A Inspiração Divina das Escrituras

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A revelação de Deus se fez em muitas vezes e de muitas maneiras como se afirma em Hb 1.1,2.

Revelação é a ação de Deus pela qual Ele deu a conhecer ao escritor coisas desconhecidas.

Os escritores da Bíblia foram inpirados pelo Espírito Santo sendo capacitados a receber e transmitir a mensagem, a ponto de serem as palavras de Deus.

A revelação de fatos e a inspiração do Espírito Santo, que acompanham a ministração e a pregação da verdade, ainda em nossos dias, desde os dias apostólicos, não podem produzir uma nova verdade, ou mesmo alterar partes da verdade que de uma vez por todas foi fechada com a escrita do livro doApocalipse. Não existe mais do que um evangelho, e este já foi revelado aos apóstolos, e está plenamente registrado nas páginas da Bíblia, especialmente nas do Novo Testamento (Gl 1.6-9).

Era de se esperar a revelação porque a entrada do pecado no mundo sujeitou a criação à vaidade, tornando necessária a intervenção do Criador para redimi-la do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rom 8.20,21).

A revelação é necessária porque a razão humana é incapaz, por si mesma, de provar e saber qual é o significado da chamada (vocação) de Deus para o homem, aí incluído tudo o que se espera dele quanto à transformação de sua natureza pelo novo nascimento, à necessidade da expiação do pecado; vida de santidade para o serviço, culto, oração e adoração ao Senhor, neste mundo, bem como é pela revelação que se desvenda que a vida de Deus no crente vence a morte e é eterna.

Esta revelação, apesar de ter sido feita primeiro na vida, conforme estaremos estudando adiante, deveria ser registrada por escrito e também fechada, de forma que não viesse a ser adulterada, por acréscimos, eliminações ou modificações textuais, o que seria de se esperar, caso se baseasse apenas na tradição oral.

Graças a Deus, Ele não somente conduziu o processo de produção da Bíblia como também proveu os meios necessários para preservá-la ao longo do curso da história.

Muitos colocam-se contra a afirmação de serem as Escrituras (tanto do Antigo quanto do Novo Testamento) a verdade, argumentando, puerilmente, que elas são o produto da imaginação do homem, e mais ainda, que não podem ser infalíveis, posto terem sido imperfeitos os homens que as produziram, como todos os demais homens.

Ora, a isto respondemos que para revelar a verdade e para preservá-la através das sucessivas gerações da humanidade, Deus já havia planejado inspirar profetas, apóstolos e outros para serem ministros da Palavra, antes mesmo que estes tivessem chegado à existência (Jer 1.5; Gl 1.15,16).

Acrescente-se a isto, que apesar de pecadores, os autores da Bíblia foram antes, justificados e santificados pelo Espírito, e foram por Ele inspirados e conduzidos em tudo quanto escreveram.

Isaías seria instrumento de Deus, mas antes foi purificado pela brasa do altar. E o fogo purificador do Espírito Santo haveria de estar com ele durante todo o seu ministério.

Por oportuno, não podemos também esquecer que apesar de todos os homens serem iguais em sua constituição geral, há profundas diferenças entre estes no que tange às capacitações intelectuais e espirituais. Quantos estariam habilitados a serem um Moisés, que fez toda a vontade do Senhor, registrando os mandamentos da lei, sem uma vírgula a mais ou a menos ? Que registrou todos os detalhes do tabernáculo exatamente conforme o modelo que Deus lhe havia exibido no monte Sinai?

Uma das provas de que as Escrituras foram reconhecidas como de proveniência divina é o fato de terem sido amplamente citadas em seus sermões e escritos teológicos pelos chamados pais da igreja, ou pais primitivos (os primeiros pastores e doutores do cristianismo).
Todos os genuínos homens de Deus utilizaram-se da Bíblia, como a temos hoje, para o ensino da verdade, e não de outros escritos pseudoepigráficos (evangelho de Tomé por exemplo) e apócrifos, que já circulavam em seus dias. Quanto aos apócrifos é importante abrir um parêntesis para mencionarmos os livros apócrifos contidos na bíblia da igreja católica romana, que são os seguintes: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, I Macabeus e II Macabeus, e 4 acréscimos a Ester e Daniel, como a seguir: Ester (cap 10.4-16-24); Daniel (Cântico dos três varões – cap 3.24-90; História de Suzana – cap 13; Bel e o Dragão – cap 14).

