Home » Vida Cristã

Entendendo o Perdão

Profile photo of Redação Gospel+ Por Redação Gospel+ em 15 de outubro de 2007

Estudos Bíblicos em seu email

Receba Estudos Bíblicos em seu email gratuitamente! Insira seu email:

Gospel+ no Twitter!

ou no facebook

“Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta”. – Mateus 5:23,24

Visite: Gospel +, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel

A reconciliação não é algo a ser praticado somente entre nós e Deus, mas também para com nossos irmãos. Reconhecemos, que, à semelhança da cruz, também temos duas linhas do fluir da reconciliação: a vertical (o homem com Deus) e a horizontal (entre os homens). O mesmo perdão que recebemos de Deus deve ser praticado para com nossos semelhantes.

QUEM NÃO PERDOA NÃO É PERDOADO

O perdão (ou a falta dele) faz muita diferença na vida de alguém. A reconciliação horizontal determina se a vertical que recebemos de Deus vai permanecer em nossa vida ou não. A palavra de Deus é clara quanto ao fato de que se não perdoarmos a quem nos ofende, então Deus também não nos perdoará. Foi Jesus Cristo quem afirmou isto no ensino da oração do Pai-nosso:

“Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”. – Mateus 6:14,15

Deus tem nos dado seu perdão gratuitamente, sem que o merecêssemos, e espera que usemos do mesmo espírito misericordioso para com quem nos ofende. Se fluímos com o Pai Celestial no mesmo espírito perdoador, permanecemos na reconciliação alcançada pelo Senhor Jesus. Contudo, se nos negamos a perdoar, interrompemos o fluxo da graça de Deus em nossa vida, e nossa reconciliação vertical é comprometida pela ausência da horizontal. Cristo também nos advertiu com clareza sobre isto em uma de suas parábolas (faladas num contexto que envolvia o perdão):

“Por isso o reino dos céus é semelhante a um rei, que resolveu ajustar contas com os seus servos.
E passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que devia dez mil talentos.
Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o seu senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, e que a dívida fosse paga.
Então o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo e tudo te pagarei.
E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora, e perdoou-lhe a dívida.
Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: paga-me o que me deves.
Então o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo e te pagarei.
Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
Vendo os seus companheiros o que havia se passado, entristeceram-se muito, e foram relatar ao seu senhor tudo o que acontecera. Então seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?
E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse toda a dívida.
Assim também o meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”
. – Mateus 18:23-35

O significado desta ilustração dada por Jesus Cristo é muito forte. Temos um rei e dois tipos de devedores. Se a parábola ilustra o reino de Deus, então o rei figura o próprio Deus. O primeiro devedor tinha uma dívida impagável, enquanto que a do segundo estava ao seu alcance. Não há como comparar a dívida de cada um. Dez mil talentos da dívida do primeiro servo era o equivalente a cerca de 200.000 dias de trabalho, enquanto que os cem denários que o outro servo devia era o equivalente a apenas cem dias de trabalho. Esta diferença revela a dimensão da dívida que cada um de nós tinha para com Deus, e que, por ser impagável, estávamos destinados à prisão e escravidão eterna. Contudo, sem que fizéssemos por merecer, Deus em sua bondade, nos perdoou. Portanto, Ele espera que façamos o mesmo. O cristão que foi perdoado de seus pecados e recusa-se a perdoar um irmão – seu conservo no evangelho – terá seu perdão revogado.

Isto é muito sério. As ofensas das pessoas contra a gente não são nada perto das nossas ofensas que o Pai Celestial deixou de levar em conta. E a premissa bíblica é de que se pudemos ser perdoados por Ele, então também devemos perdoar a qualquer um que nos ofenda.

A FALTA DE PERDÃO É UMA PRISÃO

Quem não perdoa, está preso. Lemos em Mateus 18:34: “E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse toda a dívida”. A palavra verdugo significa “torturador”. Além de preso, aquele homem seria torturado como forma de punição. A prática do ministério nos revela que o que Jesus falou em figura nesta parábola é uma realidade espiritual na vida de quem não perdoa. Os demônios amarram a vida daqueles que retém o perdão. Suas torturas aplicadas são as mais diversas: angústia e depressão, enfermidades, debilidade física, etc.

