Dogmatismo – A necessidade de uma revisão em nosso relacionamento com Deus

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Vamos começar nossa reflexão contando 01 história:

…E o circo começou a pegar fogo, pouco antes do início do espetáculo naquela pequena cidade do interior. Na correria para solucionar o problema, o palhaço é quem recebe a incumbência de correr até a cidade para alertar a todos. Ele já estava maquiado, caracterizado de palhaço, pronto para entrar no picadeiro, mas não havia tempo hábil para se trocar, pois o fogo se alastrava. Então ele corre em direção a cidade do jeito que está.
Resultado: ao ver o palhaço entrar na cidade correndo, gritando que o circo está pegando fogo todos riram, pois acharam tratar-se de uma jogada de marketing para atrair mais publico para o circo.

Ao ver tamanha “realidade” no que pensaram ser uma atuação, chegaram a aplaudir o palhaço.
Não como ele não conseguiu dar o seu recado, as medidas de contenção do fogo não ocorreram, o fogo se alastrou destruindo não só o circo, mas também as plantações, casas, ou seja, quando se deram conta de que naquela situação o palhaço estava falando sério, era tarde não havia o que se fazer.

Esta historia nos leva a uma reflexão importante na reconstrução do nosso relacionamento com Deus, pois pode nos ajudar a quebrar barreiras e nos posicionarmos também em outras áreas de nossas vidas.
Mas que ensinamentos uma história de circo e palhaço pode oferecer para crescermos, fortalecemos termos maior intimidade e transparência no nosso relacionamento com Deus?
Analisando o que ocorreu, chegamos a palavra que é o título desta reflexão – DOGMATISMO.

E repetindo a pergunta – e o que isto tem a ver com nosso relacionamento com Deus?
Primeiramente a definição de DOGMATISMO – Acontece quando somos levados a crer, por instituições pré estabelecidas ou pelo desastroso inconsciente coletivo, que a vida é assim, seu curso está pré-fixado e nossa vontade ou inteligência são impotentes para alterar o situação.

Explicando melhor: Na atitude dogmática a vida nos é apresentada e nós aceitamos como já dada, feita, pensada e transformada. Assumimos o senso comum de nossas instituições (sociedade, família, igreja) e através deles aceitamos os padrões, crenças e verdades pré estabelecidas. E mesmo quando acontecem fatos excepcionais/extraordinários, a tendência dogmática tende a reduzir a intensidades destes fatos, reduzindo-os ou enquadrando-os em padrões já conhecidos e aceitos.
Foi o que aconteceu em nossa historia, o povo, assumindo atitude dogmática, não viu uma realidade somente porque aprendemos que palhaço é inconseqüentemente, brincalhão, serve para fazer rir, contar piadas, não pode ser levado a sério o que ele fala. Assim como nas escolas, professor ensina aluno aprende.

E nas igrejas ….. é estamos nos aproximando do foco da nossa reflexão.
Ao nos convertermos recebemos uma visão dogmática do que é igreja, relacionamento com Deus. Pacote pronto sem direito a questionar.
IGREJA: passou a ser local físico onde encontramos Deus (muitos afirmam que só é possível encontrar Deus lá, e mais, vemos disputa denominacionais visando determinar quem tem a preferência de Deus ).

PASTORES/APOSTOLOS (ou seja lá como se autodenominam, porque já temos patriarcas, candidatos a anjo, e neste crescente de tentar aparentar uma unção maior que o “concorrente” denominacional, não será surpresa se em breve aparecer candidatos a ocupar o trono com Jesus ). Esquecendo a mensagem da cruz estes homens se apresentam como nossos intermediadores do nosso relacionamento com Deus, escolhidos “ por Deus” e portanto habilitados a criar procedimentos, trazer mensagens para o povo. Se colocam como seres espiritualmente superiores, a quem o povo deve obedecer incondicionalmente, sob a ameaça de estar desagradando a Deus.

