A Supremacia do Espírito Sobre o Corpo

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“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida.” (João 6.63)

Observe atentamente o seguinte relato, baseado em fatos reais:

Um homem pacífico, justo, piedoso e temente a Deus sofreu um infarto agudo do miocárdio que o conduziu ao internamento numa Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), e como a grave insuficiência cardíaca produziu um edema pulmonar, não diagnosticado e identificado pela UTI, o mesmo passou a ter séria dificuldade para respirar, e num estado de semiconsciência gemia intermitentemente para conseguir aspirar e expirar um pouco de ar. Pessoas do grupo de enfermagem mandavam-lhe asperamente que calasse a boca, achando que estava fazendo aquilo de propósito.

Então um psiquiatra foi convocado a dar o seu parecer, e este entendeu que o melhor seria ministrar-lhe uma forte dose de drogas tranquilizantes (que ele veio a saber posteriormente tratar-se da chamada “boa noite Cinderela”, e também medicação para esquizofrenia) que vieram a fazer um efeito reverso, pois em vez de ser tranquilizado, veio a saber que no período que esteve inconsciente passou a ter um comportamento descompassado proferindo palavras desconexas.

Então um psicólogo foi convocado para dar o seu parecer e este chegou à conclusão que se tratava de um paciente mais psiquiátrico do que cardiológico, tendo feito constar em seu diagnóstico que se tratava de pessoa descontrolada e agressiva. Com isto o mesmo foi amarrado firmemente na maca em que se encontrava, tendo suas mãos e pés imobilizados. Quando voltou horas depois ao estado de consciência, sua insuficiência respiratória e cardíaca se agravou porque se viu naquelas condições, estando com o corpo nu em um ambiente cuja temperatura nunca ultrapassava os 18 graus centígrados. Seu estado que era crítico e de debilidade extrema por causa do infarto se agravou ainda mais quando se viu naquela condição humilhante de desproporcional ao que de fato necessitava.

Os médicos cardiologistas limitaram-se simplesmente a lhe ministrar os medicamentos vasodilatadores que haviam sido prescritos na unidade de emergência, sem que lhe fosse prescrito o uso de qualquer diurético para fazer o edema pulmonar recuar. Sequer tivera seus pulmões auscultados ou radiografados, bem como nenhum eletrocardiograma ou ecocardiograma havia sido realizado naqueles primeiros dez dias de internação. Não fosse a graça de Jesus que fortalecia o seu espírito enfraquecido, para sustentar a sua alma abatida e o seu corpo amortecido pela enfermidade, certamente não teria suportado todo aquele tipo de atendimento que estava recebendo.

Ninguém… quer na equipe de médicos, quer na de enfermagem, demonstrou amor, compaixão ou empatia pelo estado em que se encontrava, nem sequer houve até aquele momento um só samaritano entre eles que se sensibilizasse pela sua condição de sofrimento, pois em suas consciências todos estavam desculpados e justificados pela ideia ilusória de que estavam realizando competentemente as funções técnicas para as quais haviam sido adrede preparados.

Eles estavam trabalhando com um pedaço de carne que viera ter às suas mãos, assim como o açougueiro trabalha fria e insensivelmente em cada pedaço de corte com o seu facão, e não propriamente com um ser humano dotado de razão, vontade, intelecto, sentimentos, e emoções.

Quer para onde nos voltemos na rede hospitalar, será este o quadro que encontraremos, e as raízes desse comportamento se encontram nos seguintes motivos, dentre outros:

É impressionante a extensão da ignorância que existe sobre as faculdades da alma e do espírito humano por parte da prática científica, uma vez que de há muito as universidades, no afã de separarem a ciência da religião, acabaram por eliminarem também a subjetividade atrelada à religiosidade, por considerar que a pesquisa científica deveria se ater apenas à objetividade, de forma que tem sido este o modo de pensar universitário, que mais e mais se expande com um foco eminentemente materialista, esquecendo-se que a parte nobre do homem não se refere à biológica, mas à sua alma e ao seu espírito.
Como a noção de espírito e alma canaliza para a divindade, uma vez que Deus é espírito, o humanismo, contradiz-se a si mesmo, ao negar a participação de ambos na prática científica, porque reduz a humanidade ao objeto, pela negação da parte imaterial, tendo em vista deixar do lado de fora a influência e realidade de Deus no ser humano total.

