Prosperidade de Deus X Prosperidade do Mundo

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“Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6:31-33

Através dessa poderosa passagem bíblica vamos analisar e compreender o que é a prosperidade. O que será que Jesus estava querendo dizer com “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”? Será que a prosperidade, pela perspectiva bíblica, tem o mesmo sentido que a prosperidade pela perspectiva do mundo? Afinal, o que é prosperidade?

Para responder a essas e outras perguntas, vamos analisar o que significa a palavra PROSPERAR segundo o Minidicionário Aurélio: “1. Tornar-se próspero, 2. Ir em aumento; progredir, 3. Desenvolver-se”. Segundo o Dicionário da Bíblia de Almeida, o termo PROSPERAR significa “Aumentar; progredir; enriquecer” e o termo PROSPERIDADE significa “condição de estar bem de vida”. Em outras palavras, a prosperidade é a condição em que uma pessoa progride, aumenta, desenvolve-se, tornando-se bem de vida.

Nesse sentido o termo é idêntico tanto no Minidicionário Aurélio quanto no Dicionário da Bíblia de Almeida. Contudo, o termo tem abrangência e alcance totalmente diferentes segundo as visões de Deus e do mundo. Além de abrangência e alcance diferentes, a prosperidade de Deus atua de acordo com uma atitude inicial diferente da atitude inicial ditada pela prosperidade do mundo. Somando-se abrangência, alcance, atitude inicial e a visão de Deus (bíblica) sobre prosperidade, compreenderemos que obtenção de riquezas e bens materiais são apenas consequências na vida das pessoas que cumprem a primeira parte do versículo 33: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça”.

1- A visão de Deus sobre prosperidade

Através da leitura bíblica e atenção aos preceitos e mandamentos do Senhor, podemos observar que a prosperidade segundo Deus não é aquilo que muitas pessoas têm dito por aí. Temos visto em muitos púlpitos pelo mundo uma pregação superficial e materialista do evangelho, dando ênfase a obtenção de bens, riquezas e poder econômico, em detrimento do real significado de prosperidade segundo a ótica divina.

Ser próspero, segundo a visão do Senhor, não é ser rico, nem implica em grande quantidade de bens materiais e financeiros. A prosperidade bíblica não está relacionada ao número de carros novos ou casas que você possui, nem ao número de empresas que você administra, nem ao valor depositado em sua conta bancária. Se fosse assim Jesus não teria dito ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então vem, e segue-me” Mateus 19:21. Aquele jovem possuía prosperidade segundo o mundo, mas era pobre para com Deus.

Para entender o que é prosperidade segundo Deus, temos que compreender para onde os olhos do Senhor estão voltados. Em I Samuel 16:7 o Senhor diz a Samuel: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como vê o homem. O homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”.

Desta maneira, a prosperidade de Deus e a prosperidade do mundo são totalmente diferentes, até mesmo opostas. O homem olha (cobiça, deseja, almeja) o que está diante dos olhos (bens materiais, dinheiro, posses), mas o Senhor olha para o coração (sentimentos que movem o homem, intenções, pensamentos).

Disso também testificou Jesus quando disse: “Ninguém pode servir a dois senhores. Ou há de odiar a um e amar o outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas” Mateus 6:24.

Assim a prosperidade para um cristão é oposta a prosperidade de um ímpio. O ímpio busca cada vez mais riquezas, status social, poder econômico, sem se importar com os outros, as vezes pisando nas pessoas ou “puxando o tapete” de seus concorrentes. O cristão busca um coração renovado, novas atitudes, o reino de Deus, a vontade do Senhor, não pisa em seu próximo e, se preciso for, sofre prejuízo para não prejudicar a ninguém.

Nossa prosperidade começa em nosso interior, em uma nova forma de viver, agir, sentir e pensar e daí flui para fora de nós (até mesmo em bens materiais). A prosperidade do mundo vem de fora para dentro, pois com o acúmulo de bens, posses e dinheiro, o interior do homem é mudado, a cobiça cresce e valores como lealdade, bondade e honestidade são deixados de lado.

Agora reflita por um momento: qual a prosperidade que você tem buscado para sua vida? Quais os valores que dominam seu coração: o monetário ou os sentimentos de Cristo? Você deixaria de vir para a igreja por um gordo salário em uma excelente empresa, que não te permitiria mais cultuar o Senhor?

2- Atitude Inicial

No versículo 33 de Mateus capítulo 6 está escrito: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Jesus não disse que Deus nos daria tudo que precisássemos e só depois deveríamos servir a Ele. O Senhor não disse: vou te dar tudo o que você precisa e depois, se der tempo, você me serve.

O versículo é bem claro: “buscai primeiro o reino de Deus”. Infelizmente existem pessoas dentro das igrejas que estão nos cultos visando somente a benção, o milagre, a porta aberta, mas não querem servir a Deus, não querem mudança de vida, nem serem transformadas pelo evangelho. Querem receber, mas não querem dar; querem ser ajudadas, mas não ajudam a ninguém; querem ser amadas, mas são brutas, ignoram os irmãos e não cumprimentam aqueles que têm aparência mais simples.

