dizer o expressava em parábolas e explicava somente a seus discípulos, quando se encontrava a sós com eles.

O Senhor muito pouco se referia em sua pregação ao que concerne aos seus direitos de nascimento como filho de Davi, em relação à casa real de Judá, pois reunia as honras do mundo e desdenhava as glórias frívolas de um diadema temporal. Aquele que veio em amor para redimir os homens não tinha nenhuma ambição pelas insignificâncias da soberania humana, mas tendo agora sido traído por seu discípulo e acusado por seus compatriotas, e estando nas mãos de um governante injusto e quando não pôde se beneficiar disso, pois lhe traria escárnio em vez de honra, então declara abertamente e responde ao seu interrogador: “tu dizes que eu sou rei”.

Observem bem a clareza da declaração de nosso Senhor. Não havia forma de interpretar mal suas palavras “eu sou rei”. Quando chegou o tempo para que a verdade fosse publicada, nosso Senhor não foi remisso em declará-la. A verdade tem momentos oportunos para o discurso e ocasiões nas quais o silêncio é mais conveniente – não devemos lançar nossas pérolas aos porcos – porém quando chega a hora de falar, não devemos duvidar – devemos falar com a voz de uma trombeta emitindo um claro sonido que nenhum homem possa interpretar incorretamente.

Assim, embora fosse um prisioneiro condenado à morte, o Senhor declara corajosamente sua realeza sem se importar que Pilatos lhe cobrisse de escárnio em consequência disso. Oh que tenhamos a prudência do Senhor para falar a verdade no momento oportuno, e a coragem do Senhor para pregar a verdade quando chegar o seu momento. Soldados da cruz… aprendam com o seu Capitão.

A afirmação de realeza por parte de nosso Senhor deve ter soado como algo muito estranho no ouvido de Pilatos. Jesus indubitavelmente estava muito angustiado, triste, debilitado, em sua aparência externa. Ele havia passado a primeira parte da noite no jardim do Getsêmani em meio de uma agonia. Cerca da meia noite ele havia sido levado a Anás e a Caifás, e deste a Herodes.

Nem sequer lhe havia sido permitido descansar ao despontar o dia, de tal forma que em puro cansaço, se veria muito distante de parecer com um rei. Pilatos em seu coração, desprezava os judeus como tais, porém tinha diante de si um pobre judeu, perseguido pelos de sua própria gente, desvalido e sem amigos, que tinha a ilusão de falar de um reino vinculado a ele; contudo a terra jamais viu a um rei mais verdadeiro, ninguém da linhagem de faraó, da família de Ninrode, ou da raça dos cézares era tão intrinsecamente imperial em si mesmo como Jesus o era.

Reconhecido muito merecidamente como Rei em virtude de sua linhagem, suas obras e seu caráter superior. O olho carnal não podia ver isto, porém para o olho espiritual era mais claro do que a luz do meio dia. Até este dia, em sua aparência externa, o puro cristianismo é igualmente um objeto sem atrativo, que mostra em sua superfície poucos sinais de realeza. Cresce sem aparência e formosura, que quando os homens o veem não encontram uma beleza desejável para eles. É certo que há todavia um cristianismo nominal que é aceito e aprovado pelos homens, porém o evangelho puro é desprezado e rejeitado. O Cristo real, hoje é desconhecido e irreconhecível entre os homens da mesma maneira como foi em sua própria nação há dois mil anos.

A doutrina evangélica verdadeira está em baixa. A vida santa é censurada; e a preocupação espiritual é escarnecida. “O que?” Eles perguntam. “Você chama de verdade régia a esta doutrina evangélica? Quem crê nela em nossos dias? A ciência a tem refutado. Não há nada grandioso nela. Os velhos poderão achar consolo nela, e todos aqueles que não têm suficiente capacidade para pensar livremente. Seu reino tem terminado e não retornará jamais.”

Quanto a viver separados do mundo, classificam isto de puritanismo ou algo pior. Cristo em doutrina, Cristo em espírito, Cristo na vida, nestas áreas o mundo não pode suportá-lo como rei.
O Cristo louvado com hinos nas catedrais, o Cristo personificado em prelados altaneiros, o Cristo rodeado pelos que pertencem às casas reais, este sim, é aceitável, porém o Cristo que deve ser honestamente obedecido, seguido e adorado em simplicidade, sem pompas ou liturgias deslumbrantes, a esse Cristo não lhe permitirão que reine sobre eles.

