Crianças: Pequeninos de Grande Coração

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Se passarmos mais tempo com as crianças, certamente seremos contaminadas por seu sorriso. E, que delícia de sorriso! Às vezes até ficam irritadas, tristes e choram …mas, observe, logo depois estão sorrindo novamente. É só passar uma borboleta na sua frente que elas ficam curiosas e esquecem do motivo do choro.

É só oferecermos um chocolate que elas se “derretem”. É só passar uma pessoa simpática (ainda que seja um mendigo banguelo) na rua que elas se distraem e acham tudo lindo. Diz minha mãe, que quando eu era pequena eu era encantada com uma mulher que parecia a “cara da riqueza” , personagem do Zorra Total, e achava ela lindíssima, seu sorriso me fazia gargalhar!

Ah…criança e crianças. Estão sempre felizes. Encontram alegria em pequenas coisas.
Sim, temos muito o que aprender com as crianças. Parece ironia, alias, nós nos dispomos ensina-las e pensamos estar aptos para isso (doce ilusão!). Entretanto, são necessários poucos momentos ao lado de uma criança para percebermos que na realidade, nós, é que precisamos aprender muito com esses pequeninos.
O que me chama mais atenção nas crianças é sua espontaneidade, leveza, amor e alegria, e, estou convencida de que se nós aprendêssemos um pouco mais com elas viveríamos uma vida mais saudável e feliz.

Crianças acreditam no ser humano porque a bondade mora dentro do coração delas.Crianças não são capazes de machucar um animal, e, acredite, nem uma planta. Criança não brinca de amar. Criança sabe amar. Elas acreditam nas promessas bobas dos adultos e criam expectativas, seja pela promessa de um chocolate ou um passeio no parque.

Crianças levam a sério as promessas feitas mesmo que sejam simples e corriqueiras. Agora, venhamos e convenhamos, não somos nós que temos MUITO que aprender com as crianças? Sinceramente, percebo que são poucas as coisas que temos mesmo que ensina-las, principalmente quando se trata das coisas mais essenciais da vida.
Quando eu era criança meu sonho era levar todos os cachorros de rua para casa e montar um canil. Apesar da minha mãe sempre dizer com “jeitinho” que isso seria a maior loucura eu acreditava que um dia seria capaz de convence-la, e, não via dificuldades nenhuma neste sonho. (rs)

Hoje eu sei que as coisas não são tão simples como eu pensava, mas aquela criança de sonhos impossíveis ainda existe dentro de mim, e embora eu não possa realizar alguns sonhos por inteiro eu os realizo pela metade.

Em relação aos cãezinhos de rua, hoje em dia, quando eu vejo um na rua, a criança “Raíssa de 5 anos” se desperta dentro de mim, um pouco mais realista (#claro), mas faço o sonho possível com pequenos gestos. Levo água, comida, pão com carne e fico feliz de ver o cãozinho agradecido pelo lanche. Quem sabe um dia ainda consigo realizar alguns de meus sonhos de criança? Ainda que saiba que muitos deles são mais difíceis que eu pensava, alguns ainda não morreram.

Talvez seja por isso que eu seja apaixonada por crianças: criança não sabe amar pela metade, não sabe fingir que gosta. Criança gosta de abraço apertado, sente alegria por inteiro, inventa mundos e inventa amores. Criança não é falsa, nem simula amor, não simula encanto.Criança não decepciona o outro. Criança perdoa. Criança fala com o Papai-do-céu, mas fala com fé, sabe que Ele está lhe escutando.

As crianças nos ensinam que devemos sorrir com o simples e desprezar aquilo que é complicado.

Sinceramente, embora sejam inúmeras as responsabilidades da vida de adulto, estou mais interessada nas coisas que fazem meu coração bater forte, meus olhos brilharem, e meu sorriso saltar.

Criança é assim, faz bico, faz manha, toma sorvete no pote, come chocolate até enjoar, passa o dedo na cobertura do bolo, chora quando machuca e dói, choro quando não dói. Quando doí é só alguém dar um beijinho que sara… Ah…. criança se delicia nas pequenas coisas da vida. Criança não adia felicidade, ela quer aquilo que lhe faz sorrir.
Criança ri de piada sem graça, ri de piada que não entende, ri quando não se pode rir … aí que delícia que contagia!

