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Lei x Graça

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Lei x Graça

ÍNDICE

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Introdução

1. Cristo, Nossa Redenção, Justiça e Santificação
2. O que é a Antiga Aliança
3. O que é a Nova Aliança
4. O Crente está Morto para a Lei
5. O Espírito Santo é uma Promessa da Nova Aliança
6. Deus é o Alvo tanto na Antiga quanto na Nova Aliança
7. Deus é quem salva, e não a Aliança
8. A Antiga Aliança era Figura da Nova
9. A Responsabilidade na Nova Aliança é Exclusivamente Individual
10. A Bênção e a Maldição
11. A Longanimidade de Deus na Antiga e na Nova Aliança
12. A Finalidade da Lei
13. Jesus livrou o Crente do Jugo da Lei
14. Todo o Mérito é da Graça
15. A Graça exige Perseverança
16. Pregar o Evangelho a Toda Criatura
17. Uma Nova Esperança para Adúlteros e Ladrões
18. O que é a Caducidade da Letra
19. O Jugo da Lei de Moisés e o de Jesus e da Sua Lei
20. Fazer a Vontade de Deus é Mais do que Cumprir a Lei Moral
21. Conclusão

Introdução

Consideramos ser de suma importância, introduzir o assunto Lei x Graça com as seguintes reflexões, nas quais, destacamos biblicamente a Firmeza da graça e a fraqueza da Carne, para prevenir possíveis exageros e falta do necessário equilíbrio na compreensão do significado da relação entre a Graça e a Lei.

Por que nosso Senhor teria alertado aos próprios apóstolos para vigiarem e orarem em todo o tempo, alegando que o espírito está pronto mas a carne é fraca?
Se não houvesse o risco de se decair da Sua graça que é poderosa para nos firmar na fé até o fim, enquanto consentirmos e cooperarmos com o seu trabalho de santificação, porque teríamos tantos alertas na Bíblia quanto ao perigo extremo de decair da graça?
Em II Pe 3.17 o apóstolo Pedro alerta os crentes quanto ao perigo de descair da firmeza da graça por darem ouvidos ao erro doutrinário de falsos mestres.
Paulo afirmou que muitos crentes gálatas que procuravam se justificar pelas obras da Lei haviam decaído da graça.
E o mesmo apóstolo exortou a igreja de Corinto a vigiar para não cair da graça por pensarem estar de pé pelo seu próprio poder, sem se sujeitarem ao trabalho do Espírito Santo.
Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo, em muitas parábolas afirmou o caso de servos infiéis que foram lançados nas trevas exteriores, como se vê por exemplo na parte final de Lucas 12 e na parábola dos talentos.
A graça e a obra de salvação é segura a ponto de nosso Senhor afirmar que não lançará fora de modo algum a qualquer que venha a Ele.
Isto pressupõe, para muitos, que a salvação de genuínos crentes é irrevogável. E cremos que, de fato, genuínos crentes perseverarão até o fim, especialmente em razão do trabalho paciente e poderoso realizado pelo Espírito Santo em suas vidas.
Todavia, como a igreja visível, neste mundo, está cheia de hipócritas, ou seja, de pessoas que parecem ser crentes, mas que na verdade não são, torna-se muito difícil para o simples juízo humano saber quem é e quem não é crente de fato.
Por isso, os crentes devem provar para si mesmos, pela perseverança em fé e santificação, que pertencem realmente ao Senhor, confirmando assim a sua eleição.
E a estes que perseveram se aplicam as palavras do autor de Hebreus, quando afirma que destes se esperam coisas melhores pertencentes à salvação porque não pertencem ao grupo dos que recuam na fé, e sim ao grupo dos que permanecem na fé para a preservação de suas almas.
O próprio Deus afirma que o seu justo viverá da fé, mas caso recue, a Sua alma não tem prazer nele.
O apóstolo João disse em sua primeira epístola que um grupo de pessoas havia abandonado definitivamente a comunhão da igreja porque não contavam entre os verdadeiros crentes, e disse também que caso o fossem, teriam permanecido na igreja.
Vemos então, que no que depende de Deus a salvação é para ser eterna, conforme a Sua divina promessa, de modo que jamais anulará por Sua exclusiva iniciativa a aliança que fez com os crentes.
Todavia, ainda que pecados, dores de consciência e conflitos espirituais eventuais possam ser perdoados por Deus, mediante confissão e arrependimento, não anulando a aliança, é biblicamente afirmado que cairá da graça, que será queimado o ramo que não permanecer na Videira Verdadeira, que é Cristo, por causa de uma apostasia deliberada, na qual o suposto crente esteja muito confortável e determinado na prática de uma vida pecaminosa e contrária à vontade de Deus.
Assim, ainda que Deus seja sempre fiel ao pacto, não poderá garantir a permanência de um apóstata convicto no mesmo.
Daí se afirmar a necessidade que temos de perseverança e de confirmar a nossa eleição através do crescimento na graça e no conhecimento de Jesus.
O trabalho da nossa salvação é totalmente realizado e garantido por Jesus, mas mediante a nossa perseverança na fé. Daí Ele mesmo ter afirmado que somente o que perseverar até o fim é que será salvo.
Por isso vemos ser afirmado em Hb 6 tal firmeza e segurança, no que tange ao trabalho do Senhor na nossa salvação, porque afinal não é fraco Aquele que nos concede a Sua graça, todavia, no início do mesmo capitulo, somos alertados também quanto ao perigo de uma apostasia deliberada pela nossa própria iniciativa.
Assim, é necessário ter sabedoria para se saber discernir tal deliberação pecaminosa, com resistência ao arrependimento, ou seja, à mudança de comportamento carnal para espiritual, porque o próprio Senhor ordena que os apóstatas sejam considerados pela Igreja como sendo gentios e publicanos.
E é bem sabido que gentios e publicanos que não se arrependem, jamais serão achados no céu.
Estes que estavam na Igreja e que foram iluminados e provaram o dom celestial e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, estão expondo Jesus à ignomínia e de novo crucificando-O para si mesmos, porque pelo seu procedimento dão um falso e terrível testemunho de que a graça do Senhor não teria sido suficientemente forte e poderosa para mantê-los firmes na fé.
No entanto, eles próprios são como porcos e cães que foram apenas lavados superficialmente, e que não se submeteram a um trabalho contínuo no coração, e daí, se afirmar deles na Palavra que o seu último estado se tornou pior do que o primeiro, quando não estavam se submetendo ainda ao contínuo cair da graça sobre eles, por participarem da igreja visível e ouvirem a pregação do evangelho, e assim, Pedro diz que são como o cão que voltou ao seu vômito e a porca lavada que voltou a revolver-se no lamaçal.
A graça é suficiente para qualquer pecador, mas estes preferiram seguir o pendor da carne em vez do pendor do Espírito.
São como Demas, que abandonou o apóstolo Paulo e a obra missionária por ter amado o mundo.
Mas, como afirmamos antes, nos guardemos de errar por julgarmos que qualquer pecado praticado pelo crente consiste nesta terrível apostasia que é para a perdição eterna.
Há poder no sangue de Jesus para perdoar pecados e nos purificar de toda injustiça.
E certamente, Ele o fará se não endurecermos a nossa cerviz a ponto de nunca nos arrependermos e confessarmos os nossos pecados.
Lembremos sempre então que temos com o Senhor uma aliança de amor, que Ele se tornou para nós um Pai amoroso e fiel, mas nunca devemos esquecer também que nosso Pai é inteiramente santo e justo, de maneira que se afirma em Hb 10.26-31, o seguinte:

“26 Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados;
27 pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários.
28 Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés.
29 De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?
30 Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.
31 Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.”

E em Hebreus 12.25-29 lemos o seguinte:

“25 Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte,
26 aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu.
27 Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido feitas, para que as coisas que não são abaladas permaneçam.
28 Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor;
29 porque o nosso Deus é fogo consumidor.”

CRISTO, NOSSA REDENÇÃO, JUSTIÇA E SANTIFICAÇÃO
(I Cor 1.30)

Nenhum homem está perfeito fora de Cristo.
Veja que é dito em I Cor 1.30 que Ele se tornou da parte de Deus para nós a nossa sabedoria, justiça, santificação e redenção.
O apóstolo Paulo, bem instruído pelo Senhor acerca da verdade do Evangelho não colocou a nossa santificação aparte de Cristo.
Isto indica que é algo sobrenatural que teremos na nossa efetiva associação com Ele, crescendo em graça, de glória em glória, segundo a força operante do Seu poder até a estatura de varão perfeito.
Ainda que o pecado não tivesse entrado no mundo, necessitaríamos estar ligados espiritualmente ao Senhor, participando de Sua natureza divina, para que pudéssemos atingir o alvo do propósito de Deus na nossa criação.
Afinal, há eficácia no poder do Senhor em restaurar e tornar novas todas as coisas nas vidas daqueles que confessam os seus pecados e que fixam o propósito de Lhe serem agradáveis em tudo.
E mais do que isso, nosso Senhor conquistou para os que estão ligados a Ele, pela fé, uma salvação segura e eterna.
Há uma figura maravilhosa no Velho Testamento, dada pelo próprio Deus com o propósito didático de nos ensinar esta verdade, antes que ela se cumprisse em Cristo, a saber, a firmeza, segurança e eternidade que há em nosso Senhor Jesus Cristo e no Seu sangue, que Ele derramou por nós na cruz.
Então vejamos:
Somente ao sumo-sacerdote de Israel, dentre tantos sacerdotes, era permitida a entrada no Santo dos Santos do tabernáculo terreno, uma única vez por ano, e não sem o sangue do sacrifício que deveria ser aspergido sobre a tampa da arca da aliança, para que os pecados do povo de Deus pudessem ser perdoados por mais um ano.
Isto indicava que a expiação do pecado seria realizada por uma única pessoa, e somente por ela (nosso Senhor Jesus Cristo), que é sumo-sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque, não de um tabernáculo terreno, mas do celestial.
Somente Ele poderia entrar no Santo dos Santos do céu, para fazer expiação pelo pecado de todo o povo de Deus, de uma vez para sempre, pela oferta não de sangue de animais, mas do Seu próprio sangue que havia derramado na cruz.
Ele entrou além do véu que separa o Lugar Santo, do Santo dos Santos celestial, no qual Deus Pai se encontra juntamente com os querubins, e por isso, estes também estavam representados em figura no tabernáculo terreno.
E ali, fixou a esperança da nossa salvação como uma âncora segura e firme, que penetrou além do véu, ou seja, a nossa salvação está ancorada pelo próprio Senhor, no Santo dos Santos celestial, como se afirma em Hb 6.17-20.
Então, o plano de Deus na nossa salvação está firmado na imutabilidade do seu propósito, segundo a Sua promessa feita a Abraão, para que tenhamos forte alento e certeza da segurança eterna que temos em Cristo, conforme se lê também em Hb 6.17-20.
Assim, quando a Bíblia fala em reconciliação por meio de Cristo, está se referindo não a algo passageiro ou que possa ser destruído, mas a algo firme, eterno e seguro.
Estaremos assim, ainda inseguros ou desinteressados em tal reconciliação, que é um assunto de morte ou de vida?
O que escolheremos: a morte espiritual eterna ou a vida eterna que está em Cristo Jesus?
Se queremos a vida, sejamos então humildes de espírito e façamos uma confissão sincera dos nossos pecados ao Senhor, com a firme esperança de que seremos ouvidos, lavados e curados.

Afinal, fomos criados para sermos à imagem e semelhança do Senhor, e isto não pode existir sem que participemos da vida do próprio Deus, e cresçamos no homem interior (espírito) quanto ao Seu caráter e atributos comunicáveis (amor, santidade, misericórdia, etc).

“29 Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos;” (Rom 8.29)

Esta imagem e semelhança não pode existir sem estarmos ligados à Videira Verdadeira.
Ainda que não tivéssemos nenhum pecado, só estaríamos atendendo à demanda da justiça divina, se estivéssemos ligados a Jesus, posto que fomos criados para pertencermos a Ele.
Pertencer não como quem possui um objeto. Mas pertencer por ser participante da Sua própria vida. A cabeça (Cristo) e o corpo (a igreja).
Se Deus perdoasse apenas o nosso pecado e caso não recebêssemos o Espírito Santo para habitar em nós, ficando assim, desligados da vida de Deus, não se poderia afirmar que apesar de ter sido perdoados, que também estaríamos justificados.
O perdão do pecado, a vitória sobre o pecado são necessários, mas não são a causa de recebermos a vida eterna prometida, porque esta é o próprio Cristo vivendo em nós.
Assim, de nada aproveita ao homem confessar os seus pecados sem se render ao senhorio de Jesus Cristo.

“o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação.” (Rom 4.25)

A nossa justificação dependeu da ressurreição de Jesus. Ora, ainda que ele morresse resolvendo o problema do pecado, não poderíamos ser justificados caso Ele não tivesse ressuscitado, pois dependemos dEle mesmo para tal, estando ligados à Sua vida.
O perdão foi e é necessário por causa do pecado. A obra de expiação do pecado realizada por Cristo na cruz do calvário tem a ver com a morte do pecador, de modo a poder ser reconciliado com Deus, mas a ressurreição de nosso Senhor foi fundamental para que pudéssemos participar da Sua própria vida ressurrecta, obtendo assim, a vida eterna.

“10 Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
11 E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação.” (Rom 5.10,11)

O apóstolo Paulo mediante revelação e inspiração do Espírito, entendeu que somos salvos pela própria vida de Jesus, e é por meio dEle mesmo, por estarmos nEle, que somos reconciliados com Deus.
Podemos portanto afirmar que é em Cristo que estamos justificados.
Não é incorreto afirmar também que fomos justificados pelo sangue derramado na cruz, porque a expiação do nosso pecado é a porta de entrada para a justificação.
Há ainda outros que afirmam, em razão da imputação da justiça de Jesus ao crente, que a justificação é um ato declarativo da parte de Deus pelo qual nos considera justos, o que também é correto.
Seja qual for a conceituação que se dê à justificação, esta deve estar respaldada na Bíblia, portanto fica excluído qualquer conceito que a concilie às nossas obras, ao cumprimento da lei, enfim tudo que se relacione ao nosso próprio trabalho e mérito, pois como temos visto e continuaremos a aprender, a justificação é um ato exclusivo de Deus, que nos é concedido pela graça, e que recepcionamos simplesmente pela fé.
A justificação pela fé abre a porta para um viver na justiça do evangelho, de maneira que recebemos a justiça imputada, atribuída da justificação, para vivermos na justiça que é implantada pelo Espírito Santo.

Em razão da desobediência de Adão todos ficaram sujeitos ao pecado.
Não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores.
O pecado é uma lei que opera nos nossos membros e que nos leva para longe de Deus.
Nossa natureza decaída foge da presença do Senhor e não deseja submeter-se ao seu senhorio.
Nenhum pecador teria amado a Deus se não fosse primeiro amado por ele.
Ninguém buscaria entregar-lhe o coração se não fosse atraído por Ele.
A justificação não pode significar que nos tornamos perfeitamente justos desde que tivemos um encontro pessoal com Cristo, pois que ainda permanecemos sujeitos à ação do pecado e nem se pode dizer de nós, enquanto neste mundo, que chegaremos à plenitude da perfeição das virtudes de Deus.
Isto ocorrerá somente no porvir.
Mas não se declara na Palavra que seremos justificados no porvir.
A Bíblia afirma que já fomos justificados.
Então, a palavra justificação só pode se referir à nossa condição de termos sido reconciliados com Deus, por estarmos ligados a Cristo.
Qual seria portanto, a forma de se perder a justificação, se possível, a não ser pelo nosso afastamento do Senhor?
Se a nossa aproximação e aceitação dEle significou para nós sermos justificados, o nosso afastamento dEle implicaria conseqüentemente a perda da justificação.
Por isso necessitamos de santificação: para podermos permanecer ligados ao Senhor, porque Ele mesmo é a garantia da nossa justificação.
Mas, não permanecemos nEle, e somos santificados, simplesmente para não perdermos a nossa justificação e por conseguinte a nossa salvação, mas, para prosseguirmos em nosso crescimento espiritual, na nossa transformação pessoal à Sua imagem e semelhança, conforme é o supremo e eterno propósito de Deus.
É por isso que o Senhor afirma que não lança fora a nenhum que vem a Ele, e que a vontade do Pai é que não perca a nenhum dos que lhes foram dados por Ele.
Isto significa sobretudo que enquanto permanecermos nEle, nada poderá nos separar do Seu amor, porque a obra de expiação que fizera em nosso favor, para o perdão do nosso pecado, foi completa, perfeita e segura; assim, como a nossa justificação por estarmos nEle possui também tais características, porque é impossível que Ele possa ser vencido, e Sua vida é eterna e inabalável.
Porém, é importante sabermos que se a expiação da cruz é eterna, e nos concedido a bênção de termos todas as nossas transgressões cometidas antes da nossa conversão a Cristo, perdoadas e esquecidas por Deus, o viver vitorioso, pelo perdão de nossas transgressões posteriores à conversão, depende de sucessivos arrependimentos e confissões destes pecados presentes.
A obra de convencimento do Espírito Santo em relação ao pecado, procura também atrair-nos para Deus, convencendo-nos de que há disponibilidade e provisão de perdão e amor para nós, ainda que pecadores.
Mas a obra do Espírito vai muito além. Ele não só opera a morte da nossa velha natureza, como também regenera-nos com uma nova vida, e reveste-nos de poder especial através de dons e capacitações espirituais para a realização do nosso ministério.
A palavra regeneração, na Bíblia, vem do grego, Genetós (nascido, gerado) Ánoten (de novo, outra vez, de cima, do alto).
Este é o significado original e verdadeiro da palavra, quanto à interpretação do texto bíblico.
A conotação atual que lhe é atribuída, de reparar, consertar, não traduz a obra do Espírito em nós.
Nada há da herança recebida de Adão que possa ser melhorado.
O que herdamos dele foi sentenciado à morte na cruz do calvário.
A nova vida que temos em nós é a do próprio Cristo.
Por isso somos convocados a nos despojarmos do velho homem e a nos revestirmos da vida de Cristo, que é designada biblicamente como a vida do novo homem.

“Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.” (Rm 13.14)

“9 De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão.
10 Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.
11 É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: O justo viverá da fé;” (Gál 3.9-11)

“27 Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.” (Gál 3.27)

“20 Mas vós não aprendestes assim a Cristo.
21 se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus,
22 a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano;
23 a vos renovar no espírito da vossa mente;
24 e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.” “Ef 4.20-24”

“9 não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos,
10 e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;” (Col 3.9,10)

Paulo coloca a questão da obra da regeneração e santificação, nos seguintes termos: Fomos despojados do velho homem e revestidos de Jesus na conversão, mas este despojamento e revestimento devem prosseguir no processo de santificação.
A vida de Jesus é o vinho novo que deve ser colocado em odres novos. Não odres velhos ou que serão reparados e melhorados.
Se houvesse necessidade de remendo (conserto) nessa vida nova, este seria feito com tecido novo, pois em Jesus, recebemos uma vestimenta de vida inteiramente nova.
A velha natureza é inteiramente incompatível com a nova natureza que recebemos de Deus na conversão.
Por isso, o Senhor não trabalha com aquilo que é relativo à nossa antiga natureza decaída no pecado, procurando consertá-la.
Não.
Ele trabalha somente com o que é novo, e a obra de aperfeiçoamento que realiza em nós refere-se exclusivamente a esta nova vida.
O enchimento do Espírito Santo, das Suas virtudes, é qual o vinho novo que é colocado no odre.
Deus quer nos encher mais e mais do seu Espírito (Ef 5.18).
Acheguemo-nos portanto a ele como odres novos que somos para que ele nos encha da Sua vida divina.

“16 Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho; porque semelhante remendo tira parte do vestido, e faz-se maior a rotura.
17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário se rebentam, derrama-se o vinho, e os odres se perdem; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.” (Mt 9.16,17)

“Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado.” (I Cor 5.7)
“Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”(II Cor 5.17)

Em Cristo temos sido aperfeiçoados.
Podemos ser ainda imperfeitos, mas seremos perfeitos como Ele é perfeito, se permanecermos firmes na fé e nEle mesmo.
Somos chamados de justos, ainda que imperfeitos, porque estamos nAquele que é perfeito.
No porvir seremos também perfeitamente justos, não por nosso próprio poder e autoridade, mas por participarmos completamente dAquele que é a própria perfeição: o Senhor.
O problema do pecado precisa ser tratado antes, para que o propósito eterno de Deus, em amor, de ter muitos filhos semelhantes a Cristo, possa ser cumprido.
Para este propósito, Deus foi se revelando gradualmente.
A revelação pessoal vem antes da escrita.
Primeiro Ele se revelou, depois inspirou homens a registrar o que considerou essencial para a nossa instrução espiritual, de modo que possamos entender quem Ele é, e qual é a Sua vontade em relação a nós.
A Bíblia foi sendo produzida portanto, desse modo.
Adão, Noé, Abraão, Jacó, José. Somente muitos séculos depois, Moisés foi encarregado de registrar no que viria a ser o livro de Gênesis, a história da revelação referente ao período da vida desses homens.
A Antiga Aliança, a conquista de Canaã, os juizes, o reinado em Israel, os profetas, os cativeiros, tudo isso foi registrado nos livros do Antigo Testamento.
Mas, Deus revelou também nos dias do Velho Testamento as coisas que haveriam de acontecer no futuro, tanto as relativas à obra de Jesus, do Espírito Santo, como também ao arrebatamento, à glorificação dos salvos e ao Juízo Final.
Se os escribas e fariseus conhecessem as Escrituras como convém, e se conhecessem o poder de Deus, provavelmente teriam topado com a vontade do Senhor, e não teriam se confrontado com Jesus, conforme encontramos registrado nos quatro evangelhos.
Se erravam porque não conheciam as Escrituras e o poder de Deus, certamente não teriam errado o alvo do propósito da vida, caso conhecessem a sã doutrina por revelação do Espírito Santo, mas para isto seria necessário que se convertessem a Cristo.
Vemos assim a importância dessas duas coisas essenciais: a) conhecimento correto da revelação bíblica; b) comunhão com Deus no Espírito.
Como não tinham uma coisa nem outra, não puderam reconhecer a manifestação da justiça de Deus, na pessoa de Jesus, conforme prometido aos profetas.

“Mas no Senhor será justificada e se gloriará toda a descendência de Israel.” (Is 45.25)

“5 Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e procederá sabiamente, executando o juízo e a justiça na terra.
6 Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este é o nome de que será chamado: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.” (Jer 23.5,6)

“21 Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas;
22 isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção.
23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
24 sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,” (Rom 3.21-24)

“3 Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus.
4 Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.” (Rom 10.3,4)

O fim da lei, isto é, a finalidade da Antiga Aliança, das Escrituras do Antigo Testamento, foi a de apontar para a redenção, justificação e santificação em Jesus Cristo.
Mas os judeus, em sua grande maioria não compreenderam isto, e assim, rejeitaram ao Senhor.

“30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;” (I Cor 1.30)

O apóstolo Paulo afirmou que a justiça que dá vida não pode ser procedente das obras da lei, mas da nossa fé em Cristo.

“16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gál 2.16)

“11 É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: O justo viverá da fé;

21 É a lei, então, contra as promessas de Deus? De modo nenhum; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei.

22 Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos que crêem.” (Gál 3.11,21,22)

“9 e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;” (Fp 3.9)

Cremos que quando o apóstolo Tiago afirmou que uma pessoa não é justificada somente por fé mas também por obras, queria referir-se à necessidade de se viver obedientemente a Deus, assim como vivera Abraão, pois, sem qualquer sombra de dúvida esta é a única forma de se evidenciar e se comprovar o fato de ter sido justificado por meio da fé.
A este respeito também nos falou o apóstolo Pedro no primeiro capítulo de sua segunda epístola, onde exorta os crentes a crescerem na prática da justiça, de maneira a confirmarem a sua eleição e a terem amplamente garantida a sua entrada no reino de Deus (II Pe 1.5-11).
Em textos que se referem à justificação, encontramos os verbos gregos “elogáu” e “logízomai”, que têm o significado de “atribuir” e “imputar”.
Referem-se no sentido original a uma operação de registro contábil.
Isto significa que na contabilidade de Deus a nossa dívida foi cancelada, e em seu lugar lançado um crédito de vida eterna, graças à obra e pessoa de Jesus Cristo.

“3 Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
4 Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida;
5 porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça;
6 assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras, dizendo:
7 Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.
8 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputará o pecado.
9 Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente, ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos: A Abraão foi imputada a fé como justiça.
10 Como, pois, lhe foi imputada? Estando na circuncisão, ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas sim na incircuncisão.
11 E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles na incircuncisão, a fim de que a justiça lhes seja imputada, (Rom 4.3-11)

A justiça de Deus não somente perdoa até mesmo os piores malfeitores, como também remove a sua culpa, e os transforma em pessoas justas e santas, pela simples expressão de arrependimento e fé.
E o melhor de tudo: é por tal justiça divina que alcançamos a vida eterna. De modo que aqueles que têm a justiça de Deus, têm também a vida eterna, porque por ela (justiça) são justificados e tornados justos.
E aqueles que não têm tal justiça divina jamais terão a vida.
Romanos 9.30-32; 10.3-9
Por isso se nos ordena que busquemos não apenas o reino de Deus, mas também a sua justiça, porque sem esta justiça, não teremos a vida eterna.
Deste modo, o dom da justiça divina em Jesus Cristo é relacionado na Bíblia, à própria salvação:
Is 46.13; 51.5,6,8; 56.1; Dn 9.24; Mal 4.2
E podemos ver então o quão crucial é que sejamos justificados por Deus para que sejamos salvos, de modo a alcançar a vida eterna.
Quando se afirma em Habacuque 2.4 que o justo viverá pela sua fé, é importante observar que está sendo afirmado que somente os justos terão vida eterna. Então o homem necessita da justiça perfeita de Deus para ter vida, e tal justiça lhe é concedida por meio da fé, como se afirma no texto de Hc 2.4.
Quando a palavra “justiça” é usada na Bíblia com o sentido de “juízo”, ela é vertida do original grego “krisis”.
Mas quando é usada para se referir à salvação, a palavra da qual é vertida no grego é “dikaiossine”, que é encontrada nos seguintes textos, dentre outros:
Lucas 7.29; João 16.8, 10; Atos 13.10; 24.25; Romanos 1.17; 3.5, 21, 22, 25, 26; 4.3, 5, 6, 9, 11, 13, 22; 6.13, 16, 18, 19, 20; 8.10; 9.31; 10.3-6, 10; 14.17; I Coríntios 1.30; II Coríntios 3.9; 5.21; 6.7, 14; Gálatas 2.21; 3.6, 21; 5.5; Efésios 4.24. 5.9; 6.14; Filipenses 1.11; 3.9; I Timóteo 6.11; II Timóteo 2.22; 3.16; 4.8; Hebreus 5.13; 7.2; 11.7, 33; 12.11; Tiago 1.20; 2.23; 3.18; I Pedro 2.24; 3.14; II Pedro 1.1; 2.5, 21; 3.13; I João 2.29; 3.7, 10; Apocalipse 15.4; 19.8; 22.11.
Destes textos, veja por exemplo, o que se afirma em Rom 8.10:

”Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.” (Rom 8.10)
Veja que se fala de uma vida do espírito por causa da justiça.

Em Fp 3.9:

“e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;” (Fp 3.9)

Em Rom 3.21-26:

“21 Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas;
22 isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção.
23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
24 sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
25 ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos;
26 para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Rom 3.21-26)

Veja de que forma direta o apóstolo relaciona a justiça com a salvação, com a justificação instantânea da conversão inicial pela qual foram esquecidos todos os pecados cometidos antes de se receber tal dom da justiça que é por meio da fé, prometido por Deus desde os profetas e até mesmo pela Lei de Moisés.

E em Rom 5.17,18,21:

“17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
18 Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida…
21 para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.” (Rom 5.17,18,21)

No verso 17 está escrito: “reinarão em vida os que recebem do dom da justiça”.
No verso 18 se diz em outras palavras que: “é a justiça que dá vida, e o único ato de justiça pelo qual veio a graça para justificação e vida, foi a expiação do pecado realizada por Jesus Cristo na cruz.
No verso 21 se afirma expressamente que a graça reina por causa da justiça, para que tenhamos vida eterna por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
A justiça verdadeira demanda que sejamos e hajamos em conformidade com o que Deus é, e segundo a Sua vontade.
Então, ser justo significa atender a tal exigência da justiça divina que sejamos sobretudo conformados à Sua santidade.
Assim, não basta ser justo apenas em relação aos homens por cumprir os mandamentos de não adulterar, matar, mentir, furtar, cobiçar, porque importa ser também justo para com Deus, por sermos santificados por Ele, para aquela vida perfeita que teremos no céu.
Todavia, não se pode ser e fazer tudo isso, sem Cristo, e daí se dizer que Ele se tornou da parte de Deus para nós a nossa justiça (I Cor 1.30) e que a finalidade da lei de Deus é o próprio Cristo para a justiça dos crentes.

Como Cristo se torna a justiça do crente?
Primeiro, através da justiça atribuída quando se arrependem e se convertem a Deus tornando-se a partir de então seus filhos, pelo que a bíblia chama de justificação.
E em segundo lugar através da justiça implantada pela operação do Espírito Santo através da regeneração e da santificação.
Por que necessitamos da justiça atribuída, além da implantada?
Porque é somente por ela que poderíamos ser perdoados de nossos pecados e culpa, e sermos reconciliados com Deus.
Por que necessitamos da justiça implantada?
Porque é por meio dela que somos transformados à imagem de Deus aprendendo a ser misericordiosos, longânimos, perdoadores, amorosos, justos, bondosos, etc, tal como é o próprio Deus. E é nesse aumento cada vez maior da nossa semelhança com Jesus que nos tornamos cada vez mais justos, porque vimos que a justiça significa ser igual a Deus, e isto é operado em nós pela regeneração e santificação.
Somente Deus é a origem e a fonte da justiça eterna e verdadeira, sem a qual ninguém pode viver em comunhão com Ele.
A justiça demanda atos justos.
Por exemplo: o peso e a medida devem corresponder exatamente ao padrão convencionado, ou seja, um quilo deve ser um quilo, e não mais ou menos do que isto.
O que é justo não deve enganar ou prejudicar a quem quer que seja.
O que é bom não deve ser considerado ruim, e o que é ruim considerado bom.
O culpado não deve ser inocentado, e nem o inocente ser condenado.
O que age corretamente não deve ser castigado, assim como não se deve poupar o malfeitor do devido castigo.
Por isso Jesus teve que ser castigado no nosso lugar para sermos redimidos, para que a justiça divina não fosse ofendida.
Deus pode perdoar os nossos pecados porque eles foram totalmente castigados em Jesus.
Assim, por sermos pecadores, toda a justiça de Deus para nós é de caráter evangélico, na qual deve ser sempre lembrada a substituição que foi feita por Jesus, colocando-se em nosso lugar para receber em sua morte na cruz, a condenação relativa à nossa culpa, e em razão do exercício do perdão, amor e misericórdia, para que tais atributos sejam achados em nós tal como eles se encontram em Deus.
Se o caráter da nossa justiça é evangélico, isto é, baseado na expiação e perdão de Jesus, pela nossa fé no evangelho, então, enquanto neste mundo, não somos justos para Deus pelo fato de nunca falharmos ou errarmos, mas pelo fato de nos arrependermos de nossos pecados.
O arrependimento sincero fará com que achemos o favor e o perdão de Deus para nos purificar de toda injustiça, como se afirma no primeiro capítulo de I João, porque o arrependimento verdadeiro consiste numa real mudança de atitude e de comportamento, deixando-se o que é mau, e praticando o que é bom e reto segundo a vontade de Deus, conforme nos é concedido pelo poder da Sua graça.
Assim, a justiça evangélica que os crentes têm em Jesus excede em muito a justiça que há no mero cumprimento da Lei escrita, porque atinge também e leva em consideração as nossas atitudes, reações e intenções, ainda que não venham a se transformar em atos.
A justiça que Deus exige de nós, Ele mesmo nô-la concede, através de Jesus Cristo e do trabalho do Espírito Santo em nossos corações. E Deus tem grande prazer neste trabalho de nos tornar cada vez mais justos, pelo aumento da nossa fé em graus cada vez maiores.
É muito importante sabermos isto para não incorrermos no mesmo erro dos escribas e fariseus, que condenavam os inocentes, ou seja, aqueles cujos pecados viriam a ser perdoados por Deus, tornando-os assim isentos de culpa diante dEle, porque os fariseus não sabiam o modo pelo qual Deus justifica pecadores, a saber, pela graça, mediante a fé.
Os fariseus desconheciam a verdade que todos os pecadores estão destituídos de qualquer justiça própria diante de Deus que possa justificá-los.
Assim, a justiça é um dom gratuito de Deus que se recebe e que se vive somente pela fé nEle, e na Sua Palavra.
Deste modo, de si mesmos, os homens não têm nenhuma recompensa para receberem da parte de Deus.
Bem-aventurados são apenas aqueles que são perseguidos não por causa da justiça própria deles, mas por pregarem e viverem a justiça do reino de Deus, a saber, a justiça evangélica que se recebe gratuitamente, mediante a fé. Estes e somente estes serão recompensados por Deus.
A justiça de Deus revela que os propósitos divinos não podem ser frustrados, por causa do pecado, por isso não é justo que não se perdoe um pecador que tenha se arrependido.
Não somos nós que possuímos a justiça. É ela quem nos possui e somos seus servos (Rm 6.18; II Cor 3.9).
Assim, somos convocados a julgar segundo a reta justiça que se baseia não nos nossos padrões de certo e de errado, mas nos padrões de Deus revelados na Sua Palavra.
A justiça é necessária para que tenhamos vida eterna e a manifestação de tal vida no nosso dia a dia, como se vê em textos como: Dt 16.20; Jer 23.6; 33.15; Dn 9.24; Mt 5.6; Rom 1.17; 5.17,18; 6.16; 8.10 e Gál 3.21.
Concluímos então, que se ser justo é ser santo, assim como Deus é santo, ou seja, sermos como Deus é, então é pela justificação que se tem acesso à santidade de Deus, e pela santificação, que se obtém maiores graus da justiça de Deus, e por conseguinte, da manifestação da Sua vida em nós, porque é pela Sua justiça eterna implantada em nós pela santificação, que podemos ter maiores graus da vida eterna. Por isso a Bíblia trata a santificação como sendo um assunto de vida, e a falta de tal santificação como um assunto de morte.
Portanto, quanto mais justos formos, mais teremos da vida de Cristo em nós.
Não justos pela nossa justiça própria, mas justos pelo crescimento na justiça que é pela graça, mediante a fé, e que não é deste mundo, mas que nos vem do céu, especialmente pelo exercício da vigilância, da oração, da santificação.
Bem-aventurados são portanto aqueles que têm fome e sede de tal justiça divina, porque serão fartos da vida eterna de Deus.
Erram portanto, aqueles que dizem que Deus não é somente amor, mas também justo e justiça, para afirmarem que Ele castigará o pecado, porque quando é justo e justiça Deus não age com juízos, como Juiz, sobre os pecadores, ao contrário, Ele lhes redime e lhes dá a vida eterna por meio da justiça de nosso Senhor Jesus Cristo.
Quando Adão pecou a justiça do homem foi perdida para sempre, de modo que necessita da justiça de um outro, para que possa ter vida, a saber, a de Cristo, que jamais se perde ou acaba, porque é justiça eterna e perfeita.
Vimos que é a justiça que dá vida, de modo que não se pode viver sem ser justo. O ímpio perecerá eternamente, mas o justo, por causa da fé, viverá eternamente. (Rom 3.21-31)
Se a justificação foi imputada, atribuída, quando cremos, então de fato ela foi recebida simplesmente pela graça mediante a fé.
Não dependeu de qualquer ato ou esforço da nossa parte, além do arrependimento e da fé.
Daí Paulo afirmar que não a recebemos como salário em razão do nosso trabalho ou alguma boa obra que tenhamos realizado para Deus (Rom 4.5,6).
Muito da doutrina da chamada “graça” barata ou irresponsável decorre da incorreta interpretação de textos como os que acabamos de ler, que discorrem sobre justificação e não sobre santificação.
“Está vendo irmão! Não precisamos de boas obras, não precisamos nos esforçar para agradar a Deus! É tudo pela fé! É tudo pela graça! Nada de mandamento! Chega de lei! Sou livre para viver e fazer o que bem entender!”. Diria alguém.
De fato foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Somos de fato livres. Mas que liberdade é esta? Para pecar?
Não é antes de tudo, liberdade para vivermos segundo o propósito de Deus?
De fato é tudo pela graça e pela fé. Mas isto exclui a nossa diligência, perseverança, esforço, boas obras?
Não estamos de fato debaixo da lei, no sentido de não estarmos debaixo da Antiga Aliança, e portanto não mais sob a maldição da Lei que considera malditos e sujeitos à ira de Deus todo aquele que não permanece perfeitamente na prática de todos os seus mandamentos, mas disto estão excluídos os crentes por causa de Jesus Cristo, sem que no entanto não estejam sem lei para Deus, pois estão debaixo da lei de Cristo (I Cor 9.21).
É preciso portanto discernir quais textos bíblicos falam de justificação e quais se referem ao processo da santificação, pois a justificação não é um processo mas uma condição a que acessamos quando nos convertemos a Cristo e o recebemos como nosso Salvador. E esta condição, como vimos antes, é a de termos sido enxertados em Sua própria vida.
Por exemplo, o texto abaixo, na mesma epístola aos Romanos, fala de santificação e não de justificação:

“18 e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça.
19 Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniqüidade para iniqüidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para santificação.” (Rom 6.18,19)

A liberdade do crente é sobretudo da escravidão do pecado. Note que Paulo diz que ele foi libertado de um cativeiro para ser escravo de um outro, a saber, da justiça.
O crente foi libertado do pecado para ser servo de Jesus.
Esta é a verdadeira liberdade do homem: poder viver para o propósito para o qual fora criado, a saber, ser do Senhor.
No Senhor Jesus estamos justificados.
Por isso somos exortados a permanecer nEle para que Ele permaneça em nós. Não importa qual seja a nossa estatura espiritual. Quanto ainda deveremos crescer na graça e no conhecimento dEle.
Já estamos, enquanto nEle, perfeitamente justificados, desde o dia da nossa conversão.
Ainda que imperfeitos, mas prosseguindo para o alvo da soberana vocação, cooperando com a obra do Espírito Santo, na nossa transformação pessoal, já não estamos mais debaixo da condenação da lei ou da acusação do diabo porquanto fomos justificados.
Assim, o efeito da justificação será além desta justiça de Cristo que nos é atribuída pela fé, a capacitação recebida a partir da mesma de crescer na prática da justiça evangélica, no que poderíamos chamar de justiça divina não imputada, mas implantada progressivamente em nossa vida, pela auto-negação do ego, da mortificação do pecado, do carregar diário da cruz, e o seguir a Jesus pela prática das boas obras.