Poucas pessoas hoje em dia estarão ao lado da verdade pela qual deram a vida os seus antepassados. O dia do compromisso de seguir a Jesus em meio da vergonha e da maledicência, tem passado. Contudo ainda que os homens venham a nós para nos perguntar: “acaso chamam seu evangelho de divino? Vocês são tão ingênuos para crerem que sua religião vem de Deus e que submeterá o mundo?” Nós respondemos corajosamente? “Sim. Assim como debaixo da roupa do camponês e do rosto pálido do filho de Maria podemos discernir o Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai eterno, assim também sob a simples forma de um evangelho desprezado, percebemos nele os régios delineamentos da verdade divina.

A nós não nos importa a roupa ou a morada externa da verdade, nós a amamos por si mesma. Para nós os palácios de mármore e as colunas de alabastro não têm importância. Valorizamos muito mais a manjedoura e a cruz. Estamos satisfeitos de que Cristo reine onde queira reinar. E esse lugar não é em meio dos grandes da terra, nem entre os sábios e poderosos, senão entre o vil do mundo e o que não é, pois é a estes Deus tem elegido desde o princípio para que sejam seus.

Devemos acrescentar que a declaração de nosso Senhor de ser rei, será um dia reconhecida por toda a humanidade, porque quando disse a Pilatos “tu dizes que eu sou rei” profetizou a confissão futura de todos os homens. Alguns que têm sido ensinados por sua graça se regozijam nesta vida como o seu rei todo desejável. Bendito seja Deus que o Senhor Jesus poderia olhar nos olhos de muitos de nós, e nos dizer: “tu dizes que eu sou rei”, e nós lhe responderíamos “o afirmamos alegremente”. Porém chegará o dia quando ele se assentará em seu grande trono branco e então quando as multidões tremerem diante da sua temível majestade, pessoas inclusive como Pilatos e Herodes e os principais sacerdotes, reconhecerão que ele é rei.

Então a cada um de seus aferrados e convencidos inimigos lhes dirá: “Agora oh desprezador, tu dizes que eu sou rei.” Pois diante dele se dobrará todo joelho e toda língua confessará que ele é o Senhor.
Recordemos neste ponto que quando nosso Senhor disse a Pilatos “tu dizes que eu sou rei”, ele não estava se referindo ao seu domínio divino. Pilatos não estava pensando nisto, nem nosso Senhor se referiu a isto. Contudo, não se esqueçam que como divino ele é Rei dos reis e Senhor dos senhores. Não esqueçamos nunca que ainda que tenha morrido em fraqueza como homem, ele vive eternamente e governa como Deus.

E tampouco creio que se refira à sua soberania mediadora que possui sobre a terra em relação a seu povo, pois ao Senhor, todo o poder lhe é dado sobre o céu e a terra, e o Pai lhe tem dado poder sobre toda a carne para que dê vida eterna a todos os que lhe foram dados.
Pilatos não estava aludindo a isto em primeiro lugar, nem nosso Senhor tampouco, ele estava se referindo a este governo que pessoalmente exerce nas mentes dos fiéis através da verdade. Vocês recordam do dito de Napoleão: “eu tenho fundado um império mediante a força, o qual tem se desvanecido”. Jesus Cristo estabeleceu o seu reino em amor que permanece até este dia, e permanecerá para sempre. Esse é o reino ao qual a Palavra do Senhor se refere, o reino da verdade, espiritual, no qual Jesus reina como Senhor no coração daqueles que são da verdade. Ele afirmava ser um rei e a verdade que revelou e da qual ele era a personificação é portanto o cetro do seu império.

Ele governa pela força da verdade sobre os corações que sentem o poder da justiça e da verdade, e que portanto, se submetem voluntariamente ao seu Guia, creem em sua Palavra e são governados pela Sua vontade. Cristo reclama soberania entre os homens como senhor espiritual. Ele é rei das mentes daqueles que o amam, dos que confiam nele e lhe obedecem, porque veem nele a verdade que suas almas desejam ardorosamente. Outros reis governam nossos corpos, Cristo porém, governa nossas almas. Aqueles governam por força, e ele pelos atrativos da justiça. A daqueles reis é em grande medida uma realeza fictícia, porém a sua é verdadeira e encontra a sua força na verdade.

II. Agora, observem em segundo lugar que nosso Senhor declarou ser este reino o objetivo principal da sua vida.
“Para isso nasci e para isto vim ao mundo.”
A razão pela qual nasceu da virgem foi para estabelecer Seu reino. Era necessário que nascesse para ser rei dos homens. Ele sempre foi o Senhor de todos e não precisava ter nascido para ser um rei, nesse sentido, mas para ser rei por meio do poder da Verdade era essencial que nascesse em nossa natureza.