Muita gente tem sofrido com a falta de perdão. Outro dia ouvi alguém dizendo que o ressentimento é o mesmo que você tomar diariamente um pouco de veneno, esperando que quem te magoou venha a morrer. A falta de perdão produz dano maior em quem está ferido do que naquele que feriu. Por isso sempre digo a quem precisa perdoar: – “Já não basta o primeiro sofrimento, porque acrescentar um outro maior (a mágoa)”?

Alguns acham que o perdão é um benefício para o ofensor. Porém, eu digo que o benefício maior não é o que foi dado ao ofensor, mas sim o que o perdão produz na vítima, naquele que está ferido. Sem perdão não há cura. A doença interior só se complica, e a saúde espiritual, emocional e física da pessoa ressentida é seriamente afetada. Em outra porção das Escrituras (onde o contexto dos versículos anteriores é o perdão), vemos o Senhor Jesus nos advertindo do mesmo perigo:

“Entra em acordo sem demora com teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.
Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo”.
– Mateus 5:25,26

Não sei exatamente como é está prisão, mas sei que Cristo não estava brincando quando falou dela. A falta de perdão me prende e pode prender a vida de mais alguém. Isto é um fato comprovado. Tenho presenciado gente que esteve presa por tantos anos, e ao decidir perdoar foi imediatamente livre. Isto também pode acontecer com você, basta decidir perdoar.

SEGUINDO O EXEMPLO DIVINO

Como deve ser o perdão?

A pessoa tem que pedir o perdão ou merecê-lo para poder ser perdoada? Não. Devemos perdoar como Deus nos perdoou:

“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou”. – Efésios 4:32

O texto bíblico diz que nosso perdão e reconciliação horizontal deve seguir o exemplo da que Deus em Jesus praticou para conosco. Então, basta perguntar: – “Fizemos por merecer o perdão de Deus? Não. Então nosso ofensor também não precisa fazer por merecer”.

O perdão é um ato de misericórdia, de compaixão. Nada tem a ver com merecimento. O apóstolo Paulo falou aos efésios que o perdão é fruto de um coração compassivo e benigno. O perdão flui da benignidade do nosso coração, e não por haver ou não benignidade no ofensor.

Jesus disse que se eu souber que alguém tem algo contra mim, devo procurá-lo para tentar a reconciliação. Mesmo se tal pessoa não me pr
ocurar ou nem mesmo quiser falar comigo, tenho que ter a iniciativa, tenho que tentar.

Deus ofereceu perdão gratuito a todos, independentemente de qualquer comportamento, e Ele é nosso exemplo!

NÃO HÁ LIMITE DE VEZES PARA PERDOAR

Certa ocasião, o apóstolo Pedro quis saber o limite de vezes que existe para perdoar alguém. E foi surpreendido pela resposta que Cristo lhe deu:

“Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. – Mateus 18:21,22

O Senhor declarou que mesmo se alguém repetir sua ofensa contra mim por quatrocentos e noventa vezes, ainda deve ser perdoado. Na verdade, os comentaristas bíblicos em geral entendem que Jesus não estava se prendendo a números, mas tentando remover o limite imposto na mente dos discípulos para perdoar.

Fico pensando o que seria de nós sem a misericórdia de Deus. Quantas vezes Deus já nos perdoou? Quantas mais Ele vai nos perdoar? Se devemos perdoar como também Deus em Cristo nos perdoou, então fica claro que não há limite de vezes para perdoar!

O DIABO É QUEM LEVA VANTAGEM

Já falamos que há uma prisão espiritual ocasionada por reter o perdão. E que demônios se aproveitam desta situação. Agora queremos examinar um outro texto bíblico que nos mostra nitidamente que a falta de perdão dá vantagem ao diabo:

“A quem perdoais alguma cousa, também eu perdôo; porque de fato o que tenho perdoado, se alguma cousa tenho perdoado, por causa de vós o fiz na presença de Cristo, para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios”. – II Coríntios 2:10,11

O apóstolo Paulo revela que se deixamos de perdoar, quem vai se aproveitar da situação é Satanás, o adversário de nossas almas. Disse ainda, que não ignorava as maquinações do maligno. Em outras palavras, ele estava dizendo que justamente por saber como o diabo age na falta de perdão, é que não podia deixar de perdoar.