“1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Rom 8.1)

“33 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica;
34 Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós;” (Rom 8.33,34)

Em Jesus estamos perfeitamente perdoados. O Seu sangue foi derramado na cruz para fazer propiciação pelos nossos pecados do passado, e dos que eventualmente praticarmos no presente e no futuro.
Todavia, se temos o perdão pleno total dos pecados praticados antes da conversão, ou seja, antes de sermos justificados, no entanto, depois de convertidos necessitamos de confissão e também arrependimento para o perdão dos nossos pecados presentes, sem que isto implique o risco de perda de salvação de genuínos crentes, por causa de uma possível falha ou negligência deste dever, e tal garantia é obtida por causa do caráter eterno da justificação, conforme veremos afirmado em vários textos bíblicos, inclusive no Velho Testamento, especialmente no profeta Isaías.

Isto foi prometido por Deus desde os dias do Antigo Testamento, através do ministério dos profetas.

“31 Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá,
32 não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.
33 Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
34 E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.”(Jer 31.31-34)

Somente o crente está morto em Cristo para o pecado e, portanto, para a condenação da lei. Daí dizer-se também que não está sob a lei e sim sob a graça.

“4 Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida;
5 porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é contada como justiça;” (Rom 4.4,5)

“14 Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.
15 Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.” (Rom 6.14,15)

“4 Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus.
5 Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.
6 Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” (Rom 7.4,6)

“19 Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus.” (Gál 2.19)

“13 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;” (Gál 3.13)

No capítulo sexto de Romanos, Paulo discorre sobre a expiação, justificação e santificação.
Como afirmou em I Cor 1.30 que Cristo mesmo é a nossa justificação e santificação, esforçou-se por explicar qual é a obra da graça e concluiu que é completamente errada a idéia de que viver na graça significa que a graça é tão abundante que podemos pecar sem qualquer preocupação, já que Cristo morreu por nós, e por ser segura a nossa salvação, pois Deus fez a promessa de perdoar e esquecer os nossos pecados e iniqüidades.

“1 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça?
2 De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?
3 Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
4 Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.
5 Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição;
6 sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado.
7 Pois quem está morto está justificado do pecado.
8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,” (Rom 6.1-8)

“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências;
13 nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como redivivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
14 Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.
15 Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.
16 Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? (Rom 6.11-16)

O pecado não tem domínio sobre nós quando vivemos essa verdade. Quando nos oferecemos ao Senhor para viver na prática da justiça.
Nenhum crente deveria permanecer sob o domínio do pecado, pois já morreu para o pecado, na sua identificação com a morte de Cristo.
Como deixaremos o governo da nossa vida à mercê de um senhor que já foi destronado?
Em Jesus mudamos de senhorio.
Temos agora um novo Senhor, e é a Ele que devemos servir.
Não ao pecado.
A lei já não pode mais nos condenar enquanto permanecermos ligados pela fé ao Senhor, pois, nEle, também estamos mortos para a lei.
A vida de Jesus em nós, pela nossa comunhão real com Ele, é a nossa vitória sobre o pecado.
Podemos e devemos andar nessa nova vida, isto é, em novidade de vida.
Não devemos ficar caindo e levantando.
Há poder suficiente na graça, para manter-nos de pé na presença do Senhor.
Por isso o pecado já não tem domínio sobre nós.
Nunca devemos esquecer que fomos uma vez justificados para sermos santificados, isto é, para podermos viver de modo digno e agradável a Deus.
Mas, uma vez reconciliados com Deus, por meio da justificação, necessitamos dar ouvidos à Palavra do Senhor, porque é por meio dela que Ele nos santifica (Jo 17.17).
A Sua Palavra é a verdade.
É por meio da prática da Palavra que somos santificados, a ponto e a santificação se tornar para nós um hábito rotineiro de vida.
No entanto, é bom não esquecer nunca que é Deus mesmo quem aplica a sua Palavra ao nosso coração, pela ação do Espírito, conforme prometeu relativamente à Nova Aliança que faria através de Jesus Cristo,como vimos em Jer 31.33.
É importante destacar que o texto de Jer 31.33 se refere à impressão e inscrição de leis na mente e no coração, na Nova Aliança.
Incorrem portanto em erro os antinomistas, ao afirmarem que o crente está dispensado do cumprimento de qualquer lei.
Alguns, afirmam que a referência à lei está dirigida ao próprio Espírito Santo. Esta é uma interpretação adotada por muitos, mas devemos considerar que Jesus falou claramente que deveríamos guardar os seus mandamentos, e não é razoável entendermos que estaria ordenando que guardássemos o Espírito Santo. É Ele quem nos guarda. Não possuímos a verdade, é ela que nos possui.
Paulo afirma em Efésios que a Palavra de Deus é a espada do Espírito.
Isto nos ajuda muito a interpretar a citada promessa, pois é de fato o Espírito Santo que imprime a Palavra de Deus em nossas mentes e corações.
Assim, não é o Espírito que é a lei, mas quem nos habilita a viver segundo o que é exigido pela lei de Deus.
Ainda que a santificação exija a nossa contínua apresentação ao Senhor, pela oração, para que Ele nos santifique, pela ação do Espírito Santo, mediante nossa meditação na Palavra, nunca devemos esquecer a verdade contida em I Cor 1.30, onde se declara que Jesus mesmo é a nossa sabedoria, redenção, justificação e santificação. É nEle que estamos santificados.
É o próprio Cristo quem nos purifica, isto é, que nos dá um coração puro, e que nos separa do pecado que há no mundo, para que sejamos úteis nas mãos de Deus na obra de salvação dos pecadores (estamos no mundo mas não somos do mundo).
Quando a Sua vida se manifesta em nós, sabemos em nosso espírito que fomos tomados da plenitude da Sua santidade.
É Aquele que é Santo que nos torna santos.

“16 Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
17 Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade.” (Jo 17.16,17)

Veja que é Deus quem nos santifica pela Palavra.

“7 Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.
8 Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor, que vos santifico.” (Lev 20.7,8)
.
Não podemos portanto, atribuir ao nosso próprio esforço, o resultado e o mérito da santificação.
Não teremos qualquer santidade de vida caso não preservemos a nossa comunhão com o Senhor.
É Ele quem nos santifica.
Todavia somos chamados a tomar posse do Reino Deus, mediante esforço.
Não lutando com armas carnais para vencer o pecado, o mundo e o diabo, mas permanecendo na santificação do Espírito pela prática da Palavra e da comunhão com Cristo, e com os santos.
Se é pela santificação que experimentamos e participamos da vida de Deus, então ela é absolutamente essencial à salvação.

“22 Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rom 6.22)

“3 Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição,
4 que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santidade e honra,”(I Tes 4.3,4)

“14 Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,
15 tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem;
16 e ninguém seja devasso, ou profano como Esaú, que por uma simples refeição vendeu o seu direito de primogenitura.”(Hb 12.14-16)

“11 Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda.” (Apo 22.11)

Temos aprendido que Jesus mesmo se tornou da parte de Deus para nós a nossa sabedoria, redenção, justiça e santificação.
Ele disse que aquele que se alimentar dEle mesmo, por Ele viverá. Que o Seu sangue é verdadeira bebida e que a Sua carne é verdadeira comida. Isto é uma referência à Sua própria vida.
O Antigo Testamento afirma que a vida da carne é o sangue (Lev 17.11,14). Isto era uma referência que apontava que a nossa vida depende da vida do Senhor..
Ora, a Nova Aliança foi feita no sangue de Jesus. Isto quer significar: na Sua própria vida.
É por meio da vida dEle que temos vida.

“56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.” (Jo 6.56,57).

“5 Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15.5)

Na ilustração da videira verdadeira o Senhor está se referindo à vida e à frutificação. E afirma que sem Ele nada podemos fazer a esse respeito.
Então, o que o crente necessita para viver na verdadeira vitória (Rom 8.37), é viver em Cristo.
Alimentar-se de Jesus, da Sua própria vida.
Ele é o pão vivo que desceu do céu e que nos faz viver a qualidade da vida abundante, da vida espiritual, celestial e eterna.

“47 Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna.
48 Eu sou o pão da vida.
49 Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.
50 Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.
52 Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer?
53 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
55 Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.
58 Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (Jo 6.47-58)

O QUE É A ANTIGA ALIANÇA

A Antiga Aliança ou Antigo Testamento recebe também as seguintes designações na Bíblia: Primeira Aliança (Hb 8.7); Lei de Moisés (I Cor 9.9); Lei do Senhor (II Cr 31.3,4): Lei de Deus (Ed 7.21); Lei (Rom 3.19); Aliança da Letra (II Cor 3.6); Ministério da Morte (II Cor 3.7), e Ministério da Condenação (II Cor 3.9).
Foi celebrada por Deus com a nação de Israel quando esta foi libertada do cativeiro egípcio (cerca de 1440 aC).
A Antiga Aliança abrangia todos os israelitas em todas as gerações de Israel, de Moisés até a morte de Jesus, e por isso, possuía também um caráter essencialmente coletivo quanto às aplicações das suas promessas de bênçãos (Lev 26.3-13; Dt 7.12-26; 11.8-32; 28.1-14), e de maldições (Lev 26.14-42; Dt 11.26-28; 27.26; 28.15-68).
Apesar do caráter essencialmente coletivo daquela aliança, a mesma não excluía a responsabilidade individual de cada israelita perante Deus (Dt 24.16; Ez 18.20).
Mas, à responsabilidade pessoal, sobrepunha-se a coletiva, com vistas principalmente, à manutenção da unidade de Israel como nação separada para o serviço de Deus, e para preservá-la da idolatria e costumes pagãos das demais nações.
Daí o mandamento que proibia o casamento de israelitas com gentios.
Não porque os demais povos fossem desprezados por Deus, conforme os israelitas passaram a interpretar o mandamento, mas simplesmente para preservar Israel dos costumes das nações até que Jesus viesse e inaugurasse a Nova Aliança.
Ao dar a lei a Israel através da mediação de Moisés, firmando com a nação a chamada Antiga Aliança ou Testamento, Deus não tinha em vista forjar o legalismo no seu povo, mas forjar a justiça, o amor e a santidade, através da obediência à Sua santa vontade, expressada nos diversos mandamentos da lei.
A palavra LEI, recebe no texto da Bíblia, diferentes conotações. Por vezes, é usada com o significado do Pacto ajustado por Deus com os israelitas a partir de Moisés, ou seja, a Aliança Antiga propriamente dita.
Em outras passagens, refere-se aos cinco primeiros livros da Bíblia, ou Pentateuco, também conhecidos como livros da lei de Moisés.
Quando aparece a expressão a Lei e os Profetas, normalmente é uma referência ao conjunto das Escrituras do Velho Testamento (At 13.15), ou ao Pacto Antigo propriamente dito (Lc 16.16).
E, finalmente, em outras porções bíblicas, a palavra Lei, designa o conjunto de regulamentos e mandamentos civis, cerimoniais e morais, constantes sobretudo do Pentateuco.
Por exemplo, quando Jesus disse que não veio revogar a lei e os profetas (Mt 5.17), estava se referindo às Escrituras do Velho Testamento; e quando afirmou que a lei e os profetas haviam vigorado até João Batista (Mt 11.13; Lc 16.16), ao Pacto, à Aliança Antiga, que estava sendo substituída pela Nova.

O QUE É A NOVA ALIANÇA

Ao instituir a Nova Aliança no seu sangue, Jesus revogou a Antiga Aliança e marcou o encerramento do período da dispensação da lei, mas não revogou, isto é, não cancelou, as Escrituras do Velho Testamento (Mt 5.17).
Essa questão não pode ser compreendida à luz de um enfoque legalista, pois nos remeteria conseqüentemente a considerar que a Antiga Aliança ainda estaria em vigor por não terem sido revogadas as Escrituras que lhe são correspondentes.
Entretanto, o Velho Testamento, incluindo os preceitos relativos à Aliança, é um testemunho da vontade de Deus e da própria revelação referente a Jesus Cristo.
Se as Escrituras dão testemunho do Senhor, como Ele as revogaria?
Se o fizesse estaria negando a Si mesmo e à obra que recebeu do Pai para realizar.
Abraão, Moisés e os profetas, falaram de Jesus. Os utensílios e ofícios do tabernáculo e do templo ensinam-nos acerca dEle, em figura.
A forma como o pecado entrou no mundo e a provisão que Deus fez para salvar o pecador ali também estão revelados.
A própria remoção do pacto antigo está revelada nas Escrituras do Velho Testamento, atestando que de fato o problema do pecado só poderia ser resolvido pela inauguração da Nova Aliança (Jer 31.31-34).
Vemos assim, a confirmação da validade das Escrituras porque por elas se testifica que o Pacto Antigo foi substituído pelo Novo, e que Jesus é o Seu Mediador, conforme nelas também se testifica (Is 42.6,7; 49.8,9).
A Nova Aliança não foi um plano emergencial concebido por Deus, por terem os israelitas violado a Antiga Aliança.
Em absoluto. Ela já estava no Seu coração desde antes da criação do mundo. E fora prometida a Abraão antes mesmo da celebração da Antiga (Gên 17.1-5), tendo sido a promessa posteriormente confirmada pelo ministério dos profetas.

“6 Eu o Senhor te chamei em justiça; tomei-te pela mão, e te guardei; e te dei por mediador da aliança com o povo, e luz para os gentios;
7 para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.” (Is 42.6,7)

“6 Sim, diz ele: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te porei para luz das nações, para seres a minha salvação até a extremidade da terra.
7 Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, e o seu Santo, ao que é desprezado dos homens, ao que é aborrecido das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o verão e se levantarão, como também os príncipes, e eles te adorarão, por amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu.
8 Assim diz o Senhor: No tempo aceitável te ouvi, e no dia da salvação te ajudei; e te guardarei, e te darei por pacto do povo, para restaurares a terra, e lhe dares em herança as herdades assoladas;
9 para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei; eles pastarão nos caminhos, e em todos os altos desnudados haverá o seu pasto.”(Is 49.6-9)

Paulo compreendeu melhor e mais rapidamente do que qualquer outro o caráter da Nova Aliança, que estava sendo oferecida a todos os gentios, e que os desobrigava do cumprimento minucioso das condições de culto, ritos e todos os mandamentos civis e cerimoniais da Lei de Moisés.
Um gentio não precisaria viver como um judeu, como no caso da Antiga Aliança, para que pudesse ser aceito como integrante do povo de Deus.
Jesus e nenhum dos apóstolos ensinaram contra a lei, pois fora outorgada pelo próprio Deus a Moisés para vigorar como termos da Antiga Aliança, que firmara com a nação de Israel, e para servir também de testemunho a todo o mundo gentílico, acerca do Seu caráter e da Sua vontade.
Desta forma, nem Paulo ou qualquer outro dos apóstolos ensinou contra a lei.
Eles sabiam que a justiça que é pela fé, e operante segundo a graça, passou a se manifestar com o advento de Jesus. Mas também sabiam que Deus havia salvado e justificado pela graça, mediante a fé, a muitos nos dias do Antigo Testamento.
Não foi este o caso de Abraão? A ponto de ser designado como pai dos que crêem.
Mas, a Antiga Aliança foi revogada, e suas ordenanças civis e cerimoniais já não são obrigatórias aos israelitas, com quem foi celebrada, e muito menos aos gentios, quanto ao seu cumprimento, bem como não é aplicável, à igreja, de forma específica, o seu sistema de bênçãos e maldições, ritos etc, desde a inauguração da Nova Aliança, que a revogou.

“Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João.” (Mt 11.13)

“A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele.” (Lc 16.16)

“e rasgou-se ao meio o véu do santuário.” (Lc 23.45)

“9 Porque, se o ministério da condenação tinha glória, muito mais excede em glória o ministério da justiça.
10 Pois na verdade, o que foi feito glorioso, não o é em comparação com a glória inexcedível.
11 Porque, se aquilo que se desvanecia era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece.” (II Cor 3.9-11)

“13 Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.
14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade,
15 isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz”, Ef 2.13-15)

“18 Pois, com efeito, o mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade
19 (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de Deus.” (Hb 7.18,19)

“6 Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas.
7 Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo.
8 Porque repreendendo-os, diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá um novo pacto.” (Hb 8.6-8)

“Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer.” (Hb 8.13)

“8 Tendo dito acima: Sacrifício e ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem neles te deleitaste (os quais se oferecem segundo a lei);
9 agora disse: Eis-me aqui para fazer a tua vontade. Ele tira o primeiro, para estabelecer o segundo.” (Hb 10.8,9)

A Nova Aliança é designada na Bíblia como sendo As Fiéis Misericórdias Prometidas a Davi, como se lê em Is 55.3 e Atos 13.34.

“E, que Deus o ressuscitou dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: E cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi.” (Atos 13.34)

“Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi.” (Is 55.3)

É dito no texto de Isaías (VT) que seria feita uma aliança eterna, que estaria baseada nas misericórdias fiéis que Deus havia prometido a Davi.
Trata-se portanto de uma aliança de misericórdias, e misericórdias que não falharão, porque não foram prometidas pelo homem, mas prometidas por Deus a Davi.
Esta aliança eterna, que é a Nova Aliança, que vigoraria na dispensação da graça em que temos vivido, foi prometida em várias passagens do Velho Testamento.
Davi veio a se referir a ela tanto na hora da sua morte, conforme relato de II Samuel 7.12-17, quanto no Salmo 89, nos quais afirma a segurança e estabilidade desta aliança prometida, bem como o seu caráter de livramento da condenação eterna para os aliançados, ainda que estes viessem a transgredir eventualmente os mandamentos de Deus, porque o Senhor afirmou que corrigiria os aliançados, mas que não deixaria jamais de estar aliançado com eles.
O fiador, o mediador, seria o Renovo justo que brotaria do tronco de Jessé, a saber, o Senhor Jesus, quem é Aquele que garante a eternidade da aliança.
Vejamos então, alguns textos da Bíblia que se referem à citada aliança de misericórdias, e de misericórdias fiéis que durarão para sempre, e pelas quais nossos pecados e transgressões são perdoados e esquecidos por Deus para sempre:

“12 Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino.
13 Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.
14 Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens.
15 Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.
16 Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.
17 Segundo todas estas palavras e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi.” (II Samuel 7.12-17)

Esta passagem das Escrituras registra quando a promessa foi feita por Deus a Davi através do profeta Natã.

“20 Encontrei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi.
21 A minha mão será firme com ele, o meu braço o fortalecerá.
22 O inimigo jamais o surpreenderá, nem o há de afligir o filho da perversidade.
23 Esmagarei diante dele os seus adversários e ferirei os que o odeiam.
24 A minha fidelidade e a minha bondade o hão de acompanhar, e em meu nome crescerá o seu poder.
25 Porei a sua mão sobre o mar e a sua direita, sobre os rios.
26 Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus e a rocha da minha salvação.
27 Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra.
28 Conservar-lhe-ei para sempre a minha graça e, firme com ele, a minha aliança.
29 Farei durar para sempre a sua descendência; e, o seu trono, como os dias do céu.
30 Se os seus filhos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus juízos,
31 se violarem os meus preceitos e não guardarem os meus mandamentos,
32 então, punirei com vara as suas transgressões e com açoites, a sua iniqüidade.
33 Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade.
34 Não violarei a minha aliança, nem modificarei o que os meus lábios proferiram.
35 Uma vez jurei por minha santidade (e serei eu falso a Davi?):
36 A sua posteridade durará para sempre, e o seu trono, como o sol perante mim.
37 Ele será estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço.” (Salmo 89.20- 37)

Nesta passagem do Salmo 89, Deus fala profeticamente acerca da aliança que faria com os crentes através de Jesus Cristo.
Note a promessa que é feita especialmente nos versos 28 a 35.

“1 São estas as últimas palavras de Davi: Palavra de Davi, filho de Jessé, palavra do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do mavioso salmista de Israel.
2 O Espírito do SENHOR fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua.
3 Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus,
4 é como a luz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva.
5 Não está assim com Deus a minha casa? Pois estabeleceu comigo uma aliança eterna, em tudo bem definida e segura. Não me fará ele prosperar toda a minha salvação e toda a minha esperança?” (II Samuel 23.1-5)

Estas foram as últimas palavras proferidas por Davi, antes de morrer, e ele foi levado pelo Espírito a falar do caráter da Nova Aliança, que seria feita com Jesus Cristo, que descenderia segundo a carne, da sua casa, da qual se diz no verso 5 que é eterna, e em tudo bem definida e segura, ou seja, ela foi planejada meticulosamente por Deus para dar a segurança da eternidade aos aliançados, a saber, aos crentes que perseveram em Jesus Cristo.

“32 E nós vos anunciamos o evangelho da promessa, feita aos pais,
33 a qual Deus nos tem cumprido, a nós, filhos deles, levantando a Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Tu és meu Filho, hoje te gerei.
34 E, que Deus o ressuscitou dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: E cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi.” (Atos 13.34)

Este é um dos testemunhos confirmatórios do Novo Testamento de que as promessas feitas a Davi, se referiam à aliança que é feita entre Jesus Cristo e os eleitos, e Paulo afirma expressamente no verso 32, que tal promessa foi a promessa do evangelho que Deus fizera aos patriarcas de Israel, e neste caso, especificamente a Davi.
Há muitas outras referências na Bíblia a esta aliança, e também especialmente ao modo como Deus a prometeu através de Davi, dAquele que viria a descender dele no futuro, e com o qual o trono de Davi é estabelecido eternamente com todos aqueles que também viverão eternamente, por estarem aliançados ao Rei Justo que reinará com justiça pelos séculos dos séculos.

Veja por exemplo, para finalizar, a repetição da promessa através do profeta Jeremias, cerca de quatrocentos anos depois de Davi.

“14 Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que cumprirei a boa palavra que proferi à casa de Israel e à casa de Judá.
15 Naqueles dias e naquele tempo, farei brotar a Davi um Renovo de justiça; ele executará juízo e justiça na terra.
16 Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; ela será chamada SENHOR, Justiça Nossa.
17 Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi homem que se assente no trono da casa de Israel;
18 nem aos sacerdotes levitas faltará homem diante de mim, para que ofereça holocausto, queime oferta de manjares e faça sacrifício todos os dias.
19 Veio a palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo:
20 Assim diz o SENHOR: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a minha aliança com a noite, de tal modo que não haja nem dia nem noite a seu tempo,
21 poder-se-á também invalidar a minha aliança com Davi, meu servo, para que não tenha filho que reine no seu trono; como também com os levitas sacerdotes, meus ministros.
22 Como não se pode contar o exército dos céus, nem medir-se a areia do mar, assim tornarei incontável a descendência de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de mim.” (Jer 33.14-22)

Estas palavras foram proferidas por Jeremias no Espírito, depois de lhe ter sido revelado qual o efeito prático de tal aliança que seria firmada conforme a promessa que Deus havia feito a Davi:

“31 Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.
32 Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR.
33 Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
34 Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.” (Jer 31.31-34)

Esta promessa é repetida em várias passagens do Novo Testamento, como por exemplo em Hebreus 8.6-13; 10.15-18.

O CRENTE ESTÁ MORTO PARA A LEI

Para redimir o homem do pecado, isto é, para livrá-lo do seu poder que conduz à morte, Jesus não removeu a lei, nem a maldição da lei, mas o próprio pecador de debaixo da lei e da sua conseqüente maldição condenatória, de sorte que os que não têm Jesus, ou que procuram: a) justificar-se pelas obras da lei, permanecendo sob a maldição da lei – serão por ela condenados (Gál 3.10); ou b) vivem sem a lei de Deus – sem lei também serão condenados (Rom 2.12). Esta última condição pode no entanto ser revertida, desde que creiam e sejam salvos.
Dessa forma, o judeu não tem qualquer vantagem sobre o gentio, na presente dispensação, quando se trata de justificação (Rom 3.9).
A lei condena o pecador à morte eterna (separação de Deus), por estar o mesmo debaixo da sua maldição.
A graça faz com que o crente seja considerado já morto para a sentença de morte da Lei para os seus transgressores, por causa da identificação do crente com a morte de Jesus, que é considerada por Deus como sendo a sua própria morte, e desta forma ele é resgatado conseqüentemente da condenação e da maldição da Lei de Moisés.
Isto é possível porque não está aliançado nos termos da Antiga Aliança, mas da Nova Aliança, na qual Deus prometeu o perdão completo e total de pecados.

“Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus.” (Rom 7.4)

“19 Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus.
20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gál 2.19,20)

“13 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;
14 para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito.” (Gál 3.13,14).

Em Rom 7.4 lemos que morremos para a lei, por meio do corpo de Cristo.
Já comentamos anteriormente, que a nossa fé em Jesus nos tornou participantes da Sua própria morte e vida.
Como Ele não tinha pecado algum, não seria justo que morresse na cruz, porque a conseqüência do pecado é a morte, mas Ele, como já dissemos, não tinha pecado.
Assim, o Pai lançou sobre Ele o pecado de todos os homens, quando se encontrava na cruz, de modo que todos os que haviam crido em Deus no passado (como o caso de Abraão, Moisés etc), bem como os que viveram com Jesus nos dias do Seu ministério terreno, e também nós, os que temos crido, depois da Sua morte e ressurreição, pudessem ser contados na Sua própria morte e vida, estando assim, conseqüentemente, mortos para a lei e para o pecado.
Na cruz foram desfeitos os laços que tínhamos com Adão, e ao termos levantado juntamente com o Senhor, em nova vida, através da Sua ressurreição, que nos permitiu participarmos da Sua vida, passamos a pertencer-lhe, por estarmos nEle.
E como Jesus subiu aos céus, não está mais sob qualquer lei terrena, pois Ele viveu sob a lei e morreu sob a lei, mas não ressuscitou sob a lei, pois o que morreu, está morto para a lei.
Esta condição final é a mesma em que se encontra o crente, por ser participante da morte e ressurreição de Cristo.
Um crente fiel deve obedecer às leis de seu país, desde que estas não sejam contrárias às próprias leis de Deus, pois a justiça demanda que se dê a César o que é de César.
Deve também obedecer e respeitar as convenções sociais para que não se torne motivo de escândalo para o mundo.
Mais que tudo, deve viver debaixo da lei de Cristo, que é a lei do amor.
No entanto, caso venha a transgredir qualquer lei da sociedade em que vive, o que espera-se que não ocorra, e caso isto demande qualquer tipo de punição, nem por isso perderá a sua salvação, caso se arrependa, confesse o pecado e restaure a sua comunhão com Deus, pois, estando em Cristo, não pode mais ser condenado pelo Juiz dos mortos e dos vivos, porque nEle, está morto para o pecado e para a lei.
É por isso que podemos levar a mensagem do evangelho aos que se encontram na prisão, propondo-lhes a salvação pela fé no Salvador.
Ainda que aprisionados em seus corpos físicos, e condenados pela sociedade em que vivem, podem ser perfeitamente justificados e santificados em seus espíritos, alcançando a verdadeira liberdade, que os livrará da condenação vindoura.
O ladrão que se converteu na cruz é um bom exemplo disto.

O ESPÍRITO SANTO É UMA PROMESSA DA NOVA ALIANÇA

O derramar do Espírito Santo sobre as nações teve início no dia de Pentecostes, quando os apóstolos e alguns discípulos estavam reunidos em Jerusalém (At 2.1-4;16-18).
Leia Is 32.15; 44.3; Joel 2.28,29.
Se o próprio Jesus viveu sob o poder do Espírito, o que Deus não esperará daqueles que têm se aliançado com Ele através da fé no Seu Filho ?
Jesus esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e sendo achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte de cruz (Fp 2.7,8). Isto significa que viveu de fato como homem, para poder morrer no lugar da humanidade. Em razão do plano de salvação, não poderia ter vivido neste mundo na plenitude da Sua glória divina, e no uso pleno do seu próprio poder, pois importava que vivesse e morresse como homem, em favor do homem. A Bíblia é bastante clara, desde as profecias do Antigo Testamento de que Jesus não faria nada de si mesmo em seu ministério terreno, mas viveria em total obediência ao Pai, na dependência do Espírito Santo. Por isso, Jesus assumiu o título “Filho do homem”.
Leia Is 42.1; 61.1-3; Mt 12.28; Lc 4.1, 14; At 10.38.
A Nova Aliança consiste então, sobretudo, num viver no poder e instrução do Espírito. É Ele que cumpre o objetivo de Deus em nossas vidas.
A vida que temos em Cristo Jesus é quem nos livra da lei do pecado e da morte. Esta vida é produzida em nós pelo Espírito. Por isso, o apóstolo Paulo se refere à “ lei do Espírito da vida em Cristo Jesus” como a dizer, se o pecado e a morte são uma lei, só há uma lei superior que pode vencê-la, no caso o Espírito Santo, pois somente Ele pode gerar a vida de Jesus em nós, através do novo nascimento, que se segue à morte do velho homem, também por Ele operada, e cuja obra prossegue na santificação através da mortificação das obras da carne para a manifestação do Seu fruto, que é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.
Contra o fruto do Espírito Santo na nossa vida, não há lei (Gál 5.23), pois é por meio de um andar no Espírito que vivemos de modo agradável a Deus.