A prosperidade segundo a Bíblia parte de uma atitude inicial minha e sua: “buscai primeiro o seu reino e a sua justiça”. Se tal atitude não ocorrer, Deus não tem obrigação alguma de te fazer prosperar, pois uma regra do evangelho é a obediência. Quem obedece agrada a Deus e recebe a benção que espera, conforme está escrito em Atos 5:29: “Respondeu Pedro e os apóstolos: mais importa obedecer a Deus do que aos homens!” e em Hebreus 11:6: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”.

Portanto tenhamos a atitude inicial necessária, vivamos a Palavra, para que a prosperidade do Senhor venha sobre as nossas vidas!

3- Abrangência e alcance da prosperidade

Quando falamos de abrangência estamos nos referindo às áreas da vida de uma pessoa em que tal prosperidade atua, enquanto que o alcance refere-se às pessoas que diretamente ou indiretamente serão afetadas por essa prosperidade.

Façamos então uma comparação entre a prosperidade do mundo e a bíblica:

Abrangência da prosperidade do mundo: geralmente a vida financeira e profissional, contemplando os bens materiais, status social, dinheiro, poder, etc.

Abrangência da prosperidade bíblica: todas as áreas da vida de uma pessoa. Aquele que busca o reino de Deus e sua vontade tem supridas todas as suas necessidades nas áreas espirituais, familiares, financeiras, profissionais, sentimentais, do bem estar físico e psicológico. O nosso Deus supre em tudo e em todo o tempo. Basta analisarmos a restituição na vida de Jó, no capítulo 42:

– Espiritual – versículo 5: “com os ouvidos eu ouvira falar de ti, mas agora te vêem os meus olhos”, versículo 9b: “e o Senhor aceitou a oração de Jó”;

– Financeira – versículo 12: “Assim abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro. Jó veio a ter quatorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas”;

– Familiar – versículo 13: “Também teve sete filhos e três filhas”;

– Bem estar físico – versículo 16: “Depois disto viveu Jó cento e quarenta anos; viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até a quarta geração”.

Alcance da prosperidade do mundo: geralmente se vê o alcance negativo, pois o acúmulo de bens e a ganância diminuem o convívio entre pais e filhos, entre marido e esposa; os valores distorcidos dos pais infectam seus filhos, que também se tornam gananciosos, presunçosos, soberbos, sem limites morais ou éticos. Reflita: quantos jovens de classe média e classe média alta estão envolvidos com drogas, prostituição; quantos desses jovens assaltam bancos por diversão ou mesmo assassinam os próprios pais em busca da herança? Basta assistir aos telejornais e veremos muitas notícias a esse respeito.

Alcance da prosperidade bíblica: o exemplo dos pais que vivem conforme a Palavra contagia seus filhos e as pessoas de seu convívio familiar. A benção de Deus flui pela vida dos pais e os filhos também são alcançados por essa benção. Veja o que diz em Jó 42:15: “Em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó, e o seu pai lhes deu herança entre os seus irmãos”. A plenitude da benção de Jó alcançou até seus filhos e filhas que certamente aprenderam com o pai e pelo seu exemplo a buscar a Deus.

Os filhos são reflexos da vida e conduta de seus pais. Quais sementes estão sendo plantadas neles? A semente do mundo ou a semente da Palavra de Deus? O que eles têm visto em você? Qual a prosperidade que você tem buscado para a sua família?

4- Bens e riquezas são consequências, não o objetivo!

Por tudo o que vimos aqui, obter bens e riquezas não deve ser o objetivo dos verdadeiros cristãos. Nosso objetivo deve ser buscar a Deus, a vontade do Senhor e nos submeter a ela para alcançarmos a salvação e podermos ver ao Senhor.

É claro que a prosperidade financeira também está incluída na prosperidade bíblica (como foi visto pela vida de Jó), contudo não é o objetivo de Deus para nós. As riquezas são consequência da obediência aos mandamentos, é um “bônus” que o Senhor entrega a cristãos fiéis, que não se tornarão gananciosos ou presunçosos ao receber tal benção, que serão liberais para o reino de Deus e para com os que são necessitados. E Deus não dá riquezas a todos igualmente!

Para alguns Ele, que é soberano, dá poder, riquezas e grandes coisas para serem úteis a Sua vontade, enquanto que para outros Ele supre as necessidades, nada lhes falta, mas não se tornam ricos. Podem ter certeza que haverão cristãos que usarão ônibus a vida toda, morarão de aluguel a vida inteira e, na vinda de Nosso Senhor, vão morar no céu, pois “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo, porque quem nisto serve a Cristo, agradável é a Deus e aprovado pelos homens” Romanos 14:17-18.

A prosperidade de Deus supre todas as necessidades do indivíduo, em todas as áreas de sua vida, para que nada lhe falte, desde que se obedeça a Sua vontade. Afinal, o propósito de Deus é que sejamos ricos no céu e que lá moremos com Ele pela eternidade!

Esse é o nosso objetivo e a nossa herança! Em Nome de Jesus Cristo! Amém.


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