A Obediência da Fé e Pela Fé

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“1 Ó Insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi exposto crucificado, entre vós?” (Gál 3.1)

Não é suficiente saber a verdade e dizer que nós cremos nela, mas nós temos também que obedecê-la.
Nós temos que nos submeter à verdade e praticá-la.
Nós podemos inferir das palavras de Paulo em Gál 3.1 que aqueles que estão espiritualmente encantados, ainda que a verdade em Jesus esteja claramente diante deles, ela não será obedecida.

Deste modo, é importante evitar todo tipo de fascínio espiritual que opere no sentido de nos separar da verdade que está em Cristo.
Nós temos aqui um exemplo característico das coisas ruins que sucedem a cristãos individualmente e mesmo a congregações inteiras.
A graça não transforma um cristão instantaneamente, em nova criatura perfeita, porque restos de corrupção permanecem na velha natureza.
O Espírito Santo não pode vencer imediatamente a deficiência humana.
A santificação leva tempo.

Paulo disse que Jesus havia sido exposto crucificado, diante dos gálatas, isto é, a doutrina da cruz tinha sido pregada a eles.
A morte vicária de Cristo tinha sido ensinada a eles como o fundamento da nossa salvação porque o pecador necessitava que alguém morresse no seu lugar, em face da sua completa insuficiência e incapacidade para operar a sua própria salvação em razão principalmente da dívida de pecados que não pode ser liquidada eternamente pelos homens, ainda que sofrendo um castigo eterno.

Um homem pode fazer restauração do mal que praticar a outro homem e ser perdoado por ele, mas não tem como pagar a sua dívida infinita de pecados praticados contra Deus. Necessita portanto de um Fiador, de alguém que pague a conta por ele, e isto pode ser feito somente por Jesus Cristo, por ter sido castigado por Deus e morrido carregando sobre Si os pecados do mundo inteiro.
E o que fizeram os gálatas?
Eles abandonaram esta doutrina e abraçaram em seu lugar a doutrina da salvação pelas suas próprias obras.
Isto não era uma tremenda insensatez?
Isto não poderia ser explicado senão somente como sendo o resultado de um fascínio diabólico?

Por isso Paulo os chamou de insensatos e encantados, porque haviam permitido que fossem persuadidos pelo encantamento de Satanás através dos seus falsos profetas, pastores e mestres.
Satanás é astuto. Ele não somente encanta os homens de uma maneira crua, como também de uma maneira sutil.
Ele maltrata as mentes dos homens com falácias horrorosas.
Não há ninguém entre nós que não tenha sido seduzido alguma vez por Satanás em falsas convicções sobre o evangelho.
Mas os ataques da velha Serpente não são sem vantagem para nós, porque eles confirmam nossa doutrina e fortalecem nossa fé em Cristo.

Consequentemente nos é ordenado que estejamos revestidos de toda a armadura de Deus para resistir aos principados e potestades, e a vigiar em todo o tempo, de maneira que não sejamos também seduzidos pelo Inimigo de nossas almas.
Com a pergunta: “Quem vos fascinou?”, Paulo desculpa os gálatas, ao mesmo tempo em que culpa os falsos apóstolos que lhes haviam conduzido à apostasia.
É como se ele estivesse dizendo: “eu sei que a apostasia de vocês não foi voluntária. O diabo enviou falsos apóstolos a vocês, e eles lhes ensinaram que vocês deveriam crer que somente poderão ser justificados pela Lei. Então, com esta nossa epístola nós pretendemos desfazer o dano que os falsos apóstolos produziram em vocês.”.

Como o diabo tem esta habilidade misteriosa de nos fazer crer numa mentira a ponto de jurarmos mil vezes que ela seja a verdade, nós não deveríamos então ser orgulhosos, mas estar em temor e humildade diante de Deus, e clamar por nosso Senhor Jesus Cristo para não nos deixar cair em tentação.
Devemos investigar cuidadosamente a verdade tal como se encontra revelada nas Escrituras, sobretudo nestes dias de apostasia, onde prevalecem ensinos de homens e de demônios no seio da própria Igreja, contra o evangelho genuíno de Jesus Cristo.
Para provar a insensatez dos gálatas em terem renunciado à doutrina que lhes havia sido pregada e ensinada, Paulo se vale do argumento de que eles tinham recebido o Espírito Santo simplesmente pela fé na doutrina que lhes havia sido pregada de que a salvação é obtida exclusivamente pela graça.

Isto não era uma prova suficiente para eles de que o Evangelho que Paulo lhes havia pregado era a verdade?
As suas palavras não os levaram a receber o Espírito prometido?
A presença do Espírito Santo neles não era a assinatura de aprovação da verdade da Palavra que lhes havia sido pregada?
Não foi também debaixo da doutrina da graça que Deus havia feito tantas maravilhas entre eles?
E a pregação desta verdade não lhes trouxe sofrimentos por conta das perseguições, tribulações, aflições que experimentaram e que visavam ao aperfeiçoamento espiritual deles?

“Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão.
Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?” (Gál 3.4,5).

Deus fizera todas estas coisas neles e entre eles sem nenhum ensino sobre salvação pelas obras da Lei, senão somente pelo Evangelho que eles haviam abraçado, a saber da salvação pela graça, mediante a fé, e como é que eles estavam renunciando à Palavra da verdade que estava produzindo tais operações reais e celestiais entre eles?
Isto não ocorrera afinal porque foram fascinados e não agiram com sabedoria divina, senão com insensatez carnal?
Não foi por crerem em justificação por obras da Lei que Deus havia operado entre eles, e como poderiam então ter apostatado da verdade?

Se era o Espírito Santo que estava produzindo novo nascimento e santificação neles, como poderiam tentar aperfeiçoar a sua vida espiritual pela simples observância da Lei cerimonial, e segundo a própria capacidade deles em cumprir a Lei.
Eles estavam intentando fazer pela carne aquilo que somente pode ser produzido pelo Espírito, porque sem estar debaixo da instrução, da direção e do poder do Espírito, não é possível guardar de fato os mandamentos de Deus, e não haverá nenhuma transformação espiritual que nos conduza a uma semelhança cada vez maior com Cristo.
Por isso o apóstolo disse que eles haviam começado no Espírito mas estavam tentando se aperfeiçoar pela carne.

“Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?
“Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” (Gál 3.2,3)

Estavam tentando aperfeiçoar o velho homem, a velha natureza decaída no pecado que a Bíblia chama de carne. Quando Cristo veio para crucificar em nós esta natureza e nos revestir de uma inteiramente nova e celestial.

Pr Silvio Dutra


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