Por que isso? Eu respondo: primeiro, porque parece pouco natural que um governante deve ser alheio à natureza das pessoas sobre as quais ele governa. Um rei angelical dos homens seria inadequado. Não poderia existir a simpatia que é o cimento de um império espiritual. Jesus, para que pudesse governar pela força do amor e da verdade, tornou-se da mesma natureza da humanidade. Foi um homem entre os homens, um homem real, mas um homem verdadeiramente nobre e de condição régia, e assim, um rei dos homens. Mas, além disso, o Senhor nasceu para que pudesse salvar o seu povo. Os súditos são essenciais a um reino, um homem não pode ser rei, se não tiver ninguém a quem governar.

Todos os homens teriam morrido por causa do pecado se Cristo não tivesse nascido e vindo ao mundo para nos salvar. Seu nascimento foi um passo necessário para a Sua morte redentora – Sua Encarnação foi necessário para a Expiação. Além disso, a verdade nunca exerce tanto poder como quando se encarna. A verdade falada pode ser derrotada, mas a verdade que opera na vida de um homem é onipotente por meio do Espírito de Deus. Agora Cristo não se limitou a falar a verdade, senão que Ele é a Verdade. Se a verdade tivesse encarnado em uma forma angelical, teria possuído pouco poder sobre nossos corações e vidas. Mas a Verdade perfeita em uma forma humana tem um régio poder sobre a humanidade regenerada. A Verdade vinda em carne e sangue tem poder sobre a carne e sangue e, portanto, ele nasceu para este propósito.

Então, quando vocês ouvirem os sinos tocando no Natal, pensem na razão pela qual Jesus nasceu! Não pensem que veio para enfeitar suas mesas e encher seus cálices em suas festas. Quando você ouve que em certas Igrejas há celebrações pomposas e espetáculos eclesiásticos, não pense que Jesus nasceu para este propósito. Não, senão que olhem para dentro de seus próprios corações e pensem: “foi para isto que Cristo nasceu, Para ser rei, para governar através da Verdade a alma de um povo que é, pela Graça, conduzido a amar a verdade de Deus.

E logo acrescentou: “Para isto vim ao mundo.” Isto é, Ele saiu do seio do Pai para estabelecer o Seu reino, revelando os mistérios que foram escondidos desde a fundação do mundo. Nenhum homem pode revelar o conselho de Deus, senão Aquele que tem estado com Deus! E o Filho que veio dos palácios de marfim da glória nos anuncia as boas novas de grande alegria! Por isso Ele também veio ao mundo desde a obscura oficina de carpinteiro de José, onde, por muitos anos, esteve escondido como uma pérola em sua concha. Era necessário que a verdade da qual veio para dar testemunho fosse dada a conhecer, e ressoasse nos ouvidos da multidão.

Uma vez que veio para ser rei, deveria deixar o isolamento e sair para lutar por seu trono. Tinha que falar às multidões na encosta do monte. Tinha que falar na costa do mar. Tinha que reunir seus discípulos e enviá-los de dois em dois para publicarem desde os telhados os segredos da verdade poderosa de Deus! Ele não saiu porque lhe encantava ser visto pelos homens ou por que buscasse a popularidade, senão para o propósito de estabelecer o seu reino publicando a verdade. Era necessário que saísse pelo mundo e ensinasse, pois de outra forma a Verdade de Deus não seria conhecida e, consequentemente, não poderia operar.

O sol deve sair como um noivo sai do seu aposento, ou o reino da luz nunca será estabelecido. O Espírito Santo deve sair do esconderijo dos ventos ou a vida nunca vai reinar no vale de ossos secos. Assim o reino da verdade veio não em aparência visível e começou a ser estabelecido nos corações daqueles que são pela verdade por ouvirem a voz do seu rei. Durante três anos o Senhor viveu notável e enfaticamente: “veio ao mundo.” Ele foi visto pelos homens de maneira tão próxima que pôde ser contemplado, tocado e apalpado. Ele tinha a intenção de ser um modelo e, portanto, era necessário que fosse visto. A vida de um homem que vive em retiro absoluto pode ser admirável para si mesmo e aceitável para Deus, mas não pode ser exemplar para os homens. Por esta razão, o Senhor veio ao mundo, para que tudo aquilo que Ele iria fazer pudesse influenciar a humanidade.

Seus inimigos tiveram permissão para vigiarem cada uma de suas ações e se lhes permitiu que se esforçassem para apanhá-lo em alguma palavra para prová-lo. Seus amigos lhe vinham em privado e sabiam o que fazia na solidão, assim, toda a sua vida pôde ser reportada. Foi observado na fria encosta do monte à meia-noite, assim como em meio da grande congregação. Isto foi permitido para que a verdade fosse conhecida, pois cada ação de sua vida era a verdade e contribuía para estabelecer o reino da Verdade no mundo.
Vamos fazer uma pausa aqui.

