A Causa e o Propósito do Sofrimento – capítulo 3

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Não podemos esquecer que Jó era o maior homem em importância e poder no Oriente, em seus dias (Jó 1.3).

Agora se encontrava totalmente desprovido de bens e de filhos, mas suas aflições não se limitariam a isto, porque também foi permitido por Deus, como vemos no segundo capítulo do seu livro, que Satanás lhe tocasse, causando-lhe uma enfermidade terrível, que produzia ulcerações em todo o seu corpo, que infectavam a ponto de ser necessário raspar as secreções purulentas com um caco de telha.

Que grande desconforto e dor isto não deveria estar produzindo em Jó.
Em face de tão grande assolação, os teólogos da prosperidade material e da confissão positiva, para continuarem afirmando o ensino deles, dizem que o caso de Jó, obviamente configura a exceção das exceções, e que não se pode ter a mesma resignação que ele teve diante de tudo o que sofreu, porque, segundo eles, hoje, em Jesus Cristo, devemos determinar contra todo tipo de pobreza ou enfermidade, de forma que nunca sejamos atingidos por uma coisa ou outra, porque, segundo eles, esta é certamente a vontade de Deus para os Seus filhos, em toda e qualquer circunstância.

No entanto, vejamos o que nos diz o Novo Testamento em relação ao que nos é ordenado aprender do exemplo de Jó, para aplicarmos em nossas próprias vidas:
“Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão.” (Tg 5.11)

Eles bem gostariam de riscar este versículo de Tiago de suas Bíblias, mas ele lá se encontra recomendando tanto a eles quanto a nós, que sejamos pacientes nas aflições, suportando tudo com a mesma perseverança de Jó.
Nada se diz de se revoltar contra as aflições. Ao contrário, se diz que são bem-aventurados todos os que suportaram aflições tal como Jó, porque por elas, Deus está aperfeiçoando a nossa fé, para produzir em nós maturidade espiritual.

Como Tiago ensina no primeiro capítulo de sua epístola:
“2 Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações,
3 sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança;
4 e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.” (Tg 1.2-4)
“Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tg 1.12)
Como Deus poderia ter derrotado e humilhado o diabo através do testemunho de Jó, caso este se rebelasse contra Ele?

Ele não havia perdido apenas os bens, os filhos e a saúde, como também os amigos, e a influência que tinha sobre eles, porque é comum sermos abandonados por quase todos, quando não nos encontramos no pináculo da glória.
Todos gostam de serem conhecidos por outros como sendo amigos do príncipe, mas quem gosta de ser conhecido como amigo do pobre andrajoso?
Deus não faz acepção de pessoas, mas os homens fazem.
A realidade da vida o tem comprovado.
Até a própria mulher de Jó se indispôs contra ele, apesar de estar compartilhando da miséria de seu marido, porque fora também atingida por ela.


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