A igreja romana aprovou os apócrifos como “canônicos” em 18 de abril de 1546, no Concílio de Trento, para combater o movimento da Reforma Protestante, então recente.

Nessa época, os protestantes combatiam as novas doutrinas da igreja católica romana: do purgatório, da oração pelos mortos, da salvação mediante as obras etc.

A igreja romana via nos apócrifos bases para essas doutrinas, e, apelou para eles, aprovando-os como se fossem canônicos.

É importante citar que houve prós e contras dentro da própria igreja de Roma, quanto ao reconhecimento dos citados livros.

Entretanto, o erro venceu, e a primeira edição da bíblia romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do Papa Clemente VIII.
Nenhum dos sessenta e seis livros canônicos dão apoio às falsas doutrinas contidas nos apócrifos. E é exatamente esta unidade doutrinária dos livros canônicos mais uma das provas que atestam a sua inspiração divina, pois, estando separados no tempo e em face da diversidade de situações em que foram produzidos, percebe-se que há em todos eles, do início ao fim, a referida unidade doutrinária.

Afirmamos que a Bíblia, como a temos, com os seus sessenta e seis livros, sem nenhum outro a mais ou a menos, é a verdade, e não que contém a verdade, porque sendo as Escrituras de proveniência divina, não possui partes inspiradas e outras não inspiradas por Deus. Todas são inspiradas, até aquelas que permanecem fechadas ao entendimento humano. Não é este o caso, em relação a muitos personagens e situações das profecias escatológicas, como as encontradas nos livros dos profetas e no Apocalipse ? Muito do que ali está revelado permanece ainda como enigma, até que Deus venha a revelar a quem e a qual ocasião se referem.

Homens foram inspirados pelo Espírito e profetizaram acerca da justiça do evangelho (Rom 1.1,2; 3.21; Hb 1.1; II Pe 1.19-21), muitos séculos antes desta ser revelada na pessoa de Cristo (Hb 1.2; 2.1-4; II Pe 1.19).

O cristianismo é uma religião revelada, e uma das provas desta revelação está no fato de que necessitamos da instrução do mesmo Espírito que inspirou a produção da Palavra para que possamos compreendê-la e praticá-la, vivendo conforme a vontade dAquele que a inspirou. Daí Paulo afirmar a necessidade que temos do Espírito Santo para entender o significado da vida cristã, mediante o que foi revelado por Deus a nós, pois cousas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente.

Por isso, a revelação foi feita primeiro na vida e depois nas Escrituras.

Os profetas e os apóstolos escreveram acerca do que viveram. E mesmo quando lhes foram reveladas cousas que se referiam ao futuro ou sobre a pessoa de Deus, Eles só puderam discernir que provinham dEle, ainda que não entendessem o significado do que lhes foi revelado (Dn 12.8), porque estavam em comunhão com o Senhor e haviam sido preparados por Ele para serem seus instrumentos no registro da Sua vontade.
É por isso que as doutrinas da Palavra não nos foram dadas simplesmente para serem objeto do nosso conhecimento, mas para serem experimentadas, isto é, vividas por nós. E é somente experimentando pela fé, que chegamos a conhecer que a Bíblia é a verdade, pois aquilo do que dá testemunho se revela real em nossas próprias vidas.

Afinal a meta do estudo das Escrituras não é o mero conhecimento intelectual do próprio texto bíblico, mas conduzir-nos ao conhecimento pessoal de Deus e de Sua vontade. Podemos dizer que a meta a ser atingida a de conhecer ao Senhor por meio da Palavra. Sabendo que o conhecimento que salva, isto é, que justifica, santifica e glorifica não é o conhecimento do que Deus é e nem o conhecimento sobre Deus, senão o conhecimento que é oriundo da comunhão pessoal com Ele, resultante de um encontro direto.

Os fariseus examinavam as Escrituras mas não entendiam o seu significado interior, porque não entregaram suas vidas a Jesus. Afinal, este é o propósito central da Bíblia.