Por isso, o maior e melhor dom prometido é o próprio Espírito Santo.
Devemos estar sempre lembrados e bem conscientes que é a própria pessoa do Espírito Santo o maior e melhor dom que Deus prometeu aos crentes. O outro Consolador que o próprio Jesus prometeu que enviaria à Sua Igreja para que sempre estivesse com ela.
Por isso todo ministério bem esclarecido deve pregar a Cristo, e Cristo crucificado, sem esquecer que Jesus foi exaltado nos céus para que recebêssemos o Espírito Santo prometido. Afinal é Ele quem nos batiza com o Espírito Santo.
Portanto buscar e submeter-se ao Espírito Santo é a maior maneira de se honrar a Cristo, porque foi para este propósito que Ele morreu por nós, de modo que justificados do pecado pudéssemos receber a habitação e operação do Espírito em nossas vidas.
Aquele que não tem o Espírito Santo não pertence a Cristo, e portanto não é filho de Deus (Rom 8.9).
Deus nos tornou seus filhos e herdeiros pelo cumprimento da promessa de nos dar o Espírito Santo. Promessa esta que foi feita pela primeira vez a Abraão: “

“Ora, a Escritura, prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações.” (Gál 3.8).

“para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito.” (Gál 3.14).

A bênção prometida a Abraão em Jesus Cristo é portanto a promessa do derramamento do Espírito Santo em todas as nações, porque é por este meio que Deus se provê de filhos em todas as gerações.

E como a promessa do Espírito foi feita a Abraão, de que Ele seria derramado em todas as nações da terra, naqueles que estão no descendente de Abraão que é Cristo, daí ser dito que Abraão é o pai dos crentes:

“Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós.” (Rom 4.16).

E é dito que Abraão é o pai da Igreja não somente por causa da fé justificadora que habitou nele e que tem habitado em todos os crentes, mas também para que imitemos o seu exemplo de vida obediente a Deus.
Ele foi um peregrino neste mundo, e assim deve ser a Igreja. Mas sendo peregrinos para o cumprimento da missão que recebemos da parte de Deus, de pregarmos o evangelho em todo o mundo.
E esta missão teve os seus alicerces fundados na mais remota antigüidade, antes mesmo que a Lei fosse dada a Moisés, porque foi a Abraão, aquele que é chamado de pai dos crentes, que Deus revelou e fez a promessa da Nova Aliança em Jesus Cristo, pelo derramar do Espírito Santo em todas as nações.
Sabendo que este pacto foi firmado há tanto tempo atrás, demonstrando o firme interesse de Deus em abençoar pessoas pelo derramar do Espírito, isto não nos incentiva a consagrar nossas vidas inteiramente ao serviço do evangelho?
Pois é assim fazendo que muitos receberão o Espírito Santo e serão batizados no Espírito com poder, para que possam trazer também muitos outros a experimentarem a Sua santa Presença, de maneira que habite para sempre em seus corações, manifestando os Seus dons espirituais e fruto, para a exclusiva glória de Deus.
O autor de Hebreus exorta os crentes à plena diligência para que sejam imitadores daqueles que pela fé e pela paciência herdam as promessas (Hb 6.11,12), porque nos importa entrar no reino dos céus por meio de muitas tribulações, tal como nosso Pai Abraão foi afligido em suas peregrinações para nos servir de exemplo.
Contudo, em nossas aflições devemos lembrar que é mais do que certa a recompensa porque quando Deus fez a promessa a Abraão de fazê-lo o pai de numerosas nações e de abençoar todas as nações da terra no seu descendente, que é Cristo, para que tivéssemos plena certeza da Sua fidelidade em cumprir o que estava prometendo, Ele também jurou por Si mesmo, de maneira que tivéssemos a garantia por meio de duas coisas imutáveis, a primeira a própria promessa de um Deus fiel, e a segunda, o juramento que confirmou a promessa.

“13 Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo,
14 dizendo: Certamente te abençoarei, e grandemente te multiplicarei.”(Hb 6.13,14).

“17 assim que, querendo Deus mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com juramento;
18 para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta;” (Hb 6.17,18).

Deus caminhou com Abraão consolando-o em suas peregrinações, e o Espírito Santo foi dado à Igreja para consolá-la na sua jornada neste mundo, enquanto cumpre a Sua missão, que lhe foi designada pelo Senhor, tal como Abraão cumpriu a sua no passado, de maneira que a partir dele pudesse formar um povo que guardasse os mandamentos de Deus, povo este, através do qual o Messias viria a se revelar ao mundo, para que se cumprisse a promessa de que Abraão viesse a ser o pai de numerosas nações por meio do seu descendente, que é Cristo (Gál 3.16).
A dispensação do Espírito é a melhor dispensação e o período mais luminoso da história do mundo.
Devemos ter o cuidado de não cometer o mesmo pecado dos escribas e fariseus que não reconheceram o ministério do Messias e O rejeitaram, porque é possível estar totalmente alheio ao fato de que há um ministério do Espírito Santo acontecendo desde o Pentecostes ocorrido em Jerusalém, neste período que chamamos de dispensação da graça, que podemos também chamar de dispensação do Espírito Santo.
É de suma importância portanto, que nos inteiremos de tudo o que se refira à Pessoa e obra do Espírito, tanto na história da Igreja como também e principalmente em nossos próprios dias, de maneira que nos empenhemos e sejamos achados como Seus cooperadores no trabalho que Ele está realizando no mundo.
Foi o espírito de indiferença manifestado entre cristãos professos ao trabalho e ministério do Espírito Santo nesta Sua dispensação, que entristeceu e moveu a alma reta de John Owen; este grande e instruído homem de Deus que foi usado por Ele para escrever um grandioso discurso sobre a Pessoa e as operações do Espírito Santo, trabalho este que deu à Igreja um grande e novo senso da sua responsabilidade como também o privilégio dela com respeito a este assunto importante, de maneira que isto veio a contribuir para o advento de vários avivamentos do Espírito em dias posteriores aos de Owen.
Os pastores John Fletcher, Horatius Bonar, e outros, afirmaram que limitar e desconsiderar o ministério do Espírito Santo é o maior pecado da Igreja neste últimos dias, como foi o dos judeus menosprezando o ministério terreno de Jesus Cristo.
Descrevendo os efeitos do derramar da chuva abundante do Espírito na experiência pessoal de verdadeiros crentes, Spurgeon disse o seguinte: “é muito comum para a vida da graça que a alma receba depois de alguns anos uma segunda visitação muito notável do Espírito Santo que pode ser comparada à chuva posterior (serôdia). A chuva posterior era enviada para engordar a espiga e torná-la cheia e madura, pronta para ser colhida. Meu desejo é que todos vocês, meus amados, que foram molhados pela chuva anterior, possam também ser molhados com a chuva posterior que fará com que sejam mais do que cristãos comuns.”.
John Fletcher, enquanto falava da profecia de Joel, disse: “Uma promessa importante à qual nosso Deus deu cumprimento no dia de Pentecostes, quando Ele enviou uma chuva gloriosa no seu pequeno vinhedo, como um penhor dos rios poderosos de justiça que cobrirão a terra como as águas cobrem o mar.”
Assim, que nenhum crente que esteja empenhado em orar pelo derramar de um grande avivamento, desconsidere a importância de se empenhar na busca do poder do Espírito, pedindo a Deus que remova o véu e ilumine a visão de tal forma que possam descobrir não somente a sua própria necessidade, mas para que possam ter visões infinitamente mais amplas da abundância indizível contida na promessa que satisfaz aquela necessidade.
E para este propósito devem lembrar que Deus tem unido inseparavelmente os ministérios da pregação, da oração e do louvor. Especialmente os dois primeiros. Por isso os apóstolos tomaram a firme resolução de se dedicarem com exclusividade aos ministérios da pregação e da oração.
A Igreja Primitiva pregava a Palavra em todos os lugares, mas a Palavra sempre foi precedida e acompanhada pelo ministério de oração e intercessão.
É importante que nos lembremos que a ministração do Espírito Santo está muito ligada ao ministério da Palavra.
Por isso há freqüentemente uma grande falta da presença do Espírito e de poder, nos cultos onde há uma falta da Palavra pregada.
Este poder espiritual não depende da quantidade de citações bíblicas.
A grande coisa é obter a nossa mensagem de Deus e procurar saber tudo o que é dito pelo Espírito sobre a palavra selecionada, de maneira a obter um conhecimento completo sobre aquilo que pregaremos, de modo que tenhamos a mente do Espírito, e não propriamente a nossa, sendo expressada na pregação.
Devemos pedir ao Espírito que nos revele o que devemos dizer em relação à palavra que nos foi dada, e que nos conceda uma língua de fogo para proclamá-la.
Estejamos convictos que o ministério do Espírito é de grande glória, muito maior do que a que havia na antiga dispensação, porque o nome de Jesus será sempre glorificado pelo Espírito Santo.
Assim, onde houver um verdadeiro trabalho do Espírito nesta Sua dispensação, sempre haverá também a manifestação da glória de Deus.

DEUS É O ALVO TANTO NA ANTIGA QUANTO NA NOVA ALIANÇA

Mesmo nos dias do Velho Testamento não estavam ausentes a graça, a fé, a bondade, o amor e a misericórdia de Deus, mesmo quando Ele exercia os juízos previstos na lei contra os transgressores do antigo pacto.
Os apóstolos não combateram a lei, mas sim o falso ensino dos judaizantes (cristãos judeus apegados à lei, especialmente fariseus, que haviam abraçado a fé em Cristo), que afirmavam que a salvação não era obtida somente pela fé, mas pelo cumprimento de todos os mandamentos da lei de Moisés.

“1 Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.
2 Tendo Paulo e Barnabé contenda e não pequena discussão com eles, os irmãos resolveram que Paulo e Barnabé e mais alguns dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, por causa desta questão.
3 Eles, pois, sendo acompanhados pela igreja por um trecho do caminho, passavam pela Fenícia e por Samária, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos.
4 E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles.
5 Mas alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se dizendo que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes observar a lei de Moisés.” (At 15.1-5)

A rigor, o que os apóstolos combateram não foi sequer a prescrição exata da lei de Moisés, mas uma corruptela da lei, baseada em tradições de homens, que configuravam um sistema religioso chamado de judaísmo, que nos dias de Jesus, estava dividido em diversas seitas, e dentre elas, a dos saduceus, fariseus e essênios, cada qual com o seu próprio corpo de doutrina, que em muitos pontos estava bastante distanciado do verdadeiro sentido de aplicação da lei de Moisés.
Deus não instituiu a Antiga Aliança como um meio de salvação eterna dos israelitas, mas como meio de revelação da Sua vontade e caráter, bem como para convencer os homens quanto à necessidade de salvação.
O Senhor deu a lei a Israel e instituiu o que a Bíblia chama de Antiga Aliança, mas o Senhor, na verdade estava dando muito mais a Israel do que aquela aliança, estava dando-se a Si mesmo e pretendia que o Seu povo também o amasse e vivesse para Ele.
A aliança só vigoraria caso eles o amassem primeiro.
Mas, a maioria dos israelitas, em todas as gerações da nação, erraram o alvo. Sequer dirigiram seu olhar para os mandamentos, muito menos para o próprio Deus.
Por isso, Deus protestou contra eles através do ministério dos profetas.
Corremos o mesmo risco que eles, em plena dispensação da graça, em que vigora a Nova Aliança.
Podemos ter apreço pela Palavra do Senhor, mas não amá-Lo e servi-Lo em espírito, para poder praticá-la.
Podemos nos dedicar a muitas tarefas na casa de Deus, mas termos perdido a comunhão com Jesus e nossos irmãos na fé.
Podemos ainda dar-nos por satisfeitos por ter recebido a Jesus como nosso Salvador, mas não vivermos debaixo do Seu senhorio.
Quão fácil é errar o alvo.
Alegramo-nos com o casamento, mas não amamos o noivo.
Cobiçamos as suas posses, mas não cuidamos dos seus interesses e não o servimos em sincera submissão.
A aliança é honrada se temos real compromisso com Jesus.
O Nosso conhecimento de Deus é verdadeiro quando é um conhecimento de relação de intimidade. Não pelo que pensamos quem Ele seja. Deus não é o fruto da nossa imaginação. Ele é o que é.
Paulo diz que não conhecemos Jesus segundo a carne, mas mediante o espírito. Isto e, não de acordo com o nosso entendimento carnal, mas através do homem espiritual, do homem interior.
Todo crente conhece a Jesus por conta da revelação que lhe foi feita na conversão.
A grande questão não é, no entanto, se conhecemos ao Senhor, mas se continuamos a conhecê-lo.
Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.
Tal conhecimento é para toda a vida, e é também conhecimento transformador à sua própria imagem, isto é, que nos faz refletir a Sua glória, que fortalece a nossa fé, e que nos faz ficar cada vez mais parecidos com Ele quanto ao amor, à misericórdia, à fidelidade, à constância, à bondade, à santidade e ao caráter. Isto vai ocorrendo à medida que nos relacionamos intimamente com Ele, pois é tal tipo de conhecimento que o Senhor espera de nós.

“Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé”.(Rom 1.17)

“18 Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (II Cor 3.18)

“antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade.” (II Pe 3.18)

DEUS É QUEM SALVA, E NÃO A ALIANÇA

Os judeus consideravam erroneamente: “Deus fez uma aliança com Abraão de ser o Deus de Israel. Eu sou descendente de Abraão, por conseguinte estou salvo!”
Ainda hoje, há muitos que pensam que pelo simples fato de serem membros de uma determinada igreja, ou de serem filhos de pessoas consagradas, que simplesmente isto lhes salvará da condenação vindoura.
Costuma-se dizer que filho de peixe peixinho é, mas filho de crente não é necessariamente crente.
Cada um deve ter a sua própria experiência pessoal com Jesus, pois a responsabilidade quanto ao pecado e à salvação é individual.
Se em plena vigência da Nova Aliança nesta dispensação da graça, muitos não topam com a salvação, e consideremos que as promessas desta aliança feita no sangue de Jesus incluem principalmente a salvação da alma, pois a salvação, sempre dependeu de um posicionamento pessoal diante de Deus; quanto mais não incorriam em erro todos quantos viveram nos dias do Velho Testamento em Israel, e consideravam que eram filhos de Deus pelo simples fato de serem descendentes de Abraão, já que aquela Antiga Aliança não continha qualquer promessa referente à remissão permanente dos pecados, à justificação e ao derramamento do Espírito Santo, que são fatores indispensáveis à salvação.
Assim a Antiga Aliança, com os seus mandamentos sob a forma de ordenanças, a ninguém podia salvar e justificar.
Mas era exatamente isto que o judaísmo pregava e ensinava.
Os apóstolos, especialmente, Paulo, lutaram contra este tipo de ensino, e expuseram em suas epístolas qual foi o propósito de Deus ao nos dar a lei.
O judaizante afirmava que a lei dava vida.
Paulo dizia que ela sujeitava o pecador à morte eterna, em razão de prescrever a condenação e maldição de todos quantos descumprissem os seus preceitos, como se lê em Dt 27.26.
Como já vimos antes, não era aquela primeira aliança que salvava, mas Deus mesmo.

“Pois, se aquele primeiro pacto fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo.” (Hb 8.7)

Por este motivo Paulo foi perseguido pelos judaizantes e tido na conta de herege, pois, segundo eles, a salvação é obtida exclusivamente pela estrita observância de todos os mandamentos e ritos da lei de Moisés, independente da fé em Cristo.
Sabemos que não era assim, mesmo nos dias do Velho Testamento, porque Deus sempre salvou pela graça, mediante a fé, com base no sacrifício futuro de Jesus.

“E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apo 13.8)

Isto não significa que Jesus não tivesse morrido de fato sob Pôncio Pilatos, mas, que a Sua morte tem eficácia para salvar a qualquer um que creia no Seu nome, desde Adão, até ao último homem que for gerado na terra.
O tempo de Deus não é o mesmo que é para nós. Para Ele, passado, presente e futuro são o mesmo.
Partindo da premissa verdadeira que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, não podemos sequer supor que Ele tenha mudado de idéia quanto ao modo de ser e de agir em relação à humanidade desde que Jesus se manifestou em carne para inaugurar uma nova aliança em substituição à antiga, que havia vigorado desde os dias de Moisés.
A lei fora dada para um propósito determinado, e especialmente para revelar qual é o caráter do Deus que servimos na dispensação da graça.
No registro da verdade do Antigo Testamento podemos aprender que o nosso Deus é misericordioso, mas também é Juiz que condena o pecado.
Nós vemos a graça e a misericórdia de Deus para com os pecadores, nos sacrifícios de animais da lei e nos vários meios instituídos na lei para perdoar os pecadores e lhes permitir a aproximação deles ao Seu trono de graça e misericórdia.
Todavia, nós vemos de modo muito nítido que esta concessão de perdão, e de misericórdia eram condicionados à fé, ao arrependimento, e à busca sincera de purificação.
Isto foi revelado na dispensação da lei com o propósito de nos ensinar na dispensação da graça que não estamos desobrigados do temor que é devido ao Senhor, e que o sangue de Jesus será eficaz somente para aqueles que buscam santificar as suas vidas.
Mesmo crentes que tenham sido justificados, e lavados no sangue, necessitam buscar estar na posição adequada na qual o sangue de Jesus será eficaz para purificá-los, que é a de uma sincera devoção e busca do Senhor, demonstrada no desejo de honrar e guardar os Seus mandamentos, e sobretudo de buscar a Sua face, deixando toda forma e aparência de mal, para aplicar-se à prática da justiça.
Nisto somos muito ajudados pela revelação do Velho Testamento, onde temos inúmeros exemplos práticos da manifestação da justiça, dos juízos e da bondade e misericórdia de Deus.
Então, se o Senhor permanece o mesmo, não podemos considerar erroneamente que a concessão da Sua graça à Igreja seja uma cobertura para a prática deliberada do pecado, pela falsa idéia de que Ele perdoará sempre, mesmo em face da falta de fé e de arrependimento.
Se é verdadeiro que Deus tem derramado a Sua graça de forma mais intensa e extensa, em todas as nações da terra, pela revelação do evangelho, no entanto, não permitiu que um só til ou jota da lei fossem revogados, até que tudo tenha sido cumprido, no propósito que fixou através de nosso Senhor Jesus Cristo.
É certo que não estamos mais na dispensação da lei, e sim na dispensação da graça, mas isto não significa que nos encontramos sem lei para com Deus, porque estamos debaixo da lei de Cristo.
Então não se considere que somente há cerca de dois mil anos que os homens desfrutam da possibilidade de serem alcançados pela graça de Deus, por causa da manifestação de nosso Senhor na plenitude do tempo, e muito menos que somente as pessoas do Velho Testamento estavam obrigadas a levarem a sério o pecado, se arrependerem e andarem por fé e não por vista.
Ao contrário, mais se exige de nós a este respeito do que foi exigido deles, porque nosso Senhor afirmou que a justiça dos crentes da dispensação da graça deve exceder em muito a dos escribas e fariseus, que eram representantes da antiga dispensação, a saber, a do Velho Testamento.
Aos que temiam no antigo pacto, serem mortos pelo Senhor, por causa dos seus pecados, quando se aproximavam do tabernáculo, Ele lhes proveu uma água purificadora que era preparada com as cinzas de uma novilha vermelha, para ser aspergida sobre eles, para servir de figura do sangue da aspersão de Jesus Cristo, pelo qual somos purificados dos nossos pecados.
No entanto, Deus lhes impôs no período do Velho Testamento, o dever de se aproximarem do tabernáculo para Lhe prestarem o devido culto de adoração.
Nisto estava implícito que seriam somente purificados pela água purificadora, aqueles que desejassem sinceramente serem purificados para adorarem ao Senhor.
O mesmo sucede com a sangue de Jesus na Nova Aliança, porque ele somente será eficaz para purificar do pecado, e permitir a aproximação de Deus àqueles que procedam de igual modo.
Por isso o autor de Hebreus não diz simplesmente que temos direito de acessar ao Santo dos Santos pelo novo e vivo caminho aberto para nós pelo Senhor Jesus, mas também indicou a posição em que devemos ser achados para fazê-lo, a saber:

“22 cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
23 retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa;
24 e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras,
25 não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hb 10.22-25)

Temos então ressaltada pelo autor de Hebreus, a necessidade de um coração verdadeiro, ou seja sincero, e além disso, que tenha inteira certeza de fé, e também purificado da má consciência.
Ele cita também a necessidade de o corpo estar lavado com água limpa, e o que está em foco não é o banho diário com o propósito de higiene pessoal, mas a santificação do corpo, representada em figura na exigência prevista na lei para o sumo-sacerdote poder entrar no santo dos santos do tabernáculo terreno.
E ele não pára por aí, porque ainda se refere à necessidade de se reter de modo inabalável a nossa confissão da esperança em Cristo, crendo em toda a Sua fidelidade, e além disso fazê-lo não apenas individualmente, mas na comunhão dos santos, através da exortação mútua à prática do amor e das boas obras.
Em outras palavras, falando de tudo isto de forma resumida: ele está se referindo à uma vida cristã autêntica, daqueles que levam a vontade de Deus a sério e que se empenham em praticar a Sua Palavra. É assim que se tem acesso ao Santo dos Santos celestial.
Veja como estas palavras do Novo Testamento nos revelam quão distantes estão do ensino errôneo de uma graça falsa que tudo releva, de um Deus que tudo releva, e que nada exige para a nossa aproximação dEle em espírito. Este não é o Deus da Bíblia, conforme está revelado tanto no Velho quanto no Novo Testamentos.
Tenhamos portanto muito cuidado para não fazermos uma avaliação apressada que nos leve a desconsiderar toda a revelação do Velho Testamento, pelo falso argumento de que se trata de doutrina ultrapassada, e que se refere a um modo de agir de Deus que vigorou somente na dispensação da Lei.
Ainda que os mandamentos cerimoniais tenham sido revogados porque se cumpriram todos eles em Cristo, no entanto, o temor devido ao Senhor por nos impor vidas puras e santificadas, como se vê no Velho Testamento, em nada mudou, e bem faremos em aprender de tudo o que nos foi revelado por Ele naquela dispensação.
É preciso entender que caso Deus tivesse pretendido fazer com que toda a revelação do Velho Testamento se aplicasse exclusivamente a Israel no período da Antiga Aliança, Jesus teria dito expressamente que um dos propósitos da Sua vinda seria o de revogar as Escrituras do Velho Testamento.
Todavia, como vimos anteriormente, Ele próprio afirmou que não veio revogar tais Escrituras, mas cumprir.
Finalmente, queremos fechar esta breve reflexão com a reafirmação da verdade que não temos no Velho Testamento somente a revelação dos juízos de Deus, mas também do Seu amor, e da Sua graça, bondade e misericórdia. E que aquilo que podemos chamar de viver abençoado, com a promessa da vida eterna, é somente para aqueles que se santificam e andam na Sua presença.
Nunca é demais lembrar que o próprio Novo Testamento nos adverte que somente aquele que perseverar até o fim é que será salvo, e sabemos que a perseverança do crente está associada à sua fé e santificação. Temos também a advertência que sem santificação ninguém verá o Senhor.
Pedro fala da necessidade de progresso na santificação para a plena certeza da esperança e confirmação da eleição. A esperança à qual ele se refere é a da vida no céu com Cristo. E a confirmação da eleição é a certeza da salvação.
Então Deus tem associado a certeza da segurança da salvação não a uma mera convicção intelectual, mas a uma vida prática de santidade contínua, a saber, perseverante, porque não é do Seu desejo que qualquer dos Seus filhos viva como filho das trevas, por viver na prática deliberada do pecado.
Não é de se admirar portanto, que sejam tantas as exortações que encontramos tanto no Velho quanto no Novo Testamento, para que o povo do Senhor ande de modo santo na Sua presença.

A ANTIGA ALIANÇA ERA FIGURA DA NOVA

As figuras do Antigo Testamento (sacrifícios de animais, móveis e utensílios sagrados do tabernáculo e do templo etc) tiveram cabal cumprimento em Jesus.
O ofício profético de Moisés e a sua obra de libertador e legislador de Israel é tipo da obra de Jesus.
O sacerdócio de Arão é tipo do de Jesus.
O reinado de Davi é tipo do Seu reinado eterno.
Muito do Velho Testamento é figura da Sua pessoa e obra.
Podemos dizer que temos, a rigor, no velho, a promessa, e no novo, o cumprimento, a realização. Daí ter o Senhor afirmado que não veio revogar a lei e os profetas, mas cumprir.
O fato de ser figura, não significa que a ministração sacerdotal do Antigo Testamento não tenha importância para a igreja.
Ao contrário. Já que por tais figuras podemos aprender acerca de muitos detalhes do que se cumpriu em Jesus e sua obra em nosso favor.
Por exemplo, quando estudamos os tipos de sacrifícios em Levítico (expiação – oferta pelo pecado; consagração – holocausto; comunhão – oferta pacífica), podemos entender melhor a abrangência do sacrifício de Jesus.
O autor de Hebreus afirmou que a lei tem a sombra dos bens vindouros.
No caso, o uso da palavra lei se refere ao Antigo Pacto propriamente dito, que foi estabelecido com a nação de Israel, para ser a figura da Nova Aliança, isto é, do pacto que Deus faria com as pessoas de todas as nações, por meio de Jesus. Como figura, o primeiro seria removido, para dar lugar ao segundo e último, cuja validade é eterna.

“4 Ora, se ele estivesse na terra, nem seria sacerdote, havendo já os que oferecem dons segundo a lei,
5 os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais, como Moisés foi divinamente avisado, quando estava para construir o tabernáculo; porque lhe foi dito: Olha, faze conforme o modelo que no monte se te mostrou.” (Hb 8.4,5)

“23 Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes.
24 Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus;” (Hb 9.23,24)

“Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus.” (Hb10.1)

Mas, nem tudo no Velho Testamento é figura.
Muitos dos mandamentos morais da Antiga Aliança permanecem em vigor (honrar os pais, amar ao próximo como a si mesmo, não proferir o nome de Deus em vão, não cultuar outros deuses, não invocar mortos etc).
Outros sofreram ajustes por Jesus (quanto ao adultério (Mt 5.27-32), aos juramentos (Mt 5.33-37), ao homicídio (Mt 5.21-26), à vingança (Mt 5.38-42) etc.
Nosso amor ao Senhor se expressa, conforme Ele próprio definiu, como obediência aos Seus mandamentos (Jo 14.21-24).
E dentre estes, contam-se também os registrados no Velho Testamento (note-se bem: os que possam ser aplicáveis à igreja), uma vez que o Deus do Velho é o mesmo Deus do Novo Testamento.

A RESPONSABILIDADE NA NOVA ALIANÇA É EXCLUSIVAMENTE INDIVIDUAL

Como a Antiga Aliança era coletiva, seus preceitos de bênçãos e de maldições eram sobretudo de co-responsabilidade.
Mas Deus revelou a Jeremias que cumpriria em Israel a promessa feita a Abraão. A aliança seria mudada de coletiva para individual. Os filhos não pagariam pelos pecados de seus pais.

“29 Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram.
30 Pelo contrário, cada um morrerá pela sua própria iniqüidade; de todo homem que comer uvas verdes, é que os dentes se embotarão.” (Jer 31.29,30)

O caráter universal e individual da promessa da bênção da Nova Aliança, dada por Deus a Abraão consistiu no juramento que Ele fizera ao patriarca de abençoar as pessoas de todas as nações que estivessem no seu descendente, que é Cristo.
A Antiga Aliança não poderia impedir o cumprimento da promessa feita a Abraão, uma vez que fora inaugurada posteriormente à referida promessa (430 anos depois).
A filiação a Deus é estabelecida com base nessa promessa, que consiste na nova aliança com Cristo, o descendente de Abraão, no qual somos abençoados, isto é, transformados em herdeiros de Deus pela fé.
É digno de destaque o fato de a promessa afirmar “no teu descendente”, e não “pelo teu descendente”. Ainda que seja verdade que somos abençoados por Jesus, é uma verdade ainda maior que somos abençoados por estarmos em Jesus.

“7 Sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão.
8 Ora, a Escritura, prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações.
9 De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão.” (Gál 3.7-9)

Este texto fala que Deus prometeu que justificaria os gentios pela fé.
Daí entendemos que há mais uma razão para explicar a insensatez de se tentar justificar pela estrita observância dos mandamentos da lei de Moisés (note bem, estamos falando de justificação), uma vez que a lei de Moisés era o coração da Antiga Aliança, e esta não foi feita com o mundo gentílico, mas exclusivamente com a nação de Israel.
Não foi portanto, sem motivo que o apóstolo Paulo chamou os gálatas de insensatos, por terem se afastado de Cristo, e tentado obter a justificação pela lei.
Se os próprios israelitas não poderiam ser justificados pela lei, quanto mais os gentios.

“Ora, a Abraão e a seu descendente foram feitas as promessas; não diz: E a seus descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: E a teu descendente, que é Cristo.” (Gál 3.16)

“E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.” (Gál 3.29)

Isaque nasceu de Abraão, por promessa, pelo poder de Deus, para vir a ser tipo dos que também nasceriam de novo, segundo a promessa, pela fé.
Daí se dizer que o crente é filho da promessa, isto equivale a dizer: filho por causa da promessa.

“6 Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas;
7 nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.
8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência.” (Rom 9.6-8.)

A BÊNÇÃO E A MALDIÇÃO
A Antiga Aliança continha em seus termos a prescrição de bênçãos para toda a nação de Israel, em caso de obediência aos mandamentos, para estimular e incentivar a sua fidelidade a Jeová, e também maldições, no caso de desobediência, para o mesmo propósito.
E tal co-responsabilidade prevista na aliança não se limitava a cada geração.
A obediência ou desobediência das gerações anteriores, implicavam as bênçãos ou juízos de Deus sobre as gerações posteriores.
Entretanto, aprendemos por princípio, das promessas de bênçãos e maldições da Antiga Aliança, que mesmo na Nova Aliança, temos um viver abençoado por Deus ou não, também condicionado à nossa obediência ou desobediência, respectivamente, à Sua vontade e mandamentos.
Ora, sabemos que o amor e a misericórdia de Deus são incondicionais.
Mas, uma vez adotados como seus filhos, a sua bênção é condicional.
É sempre realizada pelo cumprimento das condições estabelecidas pelo próprio Deus.

“Se estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito…”. “Se lhe pedimos algo segundo a Sua vontade…” e por aí afora.

Tanto as promessas de bênçãos quanto de maldições, previstas na Antiga Aliança eram essencialmente de caráter temporal.
Diziam respeito à proteção ou ao juízo de Deus em relação a Israel, no caso de obediência ou transgressão dos mandamentos da aliança.
Consistiam, sobretudo em promessas de bênçãos relativas à vitória ou derrota das nações inimigas; à fartura ou escassez de colheitas; à saúde ou enfermidade etc.
Uma outra razão para a ausência de promessas de bênçãos eternas nos termos da Antiga Aliança estava associada ao fato de que a mesma abrangia todos os israelitas, independentemente de serem ou não pessoas de fé, uma vez que foi celebrada coletivamente com toda a nação de Israel, e por isso, não poderia conter em suas prescrições promessas relativas à justificação pela simples observância dos mandamentos da lei, já que nem todos os israelitas eram pessoas tementes a Deus.
É importantíssimo que não se confunda o fato de que a Antiga Aliança continha promessas de bênçãos temporais, com o de que não havia bênçãos espirituais para os israelitas da parte de Deus no período do Velho Testamento.
Ele abençoou com tais bênçãos, não apenas muitos israelitas, mas também gentios. Mas não em razão das prescrições da Antiga Aliança.
Deus é soberano. Não estava preso aos termos estritos da aliança que Ele mesmo estabeleceu.
Ele sempre abençoou pela Sua graça, mediante a fé. Antes mesmo de a Antiga Aliança ter entrado em vigor com Moisés.
Um bom exemplo disso é a viúva de Sarepta, que residia fora dos termos de Israel, e que não apenas foi abençoada pelo Senhor, como também abençoou o profeta Elias, por meio da sua fé.
Por outro lado, é importante sabermos que ao afirmar a Bíblia que as promessas da Nova Aliança são superiores às da Antiga (Hb 8.6), não quer isto significar que as bênçãos temporais da Antiga Aliança eram desprezíveis.
Ao contrário, foram prometidas por Deus.
E tudo o que Deus faz é bom.
Ao conclamar o aliançado da Nova Aliança (o crente) a buscar o reino de Deus e a sua justiça, antes de tudo o mais, Jesus referiu-se aos bens temporais, que nos são necessários, como acréscimo (“todas as demais coisas serão acrescentadas”).
Por isto, não devem ser rejeitados, depreciados, desprezados e nem priorizados. Mas, devemos estar abertos para a sua recepção como bênçãos de Deus, pois apesar de não serem prometidos a nós, na presente dispensação, nos mesmos termos daquela Antiga Aliança, que foi revogada, os mesmos podem ser considerados como bênçãos que nos são concedidas como acréscimo, ao lado da salvação da nossa alma, quando estamos compromissados com os interesses do reino de Deus.
As promessas de bênçãos da Nova Aliança são especialmente de caráter espiritual e eterno, porque todos os aliançados desta aliança são pessoas de fé, quer sejam israelitas, quer sejam gentios.
Na verdade, tais aliançados não podem mais ser considerados gentios (estrangeiros), pois em Jesus caiu a barreira de separação que era imposta pela Antiga Aliança (Ef 2.11-27).
Em Jesus, todos os crentes verdadeiros são participantes da família, do povo de Deus.
Ninguém é considerado como estranho pelo Senhor, em razão dos seus costumes culturais diferentes daqueles que identificavam os israelitas como nação.
Todos são concidadãos da família dos santos, independentemente de sua condição social, racial, cultural, financeira etc.
Evidentemente, esta condição de não ser estranho a Deus e à família dos santos, é uma condição que se mantém enquanto permanecemos nAquele que nos concedeu tal acesso: Jesus.
Se em razão do endurecimento pela prática de pecados não confessados e abandonados, chegamos à cauterização da nossa consciência, tornando-se esta insensível à obediência à vontade de Deus, é certo que perderemos tal privilégio e seremos considerados como gentios (estrangeiros) pela própria igreja e pelo Senhor, pois, que, pelo Espírito, deu-nos autoridade para desligar o que tiver sido desligado no céu, a reter pecados naqueles que não são perdoados, por não se arrependerem.

