A Grande Razão do Amor – Lindo Como uma Poesia

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“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.” 1 João 4:19

Este é o ponto onde todos os cristãos genuínos se encontram. Todos eles podem dizer, sem exceção, “Nós amamos.”
Eles não concordam em doutrina, é uma pena, mas eu suponho que, enquanto estamos neste corpo, nenhum de nós, entenderá todas as verdades de Deus de uma vez, e cada homem, vendo apenas uma parte da verdade, é mais provável que pense que o que ele não vê não é verdade, e no entanto pode ser tão importante quanto o que ele é capaz de perceber.

Há grande diversidade de experiência, bem como da doutrina. Talvez a minha experiência seja diferente da sua, mas se estamos em Cristo, podemos dizer, cada um de nós, com igual verdade e intensidade: “Nós O amamos.”
E você vai notar, também, neste curto espaço de expressão que existe uma força, uma energia nela, principalmente derivada do fato da Pessoa deste amor. “Nós O amamos.”
Podemos amar o bem-aventurado Filho de Deus, Aquele que condescendeu, o Cordeiro que foi sacrificado, morreu, que ascendeu ao céu, e que reina.
“Nós O amamos.” Dependemos dele.

Devemos ter mais pregação sobre a Pessoa de Cristo e os nossos corações devem assumir cada vez mais a confiança e afeto para com ele.
Uma religião meramente doutrinal certamente há de se degenerar em fanatismo. Uma religião experimental, mais cedo ou mais tarde afundará em tristeza. Entenda o que eu quero dizer. Não estou falando contra a doutrina ou experiência. Pelo contrário, eu diria tudo o que pudesse em favor de ambas, porque entram na vida de todos os que vivem perto de Cristo, mas fazer a um ou a outro o grande mestre do pensamento, meditar sobre qualquer um deles, lutar por eles, viver para eles, empenhar toda a sua força para eles pode fazer com que você degenere!

Mas quando você vive para Ele. Quando Ele é a Verdade que você crê no coração. Quando Ele é o Caminho que você pisa. Quando Ele é a Vida que você experimenta e quando a doutrina e prática e experiência de todos se encontram nele como linhas em um centro, então você não será degenerado, mas se levantará! Você irá de glória em glória, sendo transformado pela presença do Senhor. Então, “Nós o amamos”.
Mas devo fazer uma observação antes que eu mergulhe no texto, ou seja, que a fim de se amar essa pessoa bendita, por ser uma pessoa deve-se, antes de tudo, ter tido alguma familiaridade com Ele. E, em seguida, alguma convicção profunda a respeito de Sua Excelência. Não podemos amar a quem não se conhece ou que se estime. Se nós não sabemos nada a respeito de Cristo, se não temos a devida compreensão dele, e não ocuparmos, em qualquer grau, nossas mentes com Ele, podemos falar de amor a Ele, mas será mera conversa.

Faço esta observação porque eu tenho notado que, às vezes, ao abordar as crianças da escola dominical, não é incomum dizer-lhes que o caminho para ser salvo é amar a Jesus, o que não é verdade. A maneira de ser salvo para o homem, mulher ou criança é crer em Jesus para o perdão dos pecados e, em seguida, confiando em Jesus, o amor vem como um fruto!

O amor não é de nenhuma maneira a raiz. A Fé, sozinha, ocupa esse lugar.
E eu acho que eu ouvi de pessoas mais jovens, também, falando sempre sobre a questão, “Eu amo o Senhor, ou não?”, Uma pergunta muito boa, mas não é a primeira, mas a segunda! A pergunta que deve sempre vir em primeiro lugar é: “Eu confio no Senhor, ou não? Eu descanso inteiramente no que Ele tem feito por mim? Estou dependendo Dele para a vida eterna e a salvação?” Se a primeira pergunta é respondida, a segunda não vai permanecer por muito tempo uma questão de dúvida! Mas se você começar com a segunda, e negligenciar a primeira, você pode se envolver em consequências muito graves. O grande preceito do Evangelho não é “Ame a Cristo”, mas, “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”, e não porque o amor seja menos do que a fé, mas que o amor, embora, talvez, seja o primeiro em excelência, em alguns aspectos, vem em segundo lugar em questão de ordem, e que a fé é a primeira a ser vista na alma e então o amor, inevitavelmente, e necessariamente se seguirá.

