Toda adoração é válida? Ou “Deus, vou fazer do meu jeito, e o Senhor, se quiser, receba”.

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Toda adoração é válida? Ou “Deus, vou fazer do meu jeito, e o Senhor, se quiser, receba”.

“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:1-3), ACF.

Ao observarmos o contexto da passagem lida, concluímos que, a priori, o texto faz referência, sendo esta até certo ponto óbvia, à tensão explicitada entre busca por justiça mediante a observância estrita da Lei e a salvação pela graça, assunto que ocupa um espaço generoso nas epístolas paulinas. Se restringirmos nosso olhar especificamente para os três primeiros versículos do capítulo, entretanto, sem que o contexto seja comprometido, podemos constatar que algo mais chama a atenção do apóstolo. Uma questão levantada anteriormente pelo próprio Cristo. Vejamos.

O primeiro versículo expõe de modo claro a preocupação de Paulo, judeu, fariseu, da Tribo de Benjamim (Filipenses 3:5) em relação à salvação de seu povo. Ele explicita seu desejo e mostra atitude em relação a ele: sua oração (a versão ARA fala em ‘súplica’). Ao apontar como entrave a tentativa de ‘estabelecer a sua própria justiça’ (10:3), ele logo sobrepõe as alianças entre os versículos 5 e 10, ao fazer, sutilmente, um contraponto entre Moisés e Jesus. Sutileza essa que nem sempre utiliza em outras cartas.

E, no centro de toda a controvérsia, a confissão, doutrina estranha ao judaísmo e que, para acirrar ainda mais os ânimos, não aponta claramente para o Deus Pai do Monte Sinai e da sarça ardente, mas para o Deus Filho, o verbo que era (e é) Deus (João 1:1), mas que se fez carne e habitou entre os homens (João 1:14), configurando em si mesmo um dos grandes mistérios de si mesmo (I Timóteo 3:16). Não surpreende a rejeição judaica ao Evangelho e à Nova Aliança que, aliás, persiste até os dias atuais.

Fosse um sistema lógico-filosófico poderia ser reduzido às seguintes proposições:

1. Sem confissão não há salvação. Se buscarmos as palavras de Jesus Cristo em Mateus 10:32-33 e Lucas 12:8-9, fartamente confirmados por Filipenses 2:10-11; I João 2:23 e 4:15, fundamentamos a primeira afirmação como realidade doutrinária.

2. A verdadeira confissão deve ser precedida de arrependimento verdadeiro. Atos 2:38 e 3:19; II Coríntios 7:10 e inúmeras citações sobre o assunto nos Evangelhos também fundamentam esta afirmação, inclusa, como a primeira na doutrina da salvação pela graça.

Interessante observar que o texto citado de início resume, ao mesmo tempo em que reúne, as duas afirmações em um raciocínio, que diria, lógico.

“A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre, será salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Romanos 10:9-10).

Daí a preocupação de Paulo com os israelitas. Parecia bem claro que eles não estavam dispostos a absorver essa doutrina. A conversão a Cristo, representada pelo binômio arrependimento – confissão chocava-se diretamente com o que haviam recebido da Torá.

E aqui, uma frase de Paulo, que às vezes passa despercebida por nós, é que chama nossa atenção. Em um determinado momento ele diz: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento” (10:3). E o que tudo isso quer dizer?

Os Israelitas, fariseus ou não, e, respeitando o contexto histórico da passagem, sempre adoraram a Deus. Nunca deixaram de prestar culto a ele, de oferecer sacrifícios, de comparecer ao templo e às sinagogas. Nunca trocaram a Torá por qualquer outro livro. Não eram completamente desprezíveis do ponto de vista doutrinário, como bem observou Jesus Cristo em Mateus 23:2-3 “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não o fazem”. (grifo nosso).

Os erros dos fariseus foram, basicamente, a hipocrisia (falar uma coisa e agir de forma diferente) e a tentativa de estabelecimento de uma justiça própria, o que acabou trazendo para dentro da Lei a sua própria lei, tradições humanas estabelecidas dentro das Escrituras, tendo força de doutrina, as quais Jesus classificou de fermento, ingrediente este que movia o ciclo de desvios doutrinários do farisaísmo (Lucas 12:1), e afastavam o homem de Deus, e mostrado de forma contundente em Marcos 7:6-7…

“E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens”.

Observe o texto grifado (me honram). A versão ARA diz “Me adoram”. A KJV segue o raciocínio e trás “worship me”. Na versão original, o verbo é “sebontai”, e que também pode ser traduzido por “reverenciar”. A Bíblia de Jerusalém é mais pragmática: “Em vão me prestam culto”. Merece respeito.

