QUANDO NÃO ENTENDEMOS DEUS “como manter a fé quando o sofrimento não faz sentido”

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QUANDO NÃO ENTENDEMOS DEUS

“como manter a fé quando o sofrimento
não faz sentido”

I Reis 17:17-24

Introdução: Elias havia chego ao vilarejo de Sarepta com baixas expectativas, afinal ser sustentado por uma viúva não era o que ele esperava depois de ter passado por um período onde sua provisão dependia de corvos. Mas o que ele não imaginava é que encontraria uma mulher que além de viúva era tão pobre que estava catando lenha para sua última refeição com o seu único filho. Mas os métodos de Deus podem ser improváveis, mas nunca impróprios.

Elias inicia a conversa pedindo que ela faça primeiramente um bolo para ele com o que restou em sua despensa. Poderíamos considerar isso um atrevimento do profeta. Será que ele não percebeu não havia sustento nem para ela? Não poderia esperar que ela comesse com o seu filho e depois com o que sobrou fizesse alguma coisa para ele?
Aquela viúva não entendeu assim e por isso foi capaz de experimentar um milagre. Ela colocou Deus em primeiro lugar e Deus em resposta fez daquela última refeição, a primeira de muitas. Deus fez do seu fim um novo começo.

Depois desses acontecimentos, o profeta passou a morar naquela casa e com certeza a viúva entendeu que com ele lá tudo iria correr perfeitamente bem. O pior já havia passado. Os tempos ruins haviam ficado para trás. Mas para surpresa dela o menino ficou doente. Até aí tudo bem, mas a doença se agravou e apesar de adotar todas as medidas possíveis, o pior aconteceu – o menino morreu!

E agora? Que Deus é esse que poupa uma criança de morrer de fome para logo depois permitir que uma doença o mate? E tudo o que ela fez em favor do profeta? Será que é essa a recompensa que Deus dá aos que os servem? Teriam sido os pecados que ela cometeu na juventude a razão de Deus levar seu filho? Por que punir o seu filho por algo que era responsabilidade dela?

Com certeza essas e outras dúvidas perturbaram essa mulher. E não só ela, mas Elias também. Deus de repente havia se tornado um estranho. Eles não duvidavam da existência de Deus, mas já não sabiam mais em quem estavam crendo. Que Deus é esse? Se Ele é bom e deixa que isso aconteça, então seu poder é limitado? Se Ele tem poder, mas não fez nada para evitar, é bom o suficiente?
O que fazer para continuar crendo quando o sofrimento não faz sentido? Como não perder a fé quando não entendemos Deus?

1. Para não perder a fé quando o sofrimento não faz sentido é preciso aceitar o fato de que Deus é maior que nossa teologia: Louvamos ao Deus que tira José da prisão para fazer dele o governador do Egito. Mas e o Deus que deixa João Batista morrer numa masmorra?
É preciso entender que por mais que nossa teologia seja correta, ela nunca é completa. Deus é sempre maior que ela. É preciso crer como Jó que Deus é tanto o Deus que dá, como também o Deus que tira. Crer como Marta e Maria que o fato de Lázaro ser o amado isso não o poupou de ser afligido. O mesmo Deus que nos conduz nas tempestades é também o Deus que nos conduz às tempestades.

Não há teólogo maior que o sofrimento. Se não fosse a morte de Lázaro, nunca Marta e Maria entenderiam que Jesus é a ressurreição e a vida. Se não fosse Abraão estar disposto a sacrificar Isaque, ele nunca entenderia que Deus é o Deus que provê. O sofrimento transforma conceitos em vivência.
Aquela viúva e também Elias estavam para experimentar algo nunca antes imaginado com relação a Deus. As incertezas em breve se transformariam em convicções de uma profundidade ímpar. O nosso desespero é a oportunidade de Deus. Nossa teologia cresce à medida que somos experimentados no sofrimento.

2. Para não perder a fé quando o sofrimento não faz sentido é preciso não permitir que a dúvida (problema da mente) se torne incredulidade (problema do coração): A fé verdadeira não encara a dúvida como um inimigo porque sabe exatamente para onde ir com ela. O oposto da fé não é a dúvida, mas a incredulidade. A dúvida é uma dificuldade de entender a vontade ou a providência divina, mas a incredulidade é a dúvida com relação ao caráter de Deus. Foi isso o que aconteceu com o povo de Israel na fronteira de Canaã. Eles estavam a um passo da terra prometida, mas acabaram tropeçando no deserto por 40 anos por duvidarem do caráter de Deus.

Não deixe a dúvida descer ao seu coração e essa incapacidade de entender Deus se tornar numa indisposição de crer Nele. É preciso lembrar que antes de sermos seres racionais, somos seres espirituais e as coisas espirituais só se discernem espiritualmente. A Bíblia diz que o justo viverá da fé e não da razão.
Jairo procurou Jesus quando sua filha estava doente e quando já no caminho de volta à sua casa, sua filha morre. O ruim havia ficado pior. Com certeza dúvidas assolaram seu coração. Mas Jesus disse para que ele apenas cresse.

Talvez em sua jornada as coisas pioraram justamente quando você começou a andar com Jesus, mas lembre-se: Ele ainda não terminou o que foi chamado para fazer.
Talvez como Elias você não possa expressar suas dúvidas para outros, mas as leve diante de Deus e você então verá que mesmo que as dúvidas não sejam eliminadas, elas ficarão sob controle.

