Aprendendo com os momentos de depressão e crises existenciais

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1 Reis 19.1-13

Introdução

O v.1 deste capitulo chama a nossa atenção para fatos ocorridos anteriormente os quais tiveram Elias como seu protagonista.
Mas que fatos foram estes? Quais foram os feitos de Elias que Acabe repassou para sua esposa Jezabel?
Se dermos uma olhada no capitulo anterior (cap.18), veremos que Elias, em nome do Senhor, realizou coisas impressionantes.
– Desafiou o rei Acabe e confrontou os pecados cometidos por ele e toda a sua dinastia.
– Conclamou toda a nação de Israel a se definir diante do Senhor; a sair de cima do muro, a deixarem de viver uma duplicidade religiosa (1 Reis 18.21).
– Fez uma proposta desafiadora aos 450 profetas de baal e aos 400 profetas de Asera/pôster-ídolo.
– Orou e o Senhor respondeu com fogo confirmando o seu poder exclusivo acima de todos os deuses fabricados pelo homem.
– Exterminou todos os profetas de baal.
– Orou e o Senhor respondeu mandando chuva depois de 3 anos e meio de seca.
Em resumo, no cap. 18 nós vemos um Elias que em nome do Senhor estava fazendo e acontecendo, um Elias no auge, no topo da vida espiritual.
De repente, no capítulo seguinte, o mesmo escritor fala de um Elias temeroso, cansado da vida, buscando um isolamento, um Elias depressivo desejando para si aquilo que o ser humano mais repugna… Desejando para si a morte.
Parece até que o escritor está falando de dois homens distintos, mas, na verdade, os dois capítulos tratam de um mesmo homem vivendo dois momentos distintos na sua caminhada de fé: um momento de auge e euforia espiritual, e um momento de depressão e crise existencial.
Que lições podemos aprender com esse momento de depressão e crise existencial vivenciado pelo profeta Elias em nossa caminhada de fé?

1. O Senhor não nos desumaniza

No cap. 5.16 da carta de Tiago está escrito: “A oração de um justo é poderosa e eficaz”. Para ilustrar essa declaração acerca da eficácia da oração feita por um justo, Tiago busca um exemplo no Antigo Testamento. No v.17 do mesmo capítulo diz: “Elias era homem sujeito as mesmas paixões que nós”…
Amados, que Elias era homem isso era óbvio. Mas, por que Tiago fez questão de enfatizar esta verdade tão óbvia?
Não temos certeza dos motivos que o levou a enfatizar a humanidade de Elias. Mas, o que ele deixou claro é que o fato de sermos homens de Deus, homens de fé, de orarmos e as coisas acontecerem, não elimina a nossa humanidade.
Em 1 Rs 19 nós temos uma ilustração clara daquilo que Tiago declarou acerca do profeta. Nós temos um Elias ameaçado de morte por uma mulher que, do ponto de vista humano, tinha autoridade e poder para matá-lo.
Nós vemos também que essa ameaça desencadeou uma crise na vida do grande profeta de Deus.
Eu convido vocês a analisarem comigo todo processo da crise de Elias.
v. 3 – sentiu medo e fugiu com o propósito de salvar a própria vida.
v. 3c, 4a – buscou isola-se de tudo e de todos. Ele não queria ver nem ouvir ninguém. Desejou para si a morte v.4.
Amados, não precisamos ser excelentes psicólogos para sabermos que fuga, isolamento e desejo de morrer são sintomas claros de um estado depressivo.
O grande profeta Elias fugiu, isolou-se e desejou morrer, em outras palavras, Elias entrou num processo de depressão. Coitado de Elias se vivesse em nossos dias!!!
Tem muita gente que pensa que depressão não é coisa de crente. Esse mal entendimento da fé cristã tem levado muitos a entrarem “em crise porque estão em crise”. Muitos crentes vivem em crise porque estão em crise. Será que eu sou crente mesmo? Se sou por que estou tão depressivo?
Amados irmãos, a presença do Espírito Santo em nós não nos desumaniza. Deus em nós não nos torna uma coisa fria, sem vida e destituída de sentimentos…, também não nos torna semi-deuses.
Crente é gente, tem sentimentos, tem emoções, tem lágrimas e se abate com as pressões da vida. Sofre pressões com os problemas familiares, matrimoniais, de sobrevivência,… vividos dentro da igreja, com doenças crônicas ou até mesmo incuráveis dentro da família, com perdas repentinas de entes queridos, vive crises existenciais: a vida perde o seu sabor, a sua razão de ser.
Devido às várias e variadas pressões vivenciadas é possível que cheguemos a nos desesperar da vida. (2 Co 1.8).
Isso acontece porque o Senhor não nos desumaniza. De sorte amados, que assim como Elias, é possível que cheguemos ao ponto de desistirmos da vida,… De nós mesmos.
Mas a segunda lição que podemos aprender com essa experiência de Elias é que em nossa caminhada de fé…