Por exemplo, a Palavra ensina diretamente e em figura que desde a entrada do pecado no mundo, só podem se achegar a Deus aqueles que se arrependem do pecado e se reconhecem pecadores necessitados da Sua graça (estes são os humildes de espírito e quebrantados de coração que Jesus veio salvar e curar – Is 61.1-3); e que a base que assegura ao pecador tal aproximação e filiação a Deus é a morte e ressurreição de Jesus, por assim dizer, a obra expiatória da Sua morte, e a novidade de vida que nos é outorgada por meio da Sua ressurreição e habitação do Espírito Santo.

Mais do que o reconhecimento desta verdade, importa vivê-la, para que se possa além de entender que a Bíblia é a verdade, estabelecer e manter um relacionamento santo e reverente com Deus, pois, através da Palavra, o Espírito ensina-nos o temor devido ao Senhor, para vivermos sobretudo no Seu amor e poder.

Foi com tal objetivo primordial em mira que João declarou o propósito com que escreveu o evangelho (Jo 20.30,31). Na verdade este é o propósito com o qual foram escritos todos os livros da Bíblia, ainda que não declarado diretamente como João o fizera. Mesmo a lei de Moisés, foi dada para nos servir de aio para nos conduzir a Cristo.

Por isso, a Bíblia é diferente de todos os demais livros do mundo, em razão da sua inspiração divina (II Tim 3.16; II Pe 1.21), e é devido à inspiração divina que ela é chamada de Palavra de Deus (II Tim 3.16).

Inspiração divina é portanto a ação sobrenatural do Espírito Santo sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e a transmitir a mensagem de

Deus sem qualquer erro.

Todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas, e os escritores não funcionaram como máquinas inconscientes, tendo havido cooperação vital e contínua entre eles e o Espírito de Deus que os capacitava. O apóstolo Pedro afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras do seu vocabulário, porém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles escreveram foi a Palavra de Deus.

As Escrituras testificam de si mesmas quanto à sua inspiração divina. Isto é, há um testemunho interno na Palavra acerca da sua proveniência divina, daí se afirmar que a Bíblia é explicada com a própria Bíblia.

A Bíblia reivindica a si a inspiração de Deus, pois a expressão “Assim diz o Senhor”, como carimbo de autenticidade divina, ocorre mais de 2.600 vezes nos seus livros, além de outras expressões equivalentes.

A respeito da exatidão das Escrituras, dentre outros, o próprio Jesus deu os seguintes testemunhos:

a) Que nem um i ou til (menores sinais do alfabeto hebraico) jamais passariam da lei, até que o céu e a terra passem (Mt 5.18). Isto significa que elas permanecerão válidas até que Ele volte e sejam criados novo céu e nova terra, conforme prometido nas mesmas Escrituras.
b) Que a Escritura não pode falhar (Jo 10.35).
As Escrituras constituem o cânon (padrão, norma, regra) que deve reger a nossa fé e conduta (II Tim 3.16,17).
Paulo referiu-se às mesmas como o bom depósito da fé (II Tim 1.14) e recomendou aos seus cooperadores que mantivessem o padrão das sãs palavras (II Tim 1.13).
Ora, o que daí se depreende, não é que a própria Bíblia reivindica a Sua autoridade de ser a única e final palavra sobre as questões de fé e conduta, que devem reger o povo de Deus ?
Os apóstolos estavam convictos de que a doutrina que ensinavam e que haviam recebido de Jesus e do Espírito Santo, era de fato a Palavra de Deus, em pé de igualdade com as Escrituras do Velho Testamento (I Tes 2.13; II Pe 3.16; I Jo 1.1-4). Por isso, Deus mesmo, dado o caráter da Sua Palavra proíbe que algo lhe seja acrescentado ou retirado (Dt 4.2; Pv 30.5,6. Mt 5.19; Apo 22.18,19). Disto se depreende o cuidado que seus ministros devem ter ao pregá-la ou ensiná-la, de maneira que sejam fiéis embaixadores de Deus na transmissão da Sua vontade revelada.
Se a própria Palavra testifica a respeito de ser a Constituição do povo eleito, então, por nenhuma outra lei ou norma que com ela conflitue, deve ser regida a vida dos santos.
Daí serem muitas as recomendações no sentido de que os ministros do evangelho tenham o cuidado diligente de manter o padrão (cânon) das Escrituras, e, especialmente da doutrina do evangelho (I Tim 1.3,4; 4.16; 6.20,21; II Tim 2.15-18), rejeitando e combatendo todo ensino que não se conforme com a Palavra (Rom 16.17,18; I Jo 2.26; 3.7; 4.1; II Pe 3.15-17; Jd 17-19; Gl 1.6-9; Tt 3.10; II Jo 9-11).
A prova da inspiração das Escrituras está principalmente no fato de que todos os seus livros apontam para Jesus e Sua obra de restauração, sendo Ele mesmo o Profeta, Sacerdote e Rei enviado e designado pelo Pai para redimir a criação, instruí-la na verdade e transportá-la do império das trevas, para o reino da Sua luz. As mesmas Escrituras testemunham do trabalho do Espírito Santo no estabelecimento do reino de Cristo.
Podemos dizer que as obras que Jesus fez em Seu ministério terreno e que continua fazendo através da igreja, provam que Ele é de fato o enviado de Deus do qual a Bíblia testifica, pois nenhum outro realizou ou tem realizado as obras que Ele recebeu do Pai para executar sobre a Terra.
Maomé, Buda ou qualquer outro não se encaixam nas profecias bíblicas. É somente em Cristo que vemos o cumprimento de tudo quanto está profetizado diretamente ou em figura, na Palavra, a Seu respeito.
O Enviado de Deus (Jesus) realizou e continua realizando através da sua igreja, as obras que recebeu do Pai para efetuar sobre a terra. Nenhum outro realizou ou tem realizado as obras que somente Ele pode operar e que comprovam que Ele é de fato o Ungido, o Salvador, o Senhor, conforme testificam as Escrituras.
Nele se cumpriram as Escrituras, como Ele mesmo declarou (Mt 5.17).
Os demônios continuam sendo expulsos por Aquele que pisa cabeça da serpente, conforme revelado desde o livro de Gênesis.
Pessoas de todas as nações continuam entrando no Reino de Deus, conforme prometido e revelado a Abraão.
O cumprimento das profecias e os milagres que são somente por meio de Jesus e do Seu nome, pois Ele mesmo realiza a Sua obra através de nós, testificam que tudo quanto se diz nas Escrituras, a Seu respeito, é a verdade.
A própria Bíblia testifica que Deus confirmava que a Palavra que estava sendo pregada pelos apóstolos é a verdade, com a operação de sinais e prodígios (Mc 16.20; At 14.3).
É por isso que em todos os avivamentos que ocorreram e têm ocorrido na história da igreja, sempre há um retorno à prática da Palavra de Deus, exatamente na forma como se encontra registrada na Bíblia.
Quando crentes ou igrejas inteiras decidem viver segundo a doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e dos apóstolos, o resultado sempre será a experimentação de avivamentos produzidos pelo Espírito Santo.
De igual modo, o poder de Deus sempre há de acompanhar a pregação e o ensino que se fundamentem na correta exposição da Sua Palavra, dando-se desta forma testificação pelo Espírito Santo acerca da sua inspiração divina.
Afinal, aprouve a Deus salvar aos que crêem pela pregação (I Cor 1.21), e a pregação deve ser mediante a palavra de Cristo (Rom 10.17).
O mesmo Espírito que inspirou a produção da Palavra é o que inspira o pregador a explicá-la, expondo-a com autoridade e poder. Não é a pregação portanto uma simples leitura do texto bíblico, mas o uso que o Espírito faz das faculdades do pregador enquanto este apresenta a explicação da Palavra que lhe foi indicada pelo Espírito Santo.

A Palavra assim pregada passa a ser viva e operante, e é esta que salva e edifica. Há assim, uma testificação dupla e harmoniosa da inspiração divina da Palavra pregada, tanto da que está registrada na Bíblia, quanto da que foi dada por instrução e direção do Espírito Santo ao pregador para a exposição da verdade bíblica.

Pr Silvio Dutra


6 COMENTÁRIOS

  1. Ola Silvio estou escrevendo porque vejo que este estudo contém alguns erros históricos em relação a origem da Biblia Catolica.

    Não sei de onde tirou estas informações,contudo,quem te disse isto faltou com a verdade.

    1)NÃO FOI no seculo XVI com o Concilio de Trento e com o papa Clemente VIII que a ICAR aceitou oficialmente os deuterocanonicos que a vcs chamam de “apocrifos”.Tal fato ocorreu SIM NO CONCILIO DE ROMA PRESIDIDO POR DAMASO I EM 382.