“17 Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu.” (Mt 18.17,18)

Através das palavras de nosso Senhor neste texto, vemos que não é consistente a doutrina dos que afirmam que a exclusão de membros da igreja visível na terra, não os exclui da igreja dos aperfeiçoados do céu.
Mateus 18.17,18, não valida tal tipo de ensino.

“Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas.” (Jo 15.6)

“mas Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança.” (Hb 3.6)

Quando Paulo diz que se alguém prega outro evangelho seja anátema, isto é, maldito (Gál 1.9), ou quando diz que se alguém não ama ao Senhor seja também anátema (I Cor 16.22), está falando da real condição em que tais pessoas se encontram.
Não está ordenando que sejam amaldiçoadas, mas alertando sobre a situação em que permanecem os que andam conscientemente na contramão da vontade de Deus.
Estes, se não se converterem de suas más obras, terão os ouvidos tinindo com o vigor da declaração que Jesus lhes dirigirá no juízo: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo, e seus anjos.” (Mt 25.41).

“20 Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo pelo pleno conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam de novo envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro.
21 Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. (II Pe 2.20,21)

Devemos sempre lembrar, no entanto, ao lermos a lei e os textos de maldição do Antigo Testamento, que não poucos em Israel eram pessoas ímpias, tal qual como ocorre com os que não têm a Cristo, hoje em dia.
Faziam parte do povo de Israel, e nessa condição também eram designados como parte do povo de Deus, mas, a rigor, não pertenciam ao Senhor, não O amavam, não O conheciam (Rom 9.6,8; Jo 8.42-44).
Em todo o caso, mesmo aqueles que conhecem ao Senhor, bem farão em não se desviarem do caminho apertado que conduz à salvação, de modo a não correrem o risco de desprezar a bênção recebida, conforme prometido a Abraão (Gál 3.14), colocando-se de novo sob o jugo da maldição da qual haviam sido resgatados por Cristo (Hb 6.4-8; II Pe 2.20-22; I Tim 4.1; 6.10; Col 1.23; I Jo 5.16).
Algumas verdades bíblicas devem ser consideradas quanto à maldição:
– A maldição sem causa, isto é, sem fundamento, não se cumpre (Pv 26.2).
– Deus possui o poder de converter em bênção a maldição que nos for dirigida por alguém (Ne 13.2).
– O crente não deve maldizer quem lhe amaldiçoa, mas viver na bênção de Deus (Sl 109.26-28).
– O crente não deve amaldiçoar, mas bendizer (Lc 6.28; Rom 12.14; I Cor 4.12; I Pe 3.9).
– O desejo de Deus é o de abençoar o seu povo, e não o de maldizer (Zc 8.13; 14.11; Ez 18.23,32).
– Os que não conhecem a Jesus, serão amaldiçoados no dia do juízo (Mt 25.41).
– Cristo resgatou o crente da maldição da lei (Gál 3.13).

E quanto à bênção, devemos considerar:
– Deus abençoa o que vive na prática da justiça (Sl 5.12; Pv 3.33; 10.6).
– O Senhor abençoa o seu povo com paz (Sl 29.11).
– Quem anda no temor do Senhor é abençoado (Sl 115.13; 128.4).
– O generoso é abençoado por Deus (Pv 22.9).
– O crente é abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (Ef 1.3).
– O crente deve ser uma bênção (Gên 12.2).
– Quando temos comunhão com o Senhor outros são abençoados (Gên 39.5).
– Onde há unidade entre os irmãos, Deus ordena a sua bênção (Sl 133.1-3).
– Quem é fiel é abençoado (Pv 28.20).
Quem busca a maldição é por ela apanhado, do mesmo modo que a bênção se afasta daquele que a rejeita (Sl 109.17).

“5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz seja com esta casa.
6 E se ali houver um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; e se não, voltará para vós.” (Lc 10.5,6)

“10 Mas em qualquer cidade em que entrardes, e vos não receberem, saindo pelas ruas, dizei:
11 Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós. Contudo, sabei isto: que o reino de Deus é chegado.
12 Digo-vos que naquele dia haverá menos rigor para Sodoma, do que para aquela cidade.
13 Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito, sentadas em cilício e cinza, elas se teriam arrependido.
14 Contudo, para Tiro e Sidom haverá menos rigor no juízo do que para vós.
15 E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? até o inferno descerás.
16 Quem vos ouve, a mim me ouve; e quem vos rejeita, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” (Lc 10.10-16)

A LONGANIMIDADE DE DEUS NA ANTIGA E NA NOVA ALIANÇA

Não podemos confundir o exercício do amor e misericórdia de Deus, que são incondicionais, com a aprovação de nossas vidas pelo Senhor.
Ele faz nascer o sol sobre justos e injustos, prova do Seu amor e misericórdia.
Pode livrar alguém de iminente perigo.
No entanto, isto não significa necessariamente, que esteja abençoando ou aprovando a vida de todos quantos vivam na prática da injustiça.
Ao contrário, um terrível juízo os aguarda, enquanto o Senhor usa de longanimidade, na expectativa de que se arrependam e vivam.

“8 Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.
9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.
10 Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.” (II Pe 3.8-10)

A Antiga Aliança prescrevia a sentença de morte por apedrejamento aos adúlteros, aos homossexuais, feiticeiros, idólatras, homicidas. Os sacrifícios de animais não cobriam tais pecados.
Na Nova Aliança não há qualquer prescrição desse tipo.
Mas isto não significa que Deus mudou de opinião quanto a julgar os pecados de adultério, homossexualismo, feitiçaria, idolatria e homicídio.
Todo aquele que não abandoná-los será condenado eternamente no juízo final.
E não se pense que apenas os praticantes de tais tipos de pecados estão sujeitos à condenação divina, mas toda e qualquer pessoa que não tenha sido justificada pela fé em Cristo.
A longanimidade de Deus, na dispensação da graça, na expectativa de que se arrependam e cheguem ao conhecimento da verdade, não anulará o juízo caso não entreguem suas vidas a Jesus para serem salvos.
Devemos considerar, no entanto, que ao instituir as penas capitais da Antiga Aliança, Deus não criou uma espécie de justiça cega e implacável, legalista e apegada à letra fria da lei.
Não.
Todo caso deveria ser levado ao julgamento dos juizes de Israel, e destes se esperava que julgassem segundo a reta justiça e não segundo a aparência; que suas deliberações fossem feitas na presença de Deus e consoante o Seu temor.
As intenções do coração, as circunstâncias atenuantes e agravantes deveriam ser devidamente consideradas no juízo, para que este fosse segundo a justiça.
Caso a mulher adúltera, citada no oitavo capítulo do evangelho de João, fosse levada a juízes que fossem tementes a Deus, e que julgassem segundo a direção do Espírito Santo, certamente teriam dado o mesmo veredicto que Jesus deu na ocasião.
O rei Davi foi poupado por Deus quando adulterou com Bateseba porque caiu no pecado de adultério, mas não era alguém que amava o adultério, e que também não vivia adulterando.
Isto certamente foi levado em conta, quando foi confrontado por Deus através do profeta Natã.
Jesus ensinou que na presente dispensação da graça, correspondente à vigência da Nova Aliança, toda e qualquer ofensa poderá ser perdoada aos homens, exceto blasfemar contra o Espírito Santo.
O Velho Testamento contém muitas passagens em que Deus afirma que não traria juízos sobre Israel ou certo grupo de pessoas, em razão da fidelidade dos seus antepassados (vide história dos reis de Israel. O trono de Salomão preservou a sua descendência em Judá, apesar da sua idolatria, por Deus ter amado a fidelidade de Davi).
De igual forma, o princípio da visitação da iniqüidade dos pais nos filhos, foi aplicado também, segundo os termos da Antiga Aliança, em Israel (Acã e seus descendentes foram destruídos por causa do seu pecado; a descendência do rei Acabe foi exterminada por igual motivo, e em termos nacionais, vemos a aplicação deste princípio, especialmente nos cativeiros assírio e babilônico).
Isto foi reconhecido pelos profetas. Eles sabiam que o cativeiro havia sido decretado muito antes da geração que seria levada cativa, em razão da idolatria e quebra da aliança por parte das gerações anteriores.
O Jesus da Bíblia não é o Jesus “bonzinho” que muitos andam pregando pelo mundo afora: que tudo releva, que a ninguém julga ou julgará, que não se importa com o pecado.
Que perigo!
Faremos bem em dar crédito ao que Jesus diz na Bíblia e não aos traficantes de promessas, que só falam de coisas que a carne gosta de ouvir.
Devemos nos guardar conforme ordenança do Senhor, dos falsos profetas que se apresentam vestidos de ovelhas, mas que no seu interior são como lobos devoradores. Devoradores da vida do céu, da salvação, da santificação, porque pregam um falso evangelho que aponta para a porta e caminho amplos que conduzem à perdição, pois omitem tudo o que se refere à porta e ao caminho estreitos que conduzem à salvação.

“19 conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragando no tocante à fé;
20 e entre esses Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar.” (I Tim 1.19,20)

“17 Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?
18 E se o justo dificilmente se salva, onde comparecerá o ímpio pecador?” (I Pe 4.17,18.)

Mas, tal é a graça do Senhor, derramada por promessa nesta dispensação, que uma vez manifestado o sincero arrependimento, somos convocados a estar dispostos a perdoar não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete (Mt 18.21,22).
Afinal a longanimidade é fruto do Espírito e não obra da Lei.

“19 Sabei isto, meus amados irmãos: Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar.
20 Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
21 Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas.” (Tiago 1.19-21)

O Tiago, autor da epístola que leva o seu nome, era também filho de Maria, e irmão de Jesus, e certamente ele viu desde há muito o exemplo de mansidão e de longanimidade que se encontravam em Jesus, apesar de ter sido dado a Ele pelo Pai toda autoridade no céu e na terra para julgar.
Ele é o Senhor da ira contra o pecado, o Cordeiro que manifestará a Sua ira no tempo do fim, conforme vemos em Apocalipse, mas que ao mesmo tempo é manso e humilde de coração; e totalmente longânimo (tardio em se irar).

Não podemos medir a nossa ira pela ira de Deus, porque a ira do Senhor é perfeitamente justa e santa, e é Ele que tem o poder de julgar as consciências humanas e executar uma sentença de condenação sobre elas.
A nós, não foi dada tal autoridade, ao contrário, somos ordenados a não passar este tipo de juízo condenatório definitivo nos outros, para que não sejamos julgados com a mesma medida que julgamos.
E quão difícil e delicado é viver isto.
Por isso devemos examinar este assunto nas Escrituras, para podermos aplicar em nossas vidas a vontade de Deus quanto à diferença que há entre uma ira justificada e santa, e uma ira não justificada e não santa.
Lembremos que Moisés não estava em rebelião contra Deus, mas o povo de Israel sim, e murmuraram contra Ele.
Mas quando Moisés descarregou a sua ira contra eles em Refidim, quem foi julgado por Deus naquela ocasião foi o próprio Moisés, e não eles.
A Moisés, o ter se irado contra eles e batido na rocha, custou ser proibido de entrar em Canaã, ainda que tivesse insistido com o Senhor para entrar na terra prometida.
Moisés não foi julgado pelo Senhor porque se irou contra o pecado dos israelitas, porque a sua ira era justificada e santa, mas porque não conteve a sua ira, quando Deus não estava exercendo nenhum juízo sobre eles, e portanto cabia-lhe seguir o exemplo do Senhor naquela situação.
Se tivesse de passar algum juízo, ele deveria passar o juízo determinado por Deus, e não agir pela própria conta.
Há um grande ensino para nós naquele incidente.
O que faltou a Moisés foi longanimidade.
Veja que problema é isto quando ela falta aos líderes da Igreja de Cristo.
Se nós formos perder a nossa tranqüilidade de mente por causa do pecado de alguns crentes da nossa Igreja ou de outras, nós nunca poderemos ter paz com Deus, porque o diabo sempre usará isto contra nós.
É preciso pois ser sempre longânimos, porque sempre haverá o joio entre nós.
É necessário aprender do mesmo exemplo de longanimidade de Cristo e dos apóstolos, especialmente os líderes do povo de Deus, para que não venham a destruir a obra que Ele nos tem designado para dirigir, por causa de um destemperamento que não nos permita sermos longânimos para com todos, conforme é necessário, para que em meio a todas as dificuldades que venhamos a encontrar no caminho no nosso relacionamento com as pessoas que Deus tem colocado debaixo do nosso cuidado, especialmente para que aquelas dificuldades criadas por Satanás, não venham a pôr a obra do Senhor a perder, por falta da nossa longanimidade.
Por isso se ordena que a exortação pastoral seja feita segundo a doutrina, mas também com longanimidade:

“prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e doutrina.” (II Tim 4.2)

Para tanto o apóstolo Paulo destaca o seu próprio exemplo de longanimidade para ser seguido pelos líderes:

“Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança,” (II Tim 3.10)

E não somente aos líderes, como também a todos os crentes, ele afirma a necessidade de serem longânimos para com todos:

“com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,” (Ef 4.2).

“corroborados com toda a fortaleza, segundo o poder da sua glória, para toda a perseverança e longanimidade com gozo;” (Col 1.11)

“Revestí-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade,” (Col 3.12)

A longanimidade é portanto uma atitude pessoal de não se irar com facilidade e rapidamente em relação aos outros.
Assim, ao tratarmos de assuntos como a ira de Deus, que é um dos Seus atributos, sobre assuntos relativos ao Seu juízo, e ao inferno, não devemos esquecer de que Deus é longânimo, e que por isso, muitas vezes retarda o Seu juízo, dá oportunidades imensas aos Seus inimigos para se arrependerem, suporta com muita longanimidade as iniqüidades dos vasos de ira, e não se permite ter qualquer perturbação de mente por causa das transgressões deles.
E é particularmente neste aspecto que Jesus nos chama a imitar o Seu próprio exemplo de mansidão e humildade, que são a base da sua completa longanimidade.
De outra forma, por exemplo, como o próprio apóstolo Paulo poderia ter sido salvo, a não ser pela completa longanimidade de Jesus, da qual ele dá testemunho em I Tim 1.16, porque afinal foi perseguidor da Igreja antes da sua conversão.
Ele afirma ter sido o principal dos pecadores por causa desta perseguição da Igreja, ao qual Jesus demonstrou que é de fato totalmente longânimo, porque de outra forma não lhe teria perdoado e teria executado o Seu juízo sobre ele desde há muito.
Mas como é paciente na expectativa de que o pecador se arrependa e se converta, ele pôde ser salvo, assim como todos aqueles que têm sido alvo da longanimidade de Deus, porque não foi longânimo somente para com ele, Paulo, mas é para com todos os pecadores.

“mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, o principal, Cristo Jesus mostrasse toda a sua longanimidade, a fim de que eu servisse de exemplo aos que haviam de crer nele para a vida eterna.” (I Tim 1.16)

Por isso é preciso ter cuidado para não esquecermos que Deus é longânimo, especialmente quando pregamos temas sobre a Sua ira e juízos, ou quando exercemos a disciplina na Igreja, porque Deus permanece longânimo, misericordioso e amoroso,apesar de ser terrível a Sua ira e de ser poderoso em Seus juízos, e é por isso que somente Ele pode julgar com perfeita justiça, porque ao julgar não deixa de ser longânimo e misericordioso.
Quando Horatius Bonar, o biografista do grande Robert Murray McCheyne lhe disse que havia pregado um sermão denso sobre o inferno, este lhe perguntou se o havia feito com lágrimas em seus olhos.
A pergunta de McCheyne é muito apropriada e é um alerta para todos nós, no sentido de nunca esquecermos ao lidarmos com o assunto da ira divina, que Deus é perfeitamente longânimo, e nunca perde a tranqüilidade de mente ao tratar com os pecadores, coisa que faríamos bem em lembrar.
Ele é tardio em se irar (longânimo), e somos exortados a imitar o Seu próprio exemplo de longanimidade, conforme nos ordena a Palavra, lembrando-nos que a nossa ira não pode produzir de modo algum aquilo que seja justo diante dos olhos de Deus (Tg 1.19,20).
É de fato algo terrível quando contemplamos o pecado em nós mesmos e nos outros, e uma ira contra o pecado nunca é uma ira injustificada, mas quando perdemos a paciência e partimos logo para exercer um juízo contra o pecado, especialmente o de outros, aí nós falhamos, porque deixamos de lado a longanimidade que é parte do fruto do Espírito Santo, e que portanto, deve ser achada em nós, quanto a sermos como é o próprio Deus, isto é, tardio em se irar, conforme veremos mais especificamente adiante.
No original grego, a palavra para longanimidade é makrothumia. Uma palavra composta de macro (grande, longo) e thumia (sentimento). Pelo contexto bíblico, com o auxílio do Velho Testamento, em que temos uma expressão equivalente para longanimidade, que é arek afaim, que significa literalmente “tardio em se irar”, a qual é traduzida em algumas versões por longânimo, somos ajudados a compreender o significado bíblico desta palavra.
Longanimidade é pois a capacidade de suportar ofensas e danos sem precipitar-se numa ira condenatória sobre quem nos ofendeu ou prejudicou.
É pois muito mais do que a capacidade de ser paciente em circunstâncias gerais adversas, pois está implícito o retardamento da ira e do juízo com vistas a não se ressentir contra as faltas sofridas da parte de outros, e da não aplicação de um castigo imediato sobre eles, se isto se encontra na esfera do nosso poder e autoridade.
O capítulo 18 de Mateus é um dos capítulos da Bíblia que nos ensina sobre o dever de sermos longânimos para com o nosso próximo, e especialmente com nossos irmãos na fé, assim como Deus é longânimo para conosco.
O que deu ensejo ao ensino de Jesus neste capítulo foi uma pergunta dos discípulos dirigida a Ele sobre quem seria o maior no reino dos céus.
E Jesus, para lhes responder e ensinar qual é o verdadeiro caráter de um cidadão do reino dos céus, chamou uma criança e a colocou no meio dos discípulos, e lhes disse que o maior do reino dos céus seria aquele que se humilhasse como aquela criança, mas para isso seria necessário primeiro que eles se convertessem (18.1-4).
Eles estavam pensando em grandeza segundo os valores da terra, e Jesus lhes mostrou qual é a verdadeira grandeza do céu, quando lhes afirmou que quem recebesse uma criança, tal como aquela, que cria nele, em nome dele, estaria na verdade recebendo a ele mesmo, de modo que se alguém servisse de tropeço a estes pequeninos, melhor seria morrer afogado na profundeza do mar com uma pedra de moinho pendurada no pescoço, do que ter que enfrentar o juízo que está destinado por Deus aos que fazem tropeçar os pequeninos (18.5,6).
E o Senhor falou sobre a inevitabilidade da vinda dos escândalos que faria com que muitos tropeçassem, mas declarou um ai sobre aqueles pelos quais vêm os escândalos.
De modo que, para evitá-los seria até mesmo preferível cortar um pé, uma mão, ou um dos olhos, se isto fosse necessário para obter a salvação, do que ser perfeito fisicamente e vir depois a sofrer eternamente no fogo do inferno (Mt 18.7-9).
Na verdade Jesus estava ensinando sobre o dever dos seus discípulos de serem longânimos para com todos, em vez de pensarem em receber poder e autoridade segundo o mundo, para exercê-lo em relação ao seu próximo; pois o caráter do reino de Deus não é este, de nenhuma maneira.
Por isso, imediatamente após ter proferido tais palavras, Jesus alertou para a importância de não se desprezar qualquer pequenino que nele creia, porque Deus tem um cuidado especial por eles, enviando anjos para protegê-los, os quais têm que dar contas a Deus no céu quanto à assistência que dá a eles na terra (Mt 18.10).
E para ilustrar este cuidado de Deus para com os pecadores perdidos, que Ele ama e escolheu para Si, para fazerem parte da Sua família, Jesus lhes contou a parábola da ovelha perdida, para mostrar o esforço diligente de Deus em procurar suas ovelhas que estão extraviadas, assim como um pastor de ovelhas cuida do seu rebanho revelando o cuidado de proteger e guardar cada uma delas.
E há um grande prazer e alegria em Deus e em todos os anjos do céu por causa de uma só ovelha extraviada que é encontrada por Ele, para ser agregada ou reagregada a todo o seu rebanho, de modo que não é da Sua vontade que qualquer um destes pequeninos venha a perecer, pois é Ele mesmo quem garante a sua salvação, e quem cuida deles de modo zeloso e perfeito (Mt 18.10-14).
Por isso devemos ter todo o cuidado para não sermos motivo de escândalo ou de tropeço para qualquer dos pequeninos de Deus, por falta de longanimidade em nós para com eles.
Disto se depreende portanto a necessidade de total longanimidade por parte de todos os membros da igreja de Cristo, e especialmente daqueles que estão encarregados da sua disciplina, de modo que o Senhor determinou que antes que alguém seja excluído da comunhão dos santos por causa da prática do pecado contra um irmão ou contra a igreja, que seja feita antes com todo empenho e discrição a tentativa de conduzir o faltoso ao arrependimento, de modo a preservá-lo o mais possível do constrangimento de uma confrontação pública com todo o corpo de fiéis, a qual deverá ser feita somente em última instância, caso haja uma resistência ao primeiro confronto pessoal que deve ficar somente na esfera do conhecimento do ofensor e do ofendido, para que a reputação do ofensor seja preservada, e depois de ter havido também resistência na presença de dois ou três que tenham testemunhado a ofensa, também para o mesmo cuidado de preservar a honra do ofensor (Mt 18.10-17).
A igreja está revestida de fato da autoridade de Jesus, mas o exercício desta autoridade deve ser em longanimidade.
Daí a necessidade de se estar revestido do fruto do Espírito Santo que é longanimidade, que dará o tom e a atitude corretos no julgamento das faltas de um irmão.
E que revestirá os que julgam daquela mesma atitude e sentimento do próprio Deus que é longânimo, isto é tardio em se irar (arek afaim), ao considerar e a tratar com os nossos pecados.
Sem estar revestido pelo Espírito desta longanimidade não será possível liberar um perdão verdadeiro àqueles que nos ofenderam.
E não há um limite para este espírito de longanimidade, revelando-se no poder prático de se perdoar ofensas de coração, assim como Jesus ensinou aos seus discípulos.
Quando à vista destes ensinos Pedro Lhe perguntou se deveria perdoar o irmão que pecasse contra ele apenas até sete vezes, e o Senhor lhe afirmou e ensinou com uma metáfora e uma parábola, que a longanimidade em suportar ofensas e a atitude e o ato de perdoá-las deve seguir o padrão do próprio Deus, que é completamente longânimo e perdoador, não tendo fixado em seu caráter qualquer limite para ser longânimo e perdoador em relação àqueles que verdadeiramente se arrependem, pois será longânimo para com eles e os perdoará toda vez que se arrependerem de seus pecados e ofensas.
Com a metáfora Jesus disse que Deus não perdoa até sete vezes, mas até setenta vezes sete, e devemos ser imitadores de Deus especialmente em relação a isto (Mt 18.21,22).
E com a chamada parábola do credor incompassivo Jesus ensinou que Ele perdoa dívidas, ainda que sejam de dez mil talentos, e que não seremos abençoados por Deus, e na verdade seremos sujeitados ao juízo de sermos corrigidos e disciplinados até que nos disponhamos a ser longânimos e perdoadores, ainda que a dívida que tenhamos que perdoar de alguém seja pequena como a do homem da parábola, que mandou prender quem lhe devia apenas cem denários (Mt 18.23-35).
Veja que não se fala de perdão barato na Bíblia, apesar de ser sempre pela graça, porque sempre está implícita a necessidade de arrependimento do ofensor.
Na falta deste arrependimento não há qualquer sentido no perdão.
Lembremos que a Igreja recebeu autoridade não somente para perdoar pecados, como também para retê-los.
Mas uma vez que seja manifestado o arrependimento, o perdão deve ser automaticamente liberado conforme nos ensina a parábola que Jesus usou para ilustrar esta verdade.
E corremos sério perigo se não o fizermos.
Para que possamos ter uma melhor noção dos valores que são aqui expressados pelo Senhor devemos ter em conta que havia nos dias de Jesus talentos de ouro e de prata.
A parábola não se refere ao tipo de talento, mas podemos subentender que seria o de ouro que valia cerca de trinta vezes mais do que o de prata.
Fazendo a comparação pelo valor mais baixo, a saber, o de prata, este valia 6.000 denários, de modo que os 10.000 talentos da parábola de Jesus correspondiam a 60 milhões de denários. Agora se exige deles que manifestem o mesmo perdão para com todos aqueles que se arrependerem de seus pecados.
Mas, sabendo que um denário equivalia ao salário de uma jornada diária, e considerando que no Brasil um diarista recebe cerca de 30 reais por dia, então a dívida do homem que foi perdoado por Deus, que é representado na parábola por um rei que estava ajustando contas com os seus servos, correspondia a 1 bilhão e 800 milhões de reais (30 x 60 milhões).
Caso Jesus estivesse se referindo a talentos de ouro, então esta dívida que foi perdoada, diante do pedido do homem que pediu ao rei que fosse longânimo para com ele, de modo que não executasse a dívida mediante a venda dele, de sua mulher e filhos como escravos, seria então de 54 bilhões de reais. De que tipo de longanimidade e perdão está Jesus falando então? Podemos ter isso e ser isso sem o Espírito Santo?
Se não recebermos dEle um coração como é o coração de Deus jamais estará na esfera da nossa própria capacidade e poder agirmos de tal forma em relação àqueles que nos têm ofendido, sendo tardios para se irar contra eles, assim como Deus age em relação a eles.
Pode parecer um paradoxo, mas o nome de Deus é glorificado, exaltado e honrado pela exibição da Sua completa longanimidade e misericórdia a pobres pecadores, num mundo sujeito ao pecado.
Lembremos que a dívida que o homem da parábola se recusou a perdoar era de apenas cem denários, quando ele próprio teve uma dívida de um bilhão e seiscentos milhões de denários perdoada por Deus. E este homem que foi perdoado de tal maneira representa todos aqueles que foram salvos pelo perdão de Jesus, isto é, todos os crentes verdadeiros.
A maior glória do Senhor está exatamente no fato de perdoar pecados e ser longânimo para com os pecadores, porque isto lhe traz muita gratidão, louvor, adoração e amor.
Daí ter dito a Moisés o seguinte quando este lhe pediu que lhe mostrasse a Sua glória:

“Tendo o Senhor passado perante Moisés, proclamou: Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se (longânimo em outras versões) e grande em beneficência e verdade;” (Êx 34.6)

É por isto que não é incomum que antes de nos abençoar com os seus amorosos e poderosos livramentos e provimentos, mediante a Sua rica e infinita graça, Ele permite que sejamos convencidos primeiro dos nossos muitos erros, da nossa própria fraqueza e incapacidade para sermos, vivermos e fazermos tudo o que se refere à Sua santa e soberana vontade, de modo que entendamos em inteligência espiritual que dependemos inteiramente da longanimidade de Jesus, do Seu amor e das capacitações do Espírito Santo, para sermos por exemplo, as pessoas longânimas que devemos ser.
Não está na esfera do nosso próprio poder e vontade sermos longânimos, mas em receber a graça da longanimidade do Espírito Santo, porque é fruto dEle, em nossos corações.
Somente assim seremos tardios em nos irar, e suportaremos sofrimentos e ofensas tendo um coração paciente, amoroso e perdoador, em razão de estarmos cheios da graça de Jesus que se aperfeiçoa em nossa fraqueza e que nos torna suficientes para fazer a Sua santa vontade.
Isto é também parte do trabalho da cruz em crucificar o nosso homem exterior com as suas irritações e deliberações voluntariosas.
Por isso o próprio Deus exibe toda a Sua longanimidade suportando os muitos erros do Seu próprio povo, para que este, reconhecendo a sua própria incapacidade lhe clame pedindo por um avivamento do Espírito, que derrame e faça habitar ricamente o Seu fruto em seus corações.
Por que somos tão tardos de coração e de cerviz tão endurecida, pensando que não dependemos inteiramente de que o próprio Senhor nos assista em todas as nossas necessidades? Especialmente no que tange a termos a sua santidade, o seu amor, a sua presença no meio do Seu povo, para que mais do que tudo O amemos de toda a alma, força e entendimento, tendo de fato em Cristo o no desejo de agradá-lo em tudo o que nos tem ordenado, o maior tesouro que cative todo o nosso afeto e coração.
Quando desistiremos de tentar viver a vida de Deus por nossa própria capacidade e poder?
Se orarmos por isto, se pedirmos isto insistentemente ao Senhor, e caso ele derrame sobre nós esta bênção, então se verá que os filhos serão obedientes aos pais, os maridos amarão suas esposas como Cristo ama a sua igreja, as mulheres amarão os seus maridos e lhes serão submissas, os jovens se disporão a evangelizar os perdidos e serão submissos a seus pais e aos que são mais velhos do que eles, a murmuração e a maledicência baterão em retirada, e se verá por fim a unidade em amor que Cristo almeja ver entre os membros da sua igreja. Onde havia desânimo haverá fervor, onde tristeza, alegria, onde rancor, perdão e amor.
Tudo o que se refere à vida e piedade da igreja está em Cristo.
Sem Ele nada podemos fazer.
Ele é o centro da vitalidade e capacidade do Seu povo em viver de modo agradável a Deus.
E isto não se aplica apenas ao cumprimento dos mandamentos morais, como também ao suportar com paciência, alegria e louvor, todo o tipo de provações e adversidades, principalmente, perseguições, privações e enfermidades.
Jesus é o rei, a cabeça, a suprema autoridade da igreja, que terá todo o louvor, honra e glória em tudo o que fizermos em Seu nome, pois onde Ele não estiver não se verá verdadeiro serviço, louvor, amor; e verdadeira unidade, longanimidade, paz e tudo o que é gerado por meio da fé nEle, porque sem a operação do Espírito Santo em nossos corações, não é possível viver uma vida que não é da terra, mas do céu.
Para os que pensam que isto é uma utopia, algo inatingível, nós podemos responder com o testemunho de Jonathan Edwards quando se referiu às mudanças ocorridas na igreja com o Grande Despertamento espiritual havido em seus próprios dias na Nova Inglaterra:
“Há uma mudança admirável quase por todas as partes da Nova Inglaterra entre os jovens, por uma influência invisível poderosa nas mentes deles.
Eles foram levados a abandonar, de um modo geral e imediato, todas aquelas coisas às quais eles eram extremamente aficionados, e nas quais eles pareciam colocar a felicidade das suas vidas, e relativamente às quais nada anteriormente poderia induzi-los a abandonar; como os entretenimentos deles, as companhias vãs e más, a perambulação noturna, a linguagem e comportamento impuros deles, e o seu coração lascivo. Em vão os pastores pregaram e exortaram contra essas coisas anteriormente, em vão foram as determinações que fizeram para contê-los, e foi em vão toda a vigilância dos magistrados e dos oficiais civis; mas agora eles têm quase todos eles onde gostariam de vê-los. E há uma grande mudança quer entre velhos, quer entre jovens, quanto a beber em tavernas, quanto à extravagância no modo de se vestir, quanto aos vícios, e foram transformados de fato em novas criaturas, tanto no interior quanto no exterior. Alguns que são ricos, e de uma educação ajustada à moda, que tinham suas mentes envolvidas com nada mais além de entretenimentos vãos e prazeres mundanos, renunciaram a estas vaidades e se tornaram sóbrios e humildes em sua conversação e comportamento.
O dia do Senhor tem sido mais religiosa e estritamente observado. E muitos foram convencidos a dar um fim às suas desavenças, e têm confessado suas faltas mutuamente um ao outro, e estão fazendo restituição do que estava em sua posse e não lhes pertencia, e tem se visto mais disto em apenas cerca de dois anos, do que nos trinta anos anteriores.
E foi indubitavelmente o mesmo que ocorreu em muitos lugares. E foi surpreendente o poder deste espírito, em muitos exemplos, para destruir velhos rancores, para restaurar longas e contínuas quebras de relacionamento, e levar aqueles que pareciam estar numa separação irreconciliável, a se abraçarem mutuamente numa amizade sincera e completa.
Muitos se comprometeram em vigiar e se esforçar na luta para a mortificação dos seus pecados, e expulsarem todos os ídolos que tinham antes de virem a Cristo. E têm se esforçado para se absterem de toda prática mundana e carnal para o bem-estar e prosperidade de suas almas. E apareceu ultimamente em alguns lugares uma disposição incomum em se ligar isto a um pacto solene com Deus. E agora, em vez de reuniões em tavernas e bebedeiras, e de diversões mundanas em má companhia, o país está cheio de reuniões de pessoas de todos os tipos e idades, crianças, jovens e velhos, homens e mulheres, ricos e pobres, que têm prazer em estarem juntos para orar, louvar e conversar sobre as coisas de Deus. E sem dúvida o assunto principal de suas conversações versa sobre temas espirituais.”.
Quando lemos um tal testemunho, e contemplamos o nosso próprio fracasso em nossos dias, vendo os profundos problemas que vivemos na Igreja, sem vigor espiritual, com nossos jovens entregues ao pecado, e não somente eles, e até mesmo pessoas já maduras na fé, havendo muitas destas que estão apostatando num modo de viver contra Cristo e a sua Palavra, nos perguntamos onde temos falhado.
Apesar de parecer não haver uma resposta para isto senão colocarmos a culpa nos dias difíceis que estamos vivendo, no entanto a única resposta é a mesma de sempre, a saber, a que foi necessária nos dias do próprio Edwards, que também eram difíceis antes do avivamento.
A resposta é que precisamos tal como eles fizeram no passado, ORAR pelo avivamento do Espírito.
O nosso fracasso é um recado de Deus para nós, tal como foi para eles no passado, de que sem Ele nada podemos fazer, e que em vez de cruzarmos os braços ou de ficarmos somente chorando e lamentando por nossa triste condição, deveríamos orar de modo perseverante, insistente, junto ao trono de graça, ainda que por meses ou anos, em favor de todas as pessoas, em todas as partes do mundo, e especialmente da Igreja de Cristo, para que seja contemplada com um avivamento vindo do céu.
Nossos fracassos não são para que passemos uma condenação em nós mesmos e muitos menos nos outros, mas são uma chamada de Deus para orarmos.
Não temos orado o tanto quanto deveríamos, e por isso os problemas se multiplicam ao nosso redor, e parece até mesmo muitas vezes que Deus nos abandonou ou que se esqueceu de nós, quando na verdade, somos nós que temos nos esquecido de Deus, de irmos continuamente a Ele em oração.
Por isso Ele permite estas coisas para que voltemos a clamar a Ele por socorro.
Não é fácil prevalecer com Deus em oração quando as coisas se tornam cada vez mais difíceis.
Quando vemos que aqueles que deveriam dar bom testemunho de Cristo, se tornam ao contrário, motivo de escândalo para a Igreja e para o mundo.
Mas é preciso fortalecer-se na graça do Senhor, revestir-se de toda a longanimidade, conforme nos ordena a Palavra, e nos entregarmos a uma intensa vida de oração para que o poder seja derramado, lá do alto sobre nós.
Se isto não ocorrer, muito do nosso esforço e trabalho será em vão.
Cremos que do fruto do Espírito que mais necessitaremos nestes últimos dias é exatamente a longanimidade, porque sem isto não será possível prosseguir adiante porque o Inimigo nos deterá instilando mágoa, ira e toda sorte de sentimentos rancorosos em face do pecado que se multiplicará cada vez mais ao nosso redor, porque Jesus afirmou que neste tempo a iniqüidade se multiplicaria esfriando o amor de muitos.
Crer portanto na possibilidade de uma vida de amor e santidade exigirá de fato muita fé e longanimidade de nós.
Deus fez a promessa e é fiel.
Portanto não devemos olhar para as nossas possibilidades, mas crer na possibilidade de Deus de santificar o Seu povo e converter os ímpios.
Desta forma, precisamos deixar nos convencer pelas Escrituras, sobre a necessidade de sermos longânimos.
Assim, além dos textos bíblicos que já destacamos anteriormente, devemos fazer uma reflexão sobre os que apresentamos a seguir, para que jamais esqueçamos que Deus é longânimo e que nós devemos ser também longânimos tal como Ele é.