RITUAIS são as “coisas” inventadas para principalmente levantar recursos financeiros, mas são apresentadas como forma de relacionamento com Deus, de condição para que Deus atenda nossa orações:
– campanhas mirabolantes (Corrente para Quebrar as muralhas de Jericó, Jejum de Josué – subindo o deserto para conquistar a Terra Prometida, Sexta Feira Forte – Desencapetamento Total, 12 dias de oração para 12 meses de bênçãos, 21 dias de Daniel – durante 21 dias voc~e receberá a unção de Daniel, são exemplos deste tipo de artifício utilizado pelas igrjas para manipular o povo de Deus),entrar com carro importado na igreja para os fieis tocarem, venda de “patuás” evangélicos (fronhas, vidros com água do Jordão, sabonetes ungidos para lavar pecados são alguns exemplos) entre outras aberrações
Claro que temos a consciência de que não se pode generalizar, pois como disse Nelson Rodrigues “a unanimidade é burra”, por isso não há pretensão de qualificar a todos os pastores/igrejas como problemáticas e indignos de confiança. Não.

Nosso objetivo é levar o povo a agir segundo a Palavra de Deus orienta em Atos 17.11 “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo.”
É entender a frase de John Stott quando ele diz “ Crer também é pensar”
É atender ao chamado de Efésios 5.14 “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá”

É através de um relacionamento vertical, intenso profundo com Deus, entender, conhecer e principalmente viver o que Ele nos ensina em sua Palavra.
E é este relacionamento que nos prepara e estrutura no sentido da quebrar o dogmatismo em nossa vida, principalmente no que diz respeito a religião.
Precisamos não nos contentar em sermos apenas bem informados, mas procurarmos respostas para a pergunta que sempre devemos fazer “as coisas são mesmo tal como parecem ou estão sendo apresentadas?” Como disse Platão “A vida não questionada não merece ser vivida”

Uma visão dogmática se destrói quando somos capazes de uma atitude de estranhamento diante das coisas que não são familiares, “vendidas” como verdades inquestionáveis
ESTRANHAMENTO = Esforço de tentar perceber o mundo como algo novo – segue algumas citações na Bíblia
“… pelo novo e vivo caminho” Hb10.20,
“Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas” 2 Coríntios 5:17
Mas cuidado, quando um movimento de questionamento desponta, os tradicionalistas, os fariseus, os falsos mestres e falsos pastores, logo saem no ataque classificando essa atitude como heresia, questionamento a Palavra de Deus.

Mas o que efetivamente acontece? Estão preocupados com a salvação daqueles a quem rotulam “desigrejados”, ou o medo real é outro?
Na maioria dos casos a 2ª. alternativa é que é a verdadeira.
Alguns, da linha tradicionalista, querem manter o povo cativo as regras que muitas vezes extrapolam a Palavra de Deus,

Mas Jesus nos deixou na PALAVRA DE DEUS as orientações que precisamos:
– Criticando aos fariseus (Marcos 7.6-9)
“E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim;
Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens.
Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas.
E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição”.
(leia também o Capítulo 23 do Livro de Mateus)

– alertando para os falsos mestres e profetas, estes sim com interesses escusos, estão preocupados com o risco da evasão de receitas provenientes do dízimo e das ofertas
“Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos”. (Mc 13.22)
E o pior, o medo maior, tanto dos tradicionalistas como dos falsos profetas, é que esta atitude corajosa de enfrentamento, abra os olhos dos que estão cegos pelo dogmatismo pela manipulação, e vendo, comecem a questionar.
– deixando diretrizes para atacarmos este mal que nos cega:
“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo”. Cl 2.8

“Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras:
“Não manuseie!”, “Não prove!”, “Não toque!”?
Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.
Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne”.Cl 2.20-23

“Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da Lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da Lei escrita”. Rm 7.6

“Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os torna filhos por adoção,por meio do qual clamamos: “Aba, Pai” Rm 8.15

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.Rm 12.2

“Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu disse”.Jo 14.26
“Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou”. 1JO 2.27

Portanto, este êxodo de cristãos das igrejas não tem nada de rebelião, e muito menos de afronta a Palavra de Deus, mas simplesmente atendendo a orientação de Deus no Salmo 32.9 “Não sejam como o cavalo ou o burro,que não têm entendimento
mas precisam ser controlados com freios e rédeas;caso contrário não obedecem”.


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