Precisamos entender que Deus não será engrandecido na falta de perdão. Que o ofendido não lucra nada por não perdoar. Que até mesmo o ofensor pode estar espiritualmente preso. O único que lucra com isso é o diabo, pois passa a ter autoridade na vida de quem decide alimentar a ferida do ressentimento.

A Bíblia nos ensina que não devemos dar lugar ao diabo (Ef.4:27). Que ele anda em nosso derredor rugindo como leão, buscando a quem possa tragar (I Pe.5:8), e que devemos resisti-lo (Tg.4:7). Mas quando nos recusamos a perdoar, estamos deliberadamente quebrando todos estes mandamentos.

CONSELHOS PRÁTICOS

Para aqueles que reconhecem que não há saída a não ser perdoar, mas que, por outro lado, não é algo tão fácil de se fazer, quero oferecer alguns conselhos práticos que serão de grande valia.

Primeiro, o perdão não é um sentimento, é uma decisão e também uma atitude de fé. Já dissemos que o perdão não é por merecimento, logo, não tenho motivação alguma em minhas emoções a perdoar. Não me alegro por ter sido lesado, mas libero aquele que me lesou por uma decisão racional. Portanto, o perdão não flui espontaneamente, deve ser gerado no coração por levar em consideração aquilo que Deus fez por mim e sua ordem de perdoar. As conseqüências da falta de perdão também devem ser lembradas, para dar mais munição à razão do que à emoção.

É preciso fé para perdoar. Certa ocasião quando Jesus ensinava seus discípulos a perdoarem, foi interrompido por um pedido peculiar:

“Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.
Se por sete vezes no dia pecar contra ti, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe. Então disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé”.
– Lucas 17:3-5

Naquele instante os discípulos reconheceram que para praticar este nível de perdão iriam precisar de mais fé. E Jesus parece ter concordado, pois nos versículos seguintes lhes ensinou que a fé é como semente, quanto mais se exercita (planta) mais ela cresce (se colhe).

É necessário crer que Deus é justo e que Ele não nos pede mais do que aquilo que podemos dar. Se Deus nos pediu que perdoássemos, Ele vai nos socorrer dispensando sua graça no momento em que tivermos uma atitude de perdão.

Muitas vezes o perdão precisa ser renovado. Depois de declarar alguém perdoado, o diabo, que não quer perder seu domínio, vai tentar renovar a ferida. Em provérbios 17:9 as Escrituras Sagradas nos falam sobre encobrir a questão ou renová-la. É preciso tomar uma decisão de esquecer o que houve, e renovar somente o perdão. Cada vez que a dor tentar voltar, declare novamente seu perdão. Ore abençoando seu ofensor. Lute contra a mágoa!

É importante ver os ofensores como vítimas. Isto é algo especial que vejo em Jesus na cruz:

“Contudo Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. – Lucas 23:34

Em vez de olhar para eles como quem merece punição e castigo, Jesus enxerga que eles também eram vítimas. Aqueles homens estavam em cegueira e ignorância espiritual, debaixo de influência maligna, sem nenhum discernimento de quem estavam de fato matando. Eram vítimas de todo um sistema que os afastou de Deus e da revelação das Escrituras. E ao reconhecer que ele é que eram vítimas, em vez de alimentar dó de si mesmo (como nós faríamos), Jesus teve compaixão deles.

Acredito que este é um princípio para o perdão fluir livremente. Assim como Jesus o fez, deixando exemplo, Estevão, o primeiro mártir do Cristianismo, também o fez:

“Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado”. – Atos 7:60

Quando você começa a enxergar as misérias da vida espiritual de seu ofensor (ao menos a que manifestou no momento de te ferir), e canaliza o amor de Deus por ele, como você também necessita do amor divino ao se achegar arrependido em busca de perdão, a coisa fica mais fácil. 

Por Pr. Luciano Subirá

Artigo extraído do site www.orvalho.com

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."

PS.: Comentários via Google+ estão logo abaixo desabilitados no momento.


Comentários via Facebook

13 comentaram, comente você também!

  1. Sonia Vasconcelos disse:

    Deus tem trabalhado em minha vida esta area do perdão e eu tenho sido tremendamente agraciada por Ele. Continua ensinando que tudo isso é para a Gloria de Deus amém.

