Um Desagravo a João Calvino

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“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.” (Hebreus 13.7)

Cumprindo o preceito bíblico de honrar a quem é devida a honra (Rom 13.7) temos ultimamente postado alguns textos de Calvino, dando a muitos deles uma especial atenção ao trabalho que estamos fazendo relativo à sua tradução, por serem inestimáveis joias de interpretação da verdade revelada.

Calvino foi sem dúvida o mais expressivo instrumento de Deus na Reforma Protestante quanto à escrita da sistematização da doutrina do Evangelho, assim como Lutero foi o seu campeão para confrontar pessoalmente aqueles que por séculos vinham mantendo na mais completa obscuridade a verdade central do Evangelho da justificação pela graça, mediante a fé somente.

Tão empenhados estavam todos eles em fixar esta verdade de forma tão firme, conforme eram dirigidos pelo Espírito Santo, que dedicaram-se especialmente aos temas da eleição e da justificação, muito mais do que aos outros temas relativos ao Evangelho; apesar de terem feito uma abordagem geral de toda a doutrina bíblica.


Isto responde ao fato de Calvino ter sido tão refutado por alguns segmentos da Igreja, pela forma como discorreu sobre a doutrina da predestinação e eleição.
Todavia, não se lhe faz justiça quando é atacado ou rejeitado por este mero motivo, uma vez que, nem mesmo é interpretado do modo devido, especialmente quanto às suas intenções ao discorrer sobre o assunto.

Ele falou da eleição dando toda a glória a Deus e atribuindo-a somente a Ele, bem como todas as demais partes da salvação (justificação, regeneração, santificação e glorificação) à exclusiva soberania de Deus, o que, de fato, está conforme ao conjunto de ensino das Escrituras, até mesmo no Velho Testamento.

Dotado de uma mente profunda e brilhante, e de um espírito sensível ao toque e direção de Deus, Calvino estabeleceu as bases de uma teologia eminente e irretocavelmente bíblica, que acabou por ser conhecida pelo seu nome (Calvinismo), e tão fiel à verdade estava a sua interpretação, que tem sido ainda a base da Teologia Reformada, inspiradora de todos os puritanos ingleses e americanos, tendo tido posteriormente vários expoentes que se destacaram na sua apresentação como por exemplo, Charles Haddon Spurgeon, George Whitefield, Jonathan Edwards, D. M. Lloyd Jones, Arthur W. Pink, John Macarthur, John Piper, Paul Washer, e muitos outros de igual quilate que apoiam a chamada teologia calvinista.

Mesmo aqueles que sustentam o ponto de vista arminiano, aceitando a possibilidade da perda da salvação, com o que os calvinistas não concordam, têm também muitos pontos em comum com o que foi ensinado por Calvino, pois afinal de contas, temos nele a mais pura e fiel interpretação bíblica.

Não há motivos para crermos no estigma injusto que foi espalhado em relação a Calvino, gerando preconceito contra ele, uma vez que não tratou friamente o assunto da predestinação, como injustamente afirmam por desconhecerem o todo dos seus escritos, pois ao falar da forma como falou da eleição para a salvação, seu grande intento era o de demonstrar que não há nenhum mérito em nós, pecadores, para operarmos a própria salvação. E devemos ter em conta que todos os reformistas estavam se opondo bravamente à teologia que dominava o mundo por séculos, e que se baseava nas obras dos homens, e não simplesmente na graça e na fé em Jesus Cristo.

Então, como temos na predestinação e eleição o melhor argumento contra a afirmação de uma salvação por obras, não é de se estranhar que os reformadores tenham dado tanto espaço para discorrer sobre este assunto, como por exemplo, do que sobre o da santificação, uma vez que neste as obras são também contempladas, e serviria de munição para os opositores da Reforma caso eles se debruçassem somente sobre o mesmo.

Pr Silvio Dutra

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