Lembre-se!

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Partes de um sermão de Charles Haddon Spurgeon, traduzidas e adaptadas pelo Pr Silvio Dutra.

“Lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egito e de que o Senhor, teu Deus, te remiu;” (Deuteronômio 15.5)

Em uma autobiografia de William Jay, lemos que em uma ocasião ele foi chamado para ver o famoso Sr. John Newton, em Olney, e ele observou que sobre a mesa em que estava acostumado a compor seus sermões, ele havia escrito em grandes letras as seguintes palavras: “Lembre-se que você era um escravo na terra do Egito, e o Senhor teu Deus te resgatou”.

O Sr. Newton viveu e agiu sob a influência da memória dos comandos deste texto, como foi observado naquela manhã em sua conversa com o Sr. Jay. “Senhor”, disse Newton, “Eu estou contente em vê-lo, pois acabei de receber uma carta do Sr fulano de tal, residente em Bath, e você talvez possa me ajudar na resposta a ele. Mr. Jay respondeu que o homem era uma pessoa horrível, tinha sido um ouvinte do Evangelho, mas tornou-se um líder em todos os vícios. “Mas, senhor”, disse Newton, “ele escreve muito penitentemente? Talvez uma mudança possa ter ocorrido a ele.” “Bem”, disse Jay, “Eu só posso dizer que, se alguma vez ele se converteu, então eu não devo perder a esperança sobre qualquer pessoa.” “E eu”, disse Newton, “nunca tenho perdido a esperança de ninguém desde que eu me converti.”

Então, você vê, como ele pensava deste pobre pecador em Bath, ele estava se lembrando que ele, também, foi um escravo na terra do Egito e que o Senhor seu Deus o tinha resgatado. E por que não deveria a mesma redenção chegar até este transgressor notório e salvá-lo? A memória de sua própria mudança graciosa de coração e de vida deu-lhe ternura no trato com os que erram e esperança em relação à sua restauração. Que tal efeito bom seja produzido em nossas mentes – não somos todos chamados a ser anunciadores do Evangelho, mas em qualquer capacidade de um santo, um efeito benéfico santificador será produzido sobre uma mente sã, lembrando que somos escravos, mas que o Senhor nosso Deus nos redimiu. Que o Espírito Santo, a esta hora, traga a maravilhosa graça de Deus à nossa lembrança!

Quanto ao fato particular da redenção de Israel do Egito, deveriam ter muito cuidado para que fosse lembrada. O mês em que saíram foi estabelecido como o primeiro do ano (Êxodo 12.12). Uma injunção especial foi criada com o propósito de que a libertação pudesse ser comemorada no dia da Páscoa, para que não se esquecesse o cordeiro imolado e a aspersão do sangue que foram apresentados para a libertação deles.
A Palavra do Senhor ordenou, dizendo: “E este dia vos será por memória, e vocês devem mantê-lo numa festa para o Senhor pelas vossas gerações, por estatuto perpétuo.” Eles foram intimados, também, a instruírem seus filhos sobre isso, de modo que, além de um cerimonial havia também uma tradição oral a ser passada de pai para filho (Deuteronômio 6.20,21).

Sua lei dos Dez Mandamentos começou com um lembrete deste notável fato -“Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão: não terás outros deuses diante de mim.”

Agora, Amados, se o judeu foi tão cuidadosamente instruído a lembrar-se da sua libertação do Egito, não deveríamos, também, tomar cuidado em relação a nós mesmos de maneira a nunca esquecermos a nossa ainda maior redenção através do sangue precioso de Cristo, pelo qual fomos libertados do jugo e da escravidão do pecado?
Veja como Paulo, em Efésios 2.11-13, nos fala que fomos chamados pela graça desde os confins da terra – “2.11 Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, 2.12 naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. 2.13 Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. “

Ele coloca o mesmo pensamento em outras palavras, em Romanos 6.17,18, onde diz: ” 6.17 Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; 6.18 e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.” Paulo queria nos lembrar de nossa redenção. E Deus, o Espírito Santo, que falou por Paulo queria nos lembrar!
Em primeiro lugar, vamos considerar nossa escravidão. Foi extrema como a escravidão dos filhos de Israel no Egito. Há muitos pontos nos quais um paralelo pode ser traçado. Vamos indicá-los em poucas palavras. Em primeiro lugar, quando estávamos não regenerados e vendidos sob o pecado, fomos escravizados por um grande poder contra o qual não podíamos lutar. Teria sido de nenhuma utilidade para os israelitas iniciaram uma insurreição contra o Faraó, ele estava muito firmemente estabelecido no trono e seus soldados, de longe, eram fortes demais para as pobres e fracas tribos de Israel.

A Queda no pecado nos deixou também “sem força”. A Lei, com toda a sua força, é “enfraquecida pela carne.” Infelizmente, o homem não tem um coração voltado para a liberdade espiritual, caso contrário, o Senhor iria dar-lhe poder. Assim, aquele que está acostumado a fazer o mal não pode aprender a fazer o bem, sem a ajuda da força divina! Irmãos e irmãs, os grilhões que aprisionam o espírito do homem carnal são muito mais fortes para que possa se livrar deles. Ele pode tentar fazê-lo, como em momentos de reflexão alguns homens o fazem, mas, infelizmente, logo ficará cansado da luta pela liberdade e se resignará à sua prisão.