  2. PRECISO APRENDER A PERDOAR, ESTOU MUITO MAGOADO, QUAL E A MELHOR FORMA DE COMECAR ESTE PROCESSO, O PRIMEIRO PASSO.

  3. Este estudo é maravilhoso, ele contem todas informações biblicas que o homen precisa saber sobre o perdão . Que Deus possa sarar muitos através deste ensino . que o Senhor te abançoe pastor,

  4. “Há um grande numero de escritos circulando no meio evangélico defendendo enfaticamente a tese de que devemos perdoar incondicionalmente. Esta literatura é muito popular e dessa forma tem influenciado o pensamento de muitos, levando-os a pensar que este é um ensino natural nas Escrituras, mas não o é.
    Como Cristo sendo o expositor dos propósitos do Pai perdoa? Ele perdoa como uma resposta ao arrependimento daquele que ofendeu. Isso significa que o perdão sem arrependimento do ofensor não se torna algo pleno e bíblico de fato.
    João o apóstolo do amor afirma em 1 João 1.9 “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”.
    Somos ensinados na Bíblia a perdoar como Deus em Cristo nos perdoou.
    “… perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” Efésios 4.32b (NVI)
    “Sobre aqueles que querem perdoar sem o arrependimento, Wells acrescenta: ‘seríamos nós mais santos que Deus? Nosso arrependimento é necessário ao Seu perdão, o de nosso ofensor não é menos necessário para o nosso”.

  5. Se pensarmos em um perdão incondicional vindo de Deus, seremos levados a uma conclusão natural – o universalismo, pois se o sacrifício de Cristo não exige mudança de vida, na forma do arrependimento, a conseqüência natural seria uma obra salvífica universal, alcançando incondicionalmente a todas as criaturas, não importando na verdade nem em quem ela crê. Isso é antibíblico porque a verdadeira fé em Cristo ou fé salvadora implica em um arrependimento de pecados diante do Deus revelado em Cristo.
    E aqueles casos em que não é possível saber se houve um arrependimento do ofensor, por exemplo, quando este já morreu, como agir? Penso que podemos responder a esta pergunta com um princípio bíblico que se aplica ao contexto da dinâmica de relações: ofensor, ofendido e o perdão. Quando falamos que o perdão pleno ocorre quando há o pedido do perdão por parte do ofensor, não queremos dizer que se isso não ocorrer o ofendido deve se manter endurecido, irado, mantendo arquivado a amargura e o desejo de vingança. De forma nenhuma, pois nada disso é cristão e conseqüentemente bíblico.
    O Cristão verdadeiro dever sempre manter em seu coração uma atitude positiva pró-perdão, seu coração deve estar tocado pela graça no sentido de que ele permaneça puro, (conf. Colossenses 4.12-13) onde toda a dor da ferida recebida seja entregue ao justo juiz, aquele que julga retamente e que alivia a nossa alma (Rom. 12.17-20; Ef. 4.27, 31-32; Tiago 1.19-20). É preciso depositar aos pés de Jesus toda a nossa dor, angústia, ira e revolta. Nele temos paz e assim receberemos uma disposição perdoadora. Dessa forma estamos puros diante de Deus, e podemos viver o resto da vida sem amarras às feridas que recebemos de alguém que não mais poderá nos pedir perdão e acertar a situação. Isso se aplica também aos vivos, pois até que haja um encontro de acertos de contas visando resolver o problema, nosso coração deve manter-se puro, sem raízes de amargura, mas mantido em uma pré-disposição positiva na direção do perdão, liberando-o sempre que for requerido coerentemente. Tudo isso feito na força da graça do Senhor, gerando assim uma cura completa do ofensor e do ofendido, mesmo que os relacionamentos nunca mais possam vir a ser os mesmos. (Você conseguiria ser amigo de alguém que lhe tenha estuprado ou de um assassino do seu filho?) Uma coisa é perdoar e até servir ao ofensor, outra coisa é ter um relacionamento profundo de amizade e comunhão. Deus pode fazer um milagre em nossas vidas até nisso, mas a Bíblia deixa claro que mesmo quando ocorre um perdão verdadeiro, algumas conseqüências podem permanecer. Exemplo: Deus perdoou o povo no deserto, mas não permitiu que os mesmos entrassem na terra prometida, Deus perdoou o pecado de Davi, mas não impediu seu sofrimento familiar, Jesus perdoou o ladrão que estava pendurado à sua direita, mas não impediu a sua morte, Jesus pediu ao Pai que perdoasse aos seus algozes (e alguns foram perdoados, pois certamente se arrependeram – vide Lucas 23.44-48), mas isso não impediu a destruição de Jerusalém algumas décadas depois, conforme o próprio Jesus profetizou.