I. A confissão geral ótima: “nós o amamos.”

Agora, se você é um filho de Deus, você dirá: “Nós o amamos.” Tão certo como você passou das trevas para a luz, se você é um episcopal, ou um presbiteriano, ou batista, ou o que quer que você seja, você vai concordar com esta expressão da boca de uma só Igreja: Todos nós, sem exceção, que cremos nele, e o amamos.
Mas como podemos amá-Lo? Em primeiro lugar, nós O amamos, nem todos, como devemos amá-Lo. Nossa concepção do que é devido a Cristo é, sem dúvida, muito aquém do que é devido a ele, mas estamos aquém mesmo da nossa própria concepção!
Agora, lembre-se, que nunca amaremos mais a Cristo pelo simples dever de amá-lo, pois o amor e o dever, de alguma forma ou de outra, não funcionam bem juntos.

Se você quiser amar mais a Cristo, pense mais nEle, estude mais sobre o Seu caráter na Palavra de Deus. Permaneça mais vezes perto dEle em oração. Viva mais em comunhão santa com ele. Este é o combustível secreto que fará nossa alma se incendiar no fogo do amor a Jesus! Nós não o amamos como deveríamos, nem como desejamos.
Mas apesar de tudo isso, veremos em segundo lugar, que realmente o amamos. O diabo nos diz que não, mas podemos recorrer a Alguém que sabe melhor do que o diabo, e podemos dizer: “Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que te amo”. Que misericórdia é que Jesus Cristo não pesa as nossas ações, pois elas muitas vezes dizem: “Jesus, não te amo.” Mas ele lê os nossos corações e os nossos corações ainda batem sentindo: “Oh, meu Deus! Em minha alma eu amo a Cristo, e se fosse possível eu nunca iria pecar contra o Senhor!

Oh, miserável homem que eu sou, que devo viver de modo contrário à minha verdadeira vida e que a única coisa que eu deveria fazer, eu não faço, e o que não quero, é o que faço, porque eu encontro essa lei nos meus membros, me levando cativo. Porque eu gosto de liberdade e sou, de fato, livre, e não serei escravo de ninguém, mas a esposa livre de Cristo Jesus, meu Senhor”. Sim, nós realmente o amamos!
E também, se somos santos em tudo, nos o amamos na prática. Temos prazer em seu serviço, em sua companhia, em seus amigos.

Não amamos Jesus Cristo somente de modo prático, mas o amamos supremamente. Esse ponto tem muitas vezes atormentado bons corações. Eles afirmam: “Eu não posso dizer que eu amo Jesus Cristo mais do que o pai, ou mãe, ou marido, ou esposa, ou um filho.” Não, você não pode dizer isso, e há muitas coisas que não podemos dizer que seria melhor não dizermos, porque seria vergonhoso para nós dizê-las.
“Nós o amamos”, também, sempre. O amor de um cristão a Cristo, não é uma coisa de domingo, nem de reuniões públicas e reuniões de oração. “Nós o amamos”, é a pronunciação do homem sentado à mesa escrevendo uma carta, ou em pé no seu trabalho. “Nós O amamos.”

Nosso amor não é um espasmo. Não é uma mera emoção, uma coisa de excitação.
“Nós o amamos”, sobriamente, constantemente, persistentemente. “Nós o amamos com a nossa vida diária! É parte do nosso ser mais íntimo!
Nós o amamos cada vez mais. Nem sempre penso assim, mas é verdade, se estamos bem com Deus. Nós O amamos mais do que nunca. O amor superficial desaparece.
No início da conversão há muita emoção, muita novidade, mas depois há o constante calor, e a calma de uma alma brilhante!
Quanto mais se conhece a Cristo, mais o amamos. Quanto maior for a sua experiência da Sua fidelidade, Sua plenitude, Sua franqueza, Sua bondade e grandeza, mais profundo, e mais largo será o seu amor por Ele! E eu confio que é assim.
E outra coisa, nós o amamos e não temos vergonha de amá-Lo e não temos vergonha de confessá-lo.
Enquanto outros amores morrem como lírios, o nosso amor a Cristo deve continuar para sempre e sempre aumentando! E quando o céu e a Terra passarem, o amor imortal, eterno, deve ainda permanecer!

II. A RAZÃO gloriosa para o nosso amor.

“Nós O amamos, porque Ele nos amou primeiro.” Nós não amamos a Cristo, porque ouvimos o pastor pregar, ou recebemos suas doutrinas, ou porque pudemos entender que tais e tais coisas são ensinamentos de nosso Senhor. A razão para o nosso amor é que Ele fez algo. “Nós amamos porque Ele primeiro nos amou”. O amor é a causa do amor! Nós amamos depois porque Ele ama em primeiro lugar e antes de nós. Basta olhar para trás a sua vida antes da conversão. Ele amou você, então. O que te fez amá-lo em tudo? Foi porque lhe foi dito que Ele amou você e você creu. A Lei e os seus terrores nunca te fizeram amá-Lo, eles endureceram você.