Rom 2.4 “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?”.

Rom 9.22 “E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;”
(A palavra traduzida aqui como paciência no original é makrotumia, portanto, longanimidade).

II Cor 6.6 “na pureza, na ciência, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido,”.

Gál 5.22 “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade.”.

I Pe 3.20 “os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água,”.

II Pe 3.15 “e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada;”.

Mt 18.26 “Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei.”.
(A palavra paciência, neste texto e nos a seguir vem do original grego, makrotuméo, isto é, longânimo. Assim uma melhor tradução seria: “Senhor, seja longânimo para comigo…”).

Mt 18.29 “Então o seu companheiro, caindo-lhe aos pés, rogava-lhe, dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei.”.

Lucas 18.7 “E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles?”.

I Cor 13.4 “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,”.
(A palavra sofredor, no original grego é makrotuméo, longânimo).

I Tes 5.14 “Exortamo-vos também, irmãos, a que admoesteis os insubordinados, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.”. (Até mesmo os insubordinados ao serem admoestados, devem receber isto com longanimidade, porque no final do versículo se ordena o dever de sermos longânimos para com todos.).

Hb 6.15 “E assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa.”.

Tiago 5.7 “Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas.”
(É claramente ordenado aos crentes que tenham longanimidade no aguardo da vinda do Senhor, com a mesma longanimidade que os lavradores aguardam a chegada do fruto da terra que eles cultivam. Eles não podem se deixar vencer com a irritação pela falta de chuvas, ataques de doenças e pragas na plantação etc, porque isto faz parte do trabalho deles. Se os crentes forem longânimos e perseverantes na fé e na oração, apesar de todas as dificuldades que surgem no caminho deles, eles também colherão no tempo próprio o esperado fruto de santidade e da salvação das suas almas.).

Tiago 5.8 “Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.”.
(Mais uma vez Tiago ordena a longanimidade para que nossos coraçÕes possam permanecer fortalecidos na graça de Jesus. Logo nos encontraremos com o Senhor, e isto é motivo suficiente para sermos longânimos em toda a nossa jornada terrena.).

II Pe 3.9 “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.”.
(Deus está fazendo o Seu trabalho de reunir todos os eleitos de todas as épocas ao corpo de Cristo. Esta é a razão porque Ele não executa logo o Seu juízo final sobre o pecado. Muitos ainda se converterão até a volta do Senhor, e é por isso que devemos ser também longânimos tal como Deus tem sido, porque sem isto, não é possível trazer pecadores ao arrependimento. Eles devem saber que a longanimidade de Deus para com eles não significa indiferença para com o pecado, mas o exercício de adiamento do juízo, para que aqueles que encontrarão a salvação como é do desejo de Deus, possam escapar da ira futura, que será exercida por Ele no juízo final.)

Todos os textos abaixo do Velho Testamento usam a expressão arek afaim – tardio em se irar, que é vertida em muitas versões da Bíblia por longânimo.

Foi daqui que Tiago retirou o seu “tardio em se irar” (Tg 1.19), bradus eis argé, no grego, que corresponde portanto a longânimo.
Sl 86.15 “Mas tu, Senhor, és um Deus compassivo e benigno, longânimo, e abundante em graça e em fidelidade.”.

Pv 15.18 “O homem iracundo suscita contendas; mas o longânimo apazigua a luta.”.

Pv 16.32 “Melhor é o longânimo do que o valente; e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade.”.

Jonas 4.2 “E orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor! não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso é que me apressei a fugir para Társis, pois eu sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.”.

Pv 25.15 “Pela longanimidade se persuade o príncipe, e a língua branda quebranta os ossos.”.

Jer 15.15 “Tu, ó Senhor, me conheces; lembra-te de mim, visita-me, e vinga-me dos meus perseguidores; não me arrebates, por tua longanimidade. Sabe que por amor de ti tenho sofrido afronta.”.

Nm 14.18 “O Senhor é tardio em irar-se, e grande em misericórdia; perdoa a iniqüidade e a transgressão; ao culpado não tem por inocente, mas visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração.”.

Ne 9. 17 “recusando ouvir-te e não se lembrando das tuas maravilhas, que fizeste no meio deles; antes endureceram a cerviz e, na sua rebeldia, levantaram um chefe, a fim de voltarem para sua servidão. Tu, porém, és um Deus pronto para perdoar, clemente e misericordioso, tardio em irar-te e grande em beneficência, e não os abandonaste.”.

Sl 103.8 “Compassivo e misericordioso é o Senhor; tardio em irar-se e grande em benignidade.”.

Sl 145.8 “Bondoso e compassivo é o Senhor, tardio em irar-se, e de grande benignidade.”.

Pv 14.29 “Quem é tardio em irar-se é grande em entendimento; mas o que é de ânimo precipitado exalta a loucura.”.

Pv 19.11 “A discrição do homem fá-lo tardio em irar-se; e sua glória está em esquecer ofensas.”.

Joel 2.13 “E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal.”.

Naum 1.3 “O Senhor é tardio em irar-se, e de grande poder, e ao culpado de maneira alguma terá por inocente; o Senhor tem o seu caminho no turbilhão e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pé.”.

À luz desta análise bíblica relativa à longanimidade, nós podemos entender melhor o significado das palavras proferidas no Sermão do Monte, que encontramos em Mt 5.38-48, que indicam de modo muito claro e direto o dever dos crentes de se exercitarem na prática da longanimidade:

“38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. 39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; 40 e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; 41 e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil. 42 Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes. 43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. 44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; 45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. 46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? 47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? não fazem os gentios também o mesmo? 48 Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.” (Mt 5.38-48).

Finalmente lembramos que nem mesmo o nosso zelo pela obra do Senhor pode justificar a falta de longanimidade.
É especialmente aqui que ela deve ser manifestada porque senão o nosso zelo será a causa mesma da destruição da obra que Deus determinou fazer por nosso intermédio.
Toda pregação deve ser densa e nunca fazer concessões em favor do pecado e contra a verdade. Mas não podemos esquecer que a longanimidade faz parte da verdade que estamos incumbidos de pregar e viver.
Ser longânimo não significa portanto ser tolerante com os pecados de nossa congregação. Em se fazer vista grossa para o pecado, nem muito menos de justificar o pecador, mas lembrar que não nos é dado fechar a porta da oportunidade para o arrependimento, seja pelo tempo que for necessário, e seja para quem for, enquanto não tivermos recebido da parte do Senhor nenhuma determinação para fechá-la.
Quando Paulo entregou o jovem incestuoso de Corinto nas mãos de Satanás para a destruição da carne, ele tomou tal deliberação congregado em espírito com a Igreja de Corinto e no poder de Jesus Cristo (I Cor 5.3,4) e não simplesmente porque ele havia ficado escandalizado ou então por ter perdido a paciência.
Lembremos que, especialmente muitos jovens na Igreja, levarão muito tempo até que tenham uma experiência real de conversão ao Senhor. Se não formos longânimos com eles, nós os privaremos e a nós mesmos de vermos Cristo formado neles.
Pela Sua longanimidade o Senhor tem dado tempo a eles para que se convertam e a nós cabe seguir o mesmo exemplo de longanimidade do Senhor deles e nosso, de forma a cooperarmos com o Seu trabalho.

A FINALIDADE DA LEI

Israel, como nação, não chegou a entender que Jesus é a nossa justiça, pois buscava a justiça que era segundo as obras da lei, e não segundo a fé. Não chegou a entender a finalidade da lei, de lhe conduzir a Cristo. E tropeçou portanto, na pedra de tropeço.
A lei fora dada para convencer o homem da impossibilidade de se obter a justificação a não ser pela graça de Deus.
Isto estava tipificado principalmente nos sacrifícios de animais que faziam parte do culto da Antiga Aliança.
Apontavam para uma vítima vicária, sem defeito, que pudesse levar sobre si os nossos pecados.
E o que fez Israel?
Tomou a figura como sendo a realidade para a qual ela apontava: o sacrifício de Jesus na cruz em favor dos pecadores.
A lei não é graça.
Ela não realiza a salvação de Deus.
Antes, condena o pecador.
Por isso Paulo chamou a Antiga Aliança de ministério da condenação (II Cor 3.9).
Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado, ela acaba por se tornar a força do pecado (I Cor 15.56), pois o coloca em realce (Rom 3.19,20; 5.20; 7.5; Gál 3.19), ajudando a Deus no Seu propósito de convencer-nos da necessidade de confiarmos inteiramente na Sua graça para que Jesus possa realizar a sua obra de salvação em nosso favor.
Como a lei, de si mesma, não pode gerar a vida eterna, e também exigia que certas tipos de transgressões fossem punidos com a morte física, Paulo a chamou de ministério da morte (I Cor 3.7).
Por isso, ninguém pode ser justificado por meio da lei (II Cor 3.6-9; Rom 3.19,20; 4.1-11; Hb 8.6,7; 10.4,11; At 13.38,39; Gál 2.16; 3.1-5,10-12,21), pois a lei é espiritual e santa, e o homem é carnal.
Apesar de não estarem em vigor as disposições relativas e exclusivas ao Antigo Pacto, nem por isso é do propósito de Deus que seja alterado um só jota ou til das Escrituras do Antigo Testamento, até que tudo se cumpra, pois serve para a instrução da igreja, de modo que aprenda acerca dos Seus atributos e caráter.

“6 Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
7 Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar.
8 Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil.
9 E não tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram pelas serpentes.
10 E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor.
11 Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.” (I Cor 10.6-11)

Havia, nos dias de Moisés e Josué, muitas dificuldades no deserto, e a murmuração era uma grande tentação para a carne.
A escassez de água e comida levou muitos israelitas a murmurarem.
A fé deles na providência de Deus estava sendo sempre colocada à prova.
O Senhor nunca lhes faltou com a sua fidelidade: deu-lhes o maná, água da rocha, tornou as águas amargas de Mara em água potável, mas mesmo assim eles murmuraram, e muitos deles foram destruídos.
Em dias de grandes dificuldades como os nossos a murmuração tem se apresentado como o pecado da hora.
Murmuramos contra as autoridades, contra o pastor da igreja, os diáconos, os irmãos em Cristo, contra o vizinho, contra o cônjuge, contra os filhos.
Murmuramos também pela falta de coisas que julgamos essenciais. E esta é uma grande tentação, pois vivemos numa época de muitos serviços e produtos. Temos todo um aparato tecnológico a nosso dispor, mas não temos os recursos suficientes para obter tudo o que nos é oferecido pela propaganda.
Então, qual é o resultado esperado para quem vive na carne? Murmuração.
A murmuração gera amargura, e esta gera a ansiedade, e a ansiedade anula a fé, e sem fé é impossível agradar a Deus, pois é por meio dela que temos ativada a nossa comunhão com Cristo. E fora de Cristo estamos mortos espiritualmente.
Paulo afirma que os que foram destruídos nos dias do Velho Testamento, quando vigorava a Antiga Aliança, o foram para nossa advertência, quanto ao fato de que a murmuração mata, pois põe fim à nossa comunhão com Deus.
A melhor coisa a fazer, se alguém se encontra neste laço, e não estava consciente disto, é confessar ao Senhor uma a uma as suas queixas, e pedir-lhe perdão, recorrendo à Sua misericórdia.
É certo que com isso, a paz retornará, e a pressão da adversidade cessará sobre a sua alma.
É curioso que não há na lei de Moisés um só mandamento que proíba a murmuração, e isto é muito importante para que consideremos até que ponto é um modo sábio de vida o legalismo, uma vez que o Senhor julga toda a vida, ele contempla a condição do nosso coração.
Viver insatisfeito, sem dar graças por tudo, ou seja: com gratidão em nossos corações, ofende a pessoa de Deus, pois Ele tem sido um Pai zeloso, que cuida das nossas necessidades.
Por isso não teve Israel como inocente, e não deixou de visitar o seu pecado, e mandou Moisés registrar os incidentes que O levou a puni-los para nossa advertência, como que a nos dizer que também não nos deixará impunes nesta questão.

“18 Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (I Tes 5.18)

Um outro pecado citado por Paulo no texto de I Cor 10.6-11, e que dispensa maiores comentários, é o pecado da imoralidade, que trouxe a morte sobre vinte e três mil israelitas num só dia.
Por aí dá para ver o quanto a imoralidade desagrada ao Senhor.
Especialmente os que vivem no mundo Ocidental devem ter muito cuidado em relação a isto porque nossa cultura tem incentivado crescentemente, a prática da imoralidade.

“15 Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum.
16 Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne.
17 Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele.
18 Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.
19 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
20 Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo.” (I Cor 6.18-20)

JESUS LIVROU O CRENTE DO JUGO DA LEI

As prescrições civis e cerimoniais da Antiga Aliança foram chamadas de jugo pesado e de escravidão, tanto pelo apóstolo Pedro (At 15.8-10), quanto pelo apóstolo Paulo (Gál 5.1-4).
Não no sentido de que fossem uma coisa ruim, pecaminosa, pois no dizer de ambos, a lei é santa boa e perfeita, mas algo demasiadamente trabalhoso para ser cumprido (distinção entre coisas limpas e imundas – animais, alimentos; lavagens cerimoniais; diversos tipos de sacrifícios de animais e outros tipos de ofertas; circuncisão; festas religiosas; etc), que havia vigorado até que Cristo viesse.
Desde a morte e ressurreição de Jesus, nem os gentios, nem os próprios judeus, estão mais obrigados a carregar tal jugo.
Ao se referir à separação do cristianismo do judaísmo, por se tratarem de alianças amplamente distintas, Paulo disse aos gálatas que foi “para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gál 5.1).
Antes de tudo, libertou tanto os crentes quanto as igrejas, na Nova Aliança, de um sistema religioso repleto de rituais e cerimônias, como era o caso da Antiga Aliança.
Havia necessidade de uma determinação legal de cobrança de dízimos e ofertas, especialmente para a administração dos serviços do templo, e pagamento e sustento de levitas e sacerdotes.
E, no entanto, isto, sabidamente, em nada contribuiria para a santificação dos levitas e sacerdotes, em razão da fraqueza da natureza humana (carne), e foi principalmente por este motivo que havia tanta corrupção no ofício dos levitas e dos sacerdotes.
Nenhum sistema religioso, por mais exigente que seja, não pode, de modo nenhum, promover a santidade de coração dos que se congregam de tal forma institucional.
É preciso uma aliança não meramente administrativa, mas sobretudo do trabalho do Espírito Santo nos corações, conduzindo os fiéis a uma verdadeira santidade e comunhão com Deus.
Foi por isso que a opção dos gálatas pelo judaísmo, com sua pregação da necessidade da circuncisão para a salvação, bem como a negação da necessidade da fé em Cristo, para obtenção da justificação pelas obras da lei (Gál 2.16; 3.1-5), levou Paulo a chamá-los de insensatos, pois estavam aceitando que o evangelho fosse pervertido (Gál 1.6,7).
Ainda hoje, quando alguém oculta o caráter da obra que Jesus realizou em favor do pecador, e a necessidade da novidade de vida em que devem andar todos quantos foram regenerados (que nasceram de novo), faz por merecer a mesma imprecação proferida aos que induziam os gálatas ao erro: “seja anátema”. (Gál 1.9)
O argumento dos judaizantes, provavelmente, se firmava no fato de ter o próprio Jesus vivido sob a lei de Moisés, cumprindo-a integralmente, e que com isso, estaria dando um exemplo para ser seguido pela igreja.
Mas, quanto a isto, devem ser considerados pelo menos os dois aspectos a seguir:
1º – Jesus deveria cumprir a lei com vistas à nossa justificação (Mt 5.17), porquanto era necessário que em tudo fosse obediente ao Pai, inclusive no tocante ao cumprimento da lei, para que a sua própria justiça pudesse ser imputada aos que nEle cressem (Rom 5.19), por ter morrido sob a lei no nosso lugar.
2º – A Nova Aliança só seria inaugurada após a morte de Jesus, posto ter sido estabelecida com base no seu sangue, que seria derramado na cruz, e até aquele momento, Jesus, como qualquer outro judeu, estava obrigado ao cumprimento de toda a lei (Lc 22.20; Hb 9.11-18).

“Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós. (Lc 22.20)

Quando o apóstolo João disse que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas que a graça e a verdade vieram por meio de Jesus (Jo 1.17), estava se referindo à Antiga e à Nova Aliança.
É fora de qualquer dúvida que aludia a coisas distintas entre si.
E ainda que tal distinção, não configure o que é fundamental em termos de contraste, podemos citar que a Nova Aliança não possui uma prescrição variada de rituais e de regulamentos cerimoniais, como a Antiga Aliança possuía, e conforme está registrado nas páginas do Velho Testamento.
A Nova Aliança apresenta apenas dois cerimoniais (ceia e batismo), e nem alude sequer quanto à forma de se realizar a ministração de ambos.
Não poderíamos fechar esta seção do presente livro sem fazer menção aos capítulos 4 e 5 de Gálatas, nos quais Paulo faz uma comparação entre a Antiga e Nova Aliança, notadamente neste aspecto de que a Antiga representava servidão ao jugo da Lei, e a Nova, liberdade em Cristo.

Breve Comentário de Gálatas 4:

Os falsos apóstolos que haviam fascinado os gálatas transitavam como mestres da Lei, pessoas entendidas nos assuntos relativos ao Deus que havia se revelado a Israel, e agindo falsamente em nome dos apóstolos que estavam em Jerusalém, sem estarem autorizados por eles, ou mesmo que isto fosse do seu conhecimento, afirmavam que estavam defendendo em nome deles a Lei de Moisés que Paulo estava desprezando.
Veja a sutiliza dos argumentos do diabo. Paulo não estava falando contra a Lei, mas apenas dizendo que ela havia sido dada para propósitos completamente diferentes do relativo à justificação dos pecadores, ainda que contribuísse até mesmo para este propósito conduzindo os pecadores a Cristo, por convencê-los acerca do pecado e da santidade que é devida a Deus.
Mas como Paulo havia demonstrado claramente que a Lei era apenas um servo de um propósito muito maior, a saber, conduzir os pecadores a Cristo, então os falsos mestres estavam se jactando de um conhecimento sem entendimento, porque não conseguiam discernir o plano de salvação de Deus e mesmo qual foi o Seu propósito quando estabeleceu a Antiga Aliança.
Eles haviam tropeçado na Rocha de escândalo (Rom 9.33; I Pe 2.8) porque a confiança deles estava na sua mera religiosidade e não propriamente em Deus e na Sua vontade, tanto que eles haviam rejeitado a Cristo, e a promessa que foi feita a Abraão, por causa do seu orgulho nacional que os levava a crer que eram superiores a todos os homens e que o mero ritualismo da lei que eles seguiam e que haviam adulterado de várias maneiras era o padrão a ser seguido para se agradar a Deus.
Quanta ilusão e engano havia da parte deles!
Eram na verdade guias cegos, nuvens sem água, mestres sequer da Lei que eles fartamente transgrediam, mas mesmo assim, eles se consideravam a luz e a esperança dos gentios, e não nosso Senhor Jesus Cristo.
As palavras que Paulo usou em Romanos 2 e 3, para se referir a estes judeus bem definem os sentimentos e pensamentos deles a que nos referimos.

“Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.” (Rom 2.29).

“29 É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,
30 Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão.
31 Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.” (Rom 3.29-31).

À luz destes ensinos nós podemos ver quão iludidos estavam os judaizantes por se considerarem os depositários de uma revelação melhor (a da Lei), que a do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Porque dá-se exatamente o oposto, conforme Paulo estava demonstrando na sua argumentação junto aos gálatas.
O Israel de Deus era menino debaixo da Antiga Aliança, mas debaixo da Nova o Israel de Deus, que é o Seu povo remido, chegou à maturidade espiritual, porque lhes foi revelado claramente todo o conselho de Deus relativo à salvação dos pecadores. E a Sua graça tem sido derramada abundantemente nesta nova dispensação.
Além disso estava determinado por Deus que a Antigo Aliança seria transitória, como de fato foi, e a Nova é eterna (II Cor 3).
Mas o orgulho nacional do judeu não lhe permitia enxergar isto.
Como poderia um pagão, ainda que se convertesse a Cristo, pensar que poderia ser superior aos judeus, que eram descendentes de Abraão?
Como poderiam saber mais acerca de Deus se foi ao povo de Israel que Deus revelou a Sua Palavra?
Deste modo, os falsos apóstolos judeus estavam impressionando os gálatas com estes argumentos.
E foram tão convincentes nisto que eles se voltaram da graça para a Lei de Moisés, para tentar fazer inultimente dela o meio da sua salvação.
Por isso Paulo disse aos gálatas que eles não deveriam esquecer que Jesus também era judeu e que havia nascido sob a Lei, e que se fez homem, sendo gerado no ventre de uma mulher, exatamente para o propósito de cumprir perfeitamente a Lei que nós não podemos guardar de tal forma perfeita, para que pudesse remir aqueles que cressem no Seu nome.
O ato de remissão é um ato de compra de liberdade, de resgate de uma propriedade que estava hipotecada.
E somente Jesus obteve méritos suficientes diante de Deus e era rico o suficiente para poder pagar tão alto preço que nenhuma riqueza deste mundo ou do universo poderia pagar, e nem todos os anjos que se encontram sem pecado no céu.
Somente Ele poderia morrer por todos os homens, porque o Salvador deles não somente deveria expiar a culpa deles, como também ser o Cabeça destes remidos sustentando-os em santificação pela própria força do Seu poder.
E quem dentre os homens e os anjos seria suficiente para isto?
O Salvador dos eleitos deveria ter riquezas e poder suficientes para tornar a todos eles herdeiros de Deus, e para poder também batizá-los com o Espírito Santo prometido.
Ora, sabemos que o Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, assim, Ele é também divino, e qual dos anjos é superior ao Espírito de maneira que pudesse ter a presunção de tê-lo debaixo da missão de honrá-los e de falar somente aquilo que recebesse deles, assim como faz em relação a Cristo?
Nós vemos então que ninguém mais poderia ter morrido no lugar dos pecadores senão nosso Senhor Jesus Cristo, porque até mesmo na trindade estão claramente definidas as funções tanto do Pai, quanto do Filho, quanto do Espírito.
Então temos diante de nós um plano de salvação perfeitamente ordenado e planejado, e os judeus estavam desconsiderando inteiramente este plano de Deus, para afirmarem aquilo que julgavam ser tal plano pela exclusiva imaginação deles.
Não admira portanto, que sejam chamados de guias cegos pelo Senhor.
Por conseguinte Jesus nos resgatou até mesmo da Antiga Aliança, porque caso Ele não viesse para revogá-la, os judeus permaneceriam ainda debaixo dela, e os gentios de todas as nações, permaneceriam também nas densas trevas da ignorância, e sem Deus no mundo.
E todos os que são resgatados pela fé, não o são para uma relação de servidão à Lei como a maioria dos judeus na Antiga Aliança, porque não conheciam de fato ao Senhor apesar de fazer parte do povo da Aliança, mas para uma relação filial, porque em Cristo todos os crentes são filhos de Deus, o que se comprova pelo fato do Espírito Santo, que move os seus corações e lábios a chamar a Deus de Pai, e tendo a convicção firme e espiritual que é de fato o Pai deles, porque testifica juntamente com os seus espíritos que todos os que foram remidos em Cristo são verdadeiros filhos de Deus.
Santo Agostinho disse que todo homem tem certeza da sua fé, se ele tiver fé.
E assim se dá com os crentes, eles têm certeza da sua filiação, se são de fato nascidos de novo pelo Espírito sendo portanto filhos de Deus de fato e de direito, conforme os méritos de Cristo.
De modo que dizemos que são filhos não por merecimento, mas por direito, porque Jesus comprou tal direito na cruz não com os mérito dos crentes, mas com os Seus próprios méritos.
Paulo chama a Lei cerimonial e civil do Antigo Testamento, e a própria Antiga Aliança de rudimentos fracos que os gálatas queriam servir.
Eles eram pagãos antes de terem vindo a Cristo, isto é, não tinham nenhum conhecimento sobre a vontade revelada de Deus nas Escrituras, e não eram contados em suas nações com o povo de Israel, que era a única nação com a qual Deus estava aliançado no Velho Testamento.
Não que Ele esteja agora propriamente aliançado com todas as nações da terra, mas na dispensação da Lei nenhuma outra nação se encontrava debaixo do regime teocrático, senão Israel, de modo, que naquele tempo todas as demais nações eram consideradas pagãs.
E cada uma destas nações serviam aos seus falsos deuses, até que Cristo veio, e muitos destes pagãos se converteram ao Deus vivo e verdadeiro, como foi o caso dos gálatas, de maneira que deixaram os falsos deuses deles para servirem unicamente ao Senhor que eles passaram a conhecer pessoalmente pela revelação do Espírito Santo em seus corações.
Mas ainda que alguns deles ou a maioria deles, apesar desta experiência pessoal com Deus, não O conhecessem da maneira pela qual convém ser conhecido através de um amadurecimento espiritual em santificação que nos habilita a conhecer melhor qual é o Seu caráter e a Sua vontade, no entanto todos os filhos de Deus, sem uma única exceção, são perfeitamente conhecidos por Ele (II Tim 2.19).
Por isso, no ato de se voltarem para os rudimentos fracos da Antiga Aliança, tendo uma vez sido revogados por Cristo, eles eram mais indesculpáveis do que os próprios judeus, porque, afinal, não haviam sido educados nos costumes deles.
Eles serviam a ídolos, e conheceram a santidade do Senhor pelo Espírito e pela palavra do Evangelho, e agora estavam deixando uma adoração espiritual, na liberdade do Espírito, por uma adoração cerimonial que se baseava em guardar dias, meses, épocas e anos sagrados.
É provável que estivessem guardando as festas dos tabernáculos, o sábado sagrado com todas as suas prescrições cerimoniais previstas na Lei de Moisés, e todas as demais festas e celebrações judaicas, pensando que a salvação de suas almas dependia disso.
Há movimentos denominados de congressos de santidade em nossos dias que estão afirmando a necessidade do cumprimento destas prescrições cerimoniais da Lei de Moisés para que os crentes possam ser santificados.
Eles incorrem no mesmo erro dos judaizantes fascinando o povo de Deus tanto quanto os judaizantes haviam fascinado os gálatas, com práticas errôneas de adoração na presente dispensação, porque tudo isto é uma afronta à graça de Cristo, e ao seu trabalho de Redentor que nos livrou para sempre do jugo da Lei, para que nos regozijássemos na liberdade que conquistou para nós com tão alto preço.
Os judaizantes erravam por afirmar a guarda da Lei cerimonial para a justificação e estes modernizantes erram por afirmarem o uso da Lei para a santificação.
Afinal qual é a eficácia destes usos para purificar o coração?
Qual é o poder do ritual para aumentar a nossa fé, amor, misericórdia e diligência?
Substituiremos a adoração verdadeira que é adoração dO que é invisível, pelo uso de coisas que são visíveis?
A verdadeira fé necessita de apoio do que é visível, uma vez que ela é a firme convicção do que não se vê?
Não é pela fraqueza da carne, e por uma falta de andar verdadeiro na Palavra e no Espírito que todas estas coisas são praticadas?
Afinal, não afirma nosso Senhor que a verdadeira adoração é em Espírito?
A repreensão do apóstolo aos gálatas também se aplica a estes, e eles fariam bem em atentar para ela e se arrependerem, abandonando de vez os rudimentos fracos que foram abolidos por Cristo na cruz.
Todo este cerimonial aponta para a Lei e dá honra à Lei. Aponta para a Antiga Aliança e despreza a Nova. Exalta a Moisés e rebaixa a Cristo. E todo crente instruído pela Palavra e pelo Espírito abominará tais práticas e não poderá adorar a Deus na liberdade do Espírito.
Deus é espírito e deve ser adorado somente em espírito. Deus é verdade e deve ser adorado somente em verdade. E a graça e a verdade foram trazidas por Cristo, de modo que não se sirva mais a Deus nas bases de um antigo pacto que Ele revogou.
E lembremos que Deus nunca prometeu salvar qualquer pessoa pela observância religiosa de cerimônias e rituais.
Aqueles que confiam em tais coisas servem um deus, que é a própria invenção deles, e não o verdadeiro Deus.
O verdadeiro Deus tem isto para dizer: Nenhuma religião me agrada por meio da qual o Pai não é glorificado pelo Filho.
Portanto, o que eles fazem, nesta nova dispensação não é obediência à Lei de Moisés, porque esta exigência já passou, mas idolatria, porque não é culto direcionado àquilo que Deus tem determinado para a Nova Aliança, mas simples prazer carnal em realizar cerimônias e rituais não para obediência e aprazimento de Deus, senão dos próprios desejos carnais deles.

Mas o pecado dos gálatas era ainda maior do que o destes dos chamados grupos de busca de santidade baseada nos cerimoniais e rituais da Lei, porque estes como dissemos buscam adorar a Deus e se santificarem por este meio, e os gálatas procuravam prioritariamente usar disto para serem justificados, isto é, para obterem a salvação que a maioria deles já havia conquistado pela graça, mediante a fé em Cristo Jesus.
E que nem mesmo a desobediência deles poderia desfazer, mostrando assim que a salvação em Cristo não é um rudimento fraco, como o de estar aliançado nos termos da Antiga Aliança, porque todo crente é nascido do Espírito, é filho de Deus por adoção, e está firme e seguro na graça que o salvou, porque a sua justificação não depende dele próprio senão dAquele que o salvou, e que carrega nos Seus próprios ombros todas as ovelhas que estavam perdidas.
Por isso Paulo rogou humildemente aos gálatas, como um pai que insta com seu filho perdido, a voltarem ao mesmo bom caminho em que andavam antes da sua perdição.
Ele havia desabafado no verso 11 dizendo que estava perplexo com o que eles haviam feito, e receava então que não tivesse trabalhando em vão em relação a eles.
Mas como que logo lembrando imediatamente da condição deles de terem sido feitos filhos de Deus, tal como ele havia sido feito também, ele desce ao nível deles, não no que se refere ao pecado, mas da miséria deles, e por um momento também se sente miserável com eles, ante a impotência de poder fazer por si mesmo algo em relação a eles, de modo que todo o seu trabalho e cuidado por eles não se tornasse infrutífero.
E assim ele lhes fez recordar quão grande era o afeto que eles tinham por ele quando lhes pregou o evangelho pela primeira vez, e como eles lhe haviam tratado tão bem, mesmo diante da sua fraqueza na ocasião, provavelmente em razão de alguma possível enfermidade, pois ele lhes diz que eles estavam dispostos até mesmo, se possível fora, a arrancarem os seus próprios olhos para darem ao apóstolo, podendo isto ser uma referência a alguma enfermidade que Paulo tivera nos olhos quando anunciou o evangelho pela primeira vez na Galácia.
Ou isto foi o resultado de ferimentos produzidos pelo apedrejamento que ele havia sofrido dos judaizantes naquela região.
O livro de Atos conta detalhes do que ocorreu ao apóstolo quando pregava o evangelho nas cidades da Galácia (Perge, Derbe, Listra, Antioquia da Psídia e Icônio).
Em todo o caso, não importa qual era o tipo de fraqueza, e sabemos que não era nada relativo a pecados, porque se o fora o apóstolo não teria poder para ministrar a eles, e pecado não é fraqueza mas rebelião.
Aquela fraqueza quanto à sua incapacidade e impotência pessoais, serviram aos propósitos de Deus, porque o poder de Cristo, a Sua graça, se aperfeiçoam na nossa fraqueza. De modo que quando somos fracos então é que somos fortes, porque trocamos a nossa incapacidade pelo poder do Espírito Santo, que nos assiste nas nossas fraquezas.
Deste modo, Paulo chamou os gálatas de irmãos. Ele quis demonstrar que apesar de apóstolo de Cristo ele não se envergonha de chamá-los de irmãos, desde o maior até o menor deles, porque efetivamente o eram, assim como o nosso Salvador também não se envergonha de nos chamar de irmãos, apesar de ser o nosso Senhor.
No amor cristão as diferenças se dissolvem. Na comunhão da lareira de Deus o pai é igual aos filhos, e se tornam todos servos de Deus e irmãos uns dos outros, porque esta será a condição definitiva que todos os filhos de Deus terão no céu.
E assim como Cristo se rebaixou deixando a glória dos céus, por amor dos eleitos, também devemos nos humilhar para que possamos ser úteis àqueles que se encontram em miséria espiritual.
Não devemos lhes falar do alto da nossa autoridade e importância, porque esmagaríamos a cana quebrada e apagaríamos o pavio fumegante, e certamente não é este o ministério do Senhor Jesus neste mundo, porque tem se compadecido das nossas misérias.
E quando o próprio Paulo havia pregado o evangelho a eles pela primeira vez, os gálatas superaram por causa do seu amor a ele, a tentação que foi para eles vê-lo naquela fraqueza.
Eles não o desconsideraram e nem o desprezaram como possivelmente estavam fazendo agora, por causa dos argumentos dos judaizantes, porque procuravam por todos os meios desqualificar e rebaixar o apóstolo diante dos seus olhos, afirmando que se fosse verdadeiro ministro de Cristo não estaria sujeito a tantas tribulações, fraquezas e perseguições, conforme costumava ocorrer com Paulo.
Estes falsos apóstolos se gloriavam das suas honrarias, das suas posses e conquistas terrenas, alegando que eram bênçãos de Deus por observarem a Lei de Moisés.
E agora os gálatas não haviam conseguido vencer a tentação de considerar Paulo alguém que não era bem sucedido segundo os padrões do mundo.
Assim, devem ter se escandalizado não meramente em Paulo, mas principalmente no próprio Cristo, considerando-Lhe incapaz de muar as circunstâncias de Paulo para melhor. E isto não passava de um juízo carnal.
Por isso Paulo rogou que eles voltassem a ser como foram no princípio. Que não julgassem segundo a aparência, e que não interpretassem as tribulações como prova de um possível desfavor de Deus.
Um verdadeiro amigo prevenirá o seu irmão que estiver errando, e se o irmão errado tiver algum senso ele agradecerá ao seu amigo.
Na verdade o mundo odeia quem fala a verdade, e este é considerado um inimigo.
Mas entre amigos não deve ser assim, muito menos entre cristãos.
O apóstolo queria que os gálatas soubessem por que ele lhes tinha falado a verdade, para o próprio bem deles, e que não pensassem que ele os repugnava.
Ele lhes falou a verdade porque os amava.

