Vivendo ou Caindo na Real

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O que descrevo adiante pode parecer um desabafo, mas não é desabafo – é a pura verdade.
Desapareceu o honesto da face da Terra?
Não. Ele nunca passou por aqui, com exceção de Adão antes da queda no pecado, e de nosso Senhor Jesus Cristo em seu ministério terreno.
Parece um grande exagero afirmar isso, no entanto, considere-se que honestidade não é apenas algo em relação ao uso correto do dinheiro, mas abrange todos os aspectos da vida em relação a sermos verdadeiros e sinceros em demonstrações de sentimentos, emoções, ações – enfim, agir em estrita conformidade com o que é justo e santo.

Então, o que se há de ver são graus maiores ou menores de desonestidade.
Há aquela que traz grande prejuízo a muitos, como a corrupção desenfreada que se tem visto nos poderes públicos desta nação, quando o dinheiro desviado dos cofres públicos traz prejuízos a várias pessoas que dependem dos serviços de saúde pública, educação, segurança, para não citar outros.
O síndico ou administradora, que surrupia o dinheiro do condomínio, traz prejuízos financeiros aos condôminos, como também impede que os serviços e manutenção prediais sejam realizados a contento.

Mas também há graus menores de desonestidade quando prestadores de serviços ou de venda de bens cobram mais do que deveriam, pois neste caso, o prejuízo pode ser consentido pela parte prejudicada ou não.
Na área sentimental, quantos danos não pode produzir uma desonestidade com o cônjuge, em adultérios, ou por negar-lhe o que lhe é devido?
Quanto sofrimento é produzido no mundo por falsidade nos relacionamentos?
A lista é imensa e não necessitamos prolongá-la porque está diante dos olhos de todos o aumento galopante da iniquidade, da falta de amor ao próximo, da violência física e moral, da crueldade, da implacabilidade, da fornicação, da impureza, da soberba, da futilidade, enfim, da impiedade em todos os aspectos que possam ser considerados.

Então podemos entender porque nosso Senhor Jesus Cristo disse que veio ao mundo buscar pecadores e injustos, porque é somente isto o que o mundo tem para lhe oferecer.
Não poderia ter vindo para justos e santos porque simplesmente eles não existem.
Ele veio chamar pecadores ao arrependimento, para começarem a mudar esta tragédia que assola a vida de todos nós, a saber, a de sermos escravos do pecado.
É pela implantação de um novo princípio de vida na mente e no coração, pela habitação do Espírito Santo, que Deus começa o seu trabalho de purificação de tudo o que deve ser limpo em nós, e de destruição da inclinação para o mal, que é o hábito da velha natureza terrena.

Além disso, por essa nova inclinação para o bem, podemos não somente resistir ao que é mal e injusto, como também a buscar o que é justo e santo.
Se antes tínhamos prazer em buscar aquilo que podia ofender a Deus, ao nosso próximo e prejudicar a nós mesmos, agora, em Cristo, passamos a ter aversão por tais práticas.
Se antes, não éramos sensíveis ao assunto da justiça e da santidade, agora, temos todo o nosso interesse concentrado nisto.
Olhemos então o mundo com os olhos de Jesus. Ele sabia com o que e com quem teria que lidar. Sabia que não deveria ficar escandalizado com os ladrões, porque senão como poderia ter conduzido um ladrão arrependido ao paraíso logo após a extrema agonia que havia sofrido na cruz?

Se estivesse dominado por sentimentos moralistas, não teria ajudado a qualquer pecador, porque por este sentimento somos levados a julgar e a condenar os outros, e não a nos compadecermos deles, orarmos por eles, e esperar que Deus por fim os salve do pecado e da condenação eterna.
Em todo o caso, ainda que não se convertam, manteremos a paz em nossos corações, e não ficaremos perturbados com toda a iniquidade que vemos no mundo, pois sabemos que no fim, bem irá ao justo, e que aqui embaixo ele pode contar sempre com a ajuda e a proteção de Deus.


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