Aqui é a chave da conclusão de Paulo. Os judeus continuavam adorando a Deus. E o faziam com extrema reverência, respeito e dedicação, o que ele resume ao termo ‘zelo’. E quanto a este termo não restam dúvidas. A tradução é exata e permeia praticamente todas as traduções sérias. E seu significado é indiscutível. O culto prestado pelos judeus era, de fato, algo feito com zelo. E isso quer dizer cuidado, atenção nos detalhes, compromisso, alto nível de exigência. Mas, segundo Paulo, havia um componente ausente do culto: o entendimento. A frase é direta: zelo sem entendimento. Os judeus estavam prestando reverência e honra a Deus de uma forma equivocada, de tal modo que esta em nada contribuía para sua salvação.

A questão estava na palavra empregada por Paulo ao final do versículo: entendimento. Observe o seguinte, no grego a palavra que define conhecimento é gnosis (ou gnose). O termo empregado pelo apóstolo é epignosis. Este termo vai além do primeiro. Ele intensifica a aquisição do conhecimento, retirando-o da esfera do simples saber e trazendo-o para o campo do saber – experimentar, ou seja, um conhecimento progressivo que avança, na medida em que o vivenciamos, ele vai se tornando mais completo e exato. O de forma alguma contradiz a Escritura se entendermos que é exatamente isso que acontece nos processos de santificação. À medida que conhecemos – vivenciamos cada vez mais a Cristo e sua Palavra, progressivamente nos enchemos de Cristo e atingimos o que Paulo e Pedro em diversas passagens chamam de “Pleno conhecimento” de Cristo (Efésios 1:17 e 4:13; I Timóteo 2:4; Tito 1:1; II Pedro 1:2-3 e Ii Pedro 2:20).

Os judeus não tinham o epignosis da justiça de Deus. Resguardados pela frieza da Lei, acabaram se afastando de Deus por colocar a Lei acima de conceitos indiscutíveis do próprio Deus, como, por exemplo: amor, perdão, justiça e misericórdia. Resolveram eles mesmos o que seria sim ou não.
Quando veio Jesus, tocou em cada um desses pontos, colocando-os acima da Lei mosaica, em episódios como a mulher pega em adultério que deveria ser apedrejada, as pessoas curadas no sábado e o perdão concedido a pecadores. Jesus tornava a justiça de Deus não só conhecida dos homens como ao mesmo tempo fazia com que eles a vivenciassem. Por inveja, orgulho, tradicionalismo excessivo, insegurança e medo, os fariseus não lhe deram ouvidos. Culminou que todo o processo legal que levou Jesus ao Calvário não foi observado somente segundo a Lei, mas sob diversos costumes judeus introduzidos na comunidade judaica com força de doutrina. Onde está escrito, por exemplo, que um preso deveria ser solto durante a páscoa? Nada. Era só costume.

Milênios se passaram (dois, para ser mais exato) e chegamos aqui exatamente com o mesmo problema apontado por Paulo em Romanos 10:1-3.

Seria no mínimo precipitado acusar os cultos contemporâneos de falta de zelo. Longe disso, podemos encontrar milhares e milhares e pessoas ao redor do mundo que prestam culto ao Deus da Bíblia de forma apaixonada, depreendida, fervorosa. Pessoas que não faltam aos cultos, que contribuem com a obra de Deus, inclusive financeiramente, que participam de todas as programações da igreja e que estão sempre à disposição do ministério para ajudar. Ok, os judeus também eram assim, e?

Será todo esse zelo suficiente para atestar uma conversão verdadeira? Será toda essa dedicação o comprovante que precisamos para recebermos nosso galardão? Segundo Paulo, não. E segundo Cristo, também não. Entrega e demonstração de fé precisam estar amparadas pelo epignosis da justiça de Deus, ou seja, pelo conhecimento/entendimento, pela vivência progressiva da revelação máxima de Deus: O Evangelho que tem como centro Jesus Cristo. Somente a busca pelo pleno conhecimento de Deus dará ao adorador as ferramentas necessárias ao culto racional.

E hoje, este conhecimento/entendimento só pode ser encontrado em um lugar: a Bíblia sagrada.