“17 Eles têm zelo por vós, não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles.
18 É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco.
19 Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós;
20 Eu bem quisera agora estar presente convosco, e mudar a minha voz; porque estou perplexo a vosso respeito.” (Gál 4.17-20).

O apóstolo alerta aos gálatas sobre as reais intenções do judaizantes.
Eles protestavam que tudo o que estavam fazendo era por causa do zelo deles em relação aos gálatas.
Mas Paulo lhes disse qual era a real motivação por detrás daquele suposto zelo: eles odiavam a doutrina de Paulo e queriam jogá-la fora da vida dos gálatas. Eles queriam afastar os corações deles do coração de Paulo. Eles queriam em última instância afastá-los de Cristo.
Eles agiam movidos por inveja porque lhes incomodava o modo como o evangelho avançava rapidamente no mundo, ganhando muito mais adeptos do que o judaísmo, que nos dias de Jesus havia se transformado numa religião pervertida baseada em mandamentos de homens, enfatuados em sua compreensão carnal.
Enquanto a mensagem dos judaizantes estava completamente afastada da revelação das Escrituras, o cristianismo nos dias de Paulo seguia fielmente esta revelação, e o evangelho estava plenamente em conformidade com tudo o que os profetas do Velho Testamento haviam falado da parte de Deus a respeito dele.
Então que zelo era aquele que os judaizantes afirmavam ter pelos gálatas?
Aquilo que parecia um grande zelo era na verdade ausência de sinceridade e amor à verdade. E é costume dos sedutores insinuarem muito afeto pelas pessoas, somente com a intenção de ganhá-las para as causas deles.

Eles as adulam, e envolvem-nas com apelos emocionais e sentimentais, e procuram agradá-las dando-lhes aquilo para o qual a natureza delas está inclinada, sem levar em conta se estas coisas estão em conformidade com a vontade revelada de Deus.
O diabo não se importa nem um pouco em concordar com todos os nossos desejos e em estimular a realização de todos os nossos sonhos.
Neste sentido ele é o maior amigo dos pecadores, só que o que ele faz é agravar ainda mais a miséria espiritual deles, e a culpa pelos seus pecados.
Ele usa sempre a mesma estratégia do Éden, pois promete mundos e fundos, tal como fez descaradamente até com o próprio Jesus na tentação do deserto.
E foi a mesma velha Serpente que prometeu onisciência divina a Adão e a Eva, e que procurou se mostrar mais amigo deles do que o próprio Deus, dizendo-lhes que eram livres e deveriam fazer um bom uso da liberdade deles fazendo tudo o que desejassem, inclusive comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Ele não disciplina, não cura feridas com remédios amargos, antes sempre sinaliza o que é doce e agradável, promete riquezas, fama e honrarias, e não são poucos os que caem nos seus laços vitimados pelas suas próprias cobiças pecaminosas.
Então o trabalho do diabo é basicamente este de estimular a própria natureza decaída do homem a pecar e a se desviar da verdade, não importando que a Palavra de Deus seja transgredida e que os autênticos ministros que Deus tem levantado para nos servir sejam feridos por nossas ingratidões e rebeliões.
Foi assim que o diabo agiu no céu quando da sua queda e ele tem procurado ardorosamente discípulos na terra entre os homens que estejam dispostos a seguir os seus passos.
O que os gálatas haviam feito então foi um ato de rebelião contra a verdade revelada, para seguirem após o diabo, virando as costas para o Senhor que lhes havia salvado.
Deste modo, todo zelo verdadeiro deve ser sempre zelo pelo bem (Gál 4.18), e um zelo sincero e bem disciplinado que exista não somente na presença dos homens, mas em todas as ocasiões da nossa vida, porque não é zelo para agradar a homens, mas para agradar a Deus. Assim como um bom empregado é aquele que tudo faz bem sem que o patrão esteja presente.
O sentimento de Paulo em relação aos gálatas era o de que ele necessitaria gerar de novo neles a vida de Cristo.
Isto não seria necessário quanto à regeneração, porque eles eram nascidos de novo pelo Espírito, e por isso Paulo os chama de “meus filhinhos”. Mas que eles necessitavam ser renovados na Palavra da verdade, na vida e no andar no Espírito, certamente isto era necessário em face do procedimento deles.
Isto era algo que havia deixado o apóstolo inteiramente perplexo. Eles haviam se afastado da verdade em muito pouco tempo.
Todo pastor deveria ser como Paulo no esforço de formar Cristo no coração dos seus ouvintes. Assim todo pastor é um pai espiritual que forma Cristo nos corações dos seus ouvintes.
Os Gálatas haviam perdido a forma de Cristo, mas Paulo estava dizendo que estava disposto a reformar Cristo neles, isto é, a formá-lo de novo em seus corações.
Paulo expressa que gostaria de fazer isto estando presente entre eles, e mudando o seu tom de voz, porque em face do arrependimento que visse neles à medida que lhes expusesse estas coisas, ele mudaria também o tom de suas palavras repreensivas.
Ele preferiria fazê-lo realmente com outro tom de voz porque é muito doloroso para todo pai ter que corrigir duramente os seus filhos, à altura da gravidade dos erros que eles cometeram, mas todo pai amoroso sempre abaixará o tom da sua voz quando perceber um sincero arrependimento no filho que se submeteu à sua repreensão.

“21 Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei?
22 Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre.
23 Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa.
24 O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar.
25 Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos.
26 Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.
27 Porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; Esforça-te e clama, tu que não estás de parto; Porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido.
28 Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque.
29 Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o Espírito, assim é também agora.
30 Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre.
31 De maneira que, irmãos, somos filhos, não da escrava, mas da livre.” (Gál 4.21-31).

Paulo demonstra nesta seção da epístola que o que estava ocorrendo com os gálatas era o mesmo que havia ocorrido entre Ismael e Isaque, filhos de Abraão, porque Ismael zombava de Isaque porque era filho da mulher livre (Sara), e ele, filho de uma escrava (Agar).
De igual modo, os dois povos que haviam se formado como descendência de Abraão, o terreno (Israel na Palestina) e o celestial (os crentes) estariam na mesma condição relativa a Isaque e Ismael, pois os que nasceram como povo no Sinai, onde a Lei foi promulgada e Deus fez aliança com este Israel terreno através de Moisés, viria a perseguir o povo nascido pela aliança firmada no sangue de Jesus derramado no monte Sião, e cuja pátria não é a Jerusalém terrena, mas a Jerusalém celestial.
Então não era nada surpreendente que aqueles judeus estivessem perseguindo a Igreja de Cristo para sujeitá-la à escravidão da Lei.
E os gálatas deviam estar bem inteirados disto de maneira que entendessem qual era a verdadeira natureza do assédio que estavam sofrendo da parte dos judeus.
Deus havia profetizado que colocaria Israel em ciúmes com os gentios, porque em face do endurecimento deles ele estenderia a salvação aos gentios, e eles não concordariam, do ponto de vista religioso deles, que pagãos pudessem ser aceitos por Deus, ainda que se convertendo a Ele, fora dos termos da Aliança que havia sido feita no monte Sinai.

“19 Mas digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira.
20 E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam.
21 Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.” (Rom 10.19-21).

Assim, como no dizer de Paulo, Agar e Sara representam alegoricamente duas alianças, duas dispensações diferentes.
Uma que gera filhos para servidão (Agar) porque não são nascidos segundo a promessa de Deus, tal como fora Isaque.
E a Jerusalém terrena gerou filhos para servidão na Antiga Aliança, isto é, debaixo da Lei, porque não havia naquela aliança nenhuma promessa de Deus relativa à vida eterna, tal como há na Nova.

Deus salvou naquela dispensação também pela graça, mediante a fé, mas não por alguma promessa que houvesse naquela dispensação para os que faziam parte da Antiga Aliança.
As promessas que encontramos nos profetas do Velho Testamento neste sentido se referem à Nova Aliança que ainda seria inaugurada com a morte de Jesus.
Elas apontavam para o futuro, e assim Agar, que é a Antiga Aliança não poderia jamais gerar um Isaque, senão um Ismael, porque o filho da promessa foi prometido a Sara, a esposa daquele que tinha as promessas a saber, Abraão.
A igreja é a noiva de Cristo, e é nEle que se cumprem as promessas de Deus relativas à vida eterna celestial.
É em Cristo, que é o Isaque da Igreja, que se cumpre a promessa de Deus de gerar filhos espirituais contados na Sua descendência. Deste modo, os que não descendem de Cristo, não podem ser contados como filhos de Deus, como verdadeiros judeus. Assim, quanto à geração de filhos pela promessa divina, Isaque foi também um tipo de Cristo na Antiga Aliança.
Aqueles que são nascidos por promessa são filhos da mulher livre (Sara que representa a Jerusalém celestial).
Estes e somente estes podem contar com a liberdade porque nasceram por promessa, tal como Isaque, da mulher estéril e que Deus tornou abundantemente fecunda para trazer muitos filhos espirituais à luz.
A Jerusalém celestial ainda não foi manifestada, e pode-se dizer dela que é uma mulher estéril, por ora, tal como Sara, mas no momento aprazado pelo Senhor ela estará cheia de filhos, filhos que viverão eternamente, porque o que Deus tem prometido, cumprir-se-á a seu tempo.
Os judeus, que ainda hoje permanecem com seus filhos, resistindo à Aliança da Graça, por estarem apegados à justiça da Lei, permanecem em estado de escravidão e não conhecerão a liberdade dos filhos de Deus caso não se convertam voltando-se para Cristo.
Enquanto isto, os gentios que não conheciam a revelação de Deus estão se convertendo pelo mundo afora porque são filhos da promessa, e vivem na liberdade do Evangelho, e não sob o jugo da Antiga Aliança.
E devemos considerar que aqueles que são das obras da Lei, ainda em nossos dias, perseguem aqueles que vivem na graça de Cristo.
Os próprios crentes legalistas são assassinos da graça, e apesar de livres, agem como se fossem escravos porque querem viver debaixo da Lei, não sabendo que em Cristo não estão mais debaixo da Lei e por isso não devem viver debaixo dela, colocando-se debaixo de um jugo do qual foram livrados pela promessa que Deus fez acerca dos seus filhos gerados na Nova Aliança.
Deste modo ninguém se surpreenda caso encontre grande resistência da parte destes legalistas, toda vez que pregar e ensinar a doutrina da graça.
Eles têm pavor da liberdade da graça porque suas consciências são fracas e eles temem servir a Deus na liberdade do Espírito.
Eles encontram na Lei um certo senso de segurança. Eles temem perder o mérito e louvor pessoal pelo esforço próprio, pensando que guardam todos os mandamentos, e não lhes agrada transferir toda a glória e louvor à graça de Cristo.
Eles se sentem melhores e superiores a muitos comparando-se com eles, e não poderiam fazer isto vivendo na graça, senão somente na Lei.
Eles fazem portanto, um uso inadequado da Lei, fora dos propósitos que Deus designou para ela, e perseguirão movidos ou não pelo diabo, todos aqueles que estiverem desfrutando da graça, sob a falsa alegação de uma injusta acusação de que exageram demais os méritos de Cristo, e a depravação da natureza terrena.
Eles não gostam de ouvir a verdade que a graça faz de que são pecadores necessitados da misericórdia divina.
Não lhes agrada ouvir que sem Jesus nada poderão fazer, porque eles se iludem que tudo o que se refere à vontade de Deus são eles próprios que fazem, e é o dever deles fazê-lo, só que são como Ismael e não como Isaque. São como Agar e não como Sara. A Jerusalém deles é terrena e não celestial. E em vez de olharem o monte Calvário em Sião, agrada-lhes mais voltar suas atenções ao Sinai, uma vez que lhes agrada mais o pensamento de um mediador como Moisés, que deixa muito para ser feito por eles, do que um Mediador como Cristo, que nada deixou para ser feito por eles nos assuntos relativos à sua redenção, justificação, regeneração e até mesmo santificação. Dizemos até mesmo santificação porque até nossas boas obras dependem da graça do Senhor, porque é Deus quem realiza em nós tanto o querer quanto o efetuar, de modo que podemos dizer como Paulo que trabalhamos muito para o Senhor, todavia não nós mas a Sua graça.

Breve Comentário de Gálatas 5:

“1 Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.
2 Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará.
3 E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei.
4 Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído.
5 Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça.
6 Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.
7 Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade?
8 Esta persuasão não vem daquele que vos chamou.
9 Um pouco de fermento leveda toda a massa.
10 Confio de vós, no Senhor, que nenhuma outra coisa sentireis; mas aquele que vos inquieta, seja ele quem for, sofrerá a condenação.
11 Eu, porém, irmãos, se prego ainda a circuncisão, por que sou, pois, perseguido? Logo o escândalo da cruz está aniquilado.” (Gál 5.1-11).

Tendo argumentado no capítulo anterior quanto à liberdade que os crentes têm em Cristo por serem filhos da promessa, da Jerusalém celestial, por terem sido libertados em Cristo da condenação e da maldição da Lei, é dever deles viverem para Cristo, não como escravos, mas como livres que são.
O crente é livre até mesmo da escravidão do seu próprio ego, da sua própria vontade, porque é livre para poder escolher e viver segundo a vontade de Deus pelo poder do Espírito.
Portanto, uma vez que os gálatas retornassem à obediência à verdade do Evangelho deveriam ter o devido cuidado de não retornarem a cair na mesma sedução que lhes havia vencido e removido da liberdade em que se encontravam, para serem sujeitados ao jugo de servidão que lhes foi imposto pelos judaizantes.
A perseguição do filho da escrava ao filho da livre não é sem propósito, pois os que são escravos querem também escravizar outros a eles próprios.
Há poderes terríveis operando no mundo espiritual, e eles disputam pelo governo total de nossas vontades e espíritos.
A carne sempre tentará trazer o crente de novo à sujeição total que exercia sobre ele, quando andava no mundo sem Cristo.
O mundo também faz o mesmo tentando cativar totalmente a vontade e os afetos do crente nos tesouros terrenos, sejam eles lícitos ou não.
Satanás, o diabo, dispensa comentários quanto a isto, quer agindo diretamente, quer usando os seus ministros que se transfiguram em ministros de justiça, para enganar os crentes.

A liberdade com que Cristo nos libertou é muito ampla, mas Paulo tem em mente aqui nesta seção de Gálatas, a liberdade relativa ao jugo da Lei que havia sido colocado pelos judaizantes sobre os crentes gálatas.
Aprouve a Deus salvar e libertar os pecadores através da fé, conforme revelou ao profeta Habacuque (2.4). Então a mensagem de salvação e libertação do evangelho é a pregação da fé e não das obras da Lei.
Nós não devemos evangelizar alguém que esteja a ponto de passar desta vida para outra, em seu leito de enfermidade, dizendo-lhe que se deseja ir para o céu deve circuncidar o seu prepúcio, ou então que deve guardar todos os dez mandamentos da Lei de Moisés, ou qualquer outra coisa diferente de que deve confiar apenas em Cristo como seu Salvador, arrependendo-se dos seus pecados, e crer no seu coração que Ele é o Senhor.
E se as forças lhe permitirem deve confessá-lo com a sua boca invocando o Seu nome, porque Deus prometeu salvar todo aquele que invocasse o nome do Seu Filho para que seja salvo.
É importante portanto frisar que Paulo não estava combatendo a circuncisão como se ela fosse um mal, pois poderia ser mantida por costume por todo crente judeu que assim o desejasse, mas que este não pensasse nem de longe que há alguma eficácia espiritual no ato da circuncisão seja para que propósito for, muito menos para a justificação.
Todo crente que não obedecesse isto, e colocasse a sua confiança que o modo de agradar a Deus seria pela simples circuncisão do prepúcio ou por qualquer outro expediente carnal, segundo Paulo, estava com isto dando uma prova do seu afastamento da comunhão com Cristo por esta grande ofensa feita a todo o grande trabalho de expiação e redenção que Ele fez em nosso favor, para que tributássemos a Ele e somente a Ele toda a glória por todos os atos que foram operados em nós, relativos à salvação, e uma declaração formal expressa de que não desejamos depender dEle para progredirmos em nosso amadurecimento espiritual.
Estes muitos evangelhos que não ensinam que Cristo é o tudo da nossa salvação, e que é olhando sempre para Ele com os olhos espirituais da fé, que progredimos espiritualmente, sempre produzirão este efeito de nos separar da comunhão com o Senhor, ainda que afirmemos que é em Seu nome que nos submetemos às práticas que são estranhas ao evangelho.
Uma vez estando separado da comunhão com o Senhor, por se entristecer e apagar a atuação do Espírito Santo, com este pecado de ingratidão e de desconsideração para com Ele e com tudo o que fez por nós, a conseqüência imediata é a de se decair da graça, ou seja, ficar privado do crescimento na graça, e das consolações da graça pelo Espírito.
A propósito, faremos bem em considerar que a graça não é uma filosofia, mas um poder, na verdade, o maior poder operante neste mundo, porque é por ela que se destrói o pecado, e que se transforma progressivamente pecadores em santos, pelo processo da santificação.
Como o objetivo dos gálatas era o de serem justificados pela circuncisão, Paulo lhes lembrou que isto era muito pouco ou quase nada, porque segundo a justiça da lei, para a justificação, é necessário cumprir perfeitamente todos os demais mandamentos e isto continuamente por toda a vida. E temos demonstrado anteriormente que isto é uma tarefa impossível, porque o homem é pecador.
Nós não estamos tratando agora de um assunto sem importância. É uma questão que envolve liberdade perpétua ou escravidão perpétua. Porque a libertação da ira de Deus pelo ofício amoroso de Cristo não é um benefício transitório, mas uma bênção permanente, assim como o jugo da Lei, para os que permanecem debaixo da maldição da Lei, por não terem sido libertados por Jesus, não é um temporário mas uma aflição perpétua.
Contudo os gálatas haviam sido encantados e estavam cegos quanto a esta verdade que lhes havia sido ensinada, mas na qual eles não haviam ficado firmes. Eles não permaneceram firmes na graça, e decaíram da graça. Porque não há outro modo de permanecer na graça a não ser o de ficar firme nela, sem se deixar remover na mente ou no espírito, dando crédito a doutrinas que afirmam o oposto da nossa segurança em Jesus.
E este descaimento, como afirmamos anteriormente é conseqüente da desonra que se dá ao poder do Senhor e à Sua graça, quando se pensa que há outro modo de se agradar a Deus a não ser pela fé.
E a falta de fé naquilo que Deus tem afirmado é incredulidade, e isto é um pecado terrível.
Deixar de crer naquilo que a boca de Deus tem proferido para se dar crédito ao homem ou ao diabo, é falta de fé, e é por isso que Paulo afirma que é pelo Espírito da fé que aguardamos a esperança da justiça, isto é, esta fé é operada pelo Espírito, de modo que temos plena esperança da justiça (Gál 5.5) que temos recebido em Cristo Jesus, e vale destacar que a noção bíblica de esperança não é incerteza quanto ao futuro, mas segurança de que receberemos tudo o que Deus nos tem prometido. E Paulo afirma que não é ser judeu ou gentio que tem qualquer valor, mas ter esta fé que opera pelo amor (Gál 5.6).
E o amor é sobretudo a união do crente com Cristo que é a fonte do amor. Isto significa então que não é possível ter fé à parte da comunhão com Cristo.
E se os gálatas estavam se desligando de Cristo para se ligarem aos judaizantes e ao ensino pervertido deles, que fé eles poderiam ter? Como uma fé que não atuava pelo amor poderia aumentar?
Tal como a igreja de Éfeso citada em Apocalipse, os gálatas haviam abandonado o seu primeiro amor, e como a igreja de Laodicéia tinham deixado Cristo do lado de fora dos seus corações batendo à porta para que se arrependessem.
E o Senhor estava fazendo exatamente isto, através da epístola que Paulo escreveu aos Gálatas.
Jesus mesmo o inspirou a isto para buscar as Suas ovelhas que haviam fugido do aprisco. O lobo tinha-lhes atacado e não poucas estavam muito feridas.
A perplexidade de Paulo em relação aos gálatas estava fundada no fato de que eles vinham correndo bem a carreira cristã, eles estavam progredindo na fé, e de repente, por terem permitido serem removidos da sua própria firmeza por darem ouvido aos judaizantes, ficaram paralisados e impedidos de continuar a carreira que vinham efetuando.
Nós já citamos no início deste comentário que qualquer igreja está sujeita a isto, e portanto os crentes devem vigiar constantemente contra este perigo, especialmente os ministros do evangelho, de modo que todo o trabalho que tiverem realizado não seja perdido num instante por um vento de falsa doutrina.
Lembremos que a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra Satanás que semeia o joio do erro enquanto dormimos, isto é, quando descuidamos na nossa vigilância e diligência.
Paulo esclareceu aos gálatas que quem lhes havia persuadido àquela insensatez que eles haviam cometido não fora o Senhor que os chamou, mas o diabo através dos seus instrumentos, com o fim de separá-los da comunhão com Cristo.
E o diabo sabe quão difícil é a reconciliação de um crente desviado com o seu Senhor.
E por isso Satanás tudo fará para trazer dores aos crentes, por saber que não os terá mais consigo no inferno depois que eles saírem deste mundo
Portanto eles deveriam ter muito cuidado com o fermento do erro, porque não é necessário muito fermento para levedar toda a massa de crentes, desviando-os da verdade.
Toda heresia deve ser resistida e rejeitada logo na sua origem.
Todo pastor fiel logo expulsará o lobo e o manterá distante do rebanho tão logo perceba que ele está se aproximando.
Paulo não disse que os gálatas, que haviam decaído da graça por terem se circuncidado pensando obter a justificação que já haviam alcançado em Cristo, de uma vez para sempre no dia da conversão, que eles seriam condenados, mas ele fez esta afirmação em relação aos falsos apóstolos que lhes haviam fascinado, porque seguramente eles não conheciam pessoalmente a Cristo, e portanto não haviam sido libertados por Ele da condenação eterna.
Há muitas considerações que podem ser feitas sobre o decair da graça, mas nós devemos ter em conta que não é possível alguém cair de uma posição na qual nunca estivera dantes.
Então o versículo não se aplicaria a incrédulos, por nunca terem estado debaixo da graça, senão da maldição da Lei.
Entretanto, podemos considerar, que se deixarmos de lado a mera interpretação de palavras, e levarmos em conta qual era a idéia a que Paulo queria se referir, então nós podemos admitir que haja também uma inclusão no versículo daqueles que ainda não conhecendo a Cristo estavam tentando ser justificados pelo simples ato da circuncisão, e não exclusivamente pela fé.
Assim a palavra do apóstolo seria também uma advertência para estes gálatas incrédulos que haviam se associado à igreja, pois uma vez que a justificação por obras da Lei é impossível, eles estavam afastados da graça, e neste caso não poderiam ter qualquer benefício de Cristo, por não estarem ligados a Ele pela fé.
Assim, permanece verdadeiro que tanto num caso quanto noutro Cristo de fato de nada aproveitará, conforme o dizer de Paulo, a crentes justificados que se desviam da fé e àqueles que pensando estarem agradando a Deus, no entanto não chegaram sequer a ser justificados porque estão confiando em práticas religiosas para alcançarem a justificação que é obtida somente pela graça, e mediante a fé.
Os profetas haviam predito que a morte do Messias faria com que Ele se tornasse numa Rocha de escândalo para os judeus, porque no entendimento e expectativa carnais deles, jamais admitiriam uma tal coisa, pois sempre esperaram um Messias poderoso segundo o mundo e que lhes desse poder temporal sobre as demais nações do mundo.
O Messias que eles esperavam era militar e político. E que grande decepção Jesus não se tornou para eles em seu ministério terreno, e eles se ofenderam e se escandalizaram nEle, quando lhes afirmou que era o Messias prometido.

Eles não somente O rejeitaram como também O crucificaram por causa disto.
E por muitos anos, mesmo depois da morte de Jesus eles perseguiram todos os Seus seguidores.
Todo aquele que pregava o evangelho era motivo de escândalo para os judeus e suscitava a perseguição deles.
O verso 11 deve ser entendido da seguinte forma, porque o que ali se afirma é como se Paulo o dissesse deste modo, em outras palavras: “Porém, irmãos, se é verdade que eu continuo a anunciar que a circuncisão é necessária, por que é que sou perseguido? Se eu anunciasse isso, então a minha pregação a respeito da cruz de Cristo não causaria dificuldade para ninguém.”.
Isto implica que é possível que os oponentes de Paulo podem ter até mesmo usado o seu nome para enganar os gálatas, dizendo-lhes falsamente que Paulo dizia que a circuncisão era necessária para a salvação. E isto explicaria a defesa que ele fez ironicamente desautorizando o que haviam falado a seu respeito.

“12 Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando.
13 Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.
14 Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
15 Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros.
16 Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.
17 Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.
18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.
19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia,
20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,
21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.
22 Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
23 Contra estas coisas não há lei.
24 E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
25 Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.
26 Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.” (Gál 5.12-26).

Ao se referir aos judaizantes no verso 12 dizendo: “Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando.”, parece que o apóstolo tinha em mente a circuncisão que eles tanto prezavam e pregavam como o fim mesmo da vida com Deus, e assim ele diz, já que eles gostam tanto de cortar os prepúcios, que eles então se mutilem totalmente.
Parece que Paulo estava falando de modo irônico para deixar nos gálatas uma impressão bastante forte quanto à religião que eles estavam querendo seguir: baseada na carne e não no Espírito. Ele vai falar logo a seguir da luta da carne contra o Espírito e do Espírito contra a carne.
Na ilustração do capítulo anterior ele havia demonstrado que é um princípio inalterável esta luta entre o que é carnal e o que é espiritual no exemplo que ele havia fixado em Ismael e Isaque, em Agar e Sara, entre a Jerusalém terrena e a Jerusalém celestial, entre o escravo e o livre, entre o nascido por promessa e o não nascido por promessa.

Todas estas comparações tinham em vista conduzir ao entendimento de que o crente estará sempre empenhado numa luta contra a carne (natureza terrena), não propriamente ele, senão o Espírito que nele habita (nova natureza obtida pela fé em Cristo).
Aquelas ilustrações do capítulo anterior tinham em vista ensinar que o que é nascido da carne, não herdará o céu e tudo o que é espiritual, celestial e divino, juntamente com o que é nascido do Espírito.
Porque o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
E o homem não herdará o céu, a menos que tenha sido transformado em espiritual, e isto é uma obra exclusiva do Espírito Santo que é dado somente àqueles que crêem em Cristo.
Foi somente a estes que Deus fez a promessa de conceder o Espírito, porque disse a Abraão que daria esta bênção somente aos que estivessem unidos ao seu descendente, que é Cristo, verdade à qual Paulo já havia se referido no terceiro capítulo.
Ao chegar a este nível de argumentos na epístola, Paulo vai deixar de lado o assunto da circuncisão para se concentrar na fonte que havia dado causa ao problema dos gálatas. Ele vai colocar o dedo na ferida para extirpar a infecção que havia contaminado toda a igreja.
Ele fez o diagnóstico espiritual e afirmou a eles que haviam caído não por uma mera troca de doutrina. Não foi meramente a circuncisão que lhes havia afastado da comunhão com Cristo. Algo tinha acontecido com eles antes de terem sido fascinados pelos judaizantes, e foi isto que permitiu a facilidade de semear sua heresia entre eles.
Eles haviam feito um mau uso da liberdade que alcançaram em Cristo. Eles não usaram a liberdade da graça para crescerem no amor servindo uns aos outros.
Antes, eles usaram esta liberdade para dar ocasião às suas cobiças carnais.

Eles pensaram que ser livrado por Cristo significava liberdade para fazerem o que fosse do agrado deles, isto é, para fazerem a vontade do ego. Eles perderam de vista o jugo e o fardo de Jesus, que é a obediência devida a Ele. Eles perderam de vista a cruz que deve ser carregada diariamente, e o dever da auto-negação.
Contudo quem é suficiente para estas coisas? Então eles perderam também de vista a necessidade de se estar debaixo da influência do Espírito Santo, praticando a Palavra de Deus (andar no Espírito) para que então, estas coisas ordenadas pelo Senhor possam ser cumpridas e vividas.
A liberdade cristã não é liberdade para a carne, mas liberdade para a nova criatura. A carne deve ser mortificada, e por isso foi crucificada juntamente com Cristo quando Ele morreu na cruz do Calvário.
A nova criatura, esta sim, é livre, ela é celestial e não terrena.
Ela é responsável e perfeitamente santa.
É a semente da vida eterna que foi semeada no coração do crente.
É a nova vida do céu que foi implantada nele, e que está destinada a crescer e a vencer a antiga natureza, assim como a Nova Aliança revogou e substituiu a Antiga.
Ela é o odre novo no qual o Senhor está colocando o seu vinho celestial da verdadeira alegria.
É por viver e andar no Espírito, no crescimento progressivo da nova natureza, que os crentes são habilitados e capacitados a viverem em unidade sendo um só corpo em Cristo, unidos pelo vinculo do amor. E assim se cumpre o propósito de Deus em relação a eles.
Porém, quando se deixam governar pela carne, e negligenciam os deveres que lhes são ordenados na Palavra, quando deixam de ser diligentes no hábito da santificação, esquecendo de purificar seus corações pela Palavra, pelo poder do Espírito, e de permanecerem continuamente nisto por todos os dias das suas vidas, então o que se verá são todas as manifestações que são designadas por obras da carne (dissensões, iras etc) e não o fruto do EspÍrito, que é amor, paz etc.
Os que andam na carne jamais cumprirão a Lei, e se iludirão se pensarem que a estão cumprindo.
Os que andam no Espírito têm cumprido a Lei, e por isso não estão debaixo da Lei (v. 18), porque não há lei que possa ser contrária ao fruto do Espírito Santo (v. 23).
Como toda Lei se cumpre no amor (v. 14) que é fruto do Espírito, então nenhum crente deve negligenciar o dever de amar a Deus e ao próximo, para que não seja achado em falta quanto ao cumprimento da Lei. Porque se diz que aquele que ama tem cumprido a Lei.
Quão distantes estavam os gálatas de compreenderem isto!
E quão distantes estão os crentes da nossa própria época, envolvidos com questões religiosas, congressos, debates, estratégias e tantas outras coisas que tratam de tudo e de todos, exceto do dever de amar por um andar no Espírito.
É muito fácil errar esse alvo, e é aí que Satanás encontra facilidade para semear o joio.
Não basta portanto somente defender a sã doutrina, é necessário praticá-la por um viver no amor de Deus.
Aqueles que deixam este primeiro amor, que perdem de vista que o propósito de Deus é a unidade espiritual dos seus filhos, e isto determina o dever de todos eles de serem espirituais por um mortificar da carne e por um andar no Espírito, que se traduz em andar efetivamente debaixo da sua instrução e direção, sendo obediente à vontade de Deus revelada na Palavra, podem estar certos que em vez de aprovação estão sujeitos à repreensão e correção de Cristo, por maiores que sejam as suas obras, e por maiores que sejam os seus esforços para agradarem a Deus no tocante a tudo o que façam até mesmo para cumprirem os mandamentos da Lei, porque o farão de modo carnal e legalista, longe de uma verdadeira obediência de coração, que é eminentemente espiritual e celestial e não carnal e terrena.