  6. Agora e aqueles textos bíblicos que parecem dizer que o perdão é incondicional? Bem, temos de nos lembrar que para fazermos uma correta e ética interpretação não podemos isolar textos bíblicos, temos de analisá-los a luz de todo o contexto das Escrituras e o que vimos até aqui já nos serve um pouco como arcabouço para entendê-los corretamente. Vejamos alguns:
    Mt 6.12,14-15 (o pai nosso), Não é dito nestes textos que o perdão seja incondicional, mas sim que um verdadeiro cristão deve sempre estar pronto a perdoar quando lhe for requerido dentro das condições estabelecidas pela própria escritura. Aquele que é alcançado pelo perdão divino deve ser um canal desse perdão para outros.
    Mt. 5.44 Orar pelos inimigos envolve o pedido para que Deus aja na vida destes e a maior benção que Deus pode trazer a estes será o arrependimento para que haja perdão, tanto humano como divino. O cristão não pode buscar vingança, mas justiça.
    Mc. 11.25 Novamente é destacado neste texto o imperativo do perdão, mas não do perdão incondicional, mas do perdão sob a condição bíblica do arrependimento do ofensor. Se um cristão não perdoa a alguém que lhe pede perdão o pecado está estabelecido e a comunhão com Deus seriamente prejudicada. Um coração perdoador é vital para uma real comunhão com Deus.
    Lc. 23.34 Este pedido de Jesus não é uma generalização do perdão sem arrependimento, mas um pedido ao Pai para que mesmo diante de um mal tão terrível, ainda haja perdão para os pecadores arrependidos, sejam eles quem forem, pois era para isso também que a morte de Jesus estava acontecendo.
    Concluímos diante de tudo o que foi exposto até aqui que:

  7. a) O perdão é ilimitado, mas não incondicional. Conforme Lucas 17.3-4
    b) O perdão verdadeiro é um desafio a fé, mas é possível pela graça de Deus derramada em nossos corações. Quando perdoamos estamos “apenas’ repassando a mesma graça com a qual fomos contemplados por Deus.
    c) O perdão nos moldes das Escrituras nunca é algo superficial ou leviano, mas algo sério e profundo, onde o arrependimento sempre é esperado daqueles que erraram. Não é assim, por exemplo, que a disciplina eclesiástica bíblica correta deve funcionar sempre, restaurando pecadores a comunhão do corpo mediante um testemunho claro de arrependimento por parte destes?
    d) O perdão pleno se dá mediante confrontação, acerto e encontro entre as partes sempre que possível, pois somente assim as coisas são tratadas e o perdão é liberado e recebido conscientemente gerando todo o seu potencial de cura e libertação mútua.
    e) A parte ofendida deve sempre manter-se positiva em relação ao perdão dos seus ofensores, seu coração deve estar pronto a, com a ajuda do Senhor, liberar o perdão sempre que lhe for requerido de forma coerente. Se deixarmos de perdoar estamos incorrendo em pecado e nos dispondo a sofrer todas as conseqüências desse ato anti-bíblico; pois um coração que não perdoa traz para si conseqüências terríveis em todos os níveis da existência.
    f) A atitude de Jesus descrita por Pedro em 1 Pedro 2.23 é o nosso grande modelo; vingança jamais; revide nunca; mas uma entrega confiante da situação ao justo juiz de toda a terra; sempre.
    g) As alternativas à falta de arrependimento do ofensor não são a ira ou a vingança , mas a compaixão e a entrega submissa a Deus de toda a situação sofrida.
    h) Podemos entender então a razão de Jesus nos ensinar a orar pelos nossos perseguidores e não de perdoá-los automaticamente conforme Mateus 5.44. O texto anterior nos lembra que é bíblico orar pelos ofensores para que Deus lhes traga o arrependimento e assim sejam salvos e perdoados. O que não implica na rejeição da aplicação correta das penas humanas ou criminais pelos atos cometidos.
    i) Mesmo quando perdoamos continuamos a não ter nenhum mérito na graça perdoadora de Deus. Somos perdoados pela graça, e não porque fomos capazes de perdoar alguém que nos pediu perdão, Lucas 17.10 diz que mesmo quando fizermos aquilo que Deus nos manda fazer continuamos sendo servos totalmente carentes de sua graça.