É a Palavra de Deus que irá tornar o zelo sem entendimento, o que desconhece a justiça de Deus e, portanto, em nada contribui para a salvação, em zelo verdadeiro e sincero. Qualquer manifestação que se venha a fazer com o intuito de honrar, cultuar, reverenciar ou adorar a Deus, precisa estar em conformidade com o que ele, Deus, determinou que fosse feito. Não adoramos a Deus como queremos, mas sim, como ele quer. E para isso, precisamos conhecer/entender sua Palavra. Compreenderemos melhor se analisarmos o caso de Moisés e os Hebreus em processo de libertação de seu povo no Egito. Ao se encontrar com Jeová pela primeira vez, diante da sarça ardente, Moisés houve de Deus que, ao retirar o povo do cativeiro, deverá levá-lo para adorar, e determina quantos dias de caminhada e onde seria o lugar de adoração. Era isso ou ficar no cativeiro. E assim foi. Moisés foi zeloso, mas também teve pleno entendimento do que Deus queria. Três dias depois estavam aos pés do Sinai, se consagrando para receber a Lei.

Hoje temos a Nova Aliança. Ou damos ouvidos a ela, ou Jesus olhará para nós como olhou para a samaritana e dirá “Vós, os samaritanos, adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, (…)” (João 4:22). Curiosamente, os samaritanos, que não tinham um relacionamento amistoso com os judeus, incorriam no mesmo erro: zelo sem entendimento.

O que vemos hoje não está muito longe disso.

Assim como os fariseus, muitos dos adoradores da contemporaneidade acabaram distorcendo o gnosis e rejeitando completamente o epignosis. Estão em algum lugar teológico entre Caifás e a mulher samaritana. Do primeiro, cometem o erro de estabelecer uma justiça própria, construída em cima de uma interpretação superficial e pessoal da Escritura, que acaba sendo manipulada de modo a abalizar suas ambições pessoais ou que se convencionou chamar politicamente correto. E da segunda, alimentam uma crença que beira a superstição onde o simplesmente crer na pessoa certa os torna imunes a ter que crer do jeito certo. No caso da samaritana, assim como acontece nos dias atuais, há o equívoco do saber em quem se crê é o bastante. Equívoco fartamente já demonstrado pelas Escrituras, especialmente nos textos já citados.

Quem já não ouviu a famosa frase: “Se ali estão falando de Deus, então está bom”?

A afirmação é perigosa. Os fariseus falavam de Deus em seus cultos. Os samaritanos também. A Bíblia mostra que isso não era o suficiente. Muitos deveriam na verdade se questionar é se “Ali estão falando de Deus como Deus quer que seja falado?”. Sim, e espontaneidade da adoração não pode ser desculpa para nos afastarmos da revelação bíblica e, por outro lado, erra quem afirma que as limitações impostas pelas Escrituras tornam o culto frio e desmotivado. Uma grande falácia de quem quer submeter Deus às suas estratégias e visões pré-fabricadas, e que tem como alvo principal, não a adoração simples e direta, mas o enchimento do templo e a multiplicação de liderados fanáticos prontos para defender os ‘ungidos’ mesmo quando esses se comportam como mercenários.

Paulo não questiona. Ele é enfático em acusar a falta de entendimento, da busca de conhecimento profundo de Deus, da progressiva vivência com a Escritura, é ou são as principais causas da inocuidade do culto, fazendo coro com a declaração dura de Cristo que disse: “Mas em vão me adoram, ensinado doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:9).

Ora, quem mais no universo teria autoridade para decretar a inutilidade de um culto além do próprio Deus? E quem mais, além dele, poderia, conseqüentemente, apontar a causa do problema? Logo não causa estranheza Paulo lembrar os Romanos que os judeus, embora zelosos de Deus, faziam um esforço vão, porque sua adoração não era determinada pelo entendimento da Palavra de Deus, à qual deveriam ser submissos ou, como está no texto, sujeitos. Não, eles se deixaram envolver por inúmeros preceitos de homens que, misturado à sã doutrina, funcionaram como fermento, turvando a orientação do culto prestado a Deus. E isso os fez perder o fio da meada da adoração.

Vejamos um exemplo atual: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como Igreja dos Mórmons. Este grupo religioso trás o nome de Jesus em sua denominação. Canta hinos a ele. Envia missionários mundo afora para pregarem o Evangelho. Tudo bem, se estão falando em Jesus, sem problemas. Sem problemas? Vejamos. Os mórmons simplesmente não aceitam a suficiência da Bíblia como regra de vida e prática. Para eles, ela está incompleta, e por isso lançam mão de algo que seria uma espécie de “Terceiro Testamento” ou “Livro de uma aliança mais recente”, que é o Livro dos Mórmons, um novo Evangelho que veio para completar a Bíblia.