É por isso que Paulo diz no verso 24 que: “os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências”.
Ora se Deus sentenciou à morte a carne com suas paixões e cobiças na cruz, como podem os crentes viverem debaixo desta influência, em vez de se despojarem de tudo isto, uma vez que a vontade de Deus é que este corpo de morte de pecado não seja apenas morto, mas também lançado fora?
E a nós é dado o dever de fazermos este trabalho de despojamento pelo Espírito Santo, em vez de hospedarmos o velho homem que já foi morto desde o dia que nos convertemos a Cristo e passamos a pertencer a Ele.
Deste modo quanto mais uma igreja se torna carnal mais ela estará sujeita à influência das falsas doutrinas.
Elas serão recepcionadas com muito maior facilidade, porque é somente sendo espirituais que podemos discernir não somente estas coisas, porque o homem espiritual discerne todas as coisas, principalmente as coisas que são do Espírito, porque elas se discernem espiritualmente.
Portanto é nosso dever nos interessarmos por esta luta do Espírito contra a carne, para apoiarmos a parte que deve ser apoiada, e destruir a que deve ser despojada.
Paulo fala disto como sendo o dever não somente dos gálatas, mas de todos os crentes.
Nós devemos então estar profundamente interessados em aprender sobre o significado de tudo o que se refere à nossa santificação, não somente no que ela significa, isto é, qual é a natureza da verdadeira santificação, como também em aprendermos o que devemos fazer para nos santificarmos todos os dias das nossas vidas.
Se é por um andar no Espírito que se vence a cobiça da carne, então devemos nos empenhar firmemente em não apenas aprender o significado disto, como também o modo correto de praticá-lo.
A vida cristã não é uma vida contemplativa, não é uma mera devoção mística, porque é possível ser isto e estar completamente distante da verdade revelada.
Antes é uma vida que deve ser aprendida, antes de ser vivida.
É uma prática, é um hábito, é um constante crescimento na graça e no conhecimento de Jesus (II Pe 3.18).
Paulo argumenta fortemente com os gálatas dizendo que se é pelos pecados, que são as obras da carne, que os praticantes deles serão deixados do lado de fora do céu, como podem os crentes, que ganharam o céu por Jesus Cristo, permanecerem na prática destas mesmas obras pecaminosas?
É portanto dever de todos eles purificarem seus corações pela Palavra, mediante o poder do Espírito.
Lembremos sempre que é dito que é o Espírito que vence a carne, porque é Ele que luta contra a carne, uma vez que somente Ele pode vencê-la.
Que nenhum crente portanto se lance à obra de santificação sem depender do Espírito.
É andando nEle que somos libertados santificados. De modo que se afirma na Palavra que onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade, e que a santificação é do Espírito.
Como a salvação é pela graça, mediante a fé, então uma pessoa pode ser salva (justificada e regenerada) com muito pouco evangelho, mas nenhum crente poderá prevalecer contra a carne sem muito evangelho.
Todas as graças contidas no evangelho são necessárias ao seu amadurecimento espiritual, e assim todo crente fará bem em se esforçar para não somente se inteirar delas, como também em praticá-las no Espírito.
Como ser constante e perseverante na oração e na meditação da Palavra sem isto?
Como ser grato por tudo sem isto?
Como viver contente no Senhor em toda e qualquer circunstância sem isto?
E dizemos que não é fácil o aprendizado progressivo destas coisas.
É tarefa para toda a vida.
E elas devem ser sempre recordadas para que possam ser vividas porque somos limitados e dados a esquecer facilmente tudo o que aprendemos, a não ser que isto se torne um hábito pela prática constante.
Daí ninguém deve ficar constrangido, mesmo em programas formais de ensino, em repetir os ensinos que já foram ministrados pelo próprio ou por outrem, porque nunca é demais aprender e recordar continuamente a Palavra de Deus.
Porque em vez de ser algo cansativo, neste caso é algo necessário, porque contribui para a fixação da doutrina de maneira que nunca sejamos desviados dela.
Nós vemos assim que não é pequena a tarefa de nos aplicarmos ao conhecimento da verdade.
E que nenhum ministro de Cristo se deixe vencer pela tentação de abreviar o seu dever de se inteirar devidamente de tudo o que se refere à verdade revelada, para que assim tenha poder não somente para instruir o povo do Senhor, como para combater os contradizentes e os que se opõem à sã doutrina.
Lembremos que o cristianismo não é somente deixar de fazer o mal, como também fazer o bem.
Nosso cristianismo não somente nos obriga a mortificar o pecado, como também a viver em retidão, não somente se opondo às obras da carne, como também e principalmente produzindo o fruto do Espírito.
Então, se isto estiver acontecendo nós pertencemos realmente a Cristo, porque este é o trabalho da sua graça operante em nós.
É muito fácil sabermos se estamos andando na carne ou no Espírito, isto é, se temos sido crentes carnais ou espirituais, porque os que andam na carne se inclinam para as coisas da carne, e os que andam no Espírito se inclinam para o fruto do Espírito, de maneira que uma vez detectada a nossa inclinação para a carne devemos nos arrepender e em oração sincera e humilde pedir a Deus que nos perdoe e que nos conduza a andar verdadeiramente no Espírito, sabendo que isto exigirá de nós todo empenho e diligência em cumprir os deveres que nos são ordenados na Palavra de Deus.

Consideradas todas estas coisas, lembremos ao desfrutar da liberdade que temos em Cristo, que Satanás gosta de mudar esta liberdade em licenciosidade.
O apóstolo Judas se referiu a homens que tinham convertido a graça do Senhor em lascívia (Jd 4).
A carne pode argumentar falsamente a nós que já que não estamos debaixo da lei e sim da graça, então devemos aproveitar para viver no pecado por sabermos que os nossos pecados foram perdoados em Cristo, e que na condição de crentes fomos livrados da condenação eterna.
Quanto perigo há para quem procede desta maneira.
Estas pessoas se esquecem que é exatamente por causa do pecado que o mundo de ímpios será destruído e condenado por Deus, e como Ele poderia ficar indiferente a esta atitude, mesmo que seja naqueles que se tornaram Seus filhos pela fé em Cristo?
Certamente Ele os corrigirá e lhes fará sofrer o dano a que Paulo se refere em I Cor 3.15, certamente quando comparecerem diante do tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (Rom 14.10; II Cor 5.10).
No seu Comentário da Epístola aos Gálatas Lutero afirmou muitas coisas interessante a respeito desta seção da epístola, e dentre as quais destacamos as seguintes:
Paulo colocou primeiro o fundamento doutrinal para que então pudesse construir sobre ele com ouro, prata e pedras preciosas de boas obras.
Agora, não há nenhum outro fundamento diferente de Jesus Cristo. Neste fundamento o apóstolo ergueu a estrutura das boas obras que ele define aqui com as palavras “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
Acrescentando tal preceito de amor o apóstolo envergonhou os falsos apóstolos, como se ele estivesse dizendo aos gálatas: “eu descrevi para vocês o que é a vida espiritual, e agora eu também ensinarei o que são verdadeiramente as boas obras.
Eu estou fazendo isto para que você possa entender que as cerimônias tolas das quais os falsos apóstolos praticam são muito inferiores às obras do amor cristão”.
Os falsos mestre somente podem construir com madeira, feno e restolho porque eles pervertem a pura doutrina.
Seria estranho portanto que os falsos apóstolos que nunca foram tais campeões sérios na prática das boas obras, que eles pudessem requerê-las.
A única exigência deles era que deveriam ser observadas a circuncisão, dias, meses, anos e tempos. Eles não poderiam pensar em qualquer outra boa obra.
A isto que é dito por Lutero podemos acrescentar que isto continua ocorrendo em nossos dias, especialmente entre as religiões que abundam em rituais, porque eles usam isto como escudo para disfarçar a incapacidade deles de viverem em unidade harmoniosa em amor, porque como poderiam ter isto se é um produto do Espírito Santo naqueles que são verdadeiramente nascidos de novo e que andam em retidão de vida?
Então estarão empenhados em muitas obras chamadas de caridade, enquanto não conseguem viver e praticar entre eles próprios o verdadeiro amor cristão, que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida, isto é autêntica, e recebida como um dom de Deus, quando nos convertemos a Cristo.
Mas Lutero também nos ajuda a compreender bem isto a que estamos nos referindo:
O apóstolo exorta todos os cristãos a praticarem boas obras depois que eles abraçaram a pura doutrina da fé, porque embora eles tenham sido justificados, eles têm ainda a velha carne para lhes impedir de fazer o bem.
Então se torna necessário que os pastores sinceros cultivem a doutrina das boas obras tão diligentemente quanto a doutrina da fé, porque Satanás é um inimigo mortal de ambos.
Não obstante a fé tem que vir primeiro porque sem fé é impossível saber o que é uma ação agradável a Deus.

Paulo sabe explicar a lei de Deus.
Ele condensa todas as leis de Moisés em uma breve oração.
A razão se ofende com a brevidade com que Paulo trata a Lei.
Então a razão deve olhar a doutrina da fé e suas obras verdadeiramente boas.
Servir um ao outro em amor, isto é, instruir o errado, confortar o aflito, elevar o caído, ajudar o próximo de todos os modos possíveis, lutar e ser paciente com as fraquezas dele, suportar sofrimentos, ingratidão na Igreja e no mundo, e por outro lado obedecer o governo, honrar os pais, ser paciente em casa com uma esposa resmungona e uma família incontrolável, estas coisas não são consideradas como boas obras.
O fato é que elas são obras excelentes que o mundo não pode calcular possivelmente o verdadeiro valor delas.
Meu próximo são aquelas pessoas que necessitam da minha ajuda, como Cristo explicou no décimo capítulo de Lucas.
Até mesmo se uma pessoa me fez alguma injustiça, ou me feriu de qualquer forma, ele ainda é um ser humano com carne e sangue.
Contanto que uma pessoa permaneça um ser humano, ela deve ser objeto do nosso amor.
Quando a fé em Cristo é subvertida a paz e unidade se acabam na igreja.
Opiniões diversas e dissensões sobre doutrina e um membro morde e devora o outro, isto é, eles condenam um ao outro até que eles são consumidos… Quando a unidade do Espírito for perdida não pode haver nenhum acordo em doutrina ou vida. Erros novos aparecerão sem medida e sem fim.
Não é uma questão fácil ensinar fé sem obras, e ainda requerer obras.
A menos que os ministros de Cristo sejam sábios controlando os mistérios de Deus eles podem confundir fé e boas obras facilmente.
Ambos, a doutrina da fé e a doutrina das boas obras devem ser ensinadas diligentemente, e ainda de um tal modo que ambas as doutrinas fiquem dentro da esfera que Deus delimitou para elas.
Se nós ensinarmos somente em palavras, como fazem nossos oponentes, nós perderemos a fé.
Se nós somente ensinamos sem praticar as boas obras as pessoas de fé virão a pensar que as boas obras são supérfluas.
A luxúria da carne nunca está completamente extinta em nós.
Se levanta novamente e novamente e luta com o Espírito.
Nenhuma carne, nem no verdadeiro crente, está tão completamente debaixo da influência do Espírito que não morderá ou devorará, ou pelo menos negligenciará o mandamento do amor.
À provocação mais leve enfurece e exige vingança, e odeia o próximo como um inimigo, ou pelo menos não o ama tanto quanto deveria ser amado.
Então o apóstolo estabelece esta regra de amor para os crentes.
Sirva um ao outro em amor.
Suporte as fraquezas de seu irmão.
Perdoe um ao outro.
Sem tal posicionamento e contenção da carne, enquanto nos doamos e perdoamos, não pode haver nenhuma unidade porque ofender e retribuir ofensas são inevitavelmente humanos.
Sempre que você estiver bravo com seu irmão por qualquer causa, reprima suas emoções violentas pelo Espírito.
Seja paciente com a fraqueza dele e o ame.
Ele não deixa de ser seu próximo ou irmão porque ele o ofendeu.
Pelo contrário, ele agora mais do que nunca requer sua atenção amorosa, mais do que dantes.
Quanto à concupiscência, ou luxúria, ou cobiça da carne citada por Paulo no verso 16, Lutero citou inclusive a sua experiência pessoal para descrever como lidou com isto:
“Quando eu era um monge eu pensei que sempre estaria perdido quando eu sentia uma emoção má, luxúria carnal, ira, ódio, ou inveja. Eu tentei aquietar minha consciência de muitas formas, mas não funcionou, porque a luxúria sempre voltava e não me dava nenhum descanso. Eu dizia a mim mesmo. Você permitiu este e aquele pecado, inveja, impaciência, e outros semelhantes. Seguir esta ordem sacra foi em vão, e todas suas boas obras são boas para nada. Se naquele momento eu tivesse entendido esta passagem, que a carne luta contra o Espírito e o Espírito contra a carne, eu poderia ter me poupado do tormento por muitos dias do meu ego. Eu teria dito a mim: Martinho, você nunca estará sem pecado, porque você tem a carne. Não desespere, mas resista à carne.
Eu me lembro como Staupitz dizia a mim: “eu prometi a Deus mil vezes que eu me tornaria um homem melhor, mas eu nunca mantive minha promessa. De agora em diante eu não vou fazer mais nenhum voto. A experiência me ensinou que eu não posso mantê-los. A menos que Deus seja misericordioso a mim por causa de Cristo e me conceda que seja santificado, eu não poderei me levantar diante dEle.” O seu desespero foi agradável a Deus. Nenhum crente deve confiar na sua própria justiça, e deve neste particular, imitar o exemplo de Davi (Sl 143.2; 130.3).
Todo mundo deve estar consciente da sua fraqueza e vigiar contra isto. Vigie e lute em espírito contra a sua fraqueza. Até mesmo se você não puder superar isto completamente, pelo menos você deveria lutar contra isto.
De acordo com esta descrição um santo não é ninguém que é feito de madeira e nunca sente qualquer luxúria ou desejos da carne. Um verdadeiro santo confessa a retidão dele e ora para que os pecados dele possam ser perdoados. A Igreja inteira ora para o perdão de pecados e confessa que acredita no perdão de pecados.

Quando a carne começa a picar o único remédio é pegar a espada do Espírito, a Palavra de salvação, e lutar contra a carne. Se você deixou a Palavra longe do alcance da vista, você está desamparado contra a carne. Eu sei isto por ser um fato. Eu fui assaltado por muitas paixões violentas, mas assim que eu agarrava alguma passagem da Bíblia, minhas tentações me deixaram. Sem a Palavra eu não poderia ter me ajudado contra a carne.”
Quem dera que esta sinceridade e humildade de Lutero, em seu testemunho pessoal com o fim de nos ajudar a entender a sã doutrina, a verdade, estivessem em todos os ministros fiéis de Cristo.
Como o rebanho seria ajudado se em vez de tentarem aparecer como super heróis da fé diante deles, confessassem as suas fraquezas que são comuns a todos os homens, de maneira que eles se sentissem incentivados a progredirem em santificação.

TODO MÉRITO É DA GRAÇA

Temos de fato um viver abençoado quando obedecemos a Deus, dedicando-nos à prática das boas obras.
Mas, é preciso não confundir que a graça, que se manifesta num viver obediente, nunca é decorrente dos nossos méritos pessoais, mas sempre dos méritos de Jesus.
De fato, se não há disposição para obedecer à verdade, já não há qualquer graça para operar.
Quem busca acha. Ao que bate se lhe abre a porta. Ao que pede se lhe é dado.
A nós cabe agradecer e dar não apenas o nosso esforço, mas a nossa própria vida para o serviço de Deus, para que Ele a use como for do Seu inteiro agrado.
A consagração pessoal é necessária para que o Espírito Santo possa realizar a sua obra em nossas vidas, afinal Ele mesmo é uma das preciosas e grandes promessas da Nova Aliança, para todo o que crê (Gál 3.24).
Não podemos esquecer que a própria lei prescrevia a fé, o amor, a justiça e a misericórdia.
A lei não é contrária à graça e à fé. Mas, a lei de si mesma, nada pode fazer além de afirmar o amor, pois não pode gerá-lo; de afirmar a vida eterna com Deus, mas não pode também gerá-la; de apontar a necessidade da salvação para o pecador, mas, não pode produzi-la. Somente a graça pode operar tudo isto, pela fé, e tudo o mais que se relacione à vontade de Deus.
Apesar de ser santa, justa, boa e espiritual, a lei não pode, no entanto, nos salvar (Rom 7.12,14).

A graça não é, portanto, contrária à lei e nem a descumpre, antes é o potencial necessário para o cumprimento da lei.

“Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.” (Rom 3.31)
“16 Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós.” (Rom 4.16)

Ora, se o cumprimento da lei só é possível pela graça, quão improcedente é portanto a quase aversão que muitos sentem só de ouvir falar a palavra graça.
O problema é que esta não é uma forma correta de se abordar a questão.
A vida cristã não consiste nem em se defender a graça, nem em se defender os mandamentos, mas sim em viver a vida de Jesus pela graça, para que se possa cumprir seus mandamentos, os quais confirmam muito doa que existem na própria Lei.

“23 Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?
24 Assim pois, por vossa causa, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios, como está escrito.
25 Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se guardares a lei; mas se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão tem-se tornado em incircuncisão.
26 Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão?
27 E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, julgará a ti, que com a letra e a circuncisão és transgressor da lei.
28 Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne.
29 Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus. (Rom 2.23-29)

Este gloriar dos judeus na Lei, referido por Paulo, não significa de modo algum a rejeição do apóstolo da Lei, mas a confiança deles de serem salvos pela Lei à custa da rejeição da graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

Os dez mandamentos revelados por Deus ao povo de Israel nos dias de Moisés, confirmam a sua proveniência divina, e nos falam da perfeição em santidade do Senhor, uma vez que não se resumem a ordenanças morais, tal como se vê na lei dos homens.
Antes de citar os deveres morais na segunda parte dos mandamentos, com o dever de se honrar os pais, e a proibição de mentir, furtar, matar, adulterar e cobiçar, Deus fixou antes, na primeira parte, a necessidade de se lhe prestar honra, reverência e culto, pois sem isto, não é possível que o homem cumpra perfeitamente as suas obrigações morais para com Deus e para com o seu próximo.
Daí ser ordenado antes de tudo que se adore tão somente a Deus; que o Seu nome seja santificado e honrado e que se separe obrigatoriamente um dia semanal para a dedicação exclusiva à adoração e ao serviço do Senhor.
Temos assim, uma pista, já na perfeição da Lei dada a Moisés, quanto ao modo correto da santificação:
Primeiro amar a Deus, separar-se para Ele, cultuar-lhe em devoção sincera, e assim sendo feito bom o coração pela Sua graça divina, a vida moral reta será uma mera conseqüência de tal adoração em espírito e em verdade.
E é exatamente tal ordem que encontramos no Novo Testamento, quanto ao modo da santificação, e do serviço a Deus e ao próximo.

“Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor.” (Gál 5.6)

“Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura.” (Gál 6.15)

Em outras palavras: nem o judeu, nem o gentio, nem o legalista, nem o adepto da graça, têm no que se gloriar, caso não sejam novas criaturas em Cristo, e não vivam no amor que é pela fé.
Quem amará com o mesmo amor de Deus, conforme a lei exige, caso não seja capacitado pela graça para tal?
E tudo o mais que a lei exige, a qual é espiritual e santa, dada e revelada pelo próprio Deus, por acaso, não só poderá ser cumprido se formos capacitados antes pela graça de Jesus?
Quem é suficiente para isto?
Por isso Paulo dizia que a sua suficiência vinha de Deus, e que tudo o que fazia segundo a Sua vontade era conforme capacitação da Sua graça, e que tudo podia, somente porque a graça de Jesus o fortalecia.

A GRAÇA EXIGE PERSEVERANÇA

Não devemos desconsiderar o alerta de nosso Senhor Jesus Cristo quanto à necessidade de perseverarmos até o fim com vistas à salvação das nossas almas.
E esta perseverança consiste sobretudo em permanecermos na fé em santidade de vida, em todo o tempo e em qualquer circunstância.
Enquanto estiver ligado a Jesus pela fé, em comunhão com Ele, um crente não pode ser considerado um filho maldito, como no dizer de Pedro referindo-se aos falsos mestres, que haviam abandonado a fé (II Pe 2.14).
Há provisão suficiente no sangue derramado na cruz, para perdoar pecados.
Bem faz todo crente que os confessa e abandona em prol de manter a sua comunhão com Deus e seus irmãos em Cristo.
Não importa o tamanho da ofensa.
A misericórdia de Deus é maior do que o nosso pecado.
Pedro negou Jesus, mas foi restaurado pelo arrependimento.
Perigosa coisa é no entanto, o amor ao mundo, o fascínio pelas riquezas, a rejeição de uma consciência boa pelo endurecimento produzido pelo pecado, o abandono da comunhão dos santos, a negligência do serviço de Deus, a negação da fé diante das tribulações, pois por tais coisas, pode vir o crente a apostatar da fé.

“19 A todo o que ouve a palavra do reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que lhe foi semeado no coração; este é o que foi semeado à beira do caminho.
20 E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria;
21 mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
22 E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.” (Mt 13.19-22)

“conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragando no tocante à fé;” (I Tim 1.19)

“1 Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios,
2 pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada,” (I Tim 4.1,2)

“4 Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,
5 e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro,
6 e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério.
7 Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus;
8 mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.” (Hb 6.4-8)

“26 Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados,
27 mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários.
28 Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas;
29 de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça?
30 Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.
31 Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hb 10.26-31)

Somos advertidos pelo autor de Hebreus quanto ao perigo da apostasia nesta dispensação da graça, sob o argumento de que se a violação da Antiga Aliança, que foi temporária, trazia severos juízos de Deus sobre os transgressores; de quanto maior juízo não estarão sujeitos os que profanarem o precioso sangue de Jesus, que foi derramado na cruz para instituir esta Nova Aliança, em que se cumpre o propósito eterno de Deus.
O mesmo autor refere-se à terra (homem) que recebe chuvas abundantes (graça), mas em vez de produzir bons frutos, produz espinhos e abrolhos.
Como não tem nenhuma serventia para o agricultor, por fim será queimada.
Certamente não está falando de pessoas que esfriaram temporariamente na fé, que se desviaram por certo período, mas que não negaram ao Senhor nos seus corações, posto que estes poderão ser restaurados.
Mas, é muito conveniente que não se brinque com a graça e a liberdade que temos no Senhor, desviando-nos da verdade, por se correr o risco de se apostatar da fé definitivamente, sem que haja cura, como apontado nas situações comentadas nos textos que acabamos de ler.
Qual é o proveito que temos em tentar achar argumentos para afirmar que o ensino da parábola das dez virgens e a dos talentos, não se aplica a crentes?
Tendo em vista que a conclusão aponta para a perdição de alguns dentre os servos de Deus, que haviam recebido azeite para suas lâmpadas, para aguardarem o Noivo, mas permitiram, que este acabasse, antes que Ele voltasse; e outros, que haviam recebido talentos para investir no reino de Deus e no entanto não os aplicaram.
Qual é o proveito de se afirmar a impossibilidade da apostasia de crentes autênticos, em face de se julgar que não se perde a salvação, se isto nos conduzir a um viver negligente em relação à vontade de Deus? Vale a pena o risco?
Qual é o prejuízo que se tem em considerar seriamente as muitas advertências bíblicas não apenas relativas à apostasia, mas que apontam para a necessidade de se viver de modo santo e perseverante para se agradar a Deus?
Nenhum. Não é verdade?
Ao contrário, com isto nunca se chegará a se indagar se permanecemos justificados ou não, pois a comunhão do Espírito com o nosso espírito, continuará testificando que somos filhos de Deus (Rom 8.16).
Guardemo-nos, entretanto, da tentação de julgarmos quem tem apostatado ou não da fé, salvo se isto nos for revelado pelo Espírito, em plena convicção, como se dera com Paulo no caso de Himeneu e Alexandre.
Ora, perigosa coisa é julgar a consciência alheia, tendo em vista que não podemos avaliar qual é o trabalho que a graça está realizando em cada um dos seus filhos.
O oleiro trabalha em cada um dos seus vasos.
A nós não foi dada a capacidade de medir a extensão deste trabalho.
Por isso somos convocados a olhar por nós mesmos e para nós mesmos, quanto a sabermos se estamos ou não firmes na fé.
Uma vez tratado o problema do argueiro do nosso olho, poderemos nos voltar para tratar do cisco dos olhos dos nossos irmãos.
A graça não nos foi outorgada para podermos pecar à vontade e depois irmos para o céu, mas exatamente para destruir o pecado na vida do crente, de modo que possa se apresentar santo e inculpável diante de Deus.
É lastimável vermos o barateamento de tão grande e valiosa bênção.
De constatarmos o tráfico de promessas de paz, prosperidade e segurança, onde ainda prevalece o pecado, por parte de profetas que Deus não enviou.
A pregação que desfigura o caráter santo e justo de Deus, apresentado-o como alguém “bonzinho”, que não se importa muito com os nossos pecados e má conduta, está na verdade, ensinando as pessoas a brincarem com fogo, e não com um fogo qualquer, mas um fogo consumidor. (Hb 10.26-31; Rom 12.28,29)

“7 Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
8 Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” (Gál 6.7,8)

“25 Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles quando rejeitaram o que sobre a terra os advertia, muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos daquele que nos adverte lá dos céus;
26 a voz do qual abalou então a terra; mas agora tem ele prometido, dizendo: Ainda uma vez hei de abalar não só a terra, mas também o céu.
27 Ora, esta palavra-Ainda uma vez-significa a remoção das coisas abaláveis, como coisas criadas, para que permaneçam as coisas inabaláveis.
28 Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor;
29 pois o nosso Deus é um fogo consumidor.” (Hb 12.25-29)

Neste particular, mais se exige de nós na presente dispensação da graça, do que dos israelitas nos dias do Antigo Testamento, pois a vida e conduta do crente deve em muito exceder à dos escribas e fariseus.
Para permanecer em Jesus é necessário praticar a justiça do evangelho. E para tanto é necessário um viver sincero, um coração puro, uma fé não fingida, enfim, uma vida que tem sido de fato dirigida e transformada pelo Espírito.
Os escribas e fariseus, sempre estiveram muito longe deste alvo.
Por isso a justiça do crente que é aprovado por Deus, excede em muito a dos escribas e fariseus.
Jesus foi ungido para anunciar boas novas de salvação e a curar os quebrantados de coração (Is 61.1).
Tem portanto graça para conceder aos humildes de espírito, aos que choram, aos que têm fome e sede de justiça, aos que querem um coração puro e serem promotores da paz.
Estes são purificados e fortalecidos pela graça.
Estes são verdadeiramente bem-aventurados; pois têm construído a casa de suas vidas sobre a rocha.
O crente que tem sido instruído pelo Espírito sabe que foi salvo pela graça e mediante a fé, mas sabe também que precisa meditar na Palavra do Senhor dia e noite, para amar e praticar a sua lei, de forma que seja bem sucedido em tudo o que fizer.
Como a nossa conduta deve ser regida pela Bíblia, é de suma importância não apenas lê-la, mas interpretá-la de modo correto, para ser aplicada à vida.
Este é um dos principais objetivos deste livro, a saber, auxiliar-nos a entender melhor as Escrituras.
Assim poderemos apresentar-nos a Deus, aprovados, como obreiros que manejam bem a palavra da verdade (II Tim 2.15), como espada, no combate ao inimigo de nossas almas (Ef 6.17).
Deus requer de nós a manutenção inalterada da revelação escrita, especialmente a referente ao evangelho (Gál 1.6-9; Apo 22.18,19), exatamente na forma pela qual nô-la entregou pela mão de homens inspirados pelo Espírito Santo (II Pe 1.21), e que foram por Ele escolhidos para tal propósito, antes mesmo de terem chegado à existência (Jer 1.5; Gál 1.15,16).
Isto não se refere apenas à preservação do texto bíblico, como também à integridade do nosso ensino, que deve ser em conformidade com a exata e total revelação escrita, e não de acordo com os modismos da hora.
Jesus disse aos judeus que eles erravam por não conhecerem as Escrituras e o poder de Deus.
É importante frisar que a maioria deles sabia o Velho Testamento de cór.
No entanto, não tinham intimidade com o Senhor, e assim, não podiam contar com a assistência do Espírito Santo para discernirem o propósito e o significado da revelação escrita (I Cor 2.10-16), pois fora produzida por revelação e inspiração do Espírito Santo.
Daí a necessidade da instrução e direção do próprio Espírito Santo para se entender e viver a Palavra de Deus.
O apóstolo Paulo referiu-se às Escrituras como sendo o bom depósito da fé (II Tim 1.4) e recomendou aos seus cooperadores na pregação do evangelho, que mantivessem o padrão das sãs palavras (II Tim 1.13).
A própria Bíblia testifica de si mesma, acerca da sua autoridade divina (II Tim 3.16,17), sendo designada por Palavra da verdade (Jo 17.17; Ef 1.13; Col 1.5; II Tim 2.15; Tg 1.18).
Jesus disse que “a Escritura não pode falhar” (Jo 10.35).
Os apóstolos dedicaram-se ao ministério da palavra (At 6.4).
Mas qual palavra?
Não a sua propriamente, mas a do evangelho, revelado por Deus desde os profetas do Velho Testamento (Rom 1.1,2), e consumado na manifestação do próprio Jesus, a encarnação da verdade.
Jesus ordenou que vivêssemos e pregássemos o Evangelho.
Fez conosco uma Nova Aliança (Novo Testamento) no Seu sangue (Lc 22.20).
Cabe-nos por conseguinte, distinguir na Bíblia o que pertence à Boa Nova da Salvação, para atendermos ao “Ide” do Senhor, fazendo discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a guardar todas as cousas que Jesus nos tem ordenado, sabendo que Ele está conosco, todos os dias até à consumação do século (Mt 28.19,20).

PREGAR O EVANGELHO A TODA CRIATURA

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc 16.15)

Esta foi a principal ordem dada por Jesus à Igreja.
Pregar o evangelho, ou seja, anunciar as boas novas da salvação a todas as pessoas do mundo, em todas as épocas, até que Ele venha.
A ordem dada foi bem clara e explícita, pois a palavra evangelho, oriunda do grego, significa literalmente mensagem, anúncio de coisas boas.
Assim, a simples pregação da Lei e das penas da Lei divina, e as ameaças e terrores da Lei para aqueles que não obedecem a Deus, não é ainda a pregação do Evangelho, porque isto, ou seja a condenação do pecador não é nenhuma boa notícia.
E ainda que a Lei do Velho Testamento tenha sido dada à nação de Israel no período da Antiga Aliança, dela se aprende por princípio, que Deus de fato julga e penaliza o pecado, aonde quer que ele se encontre, e assim podemos concluir que haverá de fato um grande juízo final, no qual todos os homens terão que prestar contas ao Senhor.
Todavia, mesmo sabendo que não pregamos o evangelho, quando pregamos o juízo, e a Lei divina, isto se faz necessário para o trabalho de convencimento do pecado pelo Espírito, para que seja produzido o devido arrependimento para a recepção do evangelho com a sua oferta de salvação por meio da fé em Jesus Cristo.
O evangelho é o único bisturi espiritual que pode extirpar o câncer do pecado.
Não se deve portanto, por uma alegada compaixão, esconder das pessoas que todos são cancerosos espirituais aos olhos de Deus, que por fim lhes conduzirá à morte espiritual eterna, caso não sejam operados pelo bisturi do evangelho e tratados com a quimioterapia do céu.
Ainda que numa comparação grosseira, imaginemos alguém querendo encobrir uma enfermidade física, por temor de que seja um câncer. E nisto poderá ser ajudado por outras pessoas que pensem estarem lhe fazendo um bem escondendo o diagnóstico da citada doença.
Esta pessoa brevemente virá a falecer.
Agora, caso encarasse de frente a sua realidade e se submetesse ao devido tratamento, é bem certo que teria grandes chances de vencer a morte.
O mesmo se dá com o tratamento do evangelho.
Se o homem, tentar ser compassivo para consigo mesmo, tentando ignorar o câncer do pecado, não poderá ser tratado pela cura que está disponível para ele somente no evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
É preciso reconhecer a nossa doença espiritual do pecado para que possamos procurar o grande médico das almas para sermos curados por Ele.

É por isso que, quando em Lc 2.10, o anjo anunciou aos pastores: “eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo o Senhor.”, ficam em destaque pelo menos duas grandes verdades:

1ª – A vinda de Jesus, o Senhor, ao mundo como Salvador é uma boa nova de grande alegria.
E boa nova, boa notícia, é, voltamos a repetir, o significado literal da palavra evangelho no grego.
Uma boa notícia é algo que traz alegria, como destacado pelo anjo em sua anunciação; e no caso, não se trata de uma alegria qualquer que está associada ao evangelho (boa nova), mas uma “grande alegria”.
O fato de aqueles que não crêem no evangelho, serem condenados eternamente no inferno, não é a boa nova do evangelho, que é de grande alegria, mas a triste verdade de que qualquer pessoa, sem Cristo, está morta em seus pecados por causa do pecado original de Adão.
E a grande alegria do evangelho é exatamente esta boa notícia de que em Cristo há salvação desta condição de morte espiritual por causa do pecado de Adão.
Assim, a condenação eterna faz parte da verdade da Palavra de Deus quanto ao homem no seu estado pecaminoso, mas não do evangelho, no seu caráter de boa nova relativa ao livramento da referida condição.

2ª – A segunda grande verdade na anunciação do anjo, é que esta boa nova é para todo o povo, isto é, não que todos serão salvos, mas que a salvação em Cristo está sendo oferecida por Deus a todas as pessoas.
O evangelho é para ser anunciado a todos e não para alguns.
Todo aquele que se arrepender dos seus pecados e crer em Cristo será salvo por dar crédito a esta boa nova e recepcioná-la em seu coração como verdade, pedindo a Cristo simplesmente pela fé nEle, que o perdoe dos seus pecados e o salve da condenação eterna.
A condenação eterna é portanto conseqüente da rejeição desta boa nova, que é a única forma do pecador se livrar da perdição eterna e se tornar filho de Deus.
O evangelho deve ser pregado portanto com o foco na missão de Cristo, consoante com este evangelho, que é a de salvar e não de condenar o mundo.
O pecado, as conseqüências do pecado devem também ser pregados não como parte do evangelho, mas como alerta quanto ao que sucederá àqueles que rejeitarem a salvação que está disponível a todos em Cristo Jesus.
Cristo veio ao mundo para salvar os perdidos, e ele salva de fato a todo e qualquer pecador que se arrepende e crê nEle.