    2)Dizer que a ICAR criou estas novas doutrinas(purgatorio,salvação pelas obras) para combater o Reforma Portestante.Veja que nesta mesma pagina vc acessa o estudo do pastor Errol onde ele diz que em 593 surgiu a doutrina do Purgatorio catolico.Enfim,ainda que ele falasse a verdade,já teriamos esta “invenção catolica” a quase mil anos.Vc considera nova uma ideia de 1000 anos ? Na verdade vou te transcrever trechos que mostram que tal doutrian já era ensinada nosa tempos apostolicos.

    Ocorre que a Igreja Católica, desde o início, utilizou a tradução grega da Bíblia chamada Septuaginta ou Versão dos Setenta (LXX). Essa tradução para o grego foi feita no séc. III aC, em Alexandria (Egito), teria sido realizada por setenta e dois sábios em virtude da existência de uma grande comunidade judaica nessa cidade que já não mais compreendia a língua hebraica. Na época em que foi feita essa tradução, a lista (cânon) dos livros sagrados ainda não estava concluída, de forma que essa versão acabou abrigando outros livros, ficando mais extensa.

    Essa foi a Bíblia adotada pelos Apóstolos de Jesus em suas pregações e textos: das 350 citações que o Novo Testamento faz dos livros do Antigo Testamento, 300 concordam perfeitamente com a versão dos Setenta, inclusive quanto às diferenças com o hebraico. Por volta do ano 90 dC, os judeus da Palestina se reuniram em um sínodo na cidade de Jâmnia e estabeleceram alguns critérios para formarem o seu cânon bíblico.

    Esses critérios eram os seguintes:

    1. O livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel.

    2. O livro não poderia conter passagens ou textos em aramaico ou grego, mas apenas em hebraico.

    3. O livro não poderia ter sido redigido após a época de Esdras (458-428 aC).

    4. O livro não poderia contradizer a Lei de Moisés (Pentateuco).Assim, os livros escritos por aquela enorme comunidade judaica do Egito não foram reconhecidos pelo sínodo de Jâmnia, por causa de seus critérios ultranacionalistas.

    Também em virtude desses critérios, o livro de Ester – que em parte alguma cita o nome de Deus – foi reconhecido como inspirado mas somente a parte escrita em hebraico; os acréscimos gregos, que incluíam orações e demonstravam a real presença de Deus como condutor dos fatos narrados, foram completamente desprezados, deixando uma lacuna irreparável. Os livros não reconhecidos pelo sínodo da Jâmnia e que aparecem na tradução dos Setenta são tecnicamente chamados de deuterocanônicos, em virtude de não terem sido unânimemente aceitos. São, portanto, deuterocanônicos no Antigo Testamento os seguintes livros: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1Macabeus e 2Macabeus, além das seções gregas de Ester e Daniel.

    Com a dúvida levantada pelo sínodo de Jâmnia, alguns cristãos passaram a questionar a inspiração divina dos livros deuterocanônicos. Os Concílios regionais de Hipona (393), Cartago III (397) e IV (419), e Trulos (692), bem como os Concílios Ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870), confirmaram a validade dos deuterocanônicos do Antigo Testamento, baseando-se na autoridade dos Apóstolos e da Sagrada TradiçãoDa mesma forma como existem livros deuterocanônicos no Antigo Testamento, também o Novo Testamento contém livros e extratos que causaram dúvidas até o séc. IV, quando a Igreja definiu, de uma vez por todas, o cânon do Novo Testamento.

    São deuterocanônicos no Novo Testamento os livros de Hebreus, Tiago, 2Pedro, Judas, 2João, 3João e Apocalipse, além de alguns trechos dos evangelhos de Marcos, Lucas e João. Com o advento da Reforma Protestante, os evangélicos – a partir do séc. XVII1 – passaram a omitir os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento. Alguns grupos mais radicais chegaram – sem sucesso – a tentar retirar também os livros deuterocanônicos do Novo Testamento. É de se observar, dessa forma, que caem em grande contradição por não aceitarem os deuterocanônicos do Antigo Testamento enquanto aceitam, incontestavelmente, os deuterocanônicos do Novo Testamento.