  8. Vale lembrar que: “O arrependimento não compra o perdão. Cristo pagou pelo nosso perdão em sua morte. Mas, tendo pago o resgate, deu-nos autoridade para perdoar pecados gratuitamente, de sorte que agora temos autoridade para perdoar outros. Somos solicitados a declarar perdão a todos os que verdadeiramente se arrependem, que respondem à Palavra de Deus, e ao Espírito de Deus”.[4]
    Perdoar é de Deus, aprendamos a perdoar com Deus e perdoemos com a força que Ele mesmo nos dá.
    ________________________________________
    Ednilson Correia de Abreu
    Pastor da Primeira Igreja Batista em Ecoporanga – ES

    site original do texto:
    http://vcrista.blogspot.com/2009/09/o-perdao-sem-arrependimento-e-biblico.html

  9. Perdoar é realmente uma questão que diz respeito a todos nós. Conseguimos perdoar quando entendemos que não cabe mais outra saída a não ser perdoar, pois enquanto procuramos justificativas para o erro não conseguimos perdoar. Perdoar não significa procurar justificativas ou amenizar os erros e sim reconhecer que o erro, a ofensa existe e que não há forma de pagar a não ser perdoar. É difícil e precisamos pedir a Deus a capacidade, pois não a temos, humanamente falando não conseguimos perdoar, teremos sempre a tendência de cobrar a falta, olho por olho. Mas, a boa notícia é que é possível, quando pedimos a Deus que nos dê a capacidade, e aí vem o maior benefício: temos paz e somos também perdoados dos nossos 10000 talentos e vemos que saímos com um enorme benefício. Ele nos capacita, quando pedimos.

  10. regras de ouro para este assunto tão delicado.

    Mt cp 7 vs7 ao 12

    Lc cp 6 vs 31

    At cp 20 vs 35

    Para finalizar; O perdão vem de Deus , pois o homem natural não tem capacidade por si próprio de executar ou liberar tal dadiva.

  11. EU TENHO TODA A CERTEZA QUE O PERDÃO DEPENDE DE DEUS. POIS É MUITO SIMPLISTA DIZER A ALGUÉM QUE É SÓ PERDOAR E PRONTO. SE ASSIM FOSSE NÃO TERIAMOS TANTAS PESSOAS DEPRESSIVAS (INCLUSIVE PASTORES) DENTRO DO ARRAIAL EVANGÉLICO. ACREDITO QUE DEPENDEMOS INTERAMENTE A TERCEIRA PESSOA DA TRINDADE PARA PODERMOS FAZER ISSO. PRINCIPALMENTE EM CASOS TÃO EXTREMOS COMO ABUSO DE PESSOAS TÃO INTIMAS. DEUS ABENÇÕE A TODOS NÓS.

  12. Irmão Oseias, não sei se alguma vez vai ler este meu comentário, mas agradeço-lhe de qualquer forma pelo rebatimento que fez a esta mensagem universalista do perdão, com este estudo, e este sim, um estudo falando do que as Sagradas Escrituras ensinam acerca do perdão.
    De facto o que eu vejo é que o perdão não é incondicional, unilateral, é antes um processo que envolve duas ou mais partes para que seja resolvido. Um ofendido nunca pode perdoar um ofensor sem que este reconheça, se arrependa e peça perdão pela ofensa que cometeu. É verdade que Deus perdoa a todos e é isso que a Palavra de Deus diz, mas também estabelece a regra para esse mesmo perdão ser exercido e acho que o versiculo chave é mesmo 1 João 1.9 “SE… confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”. Um grande abraço e que o Senhor o abençoe.

    

Sua resposta

Adicione seu comentário abaixo, ou faça trackback de seu site ou blog. Você pode também assinar esses comentários via RSS.
Seja legal. Não escreva em CAIXA ALTA. Mantenha no tópico. Limite de 3000 caracteres no comentário.

Há 5,002 comentários no Estudos Bíblicos.

Da Internet e em Inglês para Praticar