Não estou interessada no meu tamanho, o que me faz grande é o tamanho do meu sonho e a grandeza do meu coração. É assim que quero tentar levar a vida, com leveza, como faria uma criança crescida.

Posso não saber onde estou indo, mas eu sei onde quero chegar. Posso não saber o que quero da minha vida, mas tenho convicção daquilo que eu NÃO quero.

As crianças são para mim um doce exemplo. Quantas crianças hoje em dia tem vindo de lares desequilibrados, desestruturados e com tantos problemas em casa, problemas de saúde, e ainda assim, conseguem transmitir alegria para nós adultos, preocupados muitas vezes com coisas tão banais, criando nossos próprios problemas.

Estou tendo a oportunidade de trabalhar no fórum, na área de família. Onde trabalho lidamos com ações de guarda, divorcio, pensão alimentícia e coisas do gênero, ou seja, na maioria dos casos envolve-se menores. As crianças, obvil, não podem assistir as audiências, e sempre que uma criança vai ao fórum e não tem com quem ficar eu me disponho a aguardar o termino da audiência do lado de fora da sala, “distraindo” a criança.

Mas, sabe o que acontece? São elas que me distraem.

Me distraem, me encantam, me emocionam. A desestrutura e inconseqüência das atitudes de seus pais não afetam a leveza da criança diante das circunstancias da vida, nem tiram-lhe o sorriso que nos cativam. Em uma dessas ocasiões eu tentava conversar com a criança perguntando-lhe sobre seus pais, que visivelmente tinham um relacionamento muito conturbado e com violências. A criança não queria falar disso, seu assunto preferido era dizer que no dia anterior a professora deu uma tarefa super legal, contou o que tem aprendido na escolinha, me perguntou do papai noel, perguntou meu nome, minha idade, se apaixonou com meu cabelo grande (acho que ela pensou que eu fosse a Rapunzel, era assim que eu pensava quando via uma moça de cabelos longos) e, nesse momento, me senti tão criança quanto ela, porém, aprendendo a desfocar das coisas que me deixam triste e aprendendo que a vida merece ser vivida com a leveza que lhe cabe.

Talvez, seja hora de invertermos os papéis. Talvez seja hora de tirarmos o “salto alto” e trocarmos pelo brinquedo de uma criança, deixar que a criança de fato “suba no salto” em nosso lugar, afinal, percebo que nós, adultos, temos MUITO o que aprender com elas.

Criança é assim: logo perdoa, não guarda magoa, se gosta abraça apertado se não gosta não abraça (#simples_assim!) .

Me sinto muito pequena perto das crianças: que simplesmente sabem viver a vida. E nossos pequenos, sempre tem algo pra nos ensinar. Nós que somos péssimos alunos.

Talvez eu me dê tão bem com elas, porque eu amo as crianças e amo igual as crianças…

Esses dias outra cena me chamou atenção: eu estava observando uma criança com seus pais no culto a noite, na igreja Presbiteriana de Acesita. Fiquem encantada com os detalhes daquela cena. O rapazinho devia ter por volta de 3 anos, e estava de pé ao lado do seu pai que cantava e levantava as mãos durante um hino de louvor. O rapazinho imitava seu pai enquanto ele estava de olhos fechados, cantava a música mesmo sem saber a letra e levantava as suas mãos, em um singelo ato de adoração a Deus (imitando seu pai). Olha as responsábilidaes que os pais tem na vida de uma criança! Portanto, seja exemplo! Seus filhos vão se espelhar em suas atitudes!

Gente, se eu sorri com essa cena, fico imaginando o sorriso de Deus…a pureza, a alegria e a espontaneidade da criança ao se espelhar em seu pai. Fiquei pensando também o quanto nós, muitas vezes, temos sido cruéis com as nossas crianças não lhe dando bons exemplos para que possam seguir.

Enfim, talvez seja por tudo isso que Jesus nos deixa essas Palavras:

Aquele que quer entrar no meu reino tem que se tornar como criança (MT 18.3).

Raissa Bomtempo
www.raissabomtempo.blogspot.com.br


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