A secularização da universidade excluiu dos programas de ensino toda e qualquer abordagem de caráter subjetivo, porque as emoções, os sentimentos, a vontade, a imaginação, a intuição, a consciência, e todas as demais faculdades da alma e do espírito do homem não contam onde o que se persegue e estuda é apenas a compreensão objetiva da matéria, a saber, do universo material que nos cerca, aí incluído o nosso próprio corpo.

A própria práxis psicológica e psiquiátrica, das quais se deveria esperar uma maior pesquisa das faculdades psicológicas e espirituais, no âmbito da subjetividade em que elas existem, é eminentemente acadêmica e empírica, focada na objetividade, voltada simplesmente para a busca de resultados aplicados às áreas terapêutica, profissional, pedagógica dentre outras, e não propriamente à compreensão para a elevação e edificação do próprio espírito e alma humanos.

O grande paradoxo nisto tudo é que o corpo e a matéria passam, mas o espírito é eterno, de modo que se prioriza não o que permanece, senão o que é temporário. E que sabedoria real há nisto?

Todo o esforço da sociedade secular se concentra portanto não na edificação do ser humano, quanto à sua necessidade de crescimento pessoal pelo amadurecimento e aperfeiçoamento de suas faculdades psicológicas, espirituais e morais, no que poderíamos chamar de busca do homem total, pleno da vida e da consciência de Deus, mas o esforço se concentra meramente na formação acadêmica secular pela obtenção de conhecimentos e habilidades para a atuação na produção de bens e serviços materiais, visando-se não ao sujeito, mas ao objeto. O homem nada mais deve ser do que um mero consumidor e executor das práticas em que foi formado através dos programas de ensino seculares.

Um ser espiritual sendo reduzido à matéria! A parte nobre da alma sendo negligenciada em prol do corpo – que é o invólucro temporário do espírito!

Ainda assim, gaba-se o cientista de viver de modo objetivo, ignorando que a subjetividade que conduz à religiosidade é inerente ao espírito humano, ali instalada pelo próprio Deus, para que fosse buscado pelo homem para ser adorado por ele. Ora, negar tal realidade é negar a Deus o direito que Ele detém sobre a criatura! E, por conseguinte, nega-se também a própria humanidade, porque esta não pode existir na verdadeira acepção da palavra, caso esteja alijada da vida divina.

A adoração é uma das faculdades que pertencem exclusivamente ao espírito humano, pois é notório que mesmo nos animais que são dotados de alma, a mesma não existe em razão de não serem dotados de um espírito, que é a parte que distingue o ser humano de tudo o mais que existe na criação.

Assim, Deus não poderia ter errado o grande alvo ao nos dar a revelação da verdade na Bíblia, uma vez que ela tem em vista o resgate e a restauração da humanidade, sobretudo da alma e do espírito, conforme podemos verificar em inúmeras passagens bíblicas, das quais destacamos algumas do Novo Testamento, em que figuram citações diretas ao espírito e à alma, as quais podem ser acessadas através do seguinte link:

http://www.recantodasletras.com.br/mensagensreligiosas/5383851

São faculdades do espírito: Consciência, comunhão, adoração, intuição, amor ágape, fé, revelação, e tudo o mais que faz parte do Espírito Santo, que pode ser gerado no espírito humano: paz, alegria, domínio próprio, bondade, fidelidade, mansidão etc.

São faculdades da alma: emoção, vontade, razão, sentimento, e tudo o mais que se refere às funções cerebrais tanto em humanos quanto em animais.

Mas, na apreciação das faculdades da alma e do espírito, não devemos nos limitar às que foram anteriormente citadas, sem levar em conta a grande gama de realidades invisíveis que operam em ambas, e que são traduzidas em nosso comportamento, e em especial em nossos relacionamentos interpessoais.

Sem que entremos no mérito do que é pertinente exclusivamente ou não à alma ou ao espírito, destacaremos algumas destas realidades que podem ser classificadas como virtudes (quando correspondem ao que existe no caráter de Deus), tendo ao seu lado a designação da realidade negativa que lhe corresponde, por pertencer à natureza caída terrena.