  2. Sobre o purgatorio:

    “Quanto ao fundamento, ninguém, pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstra-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo” (1Cor 3,10-15). Paulo fala dos pregadores do Evangelho, que haveriam de edificar a Igreja sobre os alicerces lançados por ele durante suas viagens missionárias. Uns edificariam com muito zêlo (com ouro, prata e pedras preciosas), outros seriam porém, pouco zelosos (edificando com madeira), outros seriam negligentes (edificando a Igreja com feno ou palha). De qualquer forma o “dia do Julgamento” demonstraria o que “vale o trabalho de cada um”. Se a construção resistir, isto é se o ministro edificou com amor, “o construtor receberá a recompensa”. Se o ministro foi pouco zeloso pela Igreja, “arcará com os danos”. Porém ele será salvo apesar de tudo. Como? Sendo purificado, ou seja, “passando de alguma maneira através do fogo”, isto é, após o dia do julgamento particular, alguns ministros de Deus deverão ser purificados devido ao pouco zêlo para com as coisas da Igreja de Deus.

    “Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…) Por isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito.” (1Ped 3,18-19; 4,6). Esta “prisão” ou “limbo dos antepassados”, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, é figura do purgatório. Com efeito, o texto menciona que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um lugar onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, portanto não é o inferno. Não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, portanto ainda não é o céu. Mas é um lugar onde os espíritos aguardavam a salvação. Salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo. Por isto, declara o apóstolo, foi o “Evangelho pregado também aos mortos(…) para que vivam segundo Deus quanto ao espírito”.

    “Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados [dos soldados mortos em batalha]: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (2Mac 12,43-46). O general Judas Macabeu (160 aC), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos e que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos estavam em algum local ou “estado” de purificação, pois se estivessem nos céus, as oração dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos.

    “De outra maneira, que intentam aqueles que se batizam em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se batizam por eles?” (1Cor 15,29). Paulo cita aqui, uma prática cuja índole na verdade desconhecemos. Segundo alguns estudiosos, os primeiros cristãos preocupados com a sorte eterna de seus pais ou avós que não haviam conhecido o Evangelho e, consequentemente, não puderam ser batizados, praticavam algum rito ou oração para que seus parentes ganhassem de alguma forma a salvação, “batizando-se” no lugar deles. O apóstolo Paulo não condena este “batismo” pelos falecidos, antes, lança mão justamente dele como argumento precioso da fé dos cristãos na ressurreição geral dos mortos. De fato, esta prática demonstra a preocupação dos primeiros cristãos com relação à salvação de seus pais, antepassados e amigos, traduzida em algum rito ou oração pelos mortos, por nós hoje desconhecida.

    A oração pelos mortos aliás, era uma prática constante entre os primeiros cristãos, como atestam ainda hoje inscrições em numerosos túmulos e arcas funerárias cristãs daqueles primeiros tempos, bem como em textos dos primórdios que chegaram até nós. Eis alguns exemplos:

    “Oferecei também a régia Eucaristia (…) oferecei-a orando pelos mortos” (Didascalía dos Apóstolos [meados do séc. III]).

    “Caso (na Eucaristia) se faça a memória em favor daqueles que faleceram…” (Cânones de Hipólito [séc. III]).

    “Por todos os defuntos dos quais fazemos comemoração, assim oramos: Santifica estas almas …” (Serapião de Tmuis [meados do séc. IV]).

    “Oremos pelo repouso de … a fim de que Deus bom, recebendo a sua alma, lhe perdoe todas as suas faltas” (Constituições Apostólicas [séc. IV]).

    “Os apóstolos instituíram a oração pelos mortos…” (S. João Crisóstomo [+407], In Philipp. III, 4).

    “Desta afirmação (Mt 12,31), podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras no século futuro” (S. Gregório Magno [séc. V], Dial. 4,39).

    “O irmão que as compreender, queira orar por Abércio” (inscrição funerária cristã [séc. II]).

    “Este túmulo, Iperéquio preparou-o para a sua benemérita esposa Albínula. Deus alivie o teu espírito” (inscrição funerária cristã [ano 268]).

    “Jejuai todos por mim, a fim de que Deus seja misericordioso para com minha alma” (inscrição funerária cristã [séc. IV]). etc… etc…

    Conclusão: o cristão, que não ora pelos seus mortos, comete pecado contra a caridade que devemos ter para com os nossos irmãos falecidos, conforme o ensino bíblico: “Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses este benefício a um morto” (Eclo 7,37).