2. O Senhor não desiste de nós, mesmo quando já desistimos de nós mesmos. V.5-7

Elias já havia desistido da vida e de si mesmo. Mas o que ele não sabia era que o Senhor não tinha desistido dele, nem estava alheio ao seu momento de crise.
Ele foi ao seu encontro a fim de reanimá-lo: levanta-te e come… v.5.
Elias estava tão desanimado com tudo que estava se passando na sua vida, que mesmo tendo se alimentado, voltou a dormir e a aguardar que o Senhor colocasse um ponto-final na sua vida. No entanto, queridos, o Senhor não só foi ao seu encontro, mas insistiu em ir ao seu encontro v.7.
Meu amado irmão e ouvinte, eu não sei o nível da crise que você está vivendo hoje, individualmente ou coletivamente como igreja de Deus.
Eu também não sei se as pressões que você têm sofrido na família, no casamento, na igreja, na sociedade, que tem levado você a um estado depressivo, a um desejo enorme de parar, de desistir da vida ou de si mesmo.
A única coisa que posso lhe assegurar é que mesmo que você já tenha desistido de si mesmo, saiba que o Senhor não desistiu de você.
Com base na experiência de Elias nós percebemos que o Senhor não só nos incentiva a prosseguir, mas também nos dá a graça e as condições necessárias para prosseguirmos. V.8.
Com a força daquela comida, Elias caminhou mais de 300 km, essa era a distância de Berseba ao monte Horebe/Sinai.
Uma refeição normal não capacitaria Elias há nem dois dias no deserto. Isso mostra que para a sua jornada Elias contou com força sobrenatural do Senhor.
Portanto, amado irmão e ouvinte, não diga: “Eu não quero continuar mais, não consigo”. Busque no Senhor a graça e a força necessária para continuar.
Uma terceira lição que podemos aprender com a experiência de Elias nesse texto é que em nossa caminhada de fé…

3. O Senhor sabe nos abordar de acordo com o momento que estamos vivendo v.11,12

Vento forte, terremoto e fogo são elementos da natureza que Deus emprega para revelar-se, manifestar-se ao homem.
Ele revelou-se a Moisés do meio da sarça ardente; quando Moisés estava recebendo a lei no Sinai o monte tremia e fumegava;
A revelação da ira de Deus no livro de Apocalipse se dá através de terremotos, fogo e trovões.
Há momentos nas nossas vidas em que precisamos de umas sacudidas divinas e para isso ele emprega vento forte, terremoto e fogo.
Por outro lado, há momentos em que precisamos do aconchego e do seu abraço acolhedor e para isso ele usa o murmúrio de uma brisa suave.
Ele sabe nos abordar de acordo com o momento que estamos vivendo.
Para religiosos, cheios de si, confiantes na sua ascendência nobre, Ele usou João Batista para dizer: “Raça de víboras! Quem vos ensinou fugir da ira vindoura? Produzi frutos dignos de arrependimento. Mt 3.7b, 8 . Aqui Ele empregou vento forte, terremoto e fogo.
Mas, para uma multidão sofrida, oprimida pelo pesado jugo imposto pelos religiosos de Israel, Ele disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei”. Aqui Ele empregou o murmúrio de uma brisa suave.
Ele sabe como nos abordar!
Ele sabia que Elias estava em crise, desanimado, cansado da vida e desejoso de parar. Sabedor da situação do seu servo, o Senhor não revelou-se no vento forte, nem no terremoto, nem no fogo, mas numa brisa calma e suave.
Meu amado irmão, como está o seu estado de espírito? Está em crise? Está angustiado? Está desanimado? Está sentindo que as pressões na sua vida já estão no limite do suportável?
Saia da caverna, saia do seu isolamento e fique na expectativa do murmúrio da brisa calma e suave do Senhor.

Conclusão

Gostaria de concluir chamando a sua atenção para a última frase dos VS 9,13.
Em várias situações da vida, o Senhor faz perguntas óbvias, não porque Ele desconhece os fatos, mas porque Ele quer nos ouvir.
– No Éden, Ele questionou Adão: Onde estás? Ele sabia… mas queria ouvir o que Adão tinha a dizer.
– Fora do Éden ele questionou o fratricida Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele sabia que Caim havia assassinado o seu irmão, mas queria ouvir a sua confissão.
– Ele questionou Jacó, homem possuidor de uma deficiência de caráter: Qual é o teu nome? O anjo sabia… mas ele queria ouvir a sua confissão.
Nesse texto Ele questionou Elias: Que fazes aqui, Elias?
Ele sabia o que Elias estava passando, Ele estava a par do seu estado depressivo, Ele sabia do seu profundo desejo de encerrar a sua jornada; Ele sabia também o porquê da sua crise. Mas mesmo assim Ele perguntou, porque queria ouvi-lo.
Amados, o Senhor conhece as nossas crises, Ele conhece o nosso desânimo, como também as causas do que estamos vivendo… mas mesmo assim, Ele quer nos ouvir, Ele quer que coloquemos pra fora o que está entalado na garganta.
E foi exatamente isto o que Elias fez, apesar de que, tudo o que ele disse, o Senhor já sabia v.10.
Portanto abra seu coração; Ele quer te ouvir.

PS. Este estudo tem no meu blog: http://www.paulocesarnascimento.blogspot.com


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