Humildade – arrogância, soberba,
Misericórdia – implacabilidade, crueldade
Perdão – mágoa, rancor, juízo condenatório
Pureza – fornicação, impureza
Fidelidade – adultério, traição
Gratidão – ingratidão
Hospitalidade – inveja, ciúme
Gentileza – rudeza, vileza
Afabilidade – desafeição
Coragem – covardia
Altruísmo – ganância
Veracidade, sinceridade – hipocrisia, falsidade, mentira
Justiça – injustiça
Amizade – inimizade, ira, porfia
Generosidade – egoísmo

A lista é extensa e aplicável sobretudo às virtudes ou erros do espírito humano que podem ser melhoradas (virtudes) ou agravados (erros), quando respectivamente nos aproximamos ou nos afastamos da operação da graça de Deus.
Daí sermos exortados como crentes, em II Coríntios 7.1: “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.”
Ora se tais virtudes destacadas, dificilmente são achadas em plenitude nos próprios crentes que têm o Espírito Santo de Deus, por serem de Cristo, quanto mais se poderia esperar achá-las como virtudes genuínas e não o fruto de hipocrisia, em pessoas que não amam a Cristo e os Seus mandamentos?
Quem esperaria colher maçãs em um espinheiro?

Podemos observar nas passagens bíblicas do Novo Testamento que a palavra psique – alma, (da qual se origina a palavra psicologia) é várias vezes empregada para designar não o corpo físico humano, mas a parte imaterial animada, de modo que é costumeiramente traduzida por vida, para melhor expressar o significado a que se refere. De modo que, por exemplo, quando nosso Senhor afirma que veio para dar a sua vida em resgate de muitos, ele não está se referindo apenas à morte física, mas muito mais do que isso, a saber, que Ele entregou todo o seu ser com todos os poderes e faculdades animados e inteligentes da alma, do espírito, e não apenas do corpo, ou seja, ele entregou-se totalmente por nós.

Concluímos, pois, quão iludidos e enganados estão todos aqueles que julgam a Bíblia como sendo um livro ultrapassado e que não trata com profundidade as questões relativas às necessidades da natureza humana. Nada há mais distante da verdade do que isto, porque se Deus não nos tivesse revelado a verdade, jamais poderíamos chegar ao conhecimento da nossa real condição corrompida e decaída, e que pode ser restaurada somente pelo remédio que também nos é revelado por Deus na Sua Palavra. Tudo o que a chamada prática científica tem afirmado em relação a este campo é fumaça e não propriamente a substância real do mundo espiritual que pode ser discernido somente por meio da fé, a qual é um dom de Deus para aqueles que o amam.

Na simplicidade da revelação nós encontramos um castelo de ouro e pedras preciosas, e em todo o emaranhado das teorias e postulados humanos nada mais há do que um castelo de madeira e palha que não poderá resistir à prova do fogo, e se desfará.

Melhor então que os currículos universitários não abordem as questões relativas à real condição de nossos espíritos, porque se tentassem fazê-lo, pelas mentes de homens incrédulos, o que teríamos seria um grande amontoado de teorias enganosas, conforme costuma suceder aos que se aventuram a fazê-lo. E se não o fazem, é porque nada têm realmente a dizer a respeito, porque coisas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente por meio da operação do Espírito Santo (I Cor 2.9-16).

Em suma, de tudo o que se aprende na Bíblia, tanto no Velho quanto no Novo Testamento é que tanto a alma quanto o espírito, afastados de Deus, estão não apenas arruinados e em trevas, mas mortos, e o corpo caminha para a destruição sem a esperança da ressurreição em glória.

Se são de muita ajuda nos assuntos relativos à cura de enfermidades físicas e psicossomáticas, o que podem, no entanto, fazer os médicos, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas e qualquer cientista, quanto ao resgate e restauração do homem como um todo (espírito, alma e corpo) para a obtenção da vida eterna que está somente em Cristo Jesus, nosso Senhor, e não somente isto, como também em relação à nossa educação e edificação espiritual para que cheguemos à plena medida da varonilidade de Cristo?
Esta total dependência do espírito humano do Espírito de Deus, pode ser vista claramente na abundância de referências ao Espírito Santo, no texto bíblico, em conexão com o espírito humano.


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