Home » Teologia

A experiência do Espírito na História da Teologia

Avatar de Valter Borges Por Valter Borges em 14 de abril de 2009

Estudos Bíblicos em seu email

Receba Estudos Bíblicos em seu email gratuitamente! Insira seu email:

Gospel+ no Twitter!

ou no facebook

Nas origens do cristianismo, os apóstolos proclamaram a primazia do Espírito sobre qualquer outro tipo de orientação. Paulo identificou alguns excessos e orientou o uso dos dons para a edificação da igreja, colocando em primeiro lugar a profecia, entretanto esse dom deveria ser disciplinado mediante o discernimento, por conta de falsos profetas.

Visite: Gospel +, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel

No século II a primazia continua do Espírito, sem conflito com a institucionalização da Igreja, entretanto ao final desse século surge a crise do Montanismo. Há oposição entre a igreja espiritual e a igreja instituição, pois entenderam o Montanismo como uma ameaça à unidade e à ordem na Igreja. A experiência do Espírito no século III torna-se tão excepcional que força os bispos a organizar liturgias e ministérios, recorrendo ao simbolismo sacerdotal do Antigo Testamento.

João Crisóstomo afirma que os dons eram somente para a igreja primitiva e não mais para os dias hodiernos. A partir de Irineu, o Espírito Santo foi reduzido à igreja. Embora a tradição oriental tenha um conceito amplo de igreja, onde ela e o Espírito estão em tudo, assim o mundo não fica fora da ação do Espírito; no ocidente, a igreja identificou-se com a hierarquia. Então vemos o Espírito Santo ligado à igreja-Instituição e ao conceito de poder; o Espírito está com a Igreja instituição contra o império. O Espírito age no mundo por meio da igreja institucional. Assim a eclesiologia do século XIV procura definir os poderes da igreja, situando nela o poder do Espírito.

Segundo Abade Joaquim, apoiado pela teologia popular, eles estavam na véspera do advento da idade (era) do Espírito Santo, as outras foram a do Pai e a era do Filho (Jesus), sendo, esta era, a renovação da sociedade inteira, uma mudança da história. A igreja reagiu com força, Tomás de Aquino atacou Joaquim duramente, dizendo que tudo o que se podia esperar do Espírito Santo já foi dado e está presente na Igreja, com isso o tomismo favorecia a igreja-Instituição.

Essa estrutura básica não foi mudada por Lutero e Calvino, que a mantiveram ligados ao poder da Igreja. Eles lutavam contra a igreja romana e contra as igrejas populares, onde os desprezavam taxativamente. Assim surgiu o dualismo: igreja-mundo.

A masculinização do Espírito Santo que passou do original “feminino”, na cultura hebraica; tornando-se “neutro”, na cultua grega, finou raízes, no latim, como gênero “masculino”, embora sua atuação refere-se à maternidade (feminina).

Deus não tem sexo, é claro! Mas as palavras que falamos de Deus, diz respeito ao gênero humano (homem e mulher). No ocidente, Agostinho, eliminou toda referência ao feminino, pois não considerava a mulher como imagem de Deus. O tomismo acolheu esse pensamento, pois, afinal, se o Espírito é poder, a masculinidade lhe convém melhor.

A ausência de uma teologia e de uma prática do Espírito Santo provocou o triunfo do ateísmo, ao racionalizar e intelectualizar o cristianismo, concentrado num clero extremamente intelectual, e alheios a qualquer experiência do Espírito, desde sua formação. Com isso, o catolicismo popular, foi se identificando com os evangélicos (pentecostais) e/ou caindo no ateísmo.

O intelectualismo, portanto, destruiu a religião do povo, sendo agente do ateísmo. Além disso, o Deísmo, substituindo o Deus Trino, aparece como Senhor, todo-poderoso, conhecido pela razão e não pela fé, dono de tudo, que exige obediência total, cuja figura está ligado ao poder, gerando a rejeição do homem, pois, diante de tal deus, nada pode fazer, não existe espontaneidade, enclausurando o ser humano na obediência em toda sua existência.

Se, atualmente, assistimos a uma renovação da experiência do Espírito Santo, trata-se de um fenômeno único na história da Igreja desde o 3º século. As expressões de tal experiência vêem-se nas comunidades de fé, nas periferias, nas pequeninas igrejas, longe de ficar reduzida aos carismas da igreja primitiva, mas, que na verdade, se realiza na história, não individual, mas ligada à constituição da comunidade de fé.

Essa renovação chama a atenção dos teólogos, onde nem todos se convencem, embora os maiores deles sintam que se trata de algo fundamental, não é uma revisão histórica, mas, se for, devemos remontar à crise no fim do século II.

Com o desafio do ateísmo, exige-se reformas mais radicais. O ateísmo não poupará nada da antiga cristandade. A reforma do século XVI foi brincadeira diante da atual conjuntura, pois mudaram a superfície, e não tocaram no fundo da questão.

A nova experiência do Espírito é um passo, se interpretarmos corretamente os sinais dos tempos.

Esse passo já entrou no caminho do cristianismo do futuro.

Reflitamos sobre isso!

 
Ev. Valter Borges
Pr. AD Thelma

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."


PS.: Comentários via Google+ estão logo abaixo desabilitados no momento.


Comentários via Facebook

Sua resposta

Adicione seu comentário abaixo, ou faça trackback de seu site ou blog. Você pode também assinar esses comentários via RSS.
Seja legal. Não escreva em CAIXA ALTA. Mantenha no tópico. Limite de 3000 caracteres no comentário.

Há 5,000 comentários no Estudos Bíblicos.