Cristo é rei. Um rei pela força da verdade num reino espiritual. Para este propósito nasceu. Por isso Ele veio ao mundo.
Amado, pergunte a si mesmo: Tem este propósito do nascimento e vida de Cristo sido cumprido em você? Se não é assim qual é o proveito do Natal para você? Os coristas cantarão: “porque um menino nos nasceu, um Filho nos é dado.” Isso é verdade para você? Como poderia ser, a menos que Jesus reine em você e seja seu Salvador e Senhor? Os que verdadeiramente podem se regozijar no seu nascimento são aqueles que lhe conhecem como Senhor dos seus corações, e que governa seu entendimento pela verdade de sua doutrina, sua admiração pela verdade de sua vida, e seus afetos pela verdade da sua pessoa.

Para essas pessoas Ele não é um personagem que dever ser retratado com uma coroa de ouro e um manto de púrpura como os reis comuns e teatrais dos homens. Mas alguém mais resplandecente e mais celestial, cuja coroa é real, cujo domínio é inquestionável, que governa com verdade e amor! Conhecemos este Rei? Esta pergunta poderia muito bem ser aplicada a nós, pois, amados, há muitos que dizem: “Cristo é o meu Rei”, porém não sabem o que dizem pois não lhe obedecem. Quem é servo de Cristo confia em Cristo, e caminha de acordo com a mente de Cristo e ama a verdade que ele tem revelado. Todos os demais são meros hipócritas.

III. Porém tenho que continuar. Nosso Senhor, em terceiro lugar, revelou a natureza de seu poder real. Já falei sobre isso, mas devo fazê-lo novamente. Poderíamos pensar que o texto foi escrito dessa maneira: “Você diz que eu sou um rei, para este fim eu nasci e para isto vim ao mundo, para que eu estabeleça o meu reino.” As palavras não são essas, mas devem significar isso, porque Jesus não era incoerente em seu discurso. Conclui-se que as palavras utilizadas têm o mesmo significado que essas que o contexto sugere, ainda que seja expressado de forma diferente.

Se nosso Senhor dissesse: “para que eu possa estabelecer um reino,” Pilatos poderia tê-lo mal interpretado. Porém quando se valeu da explicação espiritual e disse que o Seu reino era a verdade e que o estabelecimento de Seu reino era por meio de se dar testemunho da verdade de Deus, então, apesar de que Pilatos não o entendesse, por estar muito acima de sua capacidade de compreensão, contudo, de toda forma, não foi conduzido a uma má interpretação. Nosso Senhor nos diz que a verdade de Deus é a característica mais proeminente do seu reino e que seu poder real sobre os corações dos homens é através da Verdade.

Agora, o testemunho de nosso Senhor entre os homens foi enfaticamente sobre assuntos reais e vitais. Ele não lidou com ficção, mas com fatos reais, não com futilidades, mas com realidades infinitas. Ele não fala de opiniões, de pontos de vista, ou especulações, mas de verdades infalíveis. Quantos pregadores desperdiçam o seu tempo com o que pode e o que não pode ser! O testemunho de Nosso Senhor foi eminentemente prático e positivo, cheio de verdades e certezas.

Eu, às vezes, ao ouvir sermões, desejei que o pregador fosse diretamente ao assunto relacionado com a causa e o bem-estar de nossas almas. Que importância têm os milhares de temas triviais que esvoaçam em torno de nós, para homens que estão morrendo? Temos o Céu ou o inferno diante de nós e a morte bem perto. Pelo amor de Deus não brinquem conosco, mas digam-nos a verdade de uma vez! Jesus é rei nas almas do Seu povo, porque sua pregação nos tem abençoado da forma mais profunda e real e nos tem dado descanso em assuntos de ilimitada importância. Ele não nos tem dado pedras bem lavradas, mas pão real! Há milhares de coisas que vocês talvez não saibam, e se terão perdido por muito pouco, por não conhecê-las, mas, se vocês não conhecem o que Jesus tem ensinado não lhes irá bem!

Se vocês são ensinados pelo Senhor Jesus terão descanso para as suas preocupações, bálsamo para as suas dores e satisfação para os seus desejos. Jesus dá a verdade que os pecadores necessitam conhecer para que creiam nEle – a garantia do pecado perdoado pelo seu sangue, o favor assegurado pela Sua justiça e o Céu obtido pela Sua vida eterna. Além disso, Jesus tem poder sobre o seu povo, porque Ele testifica não de símbolos, mas dá testemunho da própria substância da Verdade de Deus. Os escribas e fariseus eram muito fluentes sobre os sacrifícios, oferendas, dízimos, jejuns e coisas afins, mas o que poderia influenciar tudo isso sobre os corações doridos?