3. Para não perder a fé quando o sofrimento não faz sentido é preciso cuidar para não se perder na causalidade do sofrimento: A viúva pensou que todo aquele sofrimento era devido a algum pecado seu, cometido em algum lugar do passado. Os discípulos numa certa ocasião diante de um homem cego de nascença também especularam sobre a razão daquele sofrimento. Eles queriam saber o porquê daquele homem ter nascido daquele jeito. A resposta de Jesus? Nenhuma. Ele não explicou as causas para eles, antes os direcionou para a finalidade daquele sofrimento – a glória de Deus. A bíblia não se ocupa em explicar as origens do mal, ela aponta sobre como o mal será erradicado desse mundo. A pergunta que devemos fazer não é ‘Por que, Senhor?’, mas ‘Senhor, o que eu posso aprender com isso?’.

Não fique tentando achar uma explicação sobre como você entrou nessa situação nem procure por uma saída. Procure por Ele. Ele não só conhece a saída, mas o melhor momento para deixarmos o sofrimento para trás.
Podemos não entender as razões de Deus, mas podemos crer que Deus tem sempre razão. Descanse sua fé em seu caráter e o que Ele faz agora você poderá entender depois. Quando se sabe que há um ‘por que’, suporta-se qualquer ‘como’.

4. Para não perder a fé quando o sofrimento não faz sentido é preciso lembrar que circunstâncias extremas exigem atitudes extremas: Elias não amenizou o problema. Se ele teve alguma revelação de Deus ou seguiu alguma intuição não sei, mas ele faz alguma coisa com o que pode pensar de imediato. Deitar-se sobre um defunto o tornaria impuro, mas o que era quebrar um protocolo religioso diante da possibilidade de reviver uma criança? Sua fé era tanta que ele foi capaz de transgredir uma regra (tocar um morto) sem violar um principio (priorizar a vida).
É preciso encarar os problemas como eles realmente são. Enfrentá-los a altura. Não se deixar amarrar por regras nem protocolos, pois quando se trata da vida qualquer sacrifício vale a pena.

5. Para não perder a fé quando o sofrimento não faz sentido é preciso observar que apesar da Bíblia não ter todos os exemplos, ela contém todos os princípios: Não encontramos na Bíblia nenhum exemplo de como lidar com filhos com autismo. Nem como criar filhos com síndrome de down.
Não devemos procurar na Bíblia por soluções. Cada caso é um caso, o que funciona para um pode não funcionar com você. Devemos buscar na bíblia ferramentas para lidar com as coisas que ficaram fora de controle. Então, pare de orar pedindo por livramento e passe a orar por sabedoria.

Elias não tinha na história nenhum exemplo a recorrer sobre como ressuscitar mortos. Não havia na história nenhum caso que servisse de jurisprudência para ele. Mas se não havia exemplos, ele tornou-se um. Foi o primeiro. E por causa de sua fé que estava além de exemplos, a partir daquele dia a morte deixou de dar a última palavra!
A Bíblia não nos oferece todas as respostas para cada sofrimento que nos atinge, mas ela nos fornece todos os recursos para respondermos qualquer sofrimento que nos aflige, seja com a paz para suportá-lo ou com o poder para superá-lo.

6. Para não perder a fé quando o sofrimento não faz sentido é preciso saber que a oração sem meios é indolência e os meios sem a oração são pura presunção: À primeira oração de Elias houve apenas silêncio no céu. Mas isso não o desestimulou. O silêncio de Deus não o calou. Ele associou a sua oração os meios que dispunha. Orou e fez algo. Oração termina com ação (or-ação). Devemos orar como um calvinista e trabalhar feito um arminiano, ou seja, devemos orar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse de nós. Associe a sua oração o jejum, as lágrimas, a vigilância etc. Se Elias tivesse só orado, nada teria acontecido. Se tivesse apenas agido, nenhum milagre aconteceria. A oração não é um substituto para a nossa ação, antes é ela quem sustenta as nossas ações. A oração não é tudo na vida cristã, mas é ela quem possibilita tudo nessa vida.
A oração não é a alavanca que move o braço de Deus, mas o motor que nos move por inteiro!

7. Para não perder a fé quando o sofrimento não faz sentido é preciso aprender a ouvir o seu fracasso: Elias deitou-se uma vez e nada. Duas vezes e nada também. Foi necessário repetir o procedimento três vezes e depois de tudo também orar.
O insucesso nem sempre diz para desistirmos, mas talvez para mudarmos o método. Os métodos podem ser mudados, o que não dá para abrir mão é do propósito.
Ouvir o que nosso fracasso diz é importante para que a nossa perseverança não se torne teimosia.

Talvez não estejamos fazendo nada de errado. Talvez não precisemos nem adotar outro método. O que talvez seja necessário é intensificar o que estamos fazendo de correto, pois não adianta fazer a coisa certa, é preciso fazer a coisa certa na intensidade certa.
A perseverança é o que cria o caminho para o futuro que desejamos.
Às vezes é de fracasso em fracasso que chegamos a ser bem-sucedidos.

CONCLUSÃO: Tão importante quanto a ressurreição do menino nessa história, foi o que aconteceu com Elias depois de tudo. Até aqui ele era o Elias, o tesbita. Depois desse evento, ele se tornou Elias, o homem de Deus. O sofrimento é a forja que Deus usa para transformar homens comuns em gente de fibra. Depois desse acontecimento, para aquela viúva, a palavra de Deus na boca de Elias se tornou verdade. Ela nunca mais o ouviria com os mesmos ouvidos. O que Deus faz em nós durante o sofrimento é mais importante do que aquilo que Ele eventualmente faça por nós. Que Deus nos livre que a sua palavra em nossa boca seja uma piada como foi com Ló!


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