    Veja que são testemunhos biblicos e dos primeiros anos cristãos.Creio que bem poucos aqui tem a audacia de considerarem-se melhores servos de Cristo que as priemrias gerações doutrinadas diretamente pelos apostolos ou por seus discipulos diretos como Lucas,Tito,Timoteo,Inacio de Antioquia e Clemente I de Roma.

    Estes homens não eram isentos de pecados,mas deram a vida em martirio pelo evangelho e tiveram os melhores professores da Fé Cristã de todos os tempos.Será mesmo que praticariam ritos pagãos disfarçados? Será mesmo que foi preciso esperar a vinda de um “heroico” Lutero pra “resgatar” o cristianismo das “trevas papistas”?

  3. Noto ainda que acho curioso Lutero falar e vcs terem aceitado a slogan:”sola Biblia”.

    Se lermos do Gênesis ao Apocalipse NÃO VAMOS ENCONTRAR QUALQUER LISTA DEFININDO QUAIS SÃO OS LIVROS CANÔNICOS.Então o reformador alemão se baseia no Canon de Jamnia de 90 DC. Usa,portanto, a Tradição Rabinica dos fariseus(que curiosamente liam bem a Biblia e mataram Jesus).O mesmo Lutero fala que é antibiblico o uso da Tradição Apostolica Cristã legada aos bispos catolicos.

    Muito interessante e bem contraditorio.Os sucessores dos apostolos seriam uns “corrompidos” e não deixaram nada de útil e/ou canônico para posterioridade cristã.Os rabinos fariseus, que na mesma época, perseguiam e incitavam o Imperio Romano(ver Atos dos Apostolos e o Martirio de São Policarpo no ano 160 DC) contra os cristãos estes Lutero ouve e aceita.

    Deixo abaixo umtexto de Alessandro Lima sobre o canon de Jamnia:

    POR QUE A IGREJA CATÓLICA ACEITA OS LIVROS APÓCRIFOS DO AT SENDO ESTES NÃO CONSIDERADOS PELOS JUDEUS NO SEU CÂNON? O ANTIGO TESTAMENTO FOI DADO AOS JUDEUS E NÃO A IGREJA CATÓLICA E NEM A PROTESTANTE, COMO PODE ENTÃO O CATOLICISMO SE ENTROMETER EM ASSUNTO ALHEIO.

    Prezado E.,

    O cânon do AT não foi dado por Deus aos Judeus. Se isso fosse verdade, não precisaria que os fariseus de Jâmnia (1) no ano 90 d.C definissem um cânon para os judeus, não é mesmo? Ora, eles resolveram fechar o cânon hebreu porque este mesmo cânon ainda estava em aberto. Isso está registrado até na Mishiná (2) no tratado Yaddyim IV,6. Lógico que os livros canônicos do AT já existiam, mas não existia ainda uma lista que definia quais livros deveriam ser considerados canônicos pelos judeus. Também é verdade que a falta de uma lista oficial não impediu que muitos dos livros disponíveis gozassem de caráter canônico, já que foram transmitidos pelo Magistério e Tradição judaicos.

    Um outro equívoco bastante comum sobre este assunto é dizer que os fariseus definiram o cânon do AT. Não, eles definiram um cânon hebraico, isto é, os livros que segundo eles deveriam ser considerados canônicos por todos os judeus sobre a terra. Eles recusaram as escrituras cristãs que já circulavam entre os judeus e levavam muitos à conversão a Cristo. Toda escritura que oferecia perigo à religião judaica foi limada, inclusive os livros produzidos em grego ou fora da terra de Israel (Tobias, Judite, Lamentações de Jeremias, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria de Sirac, Eclesiástico, e adições de Daniel e Ester). A decisão de quais livros ficariam ou não no cânon deles foi arbitrária, como é atestado [pasmem!] pela própria Mishiná (cf. Yadvim III 5 cd). Livros como Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Ezequiel e Ester quase foram arrancados. E se tivessem sido significa que nunca foram considerados canônicos? Significaria que nunca tiverem prestígio no seio do Judaísmo? Logo se vê que os arbitrários fariseus de Jâmnia poderiam ter considerado apócrifos livros que são canônicos.

    O fato dos deuterocanônicos estarem incluídos na tradução grega das escrituras hebraicas (a Septuaginta ou Tradução dos Setenta), e vários manuscritos deles terem sido descobertos nas cavernas do Mar Morto de Massada não dizem nada?