Graças a Deus pelo seu plano de salvação, pois sem que eu nada fizesse herdei de Adão o dom do pecado e da morte, mas também sem nada fazer, recebi pela graça, mediante a fé, como co-herdeiro com Cristo, o dom da santidade, da vida, da justiça.
E realmente é maravilhosa a graça de Jesus que o levou a experimentar o sofrimento, a injúria, a morte, por amor de mim pecador.
Não foi por nenhum pecado nEle mesmo que Ele sofreu e morreu, mas por ter escolhido livremente se identificar com os pecadores, experimentando a morte no lugar deles, a morte que eles mereciam, a morte que era deles, para que pudessem ter a dívida dos seus pecados perdoada, e pudessem participar da Sua própria vida divina.
Assim, há pecado no desobediente Adão, mas há justiça no obediente Cristo.
Em Adão há condenação e morte, mas em Cristo há salvação e vida.
Há morte no mundo, por causa de Adão, mas também há opção de vida em Cristo Jesus.
Há juízo para condenação no mundo, por causa de Adão, mas também há graça e livramento da condenação, em Cristo.
E há muito mais suficiência de graça, por ser eterna e rica porque procede de Deus, do que há pecado, porque procede do homem e está limitado ao tempo, e está destinado a ser inteiramente destruído por Deus.
Por isso se diz que onde abundou o pecado, superabundou a graça.
Se recebemos o pecado como um dom de Adão, temos recebido também como um dom de Cristo a Sua justiça, para que não sejamos mais servos do pecado, mas servos da justiça.
Cristo libertou de fato o crente da escravidão do pecado pela sua fé nEle.
E crer nEle para a salvação é crer que a temos por causa da Sua morte e ressurreição no nosso lugar.
Ele morreu por nós para que pudéssemos morrer para o pecado e para a condenação da lei.
E Ele ressuscitou dos mortos para que possamos também ressuscitar dentre os mortos.
Pela fé somos unidos a Ele tanto no que se refere à Sua morte, quanto à Sua ressurreição e vida.
Fomos livrados do pecado para que pudéssemos ser feitos servos de Deus, da justiça de Deus.
Romanos 6.17,20 ensina claramente que o crente já não é mais escravo do pecado, consoante o ensino de Jesus sobre esta verdade em João 8.34-36.
Em razão da libertação da escravidão do pecado para sempre; o crente foi feito também simultaneamente, servo da justiça para sempre, conforme se afirma em Romanos 6.18.
É por isso que agora, tendo sido feito um servo da justiça, que o crente se preocupa permanentemente sobre o modo de vida que agrada a Deus.
Eles sentem as dores e as conseqüências da quebra da comunhão com Deus quando pecam, porque já não são mais escravos do pecado, e sim da justiça.
É por isso que são convocados a servirem agora o seu novo senhor chamado justiça (Romanos 6.19).
O pecado não tem realmente mais domínio absoluto sobre a vida do crente porque ele foi libertado da escravidão ao pecado por Cristo.
O crente não precisa necessariamente ficar sujeito aos comandos do pecado que opera na sua carne ordenando-lhe que desobedeça aos mandamentos de Deus, que se rebele, que minta, furte, cobice, adultere, odeie, não ore, não ame, que se deprima, que fique ressentido, ansioso etc, porque o pecado já não é mais o seu senhor, como era antes de ter sido libertado dele por Cristo.
Pois que morreu também para o pecado quando morreu juntamente com Cristo.
E pela Sua graça é impelido agora a praticar a justiça do Reino de Deus.
A justiça de Cristo que lhe ordena que ore, confie, espere, obedeça, suporte, seja sincero, verdadeiro, honesto, fiel, que ame, seja manso, tenha domínio próprio, descanse em Deus, não fique turbado, ansioso, magoado, ressentido, antes que perdoe, assim como Deus o perdoou em Cristo.
O crente foi livrado portanto de um cativeiro, para outro cativeiro. Do cativeiro do pecado, para o cativeiro da justiça.
E ser servo da justiça é ser verdadeiramente livre. Porque é nesta condição que pode agora, e poderá perfeitamente no porvir, fazer toda a vontade de Deus.
E fazer esta vontade é ter o poder para fazer aquilo que é bom e aprovado.
É nisto que consiste a verdadeira liberdade.
A de ser e fazer aquilo que foi planejado por Deus para que sejamos e façamos.
Isto é: ser homem, ser filho de Deus, na verdadeira acepção da palavra.
Cristo conquistou esta liberdade para os filhos de Adão caídos e cativos no pecado, pela identificação deles, pela fé, com a Sua morte, ressurreição e vida.
Libertados agora do pecado, são verdadeiramente livres para poderem fazer a vontade de Deus.
Daí se dizer em Romanos 6.14 que: “o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e, sim, da graça.”.
Vemos assim quão imperioso e necessário é que cumpramos a ordem de nosso Senhor de pregarmos o evangelho a todos em todo o mundo, porque não há nada mais importante do que isso, que seja digno do interesse e aceitação por todos os homens de boa vontade.

UMA NOVA ESPERANÇA PARA ADÚLTEROS E LADRÕES

Qual profeta, no período do Antigo Testamento, poderia ter proferido as seguintes palavras que nosso Senhor Jesus Cristo disse aos religiosos fariseus nos dias do seu ministério terreno:

“Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus.” (Mt 21.31)

Nenhum, e nem mesmo Ele nos dias em que ainda vigorava pela Sua própria determinação e vontade a Antiga Aliança, nos dias do Velho Testamento, porque a própria Lei divina prescrevia a morte dos adúlteros por apedrejamento, e vigorava, também, segundo determinação da Lei de Deus para o seu povo de Israel, o princípio do olho por olho e dente por dente.
Então era assim que funcionava naquele período antigo, antes que nosso Senhor Jesus Cristo viesse e inaugurasse uma Nova Aliança, com a Sua morte na cruz.
O povo que estivesse aliançado com Deus, como era o caso exclusivo da nação de Israel, estaria debaixo dos horrores da Lei, e das suas terríveis sentenças contra os pecados cometidos pelos israelitas; embora fossem justas, santas e boas todas as ordenanças da Lei, e as penas que ela prescrevia.
Hoje são os crentes que compõem o povo de Deus, por estarem aliançados com Ele, na Nova Aliança instituída no sangue de Jesus.
E se afirma nas Escrituras que nesta Nova Aliança já não há mais nenhuma condenação para os aliançados, tal como havia na Antiga.
Os transgressores do pacto não são mortos como se dava no antigo, antes, têm os seus pecados perdoados porque Jesus pagou completamente toda a dívida de pecados dos aliançados.
Se na Antiga Aliança, quando o pecado de adultério era descoberto, isto implicava na morte do adúltero, na Nova, é uma grande oportunidade para o arrependimento e se purificar de tal pecado, quando este vem ao conhecimento da sociedade, quer da Igreja, quer fora dela, porque é algo muito profundo e significativo para Deus, perdoar pecados neste novo pacto com Ele por meio de Jesus, quando sai desde o profundo do coração do adúltero, através dos seus lábios, uma confissão sincera como a que fizera o publicano: “Sê misericordioso para comigo Deus, porque sou um mísero pecador!”.
Daí o apóstolo Paulo ter afirmado o que disse em II Cor 3.6-9:

“6 o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.
7 E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente,
8 como não será de maior glória o ministério do Espírito!
9 Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça.”

Veja quão maravilhoso é constatar que Deus planejou e decidiu dar uma oportunidade a todos os que se arrependerem de seus pecados, na Nova Aliança que fez através do sangue derramado por Jesus na cruz.
Ele não somente tem adiado o juízo final sobre os pecados para um certo Dia ainda futuro, como também tem efetivamente esquecido as faltas e transgressões cometidas no período da dispensação da graça, de todos aqueles que as confessam e abandonam.
E isto sucede somente por causa de Jesus Cristo e das novas condições para se tratar com os que estão aliançados com Deus, nas bases de uma Nova Aliança.
Por isso também se afirma nas Escrituras que nada poderá separar o aliançado do amor de Deus, que está em Cristo Jesus.
Se não havia na Antiga Aliança uma só promessa de perdão total de pecados, para os aliançados daquele pacto antigo, a principal e melhor promessa da Nova, é justamente este perdão total de pecados.
Deus sempre salvou e salvará somente por graça e mediante a fé, tanto antes da Antiga Aliança, como em sua vigência, e principalmente na presente dispensação da graça, do Espírito, da vida e da justiça, como se afirma no texto de II Cor 3.6-9.

É preciso aprender a interpretar fatos, especialmente aqueles que podem produzir escândalos, segundo a perspectiva de Deus, pois aquilo que para nosso entendimento natural pode ser considerado como trágico ou final, pode ser para o Senhor a oportunidade de conversão, de melhora ou de um novo começo.
Assim, feliz é todo aquele que se envergonha quando é surpreendido na prática de alguma falta grave, como por exemplo, de furto, ou adultério, e que se arrependendo, volta-se para Deus à busca de perdão.
Nós encontramos esta perspectiva divina em encarar o pecado, no modo como nosso Senhor Jesus Cristo atuou em relação ao perdão da mulher adúltera citada no oitavo capitulo do evangelho de João.
Aquela mulher certamente se arrependeu, e por isso nosso Senhor agiu de tal forma para com ela.
E é daí que podemos entender porque disse aos fariseus porque publicanos e meretrizes precederiam os mesmos quanto a entrarem no reino dos céus.
São suas palavras em Mt 21.31,32:

“31 … Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus.
32 Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.”

Lembro que certa vez, numa cerimônia de casamento, eu citei que os adúlteros que porventura se encontrassem no recinto da cerimônia, poderiam dar graças e glórias a Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, porque, por meio da fé nEle poderiam viver em fidelidade às suas esposas, conforme é da vontade do Senhor, caso se arrependessem e confiassem em Jesus Cristo.
Feliz foi todo aquele que atendeu a tal convite.
E mesmo aqueles que não se arrependeram na ocasião, e que foram surpreendidos em flagrante adultério posteriormente, fariam bem, em vez de permanecerem na prática do pecado, ou então ficarem gemendo debaixo das acusações da sua própria carne, e do diabo, deveriam voltar-se para Deus, confiando inteiramente na Sua misericórdia, que foi profundamente demonstrada por Jesus morrendo na cruz em nosso lugar, para que pudéssemos ser perdoados e lavados de qualquer tipo de pecado.

Para que possamos nos reconciliar com aqueles com os quais devemos nos reconciliar para um relacionamento feliz e harmonioso, é necessário, antes, estarmos reconciliados com Deus.
Quando o apóstolo Paulo afirmou em II Cor 5.17 que em Cristo, convertidos a Ele, e estando nEle, somos novas criaturas, ele se referiu logo adiante nos versos 18 a 21, que a causa desta nova natureza e condição foi a reconciliação com Deus, como lemos em II Cor 5.18-21:

“18 Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação,
19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.
20 De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.
21 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.”

Assim, se o marido necessita se reconciliar à sua esposa, ou vice-versa, estes, devem, antes, serem restaurados na sua reconciliação com o próprio Deus, produzindo frutos dignos de arrependimento, que os conduza a caminharem na luz de Jesus, que é a única forma de terem comunhão, e os seus corações efetivamente reconciliados em amor e respeito mútuos.
Tentar fazer isto, fora de Cristo, será o mesmo que colocar remendos num tecido velho e desgastado.
É preciso fazer tudo novo em Cristo, numa restauração que não consista em colocar-se remendos, mas fazer com que todas as coisas sejam renovadas pelo Senhor.
Lembremos que Deus não imputa o pecado onde houver sincero arrependimento por meio da confiança no trabalho da graça de Cristo para transformar todas as disposições do nosso coração em disposições santas e justas.
Para o propósito da reconciliação do pecador ofensor com o ofendido, santo e justo Deus, Jesus se tornou o Mediador, e o nosso Advogado, por ter se oferecido como sacrifício por nós, colocando sobre Ele o pecado de todos nós, para que pela fé nEle e no seu sacrifício em nosso lugar, fôssemos feitos justiça de Deus.

Foi o próprio Senhor Jesus Cristo que apareceu ao apóstolo Paulo no caminho de Damasco, e que lhe revelou a eficácia do Seu poder transformador e habilitador para que Paulo pudesse se tornar a partir de então, amigo de Deus, e o Senhor, seu amigo. E além disso lhe chamou para ser ministro da mesma reconciliação que ele havia experimentado.
Por isso afirma que tinha muita ousadia em anunciar a mensagem de reconciliação do evangelho porque fora comissionado para ser embaixador de Cristo na terra, de modo que era o próprio Deus que exortava através dele a todos em todos os lugares para que atendessem ao convite da reconciliação feito pelo Espírito Santo, através de Paulo, aos seus corações.
É importante observar que o apóstolo rogou aos próprios crentes de Corinto que se reconciliassem com Deus.
Já não haviam sido reconciliados por meio da fé em Jesus?
Sim.
Mas se faz necessário que esta posição de reconciliação seja mantida por um viver em retidão, arrependimento e fé.
Daí a exortação do apóstolo feita aos próprios crentes.
Assim, se alguém tem pecado contra Deus e contra o seu próximo, é necessário que lhe estendamos o mesmo convite de reconciliação feito por Paulo.
Afinal, há eficácia no poder do Senhor em restaurar e tornar novas todas as coisas nas vidas daqueles que confessam os seus pecados e que fixam o propósito de Lhe serem agradáveis em tudo.
E mais do que isso, nosso Senhor conquistou para os que estão ligados a Ele, pela fé, uma salvação segura e eterna, que não pode ser perdida.
Há uma figura maravilhosa no Velho Testamento, dada pelo próprio Deus com o propósito didático de nos ensinar esta verdade, antes que ela se cumprisse em Cristo, a saber, a firmeza, segurança e eternidade que há em nosso Senhor Jesus Cristo e no Seu sangue, que Ele derramou por nós na cruz.
Então vejamos:
Somente ao sumo-sacerdote de Israel, dentre tantos sacerdotes, era permitida a entrada no Santo dos Santos do tabernáculo terreno, uma única vez por ano, e não sem o sangue do sacrifício que deveria ser aspergido sobre a tampa da arca da aliança, para que os pecados do povo de Deus pudessem ser perdoados por mais um ano.
Isto indicava que somente nosso Senhor Jesus Cristo, que é sumo-sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque, não de um tabernáculo terreno, mas do celestial, poderia entrar no Santo dos Santos do céu, para fazer expiação pelo pecado de todo o povo de Deus, de uma vez para sempre, pela oferta não de sangue de animais, mas do Seu próprio sangue que havia derramado na cruz.
Ele entrou além do véu que separa o Lugar Santo, do Santo dos Santos celestial, no qual Deus Pai se encontra juntamente com os querubins, e por isso, estes também estavam representados em figura no tabernáculo terreno.
E ali, fixou a esperança da nossa salvação como uma âncora segura e firme, que penetrou além do véu, ou seja, a nossa salvação está ancorada pelo próprio Senhor, no Santo dos Santos celestial, como se afirma em Hb 6.17-20.
Então, o plano de Deus na nossa salvação está firmado na imutabilidade do seu propósito, segundo a Sua promessa feita a Abraão, para que tenhamos forte alento e certeza da segurança eterna que temos em Cristo, conforme se lê também em Hb 6.17-20.
Assim, quando a Bíblia fala em reconciliação por meio de Cristo, está se referindo não a algo passageiro ou que possa ser destruído, mas a algo firme, eterno e seguro.
Estaremos assim, ainda inseguros ou desinteressados em tal reconciliação, que é um assunto de morte ou de vida?
O que escolheremos: a morte espiritual eterna ou a vida eterna que está em Cristo Jesus?
Se queremos a vida, sejamos então humildes de espírito e façamos uma confissão sincera dos nossos pecados ao Senhor, com a firme esperança de que seremos ouvidos, lavados e curados.

O QUE É A CADUCIDADE DA LETRA

É por ignorância que muitos crentes incorrem em erro ao afirmarem que toda a Palavra de Deus, conforme registrada na Bíblia, é uma letra caduca, e se valendo da afirmação do apóstolo Paulo na qual diz o seguinte:

“Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra.” (Rom 7.6)

O que caducou é o que ficou antigo e ultrapassado, e a palavra “letra” deste texto é vertida do original grego gramma, do qual vem a nossa palavra gramática, sendo que gramma é sempre usado no Novo Testamento com o significado de carta, registro, escrito, letras, e Paulo usava esta palavra com freqüência para se referir à Lei cerimonial e civil do Velho Testamento, que constava de várias ordenanças que se cumpriram em Cristo, como por exemplo as leis referentes a coisas limpas e imundas, ao sacrifício de animais, dos dízimos e das ofertas levíticas etc.
Deste modo, não se trata a uma referência aos mandamentos de Cristo do Novo Testamento, nem sequer aos mandamentos morais da Lei de Moisés, ou a tudo o que se pode aprender das Escrituras, inclusive da própria Lei cerimonial e civil.
Ao chamar um viver pelos mandamentos externos civis e cerimoniais da Lei de Moisés, de letra que havia caducado, Paulo não pretendia de modo algum, falar contra a Palavra de Deus, mas afirmar a liberdade que os crentes têm na Nova Aliança do cumprimento das prescrições civis e cerimoniais da Lei, como por exemplo a circuncisão do prepúcio e de tantas outras prescrições que foram dadas por Deus a Moisés para serem cumpridas pelos israelitas no período do Velho Testamento.

Por isso, no próprio texto de Rom 7.6 no qual afirma a caducidade da letra, o apóstolo Paulo afirma também a libertação dos crentes das prescrições civis e cerimoniais da Lei de Moisés, por terem morrido com Cristo para tais exigências da Lei, de modo a poderem viver em novidade de espírito, ou seja, na Nova Aliança do Espírito Santo, na qual a Lei de Deus é escrita pelo Espírito em suas mentes e corações.
Nós podemos verificar nos textos citados a seguir que realmente o apóstolo Paulo fazia uso da palavra grega gramma, que traduzimos por letra, para se referir à Antiga Aliança da Lei de Moisés, e não ao conjunto das Escrituras reveladas por Deus na Bíblia.
Assim, ao lermos tais textos, podemos verificar que ao falar em caducidade da letra Paulo não estava dizendo que as Escrituras caducaram, mas que já não vivem os crentes na Nova Aliança, debaixo do jugo da Lei de Moisés, quanto aos muitos mandamentos específicos aos quais os judeus estavam obrigados no período do Antigo Testamento.

Romanos 2:27 “E, se aquele que é incircunciso por natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a ti, que, não obstante a letra e a circuncisão, és transgressor da lei.”

Romanos 2:29 “Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.”

2 Coríntios 3:6 “o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.”

Aqui se diz que a letra mata porque a Antiga Aliança ou mesmo toda a Lei de Moisés não podia gerar vida eterna conforme a Nova Aliança em Cristo Jesus, na qual os crentes são vivificados em espírito pelo Espírito Santo.

2 Coríntios 3:7 “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente,”

Mais uma vez o apóstolo se refere à Antiga Aliança como sendo ministério da morte, porque por ela não se podia alcançar a vida eterna, senão pelo único caminho estabelecido por Deus para tal, a saber, pela graça, mediante a fé.

2 Timóteo 3:15 “e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.”

Aqui, Paulo chama o conjunto das Escrituras do Velho Testamento, de sagradas letras, ou seja, ele sabia que toda a escritura do Velho Testamento havia sido inspirada por Deus, e portanto não se trata de um texto comum, mas sagrado, e por isso Paulo reconhecia que a Lei é santa, e o mandamento, santo, e justo, e bom, de modo que, tal como ele, não devemos considerar a Palavra de Deus revelada na Bíblia, como algo ultrapassado e que nos mata, em vez de gerar vida.
Lembremos que as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo reveladas na Bíblia são espírito e vida, e não mera letra.

O JUGO DA LEI DE MOISÉS E O DE JESUS E DA SUA LEI

O jugo da Lei cerimonial e civil de Moisés (não a moral) era pesado, mas o jugo de Jesus e da Sua Lei é leve e suave.
O motivo do jugo da lei de Moisés ser pesado residia no fato de que era imposto, como por exemplo a obrigação de ofertas específicas e do dízimo, e o de Jesus é leve e suave, porque o seu caráter é voluntário, porque como se diz em II Cor 9.7: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”.
Isto porque na Lei da Nova aliança inaugurada com a morte de Jesus, nenhum crente é obrigado a dizimar e a ofertar, tal como na Lei de Moisés.
Mas se diz que Deus o amará se ofertar com alegria (veja, ofertar, e não dizimar), segundo o que tiver proposto voluntariamente em seu coração, e com alegria.
A Lei dos dízimos e das ofertas fazia parte da Lei cerimonial e civil de Moisés, que era aplicada aos israelitas no período do Antigo Testamento, como se vê em Malaquias 4.4:

“Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos.”

Veja que se afirma que os estatutos e juízos da Lei de Moisés, dos quais faziam parte os dízimos e ofertas obrigatórias, especialmente a de animais para serem sacrificados como cobertura do pecado, eram prescritos para toda a nação de Israel, ou seja, aos descendentes de Jacó, cujo nome o Senhor havia mudado para Israel.
É por isso que os israelitas foram repreendidos por Malaquias nos dias do Velho Testamento, com as seguintes palavras:

“8 Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda.
10 Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.” (Mal 3.8-10)

Veja que se diz que era a toda a nação de Israel que estava roubando ao Senhor (v. 9), e que os dízimos deveriam ser levados à casa do Tesouro, ou seja, ao Templo de Jerusalém, para ser administrado pelos levitas.
Os dízimos eram o único imposto ou taxa nos dias do Velho Testamento, para servir (como serve a coleta de Imposto de Renda e do INSS em nosso país), para atender às necessidades sociais da nação de Israel, especialmente dos levitas e dos pobres, das viúvas e dos órfãos.
O propósito do dízimo não era o de empobrecer ainda mais os pobres, mas o de assisti-los.
Por isso se diz nas páginas do Novo Testamento que o dízimo era um encargo dado aos levitas, para ser recolhido nos dias do Velho Testamento, ou seja, quando vigoravam os mandamentos civis e cerimoniais da Lei de Moisés para a nação de Israel.

“Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão;” (Hb 7.5)

Veja que se diz que os levitas, tribo à qual pertenciam os sacerdotes do Velho Testamento, tinham o mandamento de recolher os dízimos de seus irmãos israelitas.
Agora, o que se diz de nosso Senhor Jesus Cristo, como sendo o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, ou seja, do Novo Testamento:

“11 Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão?”
12 Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei.” (Hb 7.11,12)

Veja que no contexto do ensino do recolhimento dos dízimos pelos levitas, o autor de Hebreus afirma que nosso Senhor mudou a Lei civil e cerimonial de Moisés para o Seu povo da Nova Aliança, ou seja, não apenas os crentes de Israel, mas os de todas as nações.
E esta lei de Cristo, no assunto dos dízimos e ofertas, está baseada em II Cor 9.7, conforme já citamos anteriormente.
Nenhum líder da Igreja do Senhor está portanto, autorizado pela Bíblia, a impor o recolhimento obrigatório de dízimos e ofertas aos crentes.
Muito menos o de fixar um valor fixo de contribuição igual para todos os membros.
Se por consentimento mútuo, para atender a alguma necessidade específica ou determinada pelo Senhor, houver uma disposição de repartir os custos por todos os membros da congregação, de forma voluntária e com alegria, isto será abençoado por Deus.
Todavia, a norma bíblica segue sendo a de se contribuir voluntariamente segundo o que tiver proposto em seu coração, ou seja, cada um, contribua com o que quiser, sem olhar para aquilo que os demais estejam ou não contribuindo.
Veja o que o apóstolo disse a Ananias e Safira:

“3 Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?
4 Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus.” (At 5.3,4)
O problema com Ananias e sua mulher Safira não foi o de não terem atendido a qualquer ordem no sentido de ofertarem obrigatoriamente, mas de terem tentado enganar a Igreja dizendo que estavam ofertando todo o valor obtido com a venda de um campo que lhes pertencia, quando isto não era verdade.
Pedro disse que caso não tivessem ofertado, e não mentido, nada lhes teria sucedido.
Fechando este assunto, vejamos os seguintes textos bíblicos, para uma melhor compreensão do que está sendo afirmado.
“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.” (Gál 6.2). A lei de Cristo é enfocada aqui como o novo mandamento dado por Ele de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou. Portanto, sempre ofertaremos para assistir às necessidades daqueles aos quais amamos.

“Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?’” (At 15.10)

O apóstolo Pedro se referiu à prescrição do cumprimento dos mandamentos civis e cerimoniais da lei de Moisés aos crentes gentios, como sendo um jugo insuportável, como era de fato, e o qual não era cumprido perfeitamente nem por eles próprios em seus dias, nem por seus antepassados, tão numerosas e pesadas que eram tais prescrições obrigatórias da Lei de Moisés.

“Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.” (Mt 11.30)

É por isso que há um grande contraste entre o jugo e o fardo de Jesus, e o da Lei de Moisés.
Nosso Senhor nos libertou do jugo da Lei cerimonial e civil de Moisés, e faremos bem em permanecer nesta liberdade, para que sejamos pessoas verdadeiramente alegres.
“1 Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.
2 Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará.
3 De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei.
4 De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes.” (Gál 5.1-4)

Veja que o apóstolo Paulo chama no verso primeiro, a Lei de Moisés de jugo de escravidão do qual os crentes foram libertados por Cristo, e ao qual não deveriam mais se submeter, permanecendo firmes na convicção da liberdade que têm por estarem debaixo do jugo da graça, e não do jugo da Lei, como vemos nos textos a seguir:

“Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus.” (Rom 7.4)

“Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra.” (Rom 7.6)

“Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” (Rom 6.14)

Os que pregam os preceitos da Lei de Moisés na Igreja de Cristo, trazem portanto os crentes debaixo de um jugo pesado de servidão, que não é da vontade de nosso Senhor que seus servos carreguem, porque diz que o Seu jugo é suave e o Seu fardo é leve, como são de fato, porque nos libertou da obrigatoriedade de cumprir todos os mandamentos da Lei de Moisés, exceto os mandamentos morais.

FAZER A VONTADE DE DEUS É MAIS DO QUE CUMPRIR A LEI MORAL

De fato, agradar a Deus pelo cumprimento da Sua vontade, consiste muito mais do que se guardar os mandamentos morais da Lei dada a Moisés.
É óbvio que o cumprimento da Lei cerimonial e civil do Velho Testamento, inclusive a moral, pode ser cumprido pelo homem natural, mas somente o homem espiritual pode andar no Espírito Santo, sendo dirigido por Ele em todo o seu viver.
Por isso se testifica que a Antiga Aliança consistia em mandamentos carnais, porque podiam ser guardados pelo homem natural, e que a Nova Aliança está assentada na vida indissolúvel de Cristo nos crentes, capacitando os crentes a viverem e a andarem no Espírito.

“14 visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo da qual Moisés nada falou acerca de sacerdotes.
15 E ainda muito mais manifesto é isto, se à semelhança de Melquisedeque se levanta outro sacerdote,
16 que não foi feito conforme a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder duma vida indissolúvel.
17 Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
18 Pois, com efeito, o mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade
19 (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de Deus.” (Hb 7.14-19)

Assim, o que foi dado por Deus a Israel, para confirmar a Antiga Aliança através de Moisés, foi a Lei escrita em tábuas de pedra.
E foi ordenado aos levitas que ensinassem a Lei a seus irmãos israelitas, para que a guardando, fizessem a vontade de Deus naquele antigo pacto.
Todavia, na Nova Aliança, o que foi dado por Deus aos crentes foi a vida do próprio Cristo, pelo derramar do Espírito Santo em seus corações, e é o próprio Espírito que gera a nova vida nos que se tornam crentes, e é quem imprime a Lei de Deus em suas mentes e corações, ou seja, que faz com que não apenas conheçam, mas que cumpram a vontade de Deus, como se afirma no texto de Jeremias 31.31-34.
Jesus tem assim manifestado o Seu poder de Mestre na Nova Aliança, não apenas ensinando a Sua Lei (vontade) aos crentes, como também é um Mestre capacitado a levá-los a cumprir o que lhes ensina.
Vemos que também neste sentido, os crentes não se encontram debaixo da Lei, e sim da Graça.
Eles são gerados filhos de Deus pelo poder que Jesus lhes dá, e isto não pode ser realizado por meio da observância de mandamentos, mesmo os morais da Lei de Moisés.
Por isso se afirma que o fim, ou seja, a finalidade da Lei é Cristo, para a justiça de todo aquele que nEle crê.
A mera sã moralidade, ainda que necessária e boa, não pode de si mesma produzir esta nova vida do céu.
Por isso há uma convocação na Bíblia a que se busque imitar a fé dos bons líderes que demonstraram possuir a vida abundante do céu por causa da fé, pois que se testifica que o justo viverá da fé.

“7 Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos falaram a palavra de Deus, e, atentando para o êxito da sua carreira, imitai-lhes a fé.
8 Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.
9 Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas; porque bom é que o coração se fortifique com a graça, e não com alimentos, que não trouxeram proveito algum aos que com eles se preocuparam.”(Hb 13.7-9)

A doutrina da Antiga Aliança, baseada na Lei, sendo pregada como meio de salvação, é uma doutrina estranha à do evangelho, porque não põe em realce a graça operante de Jesus para gerar vida nos que prestam culto a Deus, senão apresentar várias prescrições cerimoniais que eram figuras das realidades que se cumprem em Cristo, como a distinção entre alimentos limpos e imundos.
Assim, a Antiga Aliança estava fadada a desaparecer no conselho eterno de Deus, porque não fora instituída para gerar vida nos aliançados, tal como o faz a Nova Aliança em Cristo, e que por isso, é eterna.
A implicação prática desta verdade, deste ensino é que, os que desejam ser salvos por Cristo, devem colocar a Sua confiança completamente nEle próprio, que é o autor e o consumador da fé que produz a salvação.
É Ele quem batiza com o Espírito Santo e que distribui dons espirituais aos homens.
Por isso, o principal mandamento de Cristo é que creiamos nEle.
Porque, sem ter fé nEle, nada da vida de Deus pode ser obtido por nós.
Intensifiquemos então as nossas orações confiando não no poder da própria oração, mas no próprio Cristo, e no Espírito Santo que intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
Que toda a nossa confiança esteja depositada no Capitão da nossa salvação, e nem sequer nos meios de graça que usamos para adorá-lO e servi-lO, quanto mais em nossas próprias habilidades e capacitações pessoais.
Importa que toda honra e glória seja do Senhor, como se afirma no Salmo 115.

“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.” (Sl 115.1)

CONCLUSÃO

Coloquemo-nos no lugar do apóstolo Paulo para entendermos o significado de se estar sob a graça e não sob a Lei, a partir do seu próprio ponto de vista.
Para o apóstolo, como de fato é, o crente, por ter a habitação do Espírito Santo prometido na Nova Aliança, está dotado de todo o aparato espiritual para vencer o pecado, de modo a poder fazer morrer a natureza terrena.
A disponibilidade de graça em Jesus é de tal ordem, que o crente não é considerado um vencedor, mas mais do que vencedor.
Não há como ser vencido pelo pecado ou pelos poderes das trevas, permanecendo em obediência ao Senhor.
A salvação já lhe foi outorgada por estar no Senhor, isto é, nAquele, a quem foi feita a promessa a Abraão de serem abençoadas todas as famílias da terra.
A salvação conquistada simplesmente pela graça, mediante a fé, foi recebida como um dom permanente e seguro. Foi assim que Deus a deu ao crente.
Por isso se diz que já não há mais nenhuma condenação para quem está em Cristo Jesus.
A salvação é portanto, para o crente, algo que já se tem, mas o crente não deve arruiná-la por optar viver na carne, sendo vencido de novo pelo pecado.
Em Romanos 7 Paulo explica qual é a condição do homem sem a habitação e a assistência do Espírito Santo: não consegue fazer o bem que prefere e nem evitar o mal que rejeita.
Mas, por meio da fé em Jesus, pela operação do Espírito Santo, pode ser livrado dessa condição nefasta, e sair-se vencedor sobre a carne.
Assim, apesar de já viver no Espírito Santo, o crente é convocado a andar diariamente no Espírito (Gál 5.25), de modo a não mais satisfazer a carne (Gál 5.16). Desse modo o preceito da lei se cumpre no crente, pois não andará segundo a carne, mas segundo o Espírito Santo (Rom 8.5).
Se não andar no Espírito, então satisfará a carne. A vida de uma dessas duas naturezas do crente determina a morte da outra. Se na carne, apaga o Espírito. Se no Espírito mata a carne.
Daí a recomendação de Rom 8.13: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis.”.
A vida eterna é certa para quem mortifica a carne por andar no Espírito. Esta é a boa nova do Evangelho. É a vitória de Jesus e do crente. O pecado é vencido desta forma.
O crente não está na carne, mas no Espírito (Rom 8.9), porque tem a habitação do Espírito por meio da fé em Jesus.
Sabe que é filho de Deus pela testificação do Espírito com o seu espírito (Rom 8.14-17).
Então deve viver nessa nova vida, como filho de Deus, que de fato é. E não mais na carne, que era a condição em que vivia antes do seu encontro pessoal com Cristo (Rom 8.5-8).
Por isso o apóstolo João diz que a lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo 1.17).
Jesus mesmo destrói as obras do diabo e da carne, e gera em nós a nova vida que procede de Deus e que é operada pelo Espírito Santo.
Esta é a verdade.
E isto temos recebido pela graça, que atua mediante a fé.
Assim temos recebido da plenitude de Jesus e graça sobre graça (Jo 1.16).
Vivamos então na sua graça, e o pecado não terá mais domínio sobre nós.
Nada disso pode ser obtido pelo nosso simples esforço em cumprir a Lei, ainda que tal esforço seja necessário.
Não vem de nós, é um dom de Deus.
Não estamos sozinhos, isolados, debaixo da lei, gemendo por tentar cumprir os seus mandamentos, sem que tenhamos grande sucesso nisso.
Ao contrário, estamos nAquele que não somente é poderoso para guardar-nos de tropeços e do mal.
Mas, que, por meio da Sua graça pode conduzir-nos a viver de modo inteiramente agradável a Deus, pela força operante do Seu poder em nós.
A Ele seja portanto, toda glória, honra e todo louvor, pelos séculos dos séculos.
Amém!

Pr Silvio Dutra

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