A Constituição da Liberdade Cristã

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A epístola de Paulo aos Gálatas recebe a classificação muito apropriada de Constituição da Liberdade Cristã.
E neste sentido enfoca muito mais do que a liberdade individual dos crentes, como sobretudo a das próprias igrejas de Cristo.

Esta epístola é o melhor argumento para confirmar a liberdade e independência de cada igreja genuinamente cristã.

Liberdade não apenas do jugo da Lei de Moisés, como também a relativa à intenção de se estabelecer uma liderança única e centralizada para a igreja como um todo, ou mesmo a grupos de igrejas.

Se fizéssemos apenas uma leitura do texto de Gálatas, sem qualquer conhecimento prévio do seu contexto histórico, ou seja, da ocasião e dos motivos que levaram o apóstolo Paulo a escrevê-la, certamente, seria muito difícil perceber o significado desta liberdade e independência.
Por isso, faremos uma breve resenha relativa ao referido contexto histórico, com o propósito de facilitar a compreensão do conteúdo da citada epístola.

Então vejamos:

Paulo havia evangelizado em sua primeira viagem missionária, a região da Ásia Menor, que compreendia entre outras as cidades de Perge, Icônio, Listra e Antioquia da Psídia. Região esta, habitada em sua grande maioria por pessoas gentias, ou seja, por não judeus.

Assim, a igreja que aí fora fundada pelo apóstolo, foi classificada por igreja da incircuncisão, ou seja, composta por aqueles que não eram circuncidados em seu prepúcio, tal como o eram os judeus.

Como os judeus, mesmo cristãos, mantinham o costume ordenado na Lei de Moisés, de circuncidarem seus filhos, e todos aqueles que se convertiam ao judaísmo, houve uma ação, depois que Paulo havia se retirado da região da Galácia, da parte de alguns judeus, no sentido de obrigarem os gálatas que haviam se convertido a Cristo a se circuncidarem, sob a alegação de que não poderiam ser salvos, caso não o fizessem.

Muitos gálatas se deixaram levar por tal argumentação, e estavam recuando na fé em Cristo, porque estavam colocando agora a sua confiança de que somente poderiam ser salvos, tornando-se filhos de Deus, caso guardassem toda a Lei de Moisés, inclusive a relativa aos mandamentos civis e cerimoniais da citada Lei.

Contra este falso ensino, o Espírito Santo se levantou, e inspirou e moveu o apóstolo Paulo não somente a escrever a carta aos Gálatas, como também a se dirigir à igreja da incircuncisão, sediada em Jerusalém, para que com toda a igreja reunida juntamente com os seus apóstolos e presbíteros, ficasse determinado que os gentios não estavam obrigados a viverem como os judeus para que pudessem ser aceitos por Deus como Seus filhos.

Além disso, deveria ser deixado de modo muito claro que o mandamento da circuncisão fora dado exclusivamente aos judeus, na Antiga Aliança, e não aos gentios, e mesmo assim, nunca fora dado como condição para a salvação da alma de ninguém, inclusive dos próprios judeus, porque o modo de salvação de Deus, é sempre pela graça, mediante o arrependimento e a fé.

E nenhum gentio deveria ser considerado subordinado à igreja de Jerusalém, e muito menos a igreja gentia ser considerada como uma igreja inferior a dos judeus, porque todos os que crêem em Cristo formam um só espírito e corpo com Ele.
Não há duas igrejas aos olhos de Deus. Ou uma mais importante do que outra.

Pr Silvio Dutra


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