Dom

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Um matuto estava sendo criticado duramente por um incrédulo enfatuado, por seu conhecimento secular, por causa da sua fé em Jesus. Enquanto isso, o matuto sequer proferia qualquer palavra e continuava chupando uma laranja. Quando a laranja acabou, ele perguntou serenamente ao incrédulo: “estava doce ou azeda?” – “como posso saber?” – respondeu asperamente, como se tivesse sido indagado de forma irracional. Então o matuto concluiu: “assim é a fé em Jesus, não dá para saber como é, se não for experimentada.”

Introduzimos esta parte de nosso presente estudo com esta estória, porque ela é muito pertinente ao nosso assunto.
O dom ao que se refere o Novo Testamento, com as palavras gregas “dorea” e “charisma”, abrange tudo o que temos que receber da parte de Deus para que possa ser conhecido.
Todavia, o dom espiritual e celestial não pode ser conhecido pelo mero exercício de nossos sentidos naturais – visão, audição, olfato e tato – como a laranja da nossa estória. Poderíamos dizer que necessitamos de que sejam concedidos e criados em nós, outros sentidos que sejam ajustados às realidades espirituais e divinas que necessitamos conhecer por experiência pessoal, para que sejam vinculadas às nossas vidas.
Não podemos desejar aquilo que não vemos, não sentimos, não conhecemos, e que sequer pode ser imaginado por nós. Sendo realidades pertencentes a outra dimensão (espiritual, celestial e divina) sequer podem ser desejadas, caso este desejo não seja despertado também com um dom concedido por Deus (a fé).

Então há muito mais a ser considerado neste assunto do que a simples palavra dom (presente, gratuito) possa sugerir, pois há realidades tremendas e sobrenaturais envolvidas nisto.
A própria pessoa de Jesus e a do Espírito Santo são dons de Deus para nós.
Também, a graça, a fé, os poderes, serviços e virtudes espirituais citados por Jesus nos Evangelhos, por Paulo em Romanos e I Coríntios, por Pedro e João em suas epístolas, e pelos profetas do Velho Testamento e pelos demais escritores do Novo Testamento.
A palavra dom extrapola, portanto em seu significado, conforme vemos nas várias passagens das Escrituras, os dons sobrenaturais extraordinários do Espírito Santo relacionados por Paulo em I Coríntios 12 e 14, os quais estão destinados a desaparecer quando não forem mais necessários para manifestar a glória de Cristo ao mundo através da Igreja.

Um aspecto relevante ao qual devemos dar a devida atenção é o de que todos os dons devem ser exercitados para que possam ser mantidos avivados, pois vemos Paulo exortando a Timóteo que reavivasse o dom que havia nele para o exercício do ministério de evangelista, que lhe fora concedido por Deus com a imposição de mãos dos presbíteros.
Isto nos ensina que os dons são recebidos para serem usados para a glória de Deus, pela realização da obra que nos tiver designado; e que estes dons que recebemos serão ajustados às necessidades especificas do nosso ministério, também recebido de Deus.
Tudo o que se refere ao reino espiritual e celestial deve ser recebido como um dom, porque não são realidades pertencentes ao mundo natural, ou seja, não se encontram à nossa disposição em nossa própria natureza – devem ser recebidas do Alto, descendo do Pai das luzes, e comunicadas a nós pelo Espírito Santo, através da nossa fé em Jesus Cristo.

Há dons que são eternos, como as virtudes do fruto do Espírito Santo, e dons que não são eternos, como os dons extraordinários do Espírito Santo, conforme citados por Paulo em I Coríntios 13 (profecias, línguas – e a isto inserimos dons de curar etc., pois não serão necessários quando tudo estiver consumado e for perfeito).

 

Pr Silvio Dutra


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