Se o homem tivesse sido capaz de operar sua própria redenção, nunca teria descido do Céu o Divino Redentor, mas porque a escravidão era muito terrível para o homem libertar-se, então, o Filho eterno de Deus, veio aqui para que pudesse salvar o Seu povo dos seus pecados.
E, bendito seja Deus, o paralelo com a história da libertação de Israel funciona mais, no seu caso, porque também, Deus ouviu os seus gemidos e lembrou da sua aliança (Êxodo 2.24). Tudo isso enquanto o nosso inimigo visava à nossa destruição! Quando Satanás tem homens sob o seu poder, trabalha por todos os meios para destruí-los totalmente, pois nada menos do que isso vai satisfazê-lo, e disso o faraó nos dias de Moisés era uma simples figura! E, assim como Israel no Egito, estávamos nas mãos de um poder que não nos deixaria ir. E ouvi uma voz por Moisés que disse ao Faraó: “Assim diz o Senhor: deixa ir o meu povo ir”, mas a resposta do Faraó foi: “Eu não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel.” E tal era a linguagem das nossas corrupções! Essa língua do diabo, que tinha o domínio sobre nós. “Eu não vou deixar você ir”, disse o Príncipe das Trevas.
Eu gostaria de ajudá-lo ainda mais a lembrar dessa escravidão. Não pode ser difícil para alguns de vocês fazer isso, pois vocês vieram do Egito recentemente. Alguns de vocês foram libertados, agora, nesses últimos 20 anos, alguns talvez nesses 50 anos! Mas não pode ser difícil para você se lembrar o que deve estar tão indelevelmente marcado em você.

Ah, glória a Deus, somos livres! Não mais carregamos cadeias em nossas almas, mas nós ainda carregamos as cicatrizes antigas sobre nós. Às vezes, o velho temperamento reaparece, ou as antigas concupiscências. Trechos de músicas mundanas, lembranças de antigas paixões e eu não sei o que, além disso, são cicatrizes que nos fazem lembrar que fomos escravos no Egito!
Precisamos lembrar por estas cicatrizes que fomos redimidos e saímos da escravidão no Egito. Isto foi uma intervenção divina. “O Senhor teu Deus te resgatou”. E foi experimentado pessoalmente. Era uma questão de consciência clara de sua própria alma. Você era um escravo, você sabia e sentia – o Senhor teu Deus te resgatou e você sabe disso e sente isso também! “Você era um servo, e o Senhor teu Deus te resgatou”. Não pode haver nenhuma dúvida sobre isso! O próprio Satanás não poderia fazer alguns de nós duvidar! As cadeias eram tão reais e a liberdade tão preciosa!
. Devemos, naturalmente, concluir, que se um cristão mantiver sempre em mente o seu antigo estado, isto iria torná-lo humilde. Você foi pregar e Deus tem abençoado a conversão de muitos, você se sente contente? “Lembra-te de que foste escravo na terra do Egito, e o Senhor teu Deus te resgatou”.

No próximo lugar, seja grato. Se você não tem todas as misericórdias temporais que você deseja, mas se recebeu a mais escolhida de todas as misericórdias, a liberdade através de Jesus Cristo, portanto, seja alegre, feliz e agradecido. Lembre-se que você era um escravo e se você tem, senão pouco dos bens deste mundo, seja grato pela grande bênção espiritual que recebeu em ser libertado do jugo mortificante.
Seja grato, e seja paciente, também. Se você está sofrendo ou doente, ou se, por vezes, seu espírito é abatido, ou, se é pobre e desprezado, mas diga para si mesmo: “Por que eu deveria reclamar? Minha porção pode parecer difícil, mas não é nada em comparação com o que teria sido se eu tivesse ficado preso na terra do Egito! Graças a Deus eu não sou mais escravo de meus pecados.”

Em seguida, seja esperançoso. “Ainda não se manifestou o que havemos de ser.” Você era um escravo, mas a Divina Graça, lhe livrou! Quem sabe o que o Senhor ainda pode fazer de você? Existe alguma coisa que Ele não pode, e não vai fazer por aquele a quem Ele já redimiu pelo Seu sangue? Ele te libertou do pecado! Oh, então, ele irá preservá-lo de cair e lhe fará perseverar até o fim. “Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” Você está assim esperançoso?
John Newton persistiu na pregação, mesmo quando ele era realmente incapaz disso, pois ele disse: “O quê? Será que um velho africano blasfemo deixaria de pregar Jesus Cristo enquanto há fôlego em seu corpo? Não, nunca!” Ele sentiu que deveria continuar a dar testemunho, porque o nosso texto sempre esteve diante dele, “Lembra-te de que foste escravo na terra do Egito, e o Senhor teu Deus te resgatou”.

Lembre-se que você foi um escravo, o cheiro do forno de tijolo está em cima de você agora, meu irmão, minha irmã, você ainda não limpou todo o barro de suas mãos com o qual fez um trabalho em tijolos. Então não se tornem egoístas, sem amor, cruéis, mas em todas as coisas, amem o próximo como a si mesmos e assim provem que amam o Senhor Seu Deus com todo o coração. Deus os abençoe. Amém.


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