Jesus te amava quando você vivia em segurança, quando você negligenciou a Sua Palavra, quando o joelho estava dobrado em oração. Ah, amou alguns de vocês quando estavam no salão de dança, quando você estava no teatro profano, sim, mesmo quando você estava no bordel! Ele amou você, quando estava no portão do inferno e bebendo a condenação! Ele lhe amou quando você não poderia ter sido pior do que já era! Maravilhoso, ó Cristo, é o seu estranho amor! Que amor é esse que brilhava sobre nós quando éramos servos de Satanás? E ainda assim Ele nos amou! E havia outros de nós que estavam cheios de orgulho, se gabando da própria justiça, tão orgulhosos como Lúcifer, quando não havia nem mesmo uma coisa boa em nós, e ainda assim fomos amados com o Seu grande amor com que nos amou, quando ainda estávamos mortos em transgressões e pecados! Bendito seja o Seu nome!

Agora, isto é uma questão de experiência, e é também um assunto da nossa convicção de alegria e confiança que Jesus nos amou naquele dia em que o sol se obscureceu e ainda, pela primeira vez começou a brilhar, naquele dia em que fazia tremer a Terra e o Céu foi criado, naquele dia em que os mortos se levantaram e os pensamentos dos homens foram descobertos, naquele dia em que Ele, o substituto designado, subiu ao Calvário, com todos os pecados de todo o Seu povo sobre ele, empilhados como um enorme mundo, quando, como outro Atlas, Ele levou essa carga esmagadora sobre os Seus ombros e depois soltou todo o peso infinito no esquecimento! Naquele dia, Ele deu a prova suprema do seu amor por nós. Olhe para os olhos vermelhos de tanto chorar, veja como Ele ama! Olhe para aquela face ferida com os espinhos sujos e com as marcas dos punhos dos escarnecedores que o esbofetearam! Veja como Ele amou! Olhe para a sua língua tão ressecada. Olhe para o rosto todo, tão desfigurado quanto uma morada de tristeza. Olhe para todo o corpo tão completamente agonizante, torturado e lânguido. Sim, olhe para o lado dele, cortado aberto pela lança do soldado, que precioso fluxo de sangue e água, declara, com força indiscutível que Jesus ama! E nós não havíamos ainda nascido. Então, se não estávamos aqui! Ele nos amou primeiro.

Ele nos amou quando, no jardim, nossos primeiros pais nos arruinaram a todos e uma promessa foi dada de que Ele esmagaria a cabeça da serpente.
Bem, se isso não é uma boa razão para amá-Lo, onde poderia tal razão ser encontrada? Ele nos amou primeiro. Oh, corações frios! Oh, lajes de mármore! Oh, blocos de granito! Oh, icebergs! Se não derreterem agora,
Era um amor tão condescendente que Ele se inclinou do céu para chegar até nós, deixou de lado as realezas da Glória e tomou sobre Si as fraquezas da Terra! Era um amor tão duradouro que as dez mil provocações de nossa incredulidade e do nosso pecado nunca o apagariam!

As muitas águas não podem apagá-lo, nem podem os rios afogá-lo. Era um amor tão generoso que Jesus deu a todos nós! Ele nos deu mesmo seu Pai e seu Deus, porque Ele não diz: “Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”? Ele se nos deu e Ele nos dá neste dia a ele mesmo! Ele nos dá a comunhão consigo mesmo. Ele nos dá o Seu sangue para nos lavar. Ele nos dá a Sua justiça para nos vestir. Ele nos dá a Sua vida para o nosso exemplo, o seu trono para o nosso descanso.
Era um amor bastante desinteressado. Jesus não tinha nada a ganhar. O ganho era nosso. Seus sofrimentos, quão terríveis! E tudo por Seu doce amor por nós que éramos seus inimigos!

Este oceano do amor de Cristo não pode ser medido. Mergulhe nele! Peça que possa ser engolido por ele! Ore para que ele possa batizar você, e que, doravante, para você o viver seja Cristo, e o morrer seja ganho!
Irmãos e irmãs, o amor do Senhor está sobre vocês, e em vocês, e que possam viver mais uma semana na força do Seu Espírito vivificador! E quando estivermos juntos de novo, que nossos corações mantenham algo do brilho do afeto que eu creio que nós sentimos queimando dentro de nossos corações nesta noite. Para o Seu nome seja o louvor! Amém.

Adaptação e redução do sermão de nº 3398 de Charles Haddon Spurgeon, elaboradas pelo Pr Silvio Dutra.


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