Jesus tem o poder imperial sobre os espíritos contritos, porque lhes fala de Seu único e verdadeiro sacrifício real e da perfeição que tem obtido para todos os crentes. Os sacerdotes perderam o seu poder sobre as pessoas, porque não foram mais além da sombra e, mais cedo ou mais tarde todos aqueles que descansam no símbolo farão o mesmo. O Senhor Jesus mantém seu poder sobre os Seus santos, porque Ele revela a substância, pois a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo. Que perda de tempo, é debater sobre a forma de um cálice ou a maneira de celebrar a comunhão, ou a cor adequada para as vestes do clérigo na época do Advento, ou a data exata da Páscoa! Vaidade das vaidades, tudo é vaidade! Tais ninharias nunca ajudarão para estabelecer um reino eterno nos corações dos homens!

Cuidemos para não colocarmos nós mesmos muita importância em coisas externas e perder de vista o essencial, a vida espiritual da nossa santa fé. O reino de Cristo não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo! O poder do Rei Jesus nos corações de Seu povo reside em grande maneira no fato de que Ele traz à tona a verdade pura de Deus, sem mistura, sem a contaminação do erro. Ele nos tem entregue uma luz pura e não trevas. Seu ensino não é uma combinação da Palavra de Deus e das invenções do homem! Não é uma mistura de inspiração e filosofia – prata sem escória é a riqueza que Ele dá aos Seus servos. Homens ensinados pelo Espírito Santo para amarem a verdade, reconhecem este fato e rendem suas almas à influência da Verdade do Senhor que os faz livres e lhes santifica; nada pode fazê-los repudiar tal soberano, porque como a Verdade vive e permanece em seus corações, assim Jesus, que é a Verdade, permanece também neles.

Se sabem o que é a verdade, vocês irão se submeter tão naturalmente aos ensinamentos de Cristo, assim como as crianças se submetem sempre à autoridade de seus pais.
O Senhor Jesus ensinou que a adoração deve ser verdadeira, espiritual e do coração, ou então seria inútil. Ele não tomou partido pelo templo de Gerizim ou de Jerusalém; mas declarou que a hora havia chegado quando os que adoram a Deus o adorariam em espírito e em verdade. Agora, os corações regenerados sentem o poder disto e se alegram por terem se emancipado dos elementos desprezíveis do ritualismo carnal. Eles aceitam de bom grado a Verdade que as palavras piedosas da oração ou do louvor são vaidade, a menos que o coração tenha adoração viva dentro de si. Na grande verdade do culto espiritual os crentes possuem uma Carta Magna tão amada como a própria vida. Nós nos recusamos a ser novamente submetidos ao jugo da escravidão e nos apegamos ao nosso Rei emancipador.

Nosso Senhor ensinou também, que o viver falsamente é ruim e aborrecível. Ele desprezou os filactérios dos hipócritas e o alongar das bordas das vestes dos opressores dos pobres. Para Ele as esmolas ostentosas, as longas orações, jejuns frequentes e o dízimo da hortelã e do cominho nada eram, quando praticados por aqueles que devoravam as casas das viúvas. Não lhe importavam nada os sepulcros caiados e os pratos limpos por fora.Ele julgava os pensamentos e as intenções do coração. Que interjeições utilizou para denunciar os formalistas dos seus dias! Deve ter sido um grandioso espetáculo ter visto o humilde Jesus indignado, trovejando num trovão após outro Suas denúncias contra a hipocrisia!

Elias nunca invocou fogo do céu que fosse sequer a metade do tão grandioso: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” É o mais estrondoso retumbar da artilharia do céu! Vejam que assim como o servo Sansão, Jesus ataca as imposturas da sua época e as ajunta em montões sobre montões para apodrecerem para sempre! Acaso Aquele que nos ensina a vida verdadeira não será o Rei de todos os filhos da verdade? Vamos agora saudá-lo como Senhor e rei. Além disso, amados, nosso Senhor não veio apenas para nos ensinar a verdade de Deus, mas também flui dele um poder misterioso através do Espírito Santo que repousa sobre ele sem medida, que submete os corações escolhidos à verdade, e, que logo guia os corações verdadeiros à plenitude de paz e alegria.

Acaso não têm percebido nunca ao terem estado com Jesus, que um senso de Sua pureza tem feito que sintam desejo de serem purificados de toda a hipocrisia e de todo caminho de falsidade? Acaso não têm sentido vergonha de si mesmos ao ouvirem a Sua Palavra, ao contemplarem a Sua vida e, acima de tudo, de desfrutarem da sua comunhão – por não terem sido mais sinceros, mais verdadeiros, mais justos, súditos mais leais do verdadeiro Rei? Eu sei que vocês o têm sentido! Nada sobre Jesus é falso ou mesmo duvidoso. Ele é transparente, da cabeça aos pés. Ele é a verdade em público, a verdade em privado, a verdade em palavra e a verdade em ação. Por isso, é que Ele tem um reino sobre os puros de coração e é veementemente exaltado por todos aqueles cujo coração está preso à justiça.

IV. E agora, em quarto lugar, o Senhor revelou o MÉTODO DE SUA CONQUISTA. “Para isso nasci e para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade.” Cristo não tem estabelecido o Seu reino pela força das armas. Maomé puxou da espada e converteu os homens, dando-lhes a escolha da morte ou da conversão. Mas Cristo disse a Pedro: “Põe a tua espada na bainha”. A compulsão não deve ser usada com qualquer homem para lhe induzir a aceitar qualquer opinião, muito menos para induzi-lo a abraçar a Verdade de Deus. A falsidade requer o potro de tormento da Inquisição, mas a verdade não precisa de tal ajuda indigna. A sua própria beleza e o Espírito de Deus são a sua fortaleza.

Além disso, Jesus não usou as artes e nem os truques da superstição. Os insensatos são persuadidos por um dogma pelo fato de que ele é promulgado por um sábio doutor de alto nível, mas o nosso Raboni não usa títulos ressonantes de honra. O povo imagina que uma declaração deve ser correta se ela emana de uma pessoa que usa largas mangas ou cujos estandartes são de confecção custosa e a música é a mais doce. Estas coisas são bons argumentos para aqueles que não são reformáveis.

Jesus, porém, não deve nada ao Seu vestuário e a ninguém influencia mediante arranjos artísticos. Ninguém pode dizer que Ele reina sobre os homens pelo brilho da pompa ou pelo fascínio de cerimônias sensuais. Sua arma de combate é a Verdade! A verdade é tanto a sua flecha quanto seu arco, sua espada e sua adaga. Creiam-me, nenhum reino é digno do Senhor Jesus, senão aquele que tem as suas bases estabelecidas em verdades indiscutíveis – Jesus desprezaria reinar com a ajuda de uma mentira! O verdadeiro cristianismo nunca foi promovido pela política ou engano, fazendo uma coisa errada, ou dizendo uma coisa falsa. Inclusive,exagerar a verdade corresponde a gerar erro e assim derrubamos a verdade que pretendíamos estabelecer.

Há alguns que dizem: “Apresenta uma linha de ensino e nada mais, para que não pareças inconsistente.” O que eu tenho a ver com isso? Se é verdade de Deus, eu sou obrigado a entregar tudo sem nada reter da mesma! A política em religião, como um navio à vela é dependente do vento, que vira para aqui e para ali, mas o verdadeiro homem como um navio que tenha a sua força motriz própria, vai direto para a frente, em linha reta, enfrentando a fúria do furacão. Quando Deus põe a Verdade nas almas dos homens, lhes ensina a não se desviarem e nem se adaptarem senão a se manterem debaixo de qualquer risco que seja. Isto é o que Jesus sempre fez. Ele deu testemunho da verdade e não deixou o assunto sendo manso e inocente como um cordeiro.

Aqui será apropriado responder à pergunta: “De qual Verdade Ele deu testemunho?” Ah, meus irmãos e irmãs, de qual verdade que Ele não deu testemunho? Ele não refletiu toda a verdade em sua vida? Vejam quão claramente expressou a verdade de que Deus é amor. Quão melodioso, como repiques de sinos de Natal foi o Seu testemunho da Verdade de que “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Ele também deu testemunho de que Deus é justo. Quão solenemente proclamou esse fato! Suas feridas sangrantes, Suas agonias de morte soaram solenemente esta Verdade como com uma sentença que até mesmo os mortos podem ouvir!

Ele testemunhou a exigência de Deus pela verdade no íntimo pois frequentemente fez a dissecação dos homens e os desnudou e abriu seus pensamentos secretos e os descobriu para si mesmos; e lhes fez ver que o olho de Deus suporta somente a sinceridade. Acaso não deu testemunho da verdade de que Deus resolveu criar para Si um povo novo e um verdadeiro povo? Acaso não estava sempre falando de suas ovelhas, que ouvem a sua voz? Do trigo, que recolheria no seu no seu celeiro e das coisas preciosas que seriam entesouradas quando os ímpios fossem lançados fora? Nisso estava dando testemunho de que o falso deve morrer, que o irreal deve ser consumido, que a mentira será coberta de ferrugem, mas que o verdadeiro, o sincero, o cheio de graça, o vital, subsistirá em todas as provas e durará mais que o sol.

Numa época de fingimentos, Ele estava sempre varrendo pretextos e estabelecendo a verdade e a justiça como suas testemunhas.
E agora, amados, esta é a maneira pela qual o reino de Cristo é estabelecido no mundo. Por esta causa nasceu a Igreja e para este propósito, ela veio ao mundo, para estabelecer o reino de Cristo, dando testemunho da Verdade. Eu desejo ver meus amados, que todos vocês têm dado testemunho. Se amam o Senhor, deem testemunho da Verdade! Vocês devem fazê-lo pessoalmente. Vocês devem fazê-lo coletivamente. Nunca se ajuntem a uma igreja cuja doutrina não creia inteira e sinceramente, pois se o fizessem, estariam mentindo, e, além disso, participando do erro do testemunho de outros homens. Eu não iria nem por um momento dizer qualquer coisa para retardar a unidade dos cristãos, mas há algo antes da unidade e que é: “A verdade no íntimo” e a honestidade diante de Deus.

Eu não me atreveria a ser um membro de uma Igreja cujo ensino eu soubesse ser falso em pontos vitais. Eu prefiro ir para o céu sozinho do que enganar minha consciência por tal companhia. Vocês podem dizer: “Mas eu protesto contra o erro da minha Igreja.” Caros amigos, como poderiam protestar de forma consistente contra este erro quando você o professa e concordar com ele por ser um membro da Igreja que o avaliza? Se você é um ministro de uma tal igreja, você está de fato dizendo ao mundo: “Eu creio no ensino e nas doutrinas desta Igreja,” E se você for para o púlpito e disser que não crê nelas, o que as pessoas vão concluir? Deixo que julguem isto por si mesmos.

Eu vi a torre de uma igreja no outro dia, com um relógio nela, e me surpreendeu ao marcar dez e meia quando eu pensei que era apenas nove. Fiquei, no entanto, bastante aliviado quando vi que uma outra face do relógio indicava 08:15. “Bem”, eu pensei: “Qualquer que seja a hora, o relógio está errado porque ele se contradiz.” Então, quando ouço um homem dizer uma coisa por seu membro da Igreja e outra contrária por seu protesto particular, isso, não está correto em tudo, porque não é coerente consigo mesmo! Vamos dar testemunho da verdade de Deus uma vez que há grande necessidade de fazê-lo agora mesmo, pois dar testemunho não goza de boa fama.

Esta época não assinala nenhuma virtude tanto como “liberalidade”, e não condena nenhum vício tão ferozmente como a intolerância, ou melhor, a honestidade. Se creem em algo e o sustentam com firmeza, todos os cães irão ladrar para vocês. Deixem-nos que ladrem! Eles vão parar quando se cansarem! Vocês são responsáveis diante de Deus e não de homens mortais. Cristo veio ao mundo para dar testemunho da Verdade e lhes enviou para fazer o mesmo, tenham o cuidado de fazê-lo, sem importar em ofender ou agradar, pois é somente por este processo que o reino de Cristo é estabelecido no mundo.

V. Agora, o último ponto é este. Nosso Salvador, depois de ter falado do seu reino e da forma de estabelecê-lo, esclareceu aos seus súditos: “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.” Isso quer dizer que onde quer que o Espírito Santo tenha convertido um homem em amante da verdade de Deus, ele sempre reconhecerá a voz de Cristo e se renderá a ela. Onde estão as pessoas que amam a verdade? Bem, não precisamos perguntar por muito tempo. Não precisamos da lanterna de Diógenes para encontrá-los, porque eles virão para a luz, e onde está a luz, senão em Jesus?

Onde estão aqueles homens consistentes que são o que parecem ser? Onde estão os homens que desejam ser verdadeiros em secreto e diante do Senhor? Eles podem ser descobertos, onde as pessoas de Cristo são descobertas, eles serão encontrados ouvindo aqueles que testemunham a verdade de Deus. Aqueles que amam a verdade pura e sabem quem é Cristo, se encantarão com ele e ouvirão a Sua voz. Julguem então, neste dia, irmãos e irmãs, se são da Verdade ou não, pois se amam a verdade, vocês conhecem e obedecem à voz que lhes pede para se afastarem de seus antigos pecados, dos falsos refúgios, dos maus hábitos – de tudo o que não é segundo a mente do Senhor. Vocês já o ouviram falar às suas consciências quando lhes repreende por tudo o que é falso em vocês. Vocês já o ouviram lhes encorajando para permanecer na verdade que luta contra a velha natureza.