    A Igreja Católica ao dizer quais livros pertencem ao Cânon Bíblico, não está se intrometendo, pois só há intromissão quando alguém trata de um assunto que lhe é alheio. Jesus deu as chaves do Reino dos Céus e o poder de “ligar e desligar”, isto é decidir o que é certo e errado, a Pedro (cf. Mt 16,16-18). Jesus não deu esse poder aos fariseus do séc. I que no ano 90 d.C resolveram definir um arbitrário cânon hebraico. Diga-me que autoridade os fariseus tinham para definir um cânon bíblico em plena Era Cristã? Já que em plena Era Cristã o cânon das escrituras hebraicas ainda estava em aberto, a quem os cristãos devem obedecer: aos fariseus de Jâmnia ou aos Sucessores dos Apóstolos? Que autoridade possuía o ex-padre e apóstata Martinho Lutero para dizer o que é Escritura e o que não é? As chaves do Reino foram dadas a Lutero ou a Pedro? Se dependesse dele, não só AT protestante estaria mutilado, mas também o NT, pois ele rejeitou também Judas, Hebreus, Tiago e Apocalipse. Felizmente reformadores posteriores resolveram colocar estes livros novamente na Bíblia protestante, pena que não fizeram o mesmo com os Deuterocanônicos.

    Como fica então o slogan protestante “Somente as Escrituras” se a definição da Escritura dependeu de autoridade da Igreja Católica para existir?

    Notas

    (1) O Sinédrio que era a autoridade civil e religiosa para os judeus, foi destruída após a invasão de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. A autoridade judaica se restabeleceu anos depois em Jâmnia na Palestina, sob o comando dos Fariseus. Daí é que surge o atual judaísmo rabínico.

    (2) Compilação da “Tradição dos antigos” (cf. Mc 7,3-5).

  4. outra coisa recorrente entre os ditos “evangelicos” que escrevem neste site e outros e o modo como abreviam o nome da IGREJA CATOLICA APOSTOLICA ROMANA.Se fossem bem intencionados usariam o nome copleto pra designar aa instituição.Tiram a palavra apostolica com objetivo unico de negar que no catolicismo haja qualquer coisa de cristão.Os que assim agem encobrem o fato de que a Reforma Protestante negou aspectos basicos das primitivas comunidades cristãs.
    Ex: o uso da Septuagina a tradução grega com os livros que Lutero é que renegou porque desmentiam suas heresias protestantes.
    Basta ler a carta de Clemente I que foi bispo de Roma na decada de 90 DC,as cartas de Agostinho de Hipona,de Basilio e tantos outros autores dos 4 primeiros seculos cristãos.

    Outro erro que aponto é a insistência com que muitos dizem que na Igreja Catolica ensinamos que as boas obras podem salvar.ISTO É UMA MENTIRA DE PESSOAS QUE NUNCA SE DERAM AO TRABALHO DE LER OCATECISMO CATOLICO.

    O cristão precisa ter fé,precisa praticar boas obras e mesmo estas não teria força pra praticar se não receber a graça santificante concedida livremente por Deus.Se alguem disto discorda então critique a Epistola de Tiago e as proprias palvras de Cristo que nos mandam praticar esmolas,dividir seus bens com os mais necessitados,alimentar os que estão famintos e etc….

    Se apenas a pura e simples fé em Cristo Jesus salvasse então ATÉ OS DEMONIOS ESTARIAM SALVOS JÁ QUE ESTES NUNCA DUVIDARAM QUE JESUS É O SENHOR.

    • Muita Paz; Sr; Leandro, gostaria que o Sr, comentasse sobre uma carta confissão do Bispo Jerônimo, acerca da adulteração das Escrituras a mando do Papa Damazo ou Damásio,
      não estou a procura de contendas, mas de esclarecimentos, pois busco a verdade.
      Grato pela sua atenção.
      Muita Paz..

    • Os demonios estão salvos por que nunca duvidaram que Jesus é o Senhor? Qual a base biblica?
      Então o homem ladrão crucificado na Cruz que nao duvidou que Jesus é o Senhor, que não se batizou, nao recebeu a eucaristia, nao deu esmolas, nao fez boas obras, está aonde, no paraiso, no ceu, no purgatorio ou no inferno?

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