Inteiramente previsível que, num ambiente assim as heresias se proliferassem em profusão. E foi exatamente o que aconteceu. Uma atrás da outra. E então vem a pergunta: Deus recebe a adoração dos Mórmons? Bom, segundo as conclusões reducionistas de que “Se falou de Jesus então está tudo bem!”, sim, Deus recebe. Agora, segundo os textos em Romanos 10:1-3 e Mateus 15:8-9, não, não recebe. Olhos desatentos poderão detectar arrogância e audácia em qualquer um que queira afirmar se este ou aquele culto está sendo recebido ou não por Deus, visto que somente o próprio Deus tem autoridade para fazer isso. Um argumento carente de perspicácia, pois, sim, Deus nos deu as ferramentas para fazer esse tipo de observação. E por que o fez? Para proteger seus filhos de serem envolvidos por, como disse Jesus, doutrinas que são preceitos de homens. Erra ainda quem pensa dessa forma, pois, se não podemos avaliar um culto tendo como régua de medir a Palavra de Deus, como essas pessoas que se recusam a fazê-lo podem saber se elas mesmas estão cultuando ao Senhor da forma correta. Seu argumento na verdade é um belíssimo tiro no pé. Daí reafirmamos que, ou adoramos da forma que Deus quer, ou todo o zelo será em vão.

O século XXI veio, e com ele podemos acompanhar diariamente a implosão gradual de um a um dos fundamentos teológicos que sempre nortearam a Igreja de Cristo. O estabelecimento da justiça dos homens, da prática eclesiástica gerenciada pelo politicamente correto, que transforma a Noiva do Cordeiro em uma grande e camaleônica loja de conveniências espiritual.

E nesse bojo nos chega a ordenação de mulheres ao ministério pastoral. Uma medida impensável em qualquer igreja reformada, tradicional ou história se olharmos somente para duas décadas atrás. Incrível como os argumentos usados hoje para a defesa de tal prática permaneceram adormecidos por dois mil anos sem que ninguém tivesse recebido tão importante revelação. Bobagem. As mulheres são e sempre foram maioria nas igrejas. O estorvo do movimento pentecostal pariu híbridos gerados em meio a guerras sangrentas por membros. Surgiram as igrejas avivadas – ou renovados, como queiram, o equívoco é o mesmo. Uma espécie de segunda geração pentecostal, iniciada em meados das décadas de 40/50. Foram elas que começaram a ungir as sacerdotisas. O que causa ainda mais espanto, é que, se foi extremamente fácil para as igrejas outrora equilibradas combaterem essa heresia, visto que não se fundamenta biblicamente nem com a melhor das engenharias teológicas, mais fácil ainda foi elas esquecerem sua apologia debaixo de algum banco de madeira e passarem a defender a causa das pastoras, inclusive – pasmem – condenando, não quem pensa o contrário, mas quem as viu mudar de opinião tão rápido.

Junte-se isso ao fato de que o movimento feminista, não sei se no corpo ou fora dele, sugere boicotar as igrejas que se recusem a aceitar mulheres no ministério pastoral. E, se não sugere, deixa subentendido. Deus, seria o fracasso total! Sem mulheres, diria um analfabeto teológico, nem Escola Bíblica existiria. Deus, digo eu, a que ponto trouxemos o cristianismo? No que transformamos o teu culto? Em um conjunto de rituais orientado pelo famigerado politicamente correto. Passamos a decidir o que seria melhor ou não para a tua igreja sem te ouvir. E, ainda que o fizéssemos, se a tua orientação ferisse os movimentos sociais, de classes, de opinião, deveríamos adaptá-la, pois a igreja, dizem os novos apóstolos, tem que se modernizar, se atualizar, acompanhar as tendências, ser, afinal, politicamente correta, ainda que incorreta espiritual e teologicamente.

Ora, se concordamos anteriormente que a adoração dos mórmons é vã, por que não concordamos que a adoração praticada em uma igreja pastoreada por uma mulher segue a mesma sina? Corre o mesmo risco? Incorre no mesmo erro: doutrina edificada sobre posicionamento humano? É por que lá ocorrem milagres, sinais e prodígios? É por que a igreja está cheia? São esses os critérios de medição da igreja contemporânea? Infelizmente, sim.

E as igrejas e convenções que aceitam que seus ministros firmem pactos de vida ou morte com sociedades secretas, de orientação idólatra e essência pagã? Se nada fazem para mudar a situação e até aceitam como normal, não são vítimas, mas cúmplices. Como fica a adoração nesses casos? Como falar de santidade em um lugar assim?