Terei concluído quando tiver lhes transmitido uma ou duas reflexões. A primeira é, amados, ousamos a nos por do lado da Verdade, nesta hora da sua humilhação? Reconhecemos a realeza da Verdade de Cristo, quando a temos desonrado todos os dias? Se a verdade do evangelho fosse honrada em todas as partes, seria uma coisa fácil dizer “eu creio nela.” Mas agora, nestes dias, quando não tem honra entre os homens, ousamos nos apegar a ele a qualquer custo? Estão dispostos a caminhar com a Verdade através do lodaçal e do pântano? Vocês têm coragem de professar a verdade que não está na moda? Estão dispostos a acreditar na verdade contra a qual a falsamente chamada ciência, tem desferido o seu rancor? Estão dispostos a aceitar a verdade, embora seja dito que somente os pobres e sem instrução a recebem? Estão dispostos a serem discípulos do Galileu, cujos apóstolos eram pescadores? Em verdade, em verdade lhes digo que, naquele dia em que a verdade na Pessoa de Cristo se manifestar em toda sua glória, irá muito mal para aqueles que se envergonharem em reconhecê-la e ao seu Senhor.

Em continuação, se temos ouvido a voz de Cristo, reconhecemos o propósito da nossa vida? Sentimos que nós: “para isto temos nascido e vindo ao mundo, para dar testemunho da verdade”? Eu não acredito que você, meu querido irmão, veio ao mundo para ser um leiloeiro e nada mais! Eu não creio que Deus criou você, minha irmã, para ser apenas uma costureira, uma enfermeira, ou uma dona de casa! Almas imortais não foram criadas para fins meramente mortais. Para este propósito nasci, para que, com a minha voz neste lugar e em qualquer outro lugar, eu dê testemunho da verdade de Deus! Vocês reconhecem isso, então lhes rogo, a cada um de vocês, a reconhecerem que têm uma missão similar. “Eu não poderia ocupar o púlpito”, dirá alguém. Não te preocupes com isso, dê testemunho da verdade onde quer que estejas, e na sua própria esfera. Oh não desperdicem o tempo e nem a energia, senão testemunhem a favor de Jesus Cristo!

E agora, por último, reconhecem amados a dignidade superlativa de Cristo? Veem que Cristo é Rei? Que Ele é um rei para você como nenhum outro poderia ser?
Amados, não precisamos perguntar: “O que Cristo fez por nós?”, Vamos perguntar: “O que é que Ele não tem feito por nós?”
Emanuel, tudo devemos a ti! Tu és o nosso novo Criador, nosso Redentor do mais profundo abismo do inferno! Em ti tudo é resplandecente e totalmente desejável, tuas formosuras promovem a nossa adoração! Viveste por nós. Sangraste por nós. Morreste por nós! E estás preparando um reino para nós.

E virás novamente para nos levar para estar contigo onde estás! Tudo isso infunde amor em nós. Todos te aclamam! Todos te aclamam! És o nosso Rei e Te adoramos com toda a nossa alma! Amados, lhes suplico que amem a Cristo e que vivam para Ele enquanto possam. Trabalhem enquanto houver oportunidade.
Quando tenho que guardar repouso e não tenho sido capaz de fazer algo, a grande tristeza do meu coração tem sido a minha incapacidade de servir a Jesus. Ouvia meus irmãos gritando no campo de batalha e via meus companheiros marchando para o combate e eu estava estirado como um soldado ferido numa cama e não podia me mover – exceto que entre suspiros dizia uma oração que todos vocês pudessem ser fortes no Senhor e na força do seu poder.

Este foi o meu pensamento “Oh, que eu tivesse pregado melhor, enquanto eu podia pregar e que vivesse mais para o Senhor, enquanto eu podia lhe servir!” Não incorram nesses arrependimentos no futuro por causa da indolência presente, mas vivam agora para Aquele que morreu por vocês! Se alguém que nos ouve nesta hora, e que nunca obedeceu o nosso Rei, que venha a confiar nEle agora, porque ele é um terno Salvador e está disposto a receber o maior e mais vil pecador que vier a Ele! Qualquer um que confie nele nunca descobrirá que lhe falhará, pois Ele pode salvar perfeitamente os que se aproximam de Deus por meio dEle!
Que Ele lhes traga a seus pés e reine sobre vocês em amor. Amém.

Texto de Charles Haddon Spurgeon, em domínio público, traduzido pelo Pr Silvio Dutra.


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