E as igrejas mercantilistas, que abrem suas portas com a visão de enriquecimento material a todo custo, e que só conseguem sobreviver através do comércio do fé, a tal ponto de em algumas delas o dízimo ser cobrado em um valor três vezes maior do que falam as Escrituras? Nestes lugares onde a bênção pode ser alcançada mediante a aquisição de uma vassoura, uma rosa ou uma fronha de travesseiro, coisa que, aliás, deixaria os zelosos fariseus do tempo de Paulo com os cabelos de pé, onde se vê claramente que impera a justiça dos homens e não a de Deus, ou seja, a insubmissão irrestrita à Palavra de Deus (ora, se fossem completamente submissos não vendiam bênçãos), ainda que pululem os sinais e prodígios, a adoração é não vã?

Os espirituais saberão a resposta.

Concluímos afirmando, sem medo de errar, visto que o fazemos mediante textos bíblicos claros, objetivos, diretos que:

Minha adoração a Deus não será definida pelo que eu penso ou quero, mas pelo que Deus quer. Quem pensa que vai fazer o Senhor engolir sua adoração, ainda que esteja recheada de boas intenções, porém, ferindo a perfeita e imutável Palavra de Deus, está equivocado (Romanos 10:1-3; Mateus 15:8-9).

Sinais, prodígios e igreja cheia não sinais da aprovação de Deus e às vezes sequer de sua presença. (Mateus 7:21-27; II Tessalonicenses 2:9; Apocalipse 13:13-14; 16:14 e 19:20).

Deus não precisa ser atualizado, remodelado, revisado ou politicamente correto. O Evangelho é perfeito. Quem vive tentando torná-lo mais acessível ou palatável, na verdade tem medo de ser visto como um fanático retrógrado, alguém movido a conceitos ultrapassados. Para esse Paulo diz: “Não me envergonho do Evangelho, pois é poder de Deus para salvação de todo aquele que nele crer…” (Romanos 1:16).

O Senhor dos Exércitos não se curvará ou alterará um jota ou um til de sua Palavra. Deus não tem que agradar a quem quer que seja. A igreja parece que se esqueceu disso. Ele não vai se deixar influenciar por nenhum tipo de filosofia ou ciência humana. Fizesse isso, não seria o Todo-Poderoso. Premiar uma esposa dedicada, boa mãe, mulher de oração, com o título de pastora, pode ser um reconhecimento romântico e, aos olhos do mundo, justo. Mas e quanto aos olhos de Deus?

Igrejas fundamentadas sobre heresias estão correndo grave risco. A lista é grande e não caberia aqui, mas são as doutrinas mais tresloucadas que sem notícia desde que Montano desembestou a ter alucinações entre os séculos II e III, para desespero de Eusébio de Cesaréia. Quebra de maldições hereditárias, encontros tremendos, línguas estranhas (o termo não tem amparo bíblico), poligamia (coloca na conta dos mórmons), comunhão com sociedades secretas machistas e elitistas, arminianismo, cessacionismo (os reformados forçaram a interpretação), confissão positiva e teologia da prosperidade, só para citar as mais debatidas. Todas geradas pela ausência do epignosis, da relativização de conceitos dogmáticos fundamentais à fé cristã, da rendição frente às correntes sócio-econômicas e muita, muita ambição.

Zelo sem entendimento não quer dizer nada. Não são os muçulmanos e suas indefectíveis cinco orações diárias mais zelosos com seu credo que quase a totalidade dos cristãos mundo afora? Não são as Testemunhas de Jeová e sua venda de Sentinelas mais zelosos de sua seita do que os crentes eternamente enfadados de missões que muitos somos? Não são ambos segmentos religiosos que crescem sem parar, sendo sinônimos de dedicação no mundo inteiro? Podem ser acusados de falta de zelo? Nunca. Podem ser acusados de não falarem no Criador? Também não. Tudo isso que foi dito lhes garantirá um lugar na eternidade ao lado de Cristo?

Os espirituais saberão a resposta.

A Palavra é o termômetro. E ponto final. Quem me dirá se o que estou presenciando vem ou não do Trono da Graça, não será o que vejo, a altura com que é gritado, a roupa de quem está pregando, o nome que está pintado do lado de fora, o DVD do pregador que será vendido ao final do culto, a aclamação coletiva do auditório ou minhas próprias lágrimas. Quem vai dar a Palavra final é a Bíblia. Qualquer coisa que for ensinada à margem das Escrituras é tentativa de estabelecimento de justiça humana. E isso é insubmissão, falta de sujeição. E isso nos distancia de Deus, mesmo que achemos que não.

Neto Curvina
Ministro do Evangelho
Por uma